He’s got the Power

Na sequência do comentário do António sobre Obama, Brzezinski e companhia limitada, conto uma estória menos conhecida da irlandesa Samantha Power, a face jovem dos conselheiros de política externa do candidato democrata à Casa Branca.
Apesar do currículo aparentemente cheio de sucesso, Samantha tem uma história de ascensão na vida política estadounidense típica de um sonho americano: julgo que por alturas nos anos 90 em que era correspondente jornalística na antiga Jugoslávia, decidiu dedicar-se a estudar o fenómeno do genocídio, tendo-se proposto fazer uma análise sobre o assunto durante 3/4 anos e, no seguimento desse trabalho, escrever um livro sobre o tema. Samantha bateu a todas as portas de editoras e ninguém se mostrou interessado em patrocinar o seu research durante 4 anos sobre genocídio. Depois de momentos de desespero, lá conseguiu uma editora que lhe financiasse esta sua heróica missão. Quando percebeu a dimensão do tema, viu-se na necessidade de dedicar mais tempo ao livro e acabou por só concluir o estudo e o manuscrito inicial após 7 anos de análise! Quando apresentou o trabalho final ao editor, este disse-lhe que já não estava interessado em publicar o livro, porque era muito longo – que ninguém o ía ler.
Samantha aí não baixou os braços e foi novamente de porta em porta apresentar a sua obra e mais uma vez ninguém se mostrou receptivo…até que lá conseguiu após muito esforço quem lhe publicasse o livro. O interessante deste conto é que tem um final feliz, o livro “Problem from Hell: America and the Age of Genocide” acabou por ser aclamado pela crítica, tendo recebido em 2003 o Pulitzer Price. A partir daí, tudo se tornou mais fácil: Samantha conseguiu tenure em Harvard, escreve para a Time e o NY Times, foi conselheira no Senado de Obama em 2005-06 e está pronta a publicar um livro sobre Sérgio Vieira de Mello, de quem diz (via Men’s Vogue):
Sergio has the chance to be the face that we’ve never had—for international law, for international institutions, for the kinds of sacrifices, and just again a paradigm shift.
Em resumo, se Samantha Power não acreditasse piamente no projecto em que se meteu, não estaríamos aqui a escrever sobre ela. Qualquer outra pessoa teria desistido a meio do processo – a persistência naquilo em que se acredita, por vezes paga.
[...] by Francisco Camarate de Campos em Março 8th, 2008 Um “monstro” arrancou-lhe o poder. Tagged with: Barack Obama, Eleições Americanas, Hillary Clinton, Samantha Power « [...]