Regra de três simples
Pedro Sales escreveu no Zero de Conduta:
José Sócrates mudou de ministro da Saúde, reconhecendo que “era a única forma de “restaurar a relação de confiança entre cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde”. Quando mais de metade dos professores se manifestam contra a política educativa, a frase ganha uma redobrada actualidade e fica uma pergunta muito simples. Que condições de trabalho, e de implementar as suas decisões nas escolas, tem uma responsável política que conta com a aberta hostilidade de uma classe profissional em peso?
Já era esperado este género de raciocínio, que se compreende na sequência do enorme precedente que o Governo de Sócrates abriu com a demissão do Ministro da Saúde. Só que apesar de Sócrates se ter enganado uma vez, não significa que se tenha de enganar uma segunda – alguém sabe o que se passa na Saúde?
Mesmo aceitando que agora o Governo deve seguir o precedente (porquê é que tem que ser assim?), tem que se ter em consideração que há uma diferença clara entre as duas situações: enquanto que na Educação, a “pesada” contestação é “limitada” em abrangência (concentrada nos professores), na Saúde, a “limitada” contestação tinha maior “peso” em amplitude: as pessoas na rua eram utentes diversos que, à partida, repito, à partida, não representavam uma única facção ou interesse profissional.
deixe um comentário