A bola não é redonda
Nunca na minha vida escrevi sobre futebol e nunca escrevi um post tão a quente (o árbito acabou de apitar o fim do Alemanhã-Turquia), pelo que peço desde já alguma compreensão para imprecisões, injustiças, exageros e generalizações.
Poucas vezes irritei-me tanto com um jogo. Poucas vezes vi uma vitória tão injusta (Alemanhã, 3 – Turquia, 2). A Alemanhã fez um total de três remates, nos quais marcou três golos. Os deslumbrados da gestão chamam a isto eficácia – eu chamo falta de imaginação.
“Eficácia” é uma palavra difícil de atacar nos nossos dias. Pensando um pouco percebe-se que, obviamente, não estamos a falar de um valor absoluto. Ganhar não é o único objectivo do futebol. Isto não é um argumento de ”vitórias morais” - não tenho paciência para aquelas equipas simpáticas, que não chateiam muito, que fazem uma gracinhas estéticas com a bola, que são muito dignas e sujam-se pouco. Gosto de equipas que dão tudo, que têm garra, que usam a imaginação, que apenas fazem “bonito” quando estão desesperadas e nada mais funciona, que transmitem o prazer mas também a ansiedade que sentem dentro das quatro linhas.
A Alemanhã fez um jogo feio, mastigado, seguro, malandro, chico-esperto e chato. Tenho poucas dúvidas que este jogo prejudicou a imagem do futebol alemão no mundo. Tenho poucas dúvidas que secretamente muitos alemães trocariam a final pelo respeito ganho pela Holanda, Rússia e Turquia durante este campeonato.
Já estou mais calmo.
Subscrevo tudo o que o António disse