CODFISH WATERS

Obsessão Política

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 19 Junho, 2008

Gosto imenso de política e estou preocupado com o actual momento de crise política e económica do país e do mundo. Mas estou também cansado dos “doentes da política”, que se multiplicam em cenários de crise. Os sintomas típicos são o quadruplicar do teor político das conversas do dia-a-dia, oscilar entre o desespero derrotista e a constatação do quão simples era resolver o problema A e B ou a fulanização excessiva das crises, que dito de outra forma é a necessidade de identificar um agente que é o “culpado” de uma dada situação (GALP, Bush, Irlanda, etc.). Tempos como este premeiam análises confiantes, simples, absolutas, cínicas, pessimistas. A imagem-espelho desta atitude é a cavalgada eufórica em momentos de expansão económica, quando estes mesmos cínicos levam o optimismo longe demais, criando bolhas especulativas ou afirmando, por exemplo, que a tecnologia vai resolver todos os problemas, os de hoje e os de amanhã.  

Mas o maior problema da obsessão pela política é que esta, curiosamente, resulta quase sempre na mais profunda e abjecta inacção perantes os problemas de um país. É quase uma relação proporcionalmente inversa. Quanto mais uma pessoa vocifera mais provável é que nunca tenha feito nada de concreto para tentar resolver o problema. Talvez o protesto sirva precisamente para mascarar a inacção. Normalmente quem mais contribui para o progresso são as pessoas que identificam um problema na sociedade, reflectem sobre possíveis ideias para a sua resolução, apresentam propostas multi-facetadas, sem garantias de sucesso, e vão para o terreno, usando os media apenas quando constatam que a resolução do problema em causa será beneficiada pela visibilidade pública. 

Relembrando uma acusação muito em voga no século XIX, é de desconfiar dos que amam a humanidade mas não gostam da pessoas, dos que choram com as injustiças e que identificaram já todas as soluções, mas que nunca sujam as mãos.

Isto tudo a propósito deste cartoon do último número da New Yorker:

 

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