CODFISH WATERS

Spontaneous order

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 16 Junho, 2008

Nesta excelente conferência de William Easterly e de Arvind Subramanian sobre Hayek e a economia para o desenvolvimento, este último conferencista usa dois vídeos como metáforas sobre o nada óbvio papel das regras e das instituições. Num cruzamento russo temos sinais de trânsito que quando falham resultam em acidentes porque há um problema de expectativas – como está verde podemos avançar à vontade…o problema é quando as luzes falham. No segundo caso, no Vietnam, há uma total ausencia de regras (sinais de trânsito) mas colectivamente gera-se uma ordem espontânea.

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O Africano

Posted in Desenvolvimento, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

De acordo com um estudo recente do Center for Global Development, Portugal classificou-se em sexto em 21 paises ricos no índice Commitment to Development Index for Africa. Este índice contempla o esforço de assistência de países desenvolvidos a países africanos, não só em termos de ajuda financeira, mas também ao nível de políticas e práticas de comércio, migração, investimento, ambiente, participação em operações de segurança e transferência de tecnologia. A classificação de Portugal resulta em grande medida do primeiro lugar na lista na abertura das fronteiras à emigração africana. Contribui também para essa sexta posição a participação de Portugal em operações de segurança da ONU.

No entanto, este estudo é concentrado em África – no mais genérico Commitment to Development Index de 2007, Portugal ficou em décimo oitavo entre os tais 21 países (e sim, o estudo já tem em conta as diferenças de PIBs). Na prática, o aparente “bom” resultado de Portugal na assistência a África é só sinónimo do facto do nosso compromisso com o desenvolvimento estar aí concentrado.

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Ainda sobre a crise alimentar

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 10 Maio, 2008

José Manuel Pureza escreveu no Arrastão um post interessante sobre a crise alimentar. Comenta também o mesmo tema no Público. Concentrando-me no que escreve no Arrastão, o Professor de Economia da Universidade de Coimbra levanta algumas questões relevantes e procura dar-nos algumas lições de como ler os acontecimentos. Apesar de perceber os seus argumentos, sinto-me na obrigação de questionar algumas das posições e realçar que algumas questões não deveriam ser interpretadas de uma forma tão determinística.

José Manuel Pureza começa por apresentar um caso específico, o Haiti, deixando a entender pelos exemplos acima que se trata de uma situação genérica entre os países em vias de desenvolvimento. Não sei se por falta de espaço, decidiu excluir da análise outros países como o Vietnam que beneficiaram da abertura dos mercados e da subida dos preços agrícolas. Veja-se por exemplo este estudo (crise-alimentar) que sugere que uma subida de 10% dos preços do arroz diminui a pobreza no Vietnam em 0,7 pontos percentuais (e 1pp nas zonas rurais). Se alguma coisa, as políticas actuais anti–globalização em países como o Vietnam ou a Tailândia (subida das tarifas sobre as exportações), estão a contribuir para a pressão sobre o preço de produtos como o arroz.

Apesar de existirem países que ganham e países que perdem, fiquemos, então, pelo Haiti, uma vez que a sua situação é preocupante. José Manuel Pureza diz-nos que “o Haiti importa 80% do arroz que consome e ao dobro do preço anterior”. Acreditando que esta é a situação actual neste país, convém não esquecer também que a abertura das fronteiras permitiu que os haitianos comprassem arroz a preços mais baratos do que a produção local durante todos estes anos – caso contrário, não teriam abandonado a agricultura local. Além disso, embora seja verdade que o Haiti esteja neste momento a sofrer da subida dos preços internacionais, não há nada que nos diga que isso não aconteceria se se tivesse mantido fechado. Nessa situação, os produtores locais, conhecendo que as alternativas internacionais estão mais caras, provavelmente aproveitariam para também subir os preços.

Ainda neste exemplo do Haiti, teria tido mais cuidado com dois pontos. Em primeiro lugar, José Manuel Pureza utiliza o arroz como ilustração do fenómeno da globalização, quando se há discussão é que o arroz não é suficientemente global – o comércio internacional de arroz representa apenas 5 a 7% do seu consumo. Depois, deixa entender que os subsídios agrícolas em países como os EUA estão a influenciar esta crise, quando na prática, se alguma coisa, estão a manter os preços artificialmente mais baratos.

Em relação às lições que nos deixa, na primeira, diz-nos basicamente que maior escala agrícola e maior inovação correspondem a custos mais caros de produção do que aquela que se consegue em pequenos lotes. Se assim é, porque é que os agricultores optam por essa via? Paul Collier, pelo contrário, afirma:

The remedy to high food prices is to increase food supply, something that is entirely feasible. The most realistic way to raise global supply is to replicate the Brazilian model of large, technologically sophisticated agro-companies supplying for the world market. To give one remarkable example, the time between harvesting one crop and planting the next, in effect the downtime for land, has been reduced an astounding thirty minutes. There are still many areas of the world that have good land which could be used far more productively if it was properly managed by large companies. For example, almost 90% of Mozambique’s land, an enormous area, is idle.

A segunda lição resulta de um argumento muito utilizado hoje em dia para explicar a crise alimentar. Segundo esta visão, os investidores internacionais têm especulado sobre as commodities para compensar a má performance dos mercados financeiros resultante da crise do subprime. Embora mais recentemente isto até possa fazer sentido, este argumento é em si muito especulativo. Se assim fosse verdade, para além da subida dos preços, existiria um aumento dos open interests dos contratos de futuros sobre estes produtos desde que se iniciou a crise imobiliária (Set. 2007). Na realidade, como se pode ver aqui e aqui, o aumento do volume de transacções é anterior à crise do subprime, indicando que não está directamente relacionado.

Por último, esquecendo Sócrates, que pouco tem a ver com este caso, embora concorde com a necessidade de ter cuidado com “choques liberalizadores” como a solução para o problema (talvez não pelas as mesmas razões), tenho alguma dificuldade em perceber como é que termos “hortas nos centros das cidades” nos ajudaria a resolver este sério dilema.

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Crise alimentar

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 7 Maio, 2008

 

Muito tem sido escrito nos últimos dias sobre a crise alimentar. O aumento dos preços agrícolas é um daqueles temas que, como diz Krugman sobre outro assunto, os economistas consideram que têm o “direito” de dizer alguma coisa. Vale a pena ler aqui, aqui, aqui e aqui. É preciso algumas reservas na leitura de algumas opiniões, mas em geral começa a existir algum consenso. As mensagens que considero mais relevantes incluem:

 – O problema tem sobretudo origem no aumento da procura mundial.

 – O aumento dos preços alimentares não é mau em si. Como em várias outras situações, há vencedores e perdedores. Veja-se por exemplo aqui e aqui. Para países exportadores líquidos (ex: Vietnam), o efeito do aumento dos preços é positivo. Pelo contrário, para importadores em termos líquidos o efeito é negativo (ex: Bolívia).

– Dentro de cada país, também existem efeitos distributivos: as comunidades rurais têm a ganhar com o aumento dos preços, enquanto que as urbanas têm mais a perder. Os pobres urbanos têm normalmente maior poder para protestar nas ruas e para serem ouvidos. Daí os protestos que se têm assistido (exemplo do contrário, são por exemplo as greves dos agricultores na Argentina, depois do governo ter aumentado os impostos sobre as exportações para níveis próximos dos 50%).

– O efeito de aumento da procura é mais permanente do que temporário, mas existe uma componente que sería evitável e que se espera que os países desenvolvidos tenham a capacidade política de reduzir. O consumo de biocombustíveis é entendido como ineficiente no combate ao aquecimento global, tendo se desenvolvido em países como os EUA devido ao poder de lobbies de agricultores junto dos seus governos. Para o futuro, não faz sentido que continuem a desvirtuar a procura de produtos como o milho.

– As soluções para a crise alimentar devem ter duas componentes: uma de curto prazo, antes da oferta começar a compensar o excesso de procura, e outra de longo prazo. No curto prazo, evitar situações de pobreza extrema através de por exemplo a distribuição de food stamps poderá ser uma via. A médio prazo, as visões são mais díspares, mas é fundamental o aumento da oferta, seja via aumentos das escalas de produção em países em vias de desenvolvimento, seja via maior abertura ao comércio internacional. A primeira parece plaúsivel e estar a desenvolver-se aos poucos, com os riscos de conflitos sociais na migração de pessoas do campo para a cidade. A segunda tem de se ter algum cuidado como é feita – por exemplo, a redução dos subsídios agrícolas na Europa, à partida apelativa, deverá ter o efeito imediato de aumentar os preços internacionais dos produtos, aquilo que aparentemente queremos evitar.

 

Fresh Fish

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 28 Abril, 2008

Sobre o aumento dos preços dos produtos agrícolas e os seus efeitos nas economias menos desenvolvidas, vale a pena ler duas visões de como resolver o problema a médio prazo . Tyler Cowen defende o aumento da liberalização do comércio internacional. Para se pôr a opinião de Cowen em perspectiva, leia-se o comentário de Dani Rodrik. Noutra opção, muito em linha com o seu trabalho, Esther Duflo sugere o desenvolvimento da actividade seguradora para fazer face à volatilidade dos preços dos bens alimentares. Tema a desenvolver aqui no codfishwaters.

“Compartimos” ou nem por isso

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 6 Abril, 2008

O microcrédito foi introduzido por Muhammad Yunus no Bangladesh há mais de 30 anos como uma forma de fornecer empréstimos a pessoas no limiar da pobreza que não têm colateral e não são servidos pelos bancos tradicionais. Desde a fundação do Grameen Bank até hoje, o número de instituições de microcrédito e de pequenos empresários (ou melhor, empresárias, porque são na larga maioria mulheres) cresceu de uma forma exponencial em todo o Mundo subdesenvolvido, assim como a variedade de serviços prestados. Hoje em dia uma instituição de microcrédito disponibiliza serviços de depósitos, seguros, saúde, etc.

As grandes discussões sobre estes serviços têm normalmente versado uma de três questões: (1) será que o microcrédito tem impacto em termos de desenvolvimento? (2) será que o microcrédito é sustentável como negócio independente, ou seja, sem dinheiro de doadores? (3) será que o microcrédito está a chegar aos mais pobres dos pobres? Em relação à primeira questão, para um serviço que tem impactos visíveis nas vidas de certas pessoas – é fácil mostrar o exemplo de fulana tal, que não tinha nada e hoje em dia tem uma magnífica banca de peixes, ganhou poder familiar e paga as suas dívidas a tempo horas – a discussão torna-se complicada, sendo que até hoje ainda ninguém conseguiu totalmente demonstrar que o microcrédito tem um impacto positivo no desenvolvimento económico de um país ou região. No que concerne a segunda questão, existem casos de organizações que se conseguem manter independentes de doações, mas para isso tendem a violar o terceiro ponto, ou seja, não ter como clientes principais os mais pobres dessa região.

Esta última discussão é na prática o que está implícito no tema de um artigo do New York Times, que apresenta o caso da instituição financeira Compartamos no México, que tem conseguido com técnicas de microcrédito ser muito rentável nos últimos anos com os seus mais de um milhão de clientes. A Compartamos, que recentemente fez um IPO, é sobretudo um exemplo de sucesso porque procura clientes com um nível médio em termos relativos de pobreza, para além de aproveitar um mercado mexicano não muito competitivo ao nível das taxas de juro. A Compartamos tem, no entanto, sido alvo de críticas pelas instituições de microcrédito mais tradicionais por uma ideia de que a organização estará a “aproveitar-se” da população pobre do país, apesar de inicialmente ter sido constituída como sem fins lucrativos, e que por isso estará a pôr em causa a imagem do modelo de microcrédito. Na prática, o argumento é que se está a apresentar ao Mundo como uma coisa que não é. Eu compreendo esta posição, sobretudo quando as organizações de microcrédito querem responder ao primeiro ponto mencionado acima – ser vistos como tendo impacto no desenvolvimento – mas sinceramente acredito que é possível (e desejável) que se complementem as duas ou mais versões destes serviços financeiros. Para todos os efeitos, a Compartamos presta serviços financeiros a pessoas que não têm colateral. Se há alguém que considere as taxas de juro da Compartamos muito altas, então que lhes faça competição.

Fresh Fish

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

Na última New York Review of Books vale a pena ler a crítica ao livro de Joseph Stiglitz “Making Globalization Work”. Quem escreve é Robert Skidelsky, autor da mais consagrada biografia de Keynes.

Filantropia

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 16 Março, 2008

É uma pena que em Portugal se use cada vez menos esta palavra. É um daqueles termos que se têm vindo a abandonar por serem demasido literários e algo antiquados – vem do grego “amor à humanidade”. Hoje usam-se os tecnocráticos “terceiro sector”, “Organizações Não Governamentais – ONGs” ou “instituições sem fins lucrativos”. Há quem considere que “filantropia” tem um toque paternalista. Talvez, mas nada comparado com o termo usado em Inglaterra para descrever o sector – “charity”. “Filantropia” tem a vantagem de ser uma só palavra, o seu significado é claro (enquanto que “terceiro sector” é vago) e não é definido por uma “negativa” – ao contrário de “não lucrativo” e “não governamental”.

Isto tudo a propósito de um interessante artigo no New York Times de 9 de Março sobre a “ciência” do fund raising – “What Makes People Give” – em que se descrevem algumas experiências feitas por economistas com o objectivo de perceber quais as técnicas mais eficazes para obter doações.

Pez Fresco

Posted in Desenvolvimento, Internacional by António Luís Vicente on 9 Março, 2008

Na última Foreign Affairs vale a pena ler o artigo “An Empty Revolution” (via Arts & Letters Daily), que põe em causa o papel da “revolução” Hugo Chávez no combate à pobreza  na Venezuela.

Although opinions differ on whether Chávez’s rule should be characterized as authoritarian or democratic, just about everyone appears to agree that, in contrast to his predecessors, Chávez has made the welfare of the Venezuelan poor his top priority. (…) That story line may be compelling to many who are rightly outraged by Latin America’s deep social and economic inequalities. Unfortunately, it is wrong. Neither official statistics nor independent estimates show any evidence that Chávez has reoriented state priorities to benefit the poor. Most health and human development indicators have shown no significant improvement beyond that which is normal in the midst of an oil boom. Indeed, some have deteriorated worryingly, and official estimates indicate that income inequality has increased. The “Chávez is good for the poor” hypothesis is inconsistent with the facts.

Dragão D’Ouro

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 7 Março, 2008

De acordo com o futuro Economista-Chefe do Banco Mundial, Justin Lin, a economia chinesa vai continuar a crescer a um ritmo elevado nos próximos 30 anos!! Por melhores dados que Justin Lin tenha, pergunto-me como é que é possível fazer projecções a 30 anos?…No fim da notícia lê-se que Lin falava à margem do Parlamento chinês. Talvez isso explique.

A globalização dos programas de desenvolvimento

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 13 Fevereiro, 2008

 

O último Economist apresenta um artigo interessante sobre o aparente sucesso do Programa Bolsa Família no Brasil, nomeadamente no Estado nordestino de Alagoas. O “Bolsa Família” segue praticamente à risca o programa Oportunidades (inicialmente denominado Progresa) do México – transferência de recursos financeiros a famílias pobres (que ganhem menos de 120 reais por cabeça por mês) com a condição de que os seus filhos vão para a escola e participem nos programas nacionais/regionais de saúde. Este conditional cash transfers é dos poucos programas que tem obtido consenso internacional de que gera resultados positivos (estatisticamente falando), tendo vindo a ser transferido para países tão diversos como Jamaica ou Egipto. Está neste momento também a ser implementado em Brooklyn, NY nos EUA. O senão é que tem sido considerado excessivamente caro. Segundo algumas contas, no México representa anualmente entre 0,3 a 0,5% do PIB, muito para o impacto que gera. Mais informação sobre o seu impacto também aqui (ccf.ppt).

Impostos e investimento

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 3 Fevereiro, 2008

Andrei Shleifer associou-se recentemente a economistas do Banco Mundial, entre os quais a portuguesa Rita Ramalho, para estudar o impacto dos impostos sobre as empresas no crescimento económico. O relatório aqui – taxes.pdf. Segundo este estudo, a carga fiscal sobre o sector empresarial tem um efeito claramente negativo sobre o investimento. Os autores concluem:

Our estimates of the effective corporate tax rate have a large adverse impact on aggregate investment, FDI, and entrepreneurial activity. A 10 percent increase in the effective corporate tax rate reduces the aggregate investment-to-GDP ratio by 2 percentage points. Corporate tax rates are negatively correlated with growth, and positively correlated with the size of the informal economy. The results are robust to the inclusion of several controls.

À terceira é de vez

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 24 Janeiro, 2008

O Center for Global Development acaba de lançar um livro (fair-growth.pdf) da sua Presidente Nancy Birdsall em conjunto com Augusto de La Torre e Rachel Menezes sobre medidas para reduzir inequidade na América Latina sem afectar o crescimento. Entre elas, estão opções para melhorar os mercados rurais, alisar o consumo, ou apoiar pequenas empresas. Interessante, mas pergunto-me, não é isto novamente uma forma de aumentar o malfadado washington consensus ?

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Index of Economic Freedom

Posted in Desenvolvimento, Internacional by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

Este gráfico feito com base no recém-divulgado Index of Economic Freedom (via Arte da Fuga) é interessante…

…e sugere uma relação causa-efeito entre liberdade e riqueza ao mostrar uma clara correlação.

Mas concordando com as premissas, o gráfico parece-me também algo manipulador. Para “efeitos dramáticos” os autores optam por não colocar países como os Emiratos Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar e outros que, infelizmente, saem da linha – países que devido a recursos naturais são pouco livres e muito ricos. Sei que são “excepções à regra” e que têm brutais desigualdades. Mais uma razão para não os colocar debaixo do tapete neste tipo de gráficos, pois sozinhos, no canto superior esquerdo, até ficariam em maior evidência. 

Fresh Fish

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 22 Janeiro, 2008

 

A propósito da Google.org e de Larry Brilliant, o Economist desta semana tem um artigo sobre uma das tendências mais inovadoras no mundo da “responsabilidade social das empresas”, fundações, ONGs e afins: a ideia que um determinado objectivo social pode ser alcançado através tanto de projectos sem fins lucrativos como através de projectos com fins lucrativos (se houver interesse, vale também a pena ver isto sobre a tendência geral do “social entrepreneurship”).

Chinês no Banco Mundial

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 21 Janeiro, 2008

Robert Zoellick voltou a surpreender tudo e todos e aparentemente escolheu o chinês Justin Yifu Lin para Economista-Chefe do Banco Mundial, na sequência da saída de François Bourguignon. Justin Lin é especialista no milagre chinês e faz parte do seu currículo ter nadado para a China para fugir de Taiwan. Mais sobre Lin aqui, aqui e aqui.
 

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Offshoring noutras águas

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 17 Janeiro, 2008

Escrevi aqui sobre os impactos do offshoring nos EUA. Mas mais interessante do que pensar nos EUA, que certamente encontrará uma solução para fazer face à crescente deslocalização de serviços, é analisarmos a oportunidade que esta tendência cria para certas zonas do globo. O offshoring poderá rapidamente evoluir das manufacturas, IT e call centres para outros serviços como financeiros, de segurança, radiologia, entre outros. Se se vier a verificar em larga escala e em várias línguas (até agora, apesar dos comentários comuns nos media, o offshoring de serviços ainda é limitado), poderá implicar o desenvolvimento de capacidades em regiões que até aqui têm estado privadas de serem competitivas nos mercados internacionais, em face dos seus elevados custos de transporte. Entre estas estão cidades mais escondidas do mar como La Paz ou Bogotá, regiões que têm beneficiado pouco dos fortes níveis de crescimento como o interior Oeste da China, ou países inteiros presos sem acesso simples ao comércio internacional como o Uganda ou a República Centro Africana (para mais sobre estes últimos ver o capítulo 4 do livro de Paul Collier). Claro que existir essa tendência em países africanos ou regiões que ainda não têem a massa crítica de gente qualificada, não é credível por enquanto…vai demorar o seu tempo, mas o que a Internet e a queda dos preços das comunicações veio criar, é que pela primeira vez estas regiões tornaram-se hipóteses. Aliás, em certo medida foi isto que aconteceu com o desenvolvimento de serviços de outsourcing na Índia, em que as populações já se encontravam em larga escala longe dos portos (para estarem nas margens dos rios) e com a necessária formação passaram a poder ser alternativas também nos serviços aos países mais desenvolvidos .

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