CODFISH WATERS

Pavilhões de Portugal

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 20 Julho, 2008

É feio ser-se ingrato. É importante reconhecer o mérito.  Rosa Mota, Carlos Lopes e José Saramago têm em comum o facto de terem ganho uma medalha (o prémio Nobel atribui também uma medalha). Os três receberam também a mesma recompensa – pavilhões – sendo que Saramago “recebe” um dos mais marcantes edifícios da história de Portugal. Os três têm mérito e sem dúvida contribuiram para o país. Mas convém ter alguma noção da história, dos efeitos do tempo e uma boa dose de bom senso.

A própria lista de prémios Nobel em literatura é por vezes citada para ilustrar os efeitos do tempo na literatura. Alguns autores consagrados por uma época desapareceram ao fim de uma ou duas gerações. Outros, praticamente desconhecidos em vida, ocupam hoje lugares cimeiros na história da literatura. Para além de alguns especialistas e eruditos, alguém ainda conhece ou lê Knut Pedersen Hamsun (prémio em 1920)? Ou Ivan Bunin (1933), John Galsworthy, (1932), Erik Axel Karlfeldt (1931), Sigrid Undset (1928), Verner von Heidenstam (1916)? Ou mesmo os mais recentes Odysseus Elytis (1979), Eugenio Montale (1975) ou Patrick White (1973)?

Pode ser que Saramago ainda seja lido daqui a 100 anos ou pode ser que não. Mas o deslumbramento que levou a estas três decisões e, principalmente o gesto filisteu de ceder a casa dos bicos à Fundação Saramago não é o acto de uma nação agradecida mas sim a prova acabada da escassez de referências, da procura de herois “ready-made” e do deslumbramento com o presente.

 

Pavilhão Carlos Lopes

Pavilhão Rosa Mota

Pavilhão José Saramago

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Regionalização

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

Apesar do tema não ter estado especialmente em discussão nos últimos anos, tenho evoluído para uma posição mais favorável sobre a regionalização. As razões principais para estar mais próximo deste modelo são o facto de considerar a necessidade de desenvolver a competição entre regiões do país, existir políticas económicas adaptadas às necessidades locais, campanhas de promoção internacional regionais, maior controlo sobre autarquias, e aumento da competição política regional. Até ao momento fui contra (e hoje provavelmente ainda votaria não a um projecto de regionalização), em especial por considerar que Portugal é relativamente pequeno (pouco mais que uma Andaluzia), não existe a necessidade de criar mais uma barreira nas decisões, mais descentralização pode ser feita via autarquias, e existir o risco de se desenvolver uma classe de políticos pouco orientada para os resultados (mais concentrada em aumentar o poder das estruturas regionais do que no bem dos seus cidadãos).

Apesar de me ter aproximado da regionalização, perco o interesse nela sempre que leio comentários como este, no Kontratempos. É como se estivesse numa estrada a caminho de estar favorável à regionalização e os defensores da mesma mandarem-me retroceder. Quando se entra nestes argumentos bairristas, perco totalmente o interesse pela causa. Por exemplo, neste comentário, Tiago Barbosa Ribeiro começa por dizer que há uma “regionalização de facto favorável a uma só região, no caso Lisboa” e que “é uma espécie de «regionalização natural», assente na absorção dos recursos do país em redor da alta burocracia do Estado”. É daqueles argumentos baseados em não sei que números, mas que muitas vezes terminam em afirmações como: “É um escândalo como o novo aeroporto de Lisboa vai ser construído perto de Lisboa!” ou “Não entendo porque é que o TGV para Espanha liga as duas capitais e não Porto a Madrid?”

De seguida, entra-se nas guerrinhas Porto vs Lisboa: o ponto apresentado é que o Norte tem “as sedes das principais empresas portuguesas e a maior universidade do país” e que por isso merecía mais investimento público (partindo do pressuposto quiçá válido que regionalização=investimento). Quanto a ter a maior universidade do país, só se for por não existirem muitas no Porto, mas certamente não tem mais universitários. Depois, quanto a ter as sedes das principais empresas, não corresponde à verdade, como se vê por exemplo aqui (1000-maiores) na página 44. Segundo este estudo do Público, das 1000 maiores empresas do país, 65% das vendas estão concentradas em empresas com sede em Lisboa!

O parágrafo final de não querer mais do que tem direito é o que mais concordo, em especial se de facto existe actualmente “limitação às possibilidade de desenvolvimento da região”, o que será díficil de provar. No entanto, o problema de ideias como a regionalização (e que provavelmente justificam os votos insuficientes em 1998 ) é que quem a defende usa várias vezes apenas argumentos do tipo “nós contra eles”, em vez de tentar explicar como é que ela pode beneficiar todo o nosso país.

O excepcionalismo português

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 20 Junho, 2008

Pegando no mote de um post de há uns tempos do Francisco, relembro aqui um impressionante gráfico que o Economist publicou há uns anos (mas que infelizmente permanece actual) e que ilustra um dos principais problemas estruturais do nosso país… 

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…que mostra que na Europa ocidental há países ricos nos quais o Estado tem um grande peso na economia, que há países pobres nos quais o Estado tem menos peso na economia e que há países ricos nos quais o Estado tem pouco peso na economia. Mas sozinho e orgulhoso, no canto superior esquerdo, está Portugal, o único que é pobre, com hábitos de rico.

Onde está Manuela Ferreira Leite?

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 11 Junho, 2008

É lamentável que o PSD esteja a aproveitar o ambiente de tensão e receio provocado pelos bloqueios ilegais de uma minoria de camionistas para tentar ganhar uns fáceis pontos políticos.

Do lado do PSD, o deputado Hugo Velosa afirmou concordar com as críticas feitas pelo CDS-PP, afirmando que o Governo “baixou os braços” perante a “crise que era previsível”. O social-democrata defendeu que o Executivo de Sócrates “tem que intervir” mas não especificou de que forma o deve fazer, afirmando que o Governo tem que “fazer qualquer coisa” para responder aos “sectores mais afectados”. Para o deputado, teriam dado “bom jeito para resolver problemas deste tipo”, os “600 milhões de euros” da receita do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos que o Governo “desviou para as Estradas de Portugal” (Público).

É lamentável que o PSD não esteja na primeira linha na crítica à violação da liberdade de circulação e do direito de trabalhar. Sei que a UGT tem uma agenda muito própria ao redigir o comunicado hoje emitido. Mas ao menos teve o mérito de condenar frontalmente as acções dos camionistas: 

“Face às actuais paralisações dos transportes exige-se do Governo e das autoridades uma actuação consequente no decorrer das suas obrigações e do respeito pelo Estado de Direito”, acrescenta a UGT, denunciando uma “pressão intolerável” de muitos empresários sobre os poderes públicos. (Público)

Manuela Ferreira Leite teria surpreendido pela positiva se tivesse aproveitado a primeira grande questão política desde a sua eleição para marcar a diferença – para mostrar que está disposta a assumir posições claras face às questões importantes (e penso que o estado de direito é uma questão importante) não apenas para comentar e criticar o governo. 

Manuela Ferreira Leite tem a difícil tarefa de diferenciação face a José Sócrates. Mas penso que devia resistir a este estilo de oposição que diz branco quando o governo diz preto. Penso que a nova presidente do partido perdeu uma boa oportunidade. E penso que o país precisa de um PSD que se apresente mais seguro de si próprio, capaz de criar o seu caminho, de acordo com os seus valores e as suas propostas.

Reagir à crise do petróleo

Posted in Internacional, Portugal by António Luís Vicente on 10 Junho, 2008

Apostar em veículos de elevada eficiência energética:

Dr Purves claimed that the use of one wheel instead of four gave great economy of power. This seems highly doubtful. Dr John Purvis had set up the West of England Electricity Company, so he was presumably not a solitary eccentric. This picture and those below from Popular Science (USA magazine) sometime in 1932. (toda a história aqui

Privatizar a CGD

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 3 Junho, 2008

Via Insurgente, tive acesso a este post no Small Brother, no qual Ricardo Francisco defende a privatização da Caixa Geral de Depósitos. Embora não me oponha frontalmente a alguns dos argumentos apresentados, não os vejo como suficientes para tornar este tema como uma prioridade para um qualquer programa de Governo. Ricardo Francisco apresenta quatro razões para privatizar a Caixa:

1. O Estado não pode regular e actuar no mercado ao mesmo tempo (suponho que seja isso que queira dizer com “ser fornecedor”) – Por princípio parece-me correcto, mas este argumento peca por falta de evidência. Não me recordo de no sistema financeiro nacional os restantes players se terem queixado em processos relevantes de favoritismo à CGD por parte do regulador, ou inclusivé de concorrência desleal/preços predatórios pelo banco do Estado.
2. O Estado não precisa de um banco para distribuir riqueza – Verdade, mas (1) essa nem sequer é uma razão apontada para o Estado ter a CGD; e (2) também não é por se privatizar a Caixa que o Estado vai distribuir melhor a riqueza.
3. Qualquer coisa como, a Caixa nem sempre usa critérios económicos nos seus financiamentos/investimentos – Mais uma vez, gostaría de ver evidência disso. Casos isolados como a compra da Compal têm situações comparáveis (ainda que menos mediáticas) no sector privado.
4. A Caixa tem baixos retornos sobre o capital próprio – Se o sistema financeiro nacional é referência, isto não corresponde à verdade. Perdendo cinco minutos para ir aos respectivos sites, pode-se verificar que o retorno sobre o capital próprio da CGD em 2007 foi de 21%, o que não compara mal com os 14% do BCP, 17% do BES ou 22% do BPI.

Deste modo, nenhuma das quatro razões parece ser suficientemente forte para mobilizar um processo de privatização. Isto sem sequer me alongar sobre os problemas de tentar privatizar a Caixa. Como disse aqui, ideias liberais que acabem por centrar-se em medidas como esta de privatizar a Caixa – de dificil viabilidade e reduzidos benefícios – tenho muitas duvidas que alguma vez venham a servir a causa dos seus promotores.

Situação social

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Maio, 2008

A União Europeia acaba de publicar um relatório sobre a situação social nos países da comunidade (ssr2007). A notícia nos jornais foi que Portugal é o país da União que tem um maior nível de desigualdade, medido através do coeficiente de Gini. Este dado é preocupante, sobretudo pela diferença clara face aos restantes países em estudo. Apesar de absolutamente mau, este indicador tem que ser lido com certo cuidado (e não, não é porque os dados são de 2004).

Em primeiro lugar, está uma questão da relevância da desigualdade para o desempenho económico. O relatório da União Europeia deixa entender por meias palavras que menor desigualdade implica maior crescimento económico. Na realidade, os estudos que tem sido feitos sobre o tema são muito contraditórios e há resultados para todos os gostos. Por exemplo, Forbes conclui que falta de equidade é bom para o crescimento (forbes). Por outro, Alesina e Rodrik, sugerem exactamente o contrário (alesina). E, mais interessante, Banerjee e Duflo indicam que mudanças na desigualdade em qualquer dos sentidos (para mais ou para menos), são associadas com menor crescimento no período seguinte (banerjee). Assim sendo, não é claro que a maior desigualdade seja explicação para a fraca performance económica portuguesa. E certamente nada nos diz que mais desigualdade seja sinónimo de socialismo, como indica o Atlântico (veja-se por exemplo o caso dos EUA, ou em contraste a Suécia).

Para além disso, é preciso não ficarmos pela página 4 de um relatório de 199 páginas. A desigualdade portuguesa compara de uma forma favorável com os restantes países mais pobres da União (particularmente os de Leste) num ponto fundamental: estes países combinam mais equidade com maiores níveis de pobreza do que Portugal, o que indica que têm mais pobres como percentagem da população e os ricos são menos ricos. Ora, isso não é mau, quase que diria que até é relativamente bom.

 Índice Gini, 2004

 

Percentagem da população com rendimento abaixo de 60, 50 e 40% da mediana do rendimento disponível da União Europeia, 2004

Kosovo

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 22 Maio, 2008

Faz amanhã três meses que escrevi este post. Neste mapa continuamos em amarelo.
Qual é a ideia, ver se passamos despercebidos ou compensar os passeios à Venezuela?

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O pavilhão burguês

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 18 Maio, 2008

É bem sabido que a doutrina comunista reduz tudo à luta de classes. Mas é a primeira vez que vejo luta de classes entre pavilhões. José Saramago não concorda com o facto do grupo Leya (dono da editora dos seus livros) ter sido autorizado a fazer pavilhões melhores do que os outros. Até pode haver argumentos a considerar nesta questão – o efeito estético de ter dois tipos de pavilhões, por exemplo – mas usar termos como “discriminação” e “imponentes” e dizer que esta solução “exibe uma diferença de classes”, é entrar num certo exagero. Até porque independentemente do mérito desta solução específica, o facto é que claramente algo tem que mudar na feira do livro, que está parada no tempo e decadente. E a posição de força do grupo Leya tem pelo menos o mérito de iniciar a mudança. Ou será que é isto que Saramago quer preservar? É esta a “festa democrática”?:

 

Sócrates na Venezuela

Posted in Internacional, Portugal by codfish on 15 Maio, 2008

Solicitámos a Federico Ortega, economista venezuelano, que escrevesse sobre a visita de Sócrates ao seu país. Federico estudou na Universidad Católica Andrés Bello, tendo trabalhado como economista, entre outros projectos, na Corporación Andina de Fomento. Ele está neste momento a terminar um mestrado em administração pública pela Universidade de Harvard e escreve regularmente para o blog venezuelano Economía, Política y Petróleo. Aqui fica o texto que nos enviou, que muito agradecemos:

Francisco me pidio que escribiera unas lineas sobre el acuerdo firmado entre el Primer Ministro Socrates y el Presidente Chavez esta semana. Aunque no soy necesariamente un experto en estos temas, espero que encuentren valor en estas ideas escritas desde la perspectiva venezolana.

A manera de contexto, lo primero que diria es que este acuerdo no es de ninguna manera extraordinario. El mismo se enmarca dentro de una serie de acuerdos firmados en anos recientes con otros gobiernos “amigos” del venezolano. Se han firmado acuerdos similares con Cuba, Londres, Massachusetts, Brasil, Bolivia, Nicaragua, entre otros. Que es lo que tienen en comun estos sitios? que son gobiernos de izquierda, que comparten (con claros y a veces marcados matices) la ideologia del presidente Chavez, y estan en posicion de proporcionar un apoyo a la imagen internacional de la revolucion bolivariana. La mayoria de los acuerdos involucran de alguna manera provision de petroleo, nuestro principal commodity, garantizando condiciones beneficiosas para el comprador como pago a credito, descuentos o pagos a traves de bienes y servicios. Con Argentina se intercambia petroleo por carne, con Cuba por medicos y con Londres por consultores expertos en trafico. Los acuerdos tambien suelen incluir contratos publicos para empresas extranjeras, como construccion de infraestructura o inversiones conjuntas en hidrocarburos o mineria.

Hay dos puntos que me parece importante resaltar de estos acuerdos. En primer lugar que representan casi una internacionalizacion del mismo sistema clientelista que existe en Venezuela. La politica internacional bolivariana es netamente transaccional; si se es amigo del gobierno se recibe ayuda economica, si se critica, se entra al grupo de los “imperialistas”. Y aunque Venezuela siempre ha hecho diplomacia con petroleo, ayudando tradicionalmente a paises pobres de la region, lo que pareciera ser innovador es que lo que se pide a cambio no es necesariamente un apoyo a los interes del pais, sino a los de la revolucion. En segundo lugar, aclararia que no todos los apoyos son iguales. Con Cuba, Bolivia y Nicaragua la relacion es mas estrecha, en parte por la cercania ideologica entre los jefes de gobierno. Con ellos, los acuerdos se han enmarcado dentro del esquema de la Alternativa Bolivariana para las Americas (ALBA), un esquema de integracion regional. Con otros paises, los apoyos dependen de lo que el pais pueda ofrecer. Con Brasil y Argentina la entrada al MERCOSUR es una carta importante, con Londres y Boston se busca mejorar la imagen de Venezuela en el mundo, con Rusia se buscan armas y con Portugal creo que se busca que juegue un rol de advocacia dentro de la Union Europea. Luego de la disputa con Espana, Portugal se convertiria en el aliado mas importante del gobierno en Europa.

La pregunta mas relevante para Portugal es, sera este un acuerdo beneficioso? Los beneficios son claros, buenos negocios, petroleo barato, nada malo ahi. Los costos son mas dificiles de medir. Por un lado, apoyar publicamente a la revolucion bolivariana puede ser incomodo, y si Chavez se redicaliza mientras vaya perdiendo poder, los costos se podrian incrementar. Estos costos pueden ser domesticos (aprovechado por la oposicion) e internacionales (quedando mal ante la comunidad internacional). En fin, no es facil calcular el efecto neto, sin embargo creo que podriamos tomar el caso de Brasil como una buena referencia. Brasil es el pais que ha firmado los mas jugosos acuerdos de costruccion de obras publicas, joint ventures petroleros, y exportaciones a Venezuela. Esto ha tenido costos para Lula, pero lo ha sabido manejar bien. Cuando se han incrementado las criticas en la oposicion, Lula ha logrado utilizar la coalicion de empresaros que se benefician por los acuerdos. Internacionalmente aunque tambien ha sido criticado, ha presentado su posicion como la de mediador, sin otorgar un apoyo incondicional, pero sirviendo de puente entre los “imperialistas” y Hugo. En definitiva, creo que Brasil se ha beneficiado mucho de su relacion con Chavez y me atreveria a decir que, despues de Cuba, es elpais que ha obtenido los mayores beneficios. Le podra ir a Portugal tan bien? considerando que esta en una posicion diplomatica todavia mas comoda -no siendo vecino- no veo porque no. Aunque definitivamente hay riesgos de que los costos se incrementen ante una radicalizacion de la revolucion, creo que vale la pena arriesgarse. Los beneficios obtenidos son largos, parecen valiosos y dificiles de quebrar. Mi impresion es que Socrates esta aprendiendo las lecciones de Lula y esta haciendo un buen negocio.

O Africano

Posted in Desenvolvimento, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

De acordo com um estudo recente do Center for Global Development, Portugal classificou-se em sexto em 21 paises ricos no índice Commitment to Development Index for Africa. Este índice contempla o esforço de assistência de países desenvolvidos a países africanos, não só em termos de ajuda financeira, mas também ao nível de políticas e práticas de comércio, migração, investimento, ambiente, participação em operações de segurança e transferência de tecnologia. A classificação de Portugal resulta em grande medida do primeiro lugar na lista na abertura das fronteiras à emigração africana. Contribui também para essa sexta posição a participação de Portugal em operações de segurança da ONU.

No entanto, este estudo é concentrado em África – no mais genérico Commitment to Development Index de 2007, Portugal ficou em décimo oitavo entre os tais 21 países (e sim, o estudo já tem em conta as diferenças de PIBs). Na prática, o aparente “bom” resultado de Portugal na assistência a África é só sinónimo do facto do nosso compromisso com o desenvolvimento estar aí concentrado.

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Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 9 Maio, 2008

«Pode esta censura ser rejeitada na Assembleia da República, mas sem dúvida é aprovada no país» [líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares]

Candidatos PSD II

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Maio, 2008

A Visão apresenta esta semana um questionário aos 5 candidatos à Presidência do PSD. Das respostas, pouco há a retirar. Destacaria, no entanto, o seguinte:

– Sobre a redução dos impostos em 2009, Manuela Ferreira Leite respondeu com ar superior “Ninguém, com seriedade, face aos dados hoje disponíveis, pode definir um cenário macroeconómico para 2009”. Se for eleita Presidente do PSD, penso que vai passar o tempo a dar-nos lições de economia. Disse este comentário apesar de sabermos que o mínimo é  que o Governo tenha uma noção das linhas gerais do Orçamento que vai apresentar dentro de cinco meses….enfim. Pedro Passos Coelho e Santana Lopes dizem sim e não, respectivamente. Talvez o último tenha a melhor resposta.

– É sintomático que Manuela Ferreira Leite, como única mulher, tenha sido a única dos cinco candidatos que não respondeu à pergunta: “Consigo, como vai o partido captar mulheres para cumprir a Lei da Paridade em 2009?”

– Sobre a redução do peso do Estado, Ferreira Leite responde “o peso do Estado é um conceito global e não sectorial”. Muito interessante, mas se pudesse especificar o que isso quer dizer, agradecíamos. Sobre o mesmo tema, Pedro Passos Coelho e Santana Lopes defendem a redução do Estado em sectores chave da economia. Aliás, neste campo, Passos Coelho na entrevista ao Correio da Manhã da semana passada defendeu a saída do Estado da Caixa Geral de Depósitos e da RTP, isto como forma de se apresentar ao eleitorado como “liberal”. Julgo, no entanto, que para ser conotado como tal, esse não é o discurso. Não tenho nada contra a venda da CGD, mas também não tenho muito a favor. Para o trabalho que daria a um governo esse processo, não sei se é uma guerra que valha a pena comprar. Duvido que seja isso que melhore os nossos níveis de crescimento, o que devería ser o enfoque de qualquer candidato. Que eu saiba, a CGD tem limitado muito pouco – se alguma coisa – a actividade de outros bancos, não sendo assim um entrave ao desenvolvimento do sistema financeiro. Para tomar medidas como terminar com a obrigação de determinados portugueses só receberem a sua pensão/salário através da CGD, parece-me que não é necessário privatizá-la. Na prática, acredito que se Passos Coelho ou outro quer ter um discurso com ideias liberais (muito em voga na blogosfera), então devería posicionar-se por exemplo mais nas reformas do mercado laboral, em que Portugal está na posição 157 em 177 países no Doing Business Report do Banco Mundial. Outras áreas que deveria utilizar no seu discurso liberal, e que me vêm à cabeça neste momento, são por exemplo o aumento dos provedores de serviços ao Estado; o apoio à regulação de sectores centrais da economia; o aumento da competição em serviços tradicionalmente públicos como a saúde, educação, gestão de resíduos; o desenvolvimento de medidas que premeiem a inovação e o empreenderismo privado, etc. Tudo isto e talvez mais, mas duvido que privatizações como a CGD seja o caminho – isso dará muito trabalho e provavelmente muito pouco retorno.

O fim do PSD?

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 1 Maio, 2008

Acabei de ouvir, na TVI, Miguel Sousa Tavares a colocar a hipótese do fim do PSD. O argumento é que nenhuma facção vai conseguir conviver com a que ganhar, o que poderá levar a uma cisão. Os comentadores são pagos para fazer profecias ousadas. Mas embora não concorde com a premissa base de Sousa Tavares – que o partido não aguenta lutas ferozes de facção porque não tem ideologia e porque só quer poder – a tese do fim do PSD não me parece totalmente descabida.

Mas o meu palpite assenta na premissa oposta: de que o actual combate pela liderança é o mais ideológico da história do PSD (descontando os anos 70). Se perguntarmos a qualquer pessoa qual foi até hoje a mais marcante eleição pela liderança do PSD, a maior parte, senão todos, dirá que foi a que se seguiu à demissão de Cavaco Silva do cargo de primeiro-ministro e que colocou frente-a-frente Fernando Nogueira, Durão Barroso e Santana Lopes. Mas alguém pensa que esse debate foi ideológico? Esse sim foi um combate por poder, pelos despojos do dia, pela primazia no processo de renovação geracional do partido. Ironicamente, o único que tentou discutir ideologia nesse congresso foi Menezes, com o “elitista, sulista e liberal” – os assobios que se seguiram mostraram que o partido não queria discutir facções nem ideologias, mas sim pessoas.

Ao contrário, a campanha em curso está a assumir uma natureza muito mais “divisionista” e ideológica. As divisões têm merecido a maior parte da atenção. A dicotomia bases-elite não é de agora mas que nunca foi tão central e brutal. Três dos muitos exemplos:

Marco António Costa questionou ainda se o futuro líder do partido «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade».

Alberto João Jardim revelou ainda que a Comissão Política Regional do PSD-M está preocupada com a fragmentação do partido e «sobretudo pela tentativa de uma certa burguesia dos salões de Lisboa e do Porto, com o apoio de um conhecido empresário de televisão, tentar desvirtuar um partido popular e social-democrata como é o PSD»

“Faço votos para que aquele que vencer as próximas eleições faça com que haja uma verdadeira representação no Parlamento daqueles que trabalham por conta de outrem e não apenas de empresários e profissionais liberais”, disse.”Falo com o coração, mas o recado está dado”, acrescentou Mendes Bota.

Quanto à ideologia – um aspecto que tem sido menos salientado* – começou esta semana a criar-se um claro fosso entre por um lado Manuel Ferreira Leite, com uma posição fiscally conservative, e por outro Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes, com posições do tipo supply side economics misturadas com keynesianismo – descer impostos, estimular a economia, etc. O título deste artigo da Lusa diz tudo: “Passos Coelho e Santana defendem nova política económica, coincidindo nas críticas à aposta excessiva na redução défice”.

Seguindo esta via Passos Coelho e Santana Lopes optaram portanto por um caminho de diferenciação clara face a Ferreira Leite mas também face a Sócrates. A Ferreira Leite resta afirmar-se como mais eficaz do que Sócrates, o que talvez não cole pois, caso ganhe, o PS focará a campanha no track-record de Ferreira Leite na pasta das finanças. Mas o caminho da diferenciação radical também tem custos. Tudo depende de se saber se a generalidade dos portugueses interiorizou as vantagens de um deficit controlado, se estão dispostos a deitar a perder os sacrificios realizados e se se lembram desse grande estímulo económico provocado pela despesa de Guterres.

Os partidos podem e devem ter debates ideológicos e lutas internas de clarificação. Quando não matam, estes movimentos tornam os partidos mais fortes. Mas podem matar.

* – Ao ponto de alguns nem o verem. Veja-se por exemplo este post de Luís Rainha, no 5 dias, que cai no facilitismo de uma certa esquerda que adora pensar que apenas ela pensa.

Marginal Revolution

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 29 Abril, 2008

O estudo sobre “Os Jovens e a Política”, conduzido pela Universidade Católica, encomendado e mal-interpretado pelo presidente da república, é a melhor notícia de Abril. Principalmente a primeira conclusão do relatório:

Quer de um ponto de vista quer absoluto quer comparativo, é notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia, assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas profundas ou mesmo radicais na sociedade portuguesa. Contudo, entre os mais jovens (15-17 anos) e os jovens adultos (18-29 anos), essa insatisfação é algo menos pronunciada do que entre os mais velhos, assim como tendem a existir entre eles atitudes mais favoráveis (especialmente entre os mais jovens de todos) a reformas incrementais e limitadas na sociedade portuguesa.

A oitava conclusão também é interessante (embora não mereça referência na análise de João Pinto e Castro no 5 Dias, talvez por lapso freudiano) e surpreendente apenas para os mais distraidos (como Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, que de há uns meses para cá insiste que a fórmula para a vitória do PSD é a insistência na “categoria” centro-esquerda*):

O posicionamento ideológico dos jovens tende a estar mais à direita do que a generalidade da população, mas aquilo que mais claramente os distingue é o facto de percepcionarem menor utilidade das categorias “esquerda” e “direita” na compreensão da vida política. Este maior “desalinhamento” ideológico também se reflecte num maior desalinhamento partidário.

Suspeito que os “problemas de interpretação” a que temos assistido nos últimos dias explicam-se pelo carácter pouco simpático, para políticos e jornalistas, das conclusões do estudo. Afinal, ninguém gosta de concorrência.

Já no que diz respeito ao voto, a sua eficácia, do ponto de vista dos jovens, sofre a “concorrência” de outras formas de participação, especialmente a ligada ao associativismo e ao voluntariado.

Os jovens encontram-se menos expostos à informação política pelos meios de comunicação convencional do que o resto da população. E em geral – e não apenas aqueles que ainda não chegaram à idade do voto – os jovens tendem a exibir menores níveis de conhecimentos políticos.

* – (ADENDA) No quadro 47 “Colocação na escala esquerda-direita por faixa etária”, constata-se que apenas o grupo “65 anos e mais” mostra uma ligeira tendência centro-esquerda.

Candidatos PSD

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Abril, 2008

Como esperado, as eleições no PSD estão animadas. Em relação aos três principais candidatos, tenho neste momento estes comentários:
• Pedro Santana Lopes é candidato não se sabe bem porquê. Será que (ainda) pensa que tem a obrigação de estar “disponível para combate” sempre que há eleições? Não sei se Pedro Santana Lopes sabe que, caso ganhe, será o candidato do PSD às eleições do próximo ano! Não faz sentido nenhum que o PSD apresente às eleições o líder que foi afastado por José Sócrates, sobretudo nas condições em que foi. Eu presumo que Santana Lopes saiba disso, o que significa que concorre para perder – uma pessoa que já foi primeiro-ministro, concorre às eleições do seu partido só para perder, só para aparecer na televisão? É andar demais a brincar à política para o meu gosto. Para bricadeiras, mais valia terem apresentado o Ribau Esteves como representante da ala: ao menos esse sabe falar de futebol.

• Manuela Ferreira Leite é uma candidata conhecida pela sua seriedade, capacidade de trabalho, e boas intenções. Os seus méritos não serão suficientes, no entanto, para ganhar a Sócrates, desde que este não se desoriente. Aliás, olhando para a curta história da democracia estável portuguesa, não houve até ao momento quem conseguisse roubar uma eleição a um primeiro-ministro minimamente estabelecido. Manuela Ferreira Leite será criticada pelo seu trabalho nas contas públicas, mas é à partida uma líder para aguentar eleitorado, preparar as águas para quem se segue e eventualmente lutar pelo fim da maioria absoluta do PS (sobretudo se a economia desapontar). Talvez experiente demais para andar a fazer fretes, mas reconheça-se o seu esforço.

• Pedro Passos Coelho é uma incógnita. Depois dos anos na JSD*, eu e a larga maioria dos portugueses pouco ouvimos dele. Por muito ou pouco que simpatize com ele, não faço ideia do que pensa. Apesar de ter trabalhado na política todos estes anos, é estranho não ter tido ainda um cargo executivo. Usando uma métrica com muito pouco interesse apresentada por Santana Lopes nas eleições de 2005, Pedro Passos Coelho tem 150 mil hits no google.pt, enquanto Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes conseguem 247 e 326 mil, respectivamente. Pedro Passos Coelho não me parece que tenha página no wikipedia (“Luís Menezes, importas-te de criar uma?”). Nesse sentido, de todos os candidatos, Passos Coelho é o que necessita mais urgentemente de apresentar as suas ideias (terça-feira). Pode ser uma cara que os portugueses queiram ouvir, mas é um tiro no escuro. Tem o apoio de Nogueira Leite, Rita Marques Guedes, Miguel Relvas, entre outros. Maioria dos apoiantes, jovens políticos “looking for change”. Tem agora também o apoio da concelhia do Porto, apesar de não ter passado no requisito número um de não ter curso superior. É uma solução de mudança, apesar de estar no partido há mais de 20 anos. Pode ser a simpatia que contraste com os momentos de irritação de Sócrates. Até pode ser que seja, mas ainda é cedo para dizer. Veremos que tão interessante se torna.

*Pela forma como se tornaram, tenho as minhas reservas em relação em quem passou muito tempo nas Jotas, mas Passos Coelho ao menos fez um bom trabalho.

Political Fish

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 25 Abril, 2008

[Via Barnabe, 2004]

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Elitista, Sulista, Liberal e Quadro Superior

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 22 Abril, 2008

 

Marco António Costa questionou ainda se o futuro líder do partido «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade».

 

Luís Filipe Menezes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008

Luís Filipe Menezes é líder do PSD desde há pouco mais de 6 meses. Foi tempo suficiente para dizer coisas tão interessantes como:

Vou ouvir Portugal.

Proponho desmantelar o estado em 6 meses.

Parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo.

Os resultados evidentes da minha liderança estão na origem de alguma borbulhagem que anda no ar.

PSD ainda não merece ser Governo, PS já não merece.

Mais do que uma revisão, o país precisa é de uma nova Constituição.

Está na altura de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição.

Luis Filipe Menezes tem sido activo, feito comentários, apresentado-se ao país. Ideias concretas, poucas. Talvez a “única” proposta até ao momento tenha sido a descida de impostos, ainda não percebi com que argumento. O resto são comentários a vulso.

Na realidade, dadas as poucas hipóteses de virmos a ser governados por Menezes, quase que me atrevo a dizer que o que ele pensa para “Mudar Portugal” é pouco relevante. Mais interessante é o circo da luta na oposição. E aí, o Governo teve desde o início do ano os piores meses desde que foi eleito, e o maior partido de oposição não soube tirar dividendos disso. Mais, entrou em guerrinhas internas. Como diz o sábio Ribau Esteves, “ganhem juízo”. Claro que as guerrinhas resultam em certa medida da incapacidade de Menezes, mas quem as provoca deveria ter antecipado que o Governo poderia deslizar, antes de ter aceite eleger mais uma vez um líder “a prazo”. Agora estes líderes que só aparecem quando é para ganhar, viram que talvez ainda exista um restinho de esperança que Sócrates perca as próximas eleições. Acontece, que na prática, já devem vir tarde de mais.

Sendo assim, é natural que Luís Filipe Menezes arrisque. Se Menezes decidir avançar, as eleições antecipadas no PSD são uma forma de legitimização do seu poder, quando falta pouco mais de um ano para as eleições legislativas. Se a tal vaga de fundo aparecer, Menezes dá um passo de gigante para se manter como Presidente do PSD até às eleições de 2009. Menezes antecipa-se, desta forma, às conspirites e marca a agenda do futuro do partido. Caso não avance para a liderança do partido, como tem dito até ao momento, pelo menos não sai à “bomba”, aparecendo como o pobre coitado, vítima de um cartel de burgueses da Foz e de elitistas liberais do Sul.

Nas próximas semanas, vai-se falar de renovação, de abrir à sociedade civil, de Citroens (com as directas, menos), de “não estou interessado em discutir nomes, mas de ideias e projectos para Portugal”, enfim, vai ser animado. O circo continua e estamos cá para ver. E como nos avisa mais uma vez o sábio Ribau Esteves, ainda bem que é só um mês de discussão porque “em Junho queremos estar todos a apoiar solidariamente a selecção nacional de futebol”.

[Fotografia via 31 da Armada]

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008
Cover Image

Se um movimento das bases e distritais do partido lhe pedir que se recandidate, Luís Filipe Menezes ainda poderá reconsiderar a sua posição. O líder do PSD convocou directas antecipadas para 24 de Maio e disse “não estar na corrida”, mas homens-chave do aparelho afectos a Menezes já começaram a movimentar-se para pôr em marcha a onda que possa levar à recandidatura do líder (Expresso).

Reading tea leaves

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 16 Abril, 2008

Três meses e meio:

  • Substituição do ministro da saúde a meio de uma reforma e não apenas por razões de estilo, como ficou claro no caso de Anadia e outros;
  • Cedência aos sindicatos dos professores, que simpaticamente autorizaram uma avaliação pouco digna desse nome – isto após um inquérito da eurosondagem no qual 64% da população era contra a suspensão da avaliação e 84% considerava que os professores não deviam fazer mais greves; 
  • Aplicação residual do quadro de mobilidade especial enquanto instrumento de redução do número de funcionários públicos, que tem sido substituido por novos e caros planos de reformas antecipadas; 
  • Primeira descida de impostos desde pelo menos 2001, com o corte de 1 p.p. no IVA.

Como já foi referido por muitos, estes sinais sugerem uma travagem nas reformas e o início da campanha eleitoral de 2009. O dilema de Sócrates é o dilema de todos os políticos perante o ciclo eleitoral: persistência, pondo em risco maioria absoluta, cedência, pondo em risco resultados obtidos. Mas como a ciência política não é uma ciência, são tantas as excepções que é difícil afirmar regras. Guterres, por exemplo, poderá ter falhado a maioria absoluta mais pelas cedências do que pela firmeza. As últimas semanas mostram uma tendência para uma postura menos restritiva. Veremos o que os próximos meses nos reservam, porque também existem acções de sinal contrário. Mas o verdadeiro problema de Sócrates é que nenhum primeiro-ministro subiu tanto a parada em relação à disciplina orçamental, pelo que se houver um deslize, a queda de credibilidade será mais acentuada. Um problema relevante mas menos importante, mais do teatro político, é que Sócrates tem um talento natural para dar más notícias, para estar mal disposto, mas não é muito convincente a dar boas notícias e a distribuir benesses. 

Penso que neste momento Sócrates acha que pode ter o bolo e comê-lo, o que é ilustrado pela forma como justificou a descida do IVA: a ideia de que se pode aliviar os portugueses um bocadinho porque o deficit está mais controlado. O primeiro ministro acha que conquistou uma almofada ou folga, que faz com que possa ser “severo”, mas não tanto como no passado, e “simpático”, mas não tanto como o PS quer. Esta estratégia é arriscada porque em política as posições cinzentas até podem ser correctas mas são sempre mais ambíguas. E quando as posições são ambíguas gera-se uma tendência para a intensificação da pressão política e para as guerras de bastidores no governo. Poderá bastar a conjugação de um menor controlo de Sócrates sobre a despesa pública com um acentuar da crise internacional para que esse inesperado deslize se dê, pondo em causa o trabalho do governo e, mais importante, o esforço que o país fez nos últimos anos. 

Insultos: uma nova ambição

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 14 Abril, 2008

O meu problema com Alberto João Jardim não é tanto o recurso regular ao insulto, mas mais o pouco empenho que demonstra nesta actividade. Preferia que não insultasse. Mas já que o faz, era óptimo se fosse mais original e exigente. Este fim-de-semana referiu que os deputados da assembleia regional da madeira eram “um bando de loucos”. Directo mas pouco ambicioso.

Ainda por cima a história política e literária constitui uma inesgotável fonte de inspiração. Alguns exemplos:

  • “She plunged into a sea of platitudes, and with the powerful breast stroke of a channel swimmer, made her confident way towards the white cliffs of the obvious.”, W. Somerset Maugham
  • “He has no enemies, but is intensely disliked by his friends.”, Oscar Wilde
  • “He can compress the most words into the smallest idea of any man I know.”, Abraham Lincoln
  • “He loves nature in spite of what it did to him.”, Forrest Tucker
  • “His ignorance is encyclopedic.”, Abba Eban
  • “He uses statistics as a drunken man uses lamp-posts – for support rather than illumination.” Andrew Lang

Para treinar existe ainda este útil site que gera insultos Shakespeareanos.

Previsões

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 11 Abril, 2008

No seguimento de nova redução da previsão de crescimento económico para Portugal por parte do FMI, o primeiro-ministro José Sócrates foi muito determinado a explicar que a organização internacional está a ser “excessivamente pessimista”. Num comentário à saída do Parlamento, Sócrates afirmou:

Confio em quem conhece melhor o país, o governador do Banco de Portugal. Mantemos a nossa previsão, não temos nenhuma razão para alterar (RTP1).

O governador do Banco de Portugal, por outro lado, parece querer demarcar-se deste “excessivo optimismo” e em comentários à TSF, deu “um puxão de orelhas” ao governo por continuar tão confiante. É provável que Sócrates muito em breve tenha que engolir mais uma vez as suas afirmações, o que poderia ser evitável se tivesse sido mais comedido. Por muito boas dinâmicas internas que Portugal possa ter, é apenas natural que sejamos afectados pelo abrandamento internacional. Há um factor, a crise internacional, que Sócrates e Portugal não controlam e que deveria ser elemento determinante nos comentários do primeiro-ministro. Entendo que o Governo pretenda dinamizar a confiança dos investidores, mas se o que diz está constantemente a ser posto em causa, perde toda a credibilidade. O executivo mantém uma previsão de 2.2% e o governador fala em taxas “certamente abaixo dos dois por cento”. Esperemos para ver os próximos capítulos, mas nesta situação sinto-me mais tentado em apostar em Constâncio do que em Sócrates.

Dito isto, é preciso cautela com as previsões do FMI. Da minha experiência em mercados financeiros, estas análises multi-países tendem a esquecer idiossincracias particulares. Quando se reduz expectativas por choques que afectam todos os países, normalmente faz-se género tábua raza, sem ter em conta as especificidades de cada região. Se há um país com dinâmicas próprias, é comum “levar por tabela”. Eu não sei se o número do FMI é mais ou menos válido que o do Banco de Portugal (ainda não há um número actualizado oficial), mas aqui não se aplica necessariamente o dito bem português que o “que vem de fora é que é bom”.

Adenda – Graças a um comentário de um leitor, tive acesso às declarações de Vitor Constãncio (http://www.tsf.pt/online/common/include/streaming_audio.asp?audio=/2008/04/noticias/11/constancio.asx) e apesar de os factos que comentei acima serem reais (há uma diferença clara entre o discurso de Sócrates e de Constâncio), parece que o Governador do Banco Portugal nunca utilizou a palavra Governo no seu depoimento, ou seja, não desafiou frontalmente José Sócrates como a notícia do Público faz transparecer. Aparentemente o Público fez uma interpretação abusiva do comentário de Constâncio. A leitura mais uma vez a tirar é que temos que ter muita cautela na confiança que depositamos nalguns jornais.

O eterno Jota

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 10 Abril, 2008

Pedro Passos Coelho ao Correio da Manhã, no seguimento de uma sondagem pouco animadora para o PSD:

CM – Luís Filipe Menezes tem condições para vencer as eleições?
PPC – Começa a ter um caminho muito estreito para o fazer. Deve ser a equipa a fazer essa análise dos resultados. O resultado é mais um sinal que acentua a tendência de descredibilização que o PSD vem tendo aos olhos da sociedade portuguesa.
CM – Está disponível para ser candidato a líder do PSD?
PPC– Se no PSD se achar que é tempo para mudança de órgãos sociais e nova liderança estarei disponível para apresentar uma alternativa ao Governo PS.
CM – Já em 2009?
PPC – Se vier a acontecer, sim.

          

Pinho sobre o IVA

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

Manuel Pinho, num momento de pouca iluminação, comparou a descida do IVA a 5 semanas de factura de electricidade nacional. Num daqueles rasgos políticos de tentar tornar os grandes números (500 milhões de euros em 2009) em coisas do dia-a-dia que os portugueses entendam, o governante procurou estabelecer um pararelismo com algo que diz-nos pouco. O que são 5 semanas de electricidade? Ninguém paga facturas de 5 semanas. Não há outras comparações mais fáceis? Não percebo se foi uma piada ao Belmiro de Azevedo (por a Sonae pagar preços industriais pela electricidade), mas que foi fraco, isso julgo que foi.

O Ministro da Economia disse ainda que:

“Não faço parte dos que julgam que baixar o IVA em um ponto percentual é uma migalha. Não sou suficientemente rico para pensar isso”.

Para além de dirigida ao PSD, esta sim foi direitinha a Belmiro de Azevedo, sem passar pela casa da partida e sem receber 2 contos. Agora, por muita graça que o Ministro tenha, em primeiro lugar, piadas do género “puxa, é mesmo muita massa, só os ricos oligopolistas é que sabem o que isso é”, julgo desajustadas. E depois, duvido que Manuel Pinho tenha que estar a rebater as opiniões de empresários reformados, cada vez que uma nova medida seja introduzida.

Verborreia

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Abril, 2008

A Constituição dos Estados Unidos da América tem 4.400 palavras.

A Constituição da República Portuguesa tem 32.261 palavras.

Pela sua contenção verbal, os EUA viram-se impossibilitados de consagrar constitucionalmente um importante imperativo político: o da promoção da ginástica. De nada serviu o artigo de James Madison nos Federalist Papers “Forget the independence of the judiciary: what the country needs is a tough stance on obesity”.

Artigo 79.º
(Cultura física e desporto)
1. Todos têm direito à cultura física e ao desporto.
2. Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

O social-democrata Pacheco Pereira quer que a direcção do PSD de Luís Filipe Menezes seja afastada antes das eleições de 2009 e prevê que a mudança de liderança “vai mesmo ter de ser ‘à bomba'”. (Público)

Faith-based economics

Posted in Estados Unidos, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Março, 2008

Com duvidoso sucesso, os choques fiscais de redução de impostos foram introduzidos pela primeira vez nos EUA por Ronald Reagan. Kevin Hassett, actual assessor económico de John McCain, explica o porquê destes choques:

What really happens is that the economy grows more vigorously when you lower tax rates. It is beyond the reach of economic science to explain precisely why that happens, but it does.

Esta política que espera aumentar as receitas fiscais apesar da redução das taxas ficou conhecida por supply-side economics, em oposição à keynesiana demand-side economics. Segundo Dani Rodrik, depois do comentário de Hassett, deveria no entanto actualizar o seu nome: de supply-side economics deveria passar a faith-based economics!

Líderes incoerentes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 27 Março, 2008

Uma das características fundamentais de um grande líder é a coerência nos actos e afirmações. Infelizmente temos assistido na política em Portugal a constantes inconsistências de comentários e decisões nos vários partidos que nos governam. No governo actual, a incoerência envolveu decisões como a Ota e em especial na voz do primeiro-ministro, os impostos. Em 2005, enquanto candidato a primeiro-ministro, José Sócrates dizia “Não estou de acordo com subida de impostos”. Menos de 100 dias depois foi o que se viu. Há 15 dias atrás, Sócrates dizia que uma descida de impostos seria “leviana e irresponsável”. Ontem foi o que se viu. Os agentes económicos gostam de estabilidade para poderem decidir. A imprevisibilidade governativa, sobretudo em questões fiscais, é o maior inimigo do investimento.

Mas as incoerências não ficam pelo governo rosa. O PSD, aquando da subida do IVA, falava através do deputado Miguel Frasquilho, em “efeito nefasto sobre a evolução económica em todo o país”. O então líder Marques Mendes comentava tratar-se de um aumento“imoral”, tendo em conta que o financiamento das SCUTs se mantinha. Em contraposição, o agora líder da oposição Luís Filipe Menezes diz que a redução do IVA é “irrelevante e casuística”. Claro que o líder do PSD já é outro e passaram uns anos, mas custava muito admitir qualquer coisa como: “é um passo no caminho certo, mas não suficiente para termos a carga fiscal que havia antes deste Governo ter iniciado funções”*, sobretudo depois de o PSD ter proposto recentemente uma descida dos impostos? Talvez não fosse comentário suficiente para aparecer no top5 do noticiário das 20h, mas pelo menos, daría-lhe alguma credibilidade para os devaneios que venha dizer a seguir.

Eu sei que na política como no futebol é díficil que o que hoje é verdade amanhã não seja mentira, mas o mínimo dos mínimos de coerência seria útil para melhorar a credibilidade das decisões e opiniões políticas em Portugal.

*além de que dificilmente o governo poderia ter ido muito mais longe do que foi nesta altura do campeonato.

Os netos de Rousseau II

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 25 Março, 2008

Há uns dias tivemos isto. Hoje temos isto:

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), disse hoje ao DN, a propósito do triste episódio do telemóvel, da professora e da aluna ocorrido na Escola Carolina Michaelis, que “lidar com a indisciplina não é uma prioridade”. Isto porque, segundo o dito senhor, “é mais importante reflectir sobre os factores que estão na origem destes comportamentos”, que são “de natureza diversa: familiares, sociais, e também, sem dúvida de natureza política”. (via Jantar das Quartas)

Os netos de Rousseau*

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Março, 2008

O Correio da Manhã faz um útil ponto de situação sobre a agressão na escola Carolina Michaelis. O artigo revela que em Portugal houve no ano lectivo passado 185 agressões de alunos a professores. E que nesta escola:

…este é o terceiro caso de violência este ano. Em Dezembro de 2007, uma aluna do 10.º ano, insatisfeita com a nota que a professora de Português lhe atribuiu, agrediu a professora. Noutro caso já no princípio de 2008 um aluno foi esfaqueado à porta da escola

Que fazer? Reforço da autoridade dos professores na sala de aula? Sanções mais fortes? Ao contrário do que se poderia pensar, grande parte dos professores age contra o seu interesse próprio em matérias de disciplina. Ironicamente é uma das poucas áreas em que são pouco corporativistas. A razão é sobejamente conhecida – a tradição ideológica e pedagógica nascida com Rousseau que trata as criancinhas como barro moldável e puro, cada um uma tabula rasa na qual o professor escreve. Não é difícil compreender a atractividade desta ideia para a generalidade dos professores já que os torna em verdadeiros pais criadores de uma sociedade mais justa. Um corolário desta pureza natural é que os alunos nunca são os responsáveis últimos pelas suas acções. Há sempre um verdadeiro culpado, que é a sociedade, com as suas injustiças económicas, ou os pais. 

Assim, a reacção do professor responsável pelo gabinete de apoio ao aluno da escola, o famoso Fernando Charrua, não é de estranhar:  

Muitas vezes o que os alunos precisam é de alguém que lhes dê um abraço e que os ouça, porque, em muitos casos, não têm com quem falar em casa. Há casos em que fazer uma asneira é motivada pela vontade de chamar a atenção

* – O título do livro de Filomena Mónica “Os Filhos de Rousseau” tem que ser actualizado porque os anos passam e a cultura pedagógica não muda.  

Fish Map

Posted in Portugal, Uncategorized by António Luís Vicente on 22 Março, 2008

Descobri uma excelente colecção da mapas antigos, na Olin Library da universidade de Cornell. 

Liga-se pouco a mapas em Portugal, principalmente quando pensamos no papel que os portugueses tiveram na história da cartografia, directa e indirectamente. Um dos aspectos mais intrigantes da história da cultura portuguesa é a relativa pobreza da nossa pintura. A nossa cultura tem sido consistentemente dominada pela literatura, área onde verdadeiramente temos um lugar na história intelectual europeia. Assim, tendo a ver os mapas como o único grande contributo português para a história visual do mundo. 

Alguns mapas da Olin Library:     

‘Universalis Cosmographia Secundum Ptholomaei Traditionem Et Americi Vespucci Alioruque Lustrationes’
Martin Waldseemuller
Strassburg, 1507
The name “America” appears for the first time on this 1507 world map. Waldeseemuller relies on Ptolemaic geographic sources for most of Europe and Asia. Africa has much detail along the coasts, based on the information of Portuguese travelers. China is based on information from Marco Polo. The original map measures over 4′ x7′, printed on 12 woodcut sheets.

Portolan World Map
Domingos Teixeira, 1573
Call number: G 3200 1573 T4

Portolan charts guided sailors in sea-crossings and between harbors along unfamiliar coasts.

Codfish Political Marketing

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 18 Março, 2008

PCP faz duro ataque à política de “arrogância”, do “quero, posso e mando” na Educação (Público)

(imagem: campanha da TMN, via final encounter)

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Codfish Political Consulting

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 13 Março, 2008

E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal”, sublinhou [Vitalino Canas] (RTP)

(imagem via Atelier Subterranean)

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 13 Março, 2008

E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal”, sublinhou [Vitalino Canas] (RTP)

Political Fish, PSD Edition

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 12 Março, 2008

O Codfish Waters publica de vez em quando exemplos de cartazes, vídeos e slogans políticos. Assim, sinto alguma obrigação de falar sobre a nova imagem do PSD, reconhecendo no entanto o carácter supérfulo desta discussão no contexto da actual crise vivida no PSD. Aliás, o que se está a passar ilustra bem que a verdadeira “imagem”, a que interessa, tem muito pouco a ver com logotipos e cores. 

Alguns jornais têm destacado a opção pelo azul como um corte radical com o passado. Não estou de acordo – o uso de azul é de facto um dado novo, mas acho que o cor-de-laranja continua a dominar, até porque fica realçado no fundo azul.  

227280.jpg

O azul e o cor-de-laranja não funcionam mal, como se constata neste conhecido quadro de Mark Rothko…

copy-of-rothko.jpg

…no qual o cor-de-laranja acaba por ter algum impacte visual, principalmente quando pensamos que a superficie que ocupa é reduzida e localizada na parte de baixo do quadro. 

O azul e o vermelho são sem dúvida as cores mais “políticas” do espectro. Na Europa o azul tem conotações mais à direita (aristocracia, monarquia, tories, etc.). Curiosamente nos EUA é ao contrário, pois os “blue states” são os dominados pelo partido democrata enquanto que os “red states” são os republicanos.

Quanto ao slogan – Mudar Portugal – acho preguiçoso e pouco original (em linha com a tradição portuguesa neste campo). A frase compreende-se no actual contexto de desânimo nacional e desejo de mudança. Mas na linha da crítica que o Francisco faz neste post ao “Esperança” do novo partido de Rui Marques, acho que o “Mudar” tem uma carga excessivamente negativa em relação ao país (há coisas que eu não quero mudar em Portugal!). Poderia ter havido mais ambição – criar um slogan mais positivo e não tão reactivo ao actual governo. Um bom exemplo do passado é o famoso “Prá Frente Portugal!” de Freitas do Amaral, que tem implícito uma crítica mas também uma ideia positiva de melhoria e não apenas de mudança (que pode ser para melhor ou para pior).

Regra de três simples

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 11 Março, 2008

Pedro Sales escreveu no Zero de Conduta:

José Sócrates mudou de ministro da Saúde, reconhecendo que “era a única forma de “restaurar a relação de confiança entre cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde”. Quando mais de metade dos professores se manifestam contra a política educativa, a frase ganha uma redobrada actualidade e fica uma pergunta muito simples. Que condições de trabalho, e de implementar as suas decisões nas escolas, tem uma responsável política que conta com a aberta hostilidade de uma classe profissional em peso?

Já era esperado este género de raciocínio, que se compreende na sequência do enorme precedente que o Governo de Sócrates abriu com a demissão do Ministro da Saúde. Só que apesar de Sócrates se ter enganado uma vez, não significa que se tenha de enganar uma segunda – alguém sabe o que se passa na Saúde?

Mesmo aceitando que agora o Governo deve seguir o precedente (porquê é que tem que ser assim?), tem que se ter em consideração que há uma diferença clara entre as duas situações: enquanto que na Educação, a “pesada” contestação é “limitada” em abrangência (concentrada nos professores), na Saúde, a “limitada” contestação tinha maior “peso” em amplitude: as pessoas na rua eram utentes diversos que, à partida, repito, à partida, não representavam uma única facção ou interesse profissional.

Sabão nos olhos

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 11 Março, 2008

Na perspectiva de Menezes, os resultados “evidentes” da sua liderança a este nível estão na origem de “alguma borbulhagem que anda no ar” (Público)

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Esperança

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 4 Março, 2008

No seguimento do post do António sobre o novo partido (MEP), tenho que dizer que entre as três palavras, tenho as minhas preferências. “Portugal” é redundante, mas é inócuo; em relação a “Movimento”, pensei que o estigma anti “Partido” já tinha terminado, mas compreende-se porque o utilizaram; agora “esperança”, esperança, ESPERANÇA, esperança dá-me urticárias.

Nesta palavra esperança está implícito o fado nacional – que somos fracos, que não valemos patavina, que aqui há pouco que se aproveite, que com este sistema não vamos longe. Diz também que com o Movimento há esperança, que com o MEP vamos deixar de ser este povinho à beira mar plantado. Ora isso é coisa que se diga? – fará sentido que um Partido deixe entender no próprio nome que Portugal vale pouco e que com eles é que vamos lá? E vamos aonde, já agora?

Don’t guess me wrong, não sou contra o novo partido. Antes pelo contrário, acho óptimo que apareçam novos partidos, se possível com novas ideias, mas este nome é mau de mais para ser verdade. É que imagem não é tudo, mas como dizia o outro, é quase tudo.

PS: Por favor não confundir este “esperança” com o “hope” de Obama. Neste último, está-se a falar de vangloriar o melhor da América, de regressar ao melhor dos seus valores. Na “esperança” do MEP, o tema é mais mesquinho, é mais do género “somos mesmo fraquinhos, mas, uff, há esperança”

Movimento Esperança Portugal

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Março, 2008

O nome do novo partido – Movimento Esperança Portugal – não é completamente mau. Só não gosto de três das palavras escolhidas.

“Movimento” cheira a manada, a irracionalidade, a protesto – é negativo; “Esperança” é lamechas e paternalista – é demasiado positivo; usar “Portugal” é entrar em algum facilitismo, pois é demasiado óbvio. “Movimento” e “Esperança” combinados dão um ar algo messiânico à coisa.

Por outro lado, foi pena terem fugido da palavra “partido”, certamente para cavalgar a onda anti-sistema e anti-partidos  que por aí anda (penso que o Bloco de Esquerda foi o primeiro a fugir do termo em tempos recentes). Por outro lado o nome é demasiado parecido com o “Movimento de Intervenção e Cidadania” de Manuel Alegre. 

Acresce que a sigla – MEP – tem pouca força foneticamente.

Dito isto, não é completamente mau.

ADENDA: Rui Cerdeira Branco, do Adufe 4.0 refere nos comentários a este post que o MEP ainda não pode adoptar a designação de “partido” por ainda não ser reconhecido legalmente como tal. Não tinha pensado nisto e faz algum sentido, embora seja vagamente idiota que o projecto não possa ser apresentado com o seu futuro nome, mesmo que este ainda não seja oficial. Mas a confirmar-se a impossibilidade de uso do termo “partido” naturalemente essa crítica específica não se aplica – eu sempre disse que o nome não era completamente mau!

Claustrofobia

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Março, 2008

O novo partido vai chamar-se Movimento Esperança Portugal (…) descreve-se como abrangendo um espaço da social-democracia entre o PS e PSD (SIC Online)

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Nomes da Família D’Orange

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 29 Fevereiro, 2008

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Um requisito do recente PSD é que os seus líderes têm que ter uma alcunha para se afirmarem entres os barões do partido e poderem sobreviver perante o permanente ataque dos demagogos com a mania que têm opinião. É já uma imagem de marca. É uma forma de lhes termos compaixão. Acho que merecem. Marcelo Rebelo de Sousa foi a vichyssoise; Durão Barroso, o cherne; Santana Lopes, o menino-guerreiro; Marques Mendes, esse era grande demais para estas coisas; e agora Luis Filipe Menezes, o John Wayne. Especulemos então sobre as alcunhas que se seguem:
António Borges – o D. Sebastião
Ferreira Leite – a Dama de Zinco
Aguiar Branco – el Clark Gable
Rui Rio – o Peixeiro do Bolhão
Passos Coelho – o Laranjinha
Alexandre Relvas – o Alex dos Plásticos

Mais ideias?

Lone Ranger

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 27 Fevereiro, 2008

Luís Filipe Menezes invocou John Wayne na entrevista de ontem à SIC Notícias (o vídeo está disponível no Cachimbo de Magritte)…

…parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo

…o que não é mais do que a velha e gasta fórmula política da “maioria silenciosa”, do tipo “a elite está contra mim, mas o povo está comigo”.

Confesso que não descobri via Google a citação a que Menezes se refere (se alguém descobrir diga s.f.f.). Mas independentemente disso, penso que a atitude é errada – Menezes precisa de se preocupar com as elites, que claramente não estão com ele. E neste contexto talvez fosse mais apropriada, na perspectiva de Menezes, a referência a uma muito mais famosa frase de John Wayne…

If you’ve got them by the balls their hearts and minds will follow.

Que ele podia ter parafraseado “se eu ganhar as eleições, eles aparecem”.

Peritos II

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 25 Fevereiro, 2008

Indo mais longe do que o meu comentário aqui, Pedro Magalhães no Margens de Erro apresenta números que no mínimo põem em questão a tomada de posição da SEDES. Eu nem queria entrar por aí, por mim a SEDES até poderia ter razão mas necessitava de pôr na mesa alguma coisa que o demonstrasse. Para Pedro Magalhães esses dados estão disponíveis, não foram é utilizados com o devido cuidado pela SEDES.

Peritos

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Fevereiro, 2008

Esta tomada de posição da SEDES é um pouco surreal (sedes.doc). Trata-se de um documento em word sem qualquer demonstração de que é oficial, excepto o facto de ter sido escrito numa cidade chamada Sedes (ver fim do documento), e que apresenta um conjunto de afirmações que qualquer um de nós poderia fazer. Não tem nenhuma referência a um estudo que tenha sido feito, a indicadores que tenham sido recolhidos, nada. Baseia-se apenas em percepções. Por exemplo, diz que a “o mal-estar difuso na sociedade portuguesa” é causado pela “degradação da qualidade da vida cívica”. Com que análise é que chegaram a essa conclusão?

Isto de ser especialista, não é só ser reconhecido. É preciso trabalhar. Juízos necessitam demonstrações. Os especialistas são especialistas porque se especializam nos temas que abordam. Não basta enviar umas “postas de pescada” como qualquer um de nós. O problema é quando ouvimos estas associações como se o que escrevessem fossem verdades absolutas. O Paulo Pinto Mascarenhas do Atlântico, por exemplo, concorda com o documento. Eu não sei, não tenho nenhum dado no documento que me faça pensar que a opinião deles seja melhor ou pior que a de qualquer outro. Sinceramente pergunto-me: porque é que estes 9 senhores assinam estas coisas de cruz?

A única parte que achei piada foi esta, realçando a importância dum ponto mencionado também aqui:

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

A lawyer and a court reporter are on a mountaintop with a meditating guru. As the guru recites his mantra,

Incertezas das certezas

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Fevereiro, 2008

Enquanto Cavaco Silva diz que “Portugal não se deve precipitar” na sua posição sobre a declaração de independência do Kosovo e Sócrates diz que a decisão de Portugal será tomada “muito brevemente”, os kosovares desde o primeiro dia que nos puseram na lista dos países que vão reconhecer o Kosovo como Estado independente.

 

Será que Cavaco estava a pensar na Paz Mundial?

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 21 Fevereiro, 2008

Será que Cavaco estava a pensar na Paz Mundial quando disse que “Portugal tem outras prioridades”?
Com o objectivo de se caminhar para a Paz no Médio Oriente, está em curso uma proposta para a candidatura conjunta de Israel e da Palestina para organizar o Mundial de Futebol de 2018. A proposta tem co-autoria de Pascal Boniface, Director do Instituto para as Relações Internacionais e Estratégicas em Paris (IRIS) e do jogador com maior número de internacionalizações pela selecção francesa, Lilian Thuram. Agora, sim, percebe-se o comentário do nosso Presidente Cavaco (e provavelmente a sua recente viagem ao Médio Oriente) – a prioridade de que fala para Portugal é ser o dinamizador (com a sua experiência como anfitrião de torneios) de um evento que pode propagar a Paz no Médio Oriente por muitos e bons anos.

 Via Dani Rodrik

As tentações de mudança na educação

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 20 Fevereiro, 2008

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Os professores vão fazer uma manifestação nacional em sinal do seu descontentamento contra as políticas “autistas” da Ministra da Educação. Os “docentes”, como todos nós, habituaram-se a não apreciar muito essa coisa chamada “trabalhar”, e por isso não há nada como fazer umas greves e umas manifs para apanhar um pouco de sol. Não, não é isso!! Desta vez o sindicato preparou-se de antemão para as críticas e decidiu fazer a manifestação num sábado!! Muito obrigado pela consideração pelos nossos alunos, sinceramente, foram uns queridos.

As mudanças (não gosto da conotação que ganhou a palavra reforma) nos sistemas educativos são uma verdadeira trabalheira em qualquer parte do mundo. Teria sido mais fácil se os vários países (entre os quais Portugal) não tivessem compensado a inicial falta de condições para ensinar com a introdução de mordomias e regalias que neste momento são muito difíceis de alterar. Mas agora já não há nada a fazer em relação a isso. Os salários já aumentaram, mas as regalias ficaram.

Agora é obviamente necessário intervir, mas como se prova tanto cá, como por exemplo aqui, é muito difícil combater os poderes instalados da “classe”. Muitos a todo o momento dirão que as alterações devem ser graduais, outros dirão que se devem ser muito agressivas…é difícil encontrar o adequado equilíbrio e é certamente difícil encontrar as normas mais acertadas…mas também difícil é ser contra o princípio de avaliação de desempenho dos docentes ou de alinhamento dos interesses dos professores com os dos alunos. Difícil, mas há e haverá quem ainda hoje de “umbigo” feito se orgulhe da “fibra de ser contra as medidas” e que “refile” de quem sucumbe “às óbvias tentações” da mudança.

Agora neste ambiente, começo a concluir, que por um lado que ainda bem que não há real oposição em Portugal (pelo menos neste campo). Se Sócrates precisasse mesmo dos votos da esquerda era certo que nenhuma destas mudanças acabariam por ser realizadas no próximo ano e meio, como já se provou pelo sofrido destino que levou a Saúde. Dúvido que o governo vá muito longe na introdução de reformas porque os sindicatos continuam com a vantagem de que cada das suas “manifs, greves ou vigílias” ter muito mais audiência jornalística que qualquer decisão do governo. Mas pelo menos a tranquilidade política dá-nos alguma esperança que algo seja feito. Seria talvez útil para isso que o governo se auto-reanimasse, passasse algumas das propostas reformas, e deixasse de vez o estado moribundo com que entrou neste ano de 2008.

Assim não brinco

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 20 Fevereiro, 2008

Mário Nogueira, o secretário-geral da Fenprof, afirmou

Com estas pressões todas, com estes horários de trabalho, com esta avaliação de desempenho, com a forma como os professores são permanentemente desvalorizados e insultados pelo Governo e Ministério da Educação não há condições para o exercício da profissão.

Via “Sol”

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 19 Fevereiro, 2008
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No Público:

Qual é o balanço que José Sócrates faz dos seus três anos de Governo, que se cumprem amanhã? Positivo, muito positivo. Que imagem tem o primeiro-ministro da sua acção e das suas políticas? Reformistas. Alguma coisa correu mal? Não, tudo correu lindamente.

Poker aberto

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 16 Fevereiro, 2008

Este documento via Expresso – telmo_estorilsol.pdf – não é por si só preocupante. O documento parece bem oficial. Não é um telefonema às quatro da manhã de e para um número incógnito com meias palavras, mensagens por código e indicando uma troca de favores. É uma carta às claras de uma empresa privada a um membro do Governo a mostrar um ponto de vista. A ir longe no ponto de vista (por exemplo, chega ao cúmulo de formular uma redacção da lei em causa), mas não passa de um ponto de vista. O que pode ser preocupante é o seguinte: será que o governante seguiu as instruções da carta (há indícios que sim), será que há mais algum dado que influenciou a decisão do Governo, e mais importante, será que o governante decidiu em prejuízo do Estado. E se assim foi, qual o valor que fez perder ao Estado. Como trata-se de uma zona com um mercado imobiliário relativamente líquido, não deverá ser díficil fazer as contas para perceber se (e quanto) perdemos com esta estorieta. 

The revolution will not be televised

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 15 Fevereiro, 2008

 

No seguimento dos comentários Expressados por um famoso General, veio Abruptamente a Público que a revolução está a ser preparada no segredo dos supermercados Modelo e Continente, enquanto ganha apoios nos meios visionários intelectuais e espera a adesão de uma massa crítica nacional. Espera-se um sobressalto cívico de indignação, de bases populares, uma explosão! Rezam as crónicas que deverá ser liderado por um movimento de cidadãos unidos por um objectivo comum (alguém sabe qual é?). Se caso fôr, a moral do movimento reserva-se o direito de recorrer a um general, que, a cavalo, de espada em riste, triunfará junto ao Terreiro do Paço, mais concretamente em pleno Campo das Cebolas…

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 15 Fevereiro, 2008

No Público, sobre a constituição de provisões no BCP relativas a indemnizações a ex-administradores afastados na sequência do conflito interno e de alegadas irregularidades envolvendo offshores:

Esta verba [ver abaixo] integra um bolo mais geral – que será superior a 70 milhões de euros, não devendo ultrapassar os 100 milhões – que se destina a suportar, entre outras coisas, o pagamento de indemnizações a cinco ex-administradores. Os ex-gestores que irão ter direito a estas verbas são Filipe Pinhal, Cristopher de Beck, Paulo Teixeira Pinto, Bastos Gomes e Alípio Dias.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 15 Fevereiro, 2008

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No Público:

A nova administração do BCP está a equacionar a constiuição de provisões, num montante superior a 30 milhões de euros, para fazer face a custos decorrentes das contra-ordenações que poderão ser aplicadas no âmbito das irregularidades envolvendo “off-shores” que foram utilizados para a compra de acções próprias.

Mundial 2018

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 10 Fevereiro, 2008

Como entendo que “devemos ser sujeitos ao contraditório”, apresento uma visão diferente da do António, que já estava pronto para publicar quando vi a dele:

Cavaco Silva num comentário que me pareceu despropositado diz em relação à possível candidatura portuguesa à realização do Mundial de 2018:

É um problema que terá de ser debatido entre as autoridades do futebol português e espanhol. Neste momento, e quanto consigo antecipar, Portugal tem outras prioridades.

Tudo bem que deve ser debatido entre as autoridades e que se devem fazer as contas se de facto vale a pena nos candidatarmos, mas devia ter medido as palavras quando disse que “Portugal tem outras prioridades”. Com este comentário, pode fechar uma porta que potencialmente será uma boa oportunidade. É que uma vez que já investimos nos estádios, estradas e mais recentemente em hóteis, o custo marginal deste projecto tornou-se relativamente baixo. Como a candidatura seria conjunta com Espanha, duvido que se utilizassem mais do que 3/4 estádios. Estes estão prontos, quanto muito necessitaríam de pequenas obras de embelezamento. A única grande incógnita seria o novo aeroporto de Lisboa que se estima que esteja operacional próximo desta data – visto bem, talvez o Mundial até servisse para que não tivéssemos mais uma obra pública atrasada em Portugal.

Circo e Circo

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 10 Fevereiro, 2008

Cavaco Silva diz que Portugal tem “outras prioridades” para além da organização do Mundial 2018 (Público)

Intervenção inesperada e muito útil para tentar matar à nascença mais uma recaída no frágil processo de recuperação do abuso de duas drogas perigosas: a droga “quase que ganhámos o Euro 2004…em casa” e a droga “holofotes do mundo sobre Portugal”.

Se falhar recomendo medidas mais drásticas de tough love:

Vá lááááa, só mais um…

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 10 Fevereiro, 2008

 

Carvalho da Silva está de saída da CGTP pois, nas suas palavras,

é necessário renovação e rejuvenescimento.

aliás não está…ou antes, está mas só em 2012.

Carvalho da Silva entrou naquele conversa típica de quem tem o poder há muito tempo. Tipo “olhem que me vou embora, vejam lá se é isso que querem”, “como é que pensam combater o poder instalado no PCP….quero dizer, no governo!”, “Está bem, talvez fique, mas só se uma vaga de fundo aparecer, quem sabe, vamos ver” “Eu já ía para casa, mas apareceu um movimento expontâneo…” Um exemplo que me vem à cabeça deste género de “ameaça” é Pinto da Costa, que em todos os mandatos diz que é o ultimo.

No caso de Carvalho da Silva que já lidera a CGTP há mais de 20 anos, talvez fizesse sentido deixar-nos ouvir a voz dos mais jovens. Por muito que ele acredite que “ainda tem um contributo a dar ao sindicalismo”, parece-me que o que não fez em 22 anos, é provável que o não faça nos próximos quatro. Não sei se apareceria alguém melhor, mas muito pior também não deveria ser.

Entretanto, com esta preocupação de renovar, a CGTP tem agora uma regra que pessoas com mais de 60 anos não se podem candidatar ao Conselho Nacional, introduzindo na organização o que nos “obrigam” a fazer. Carvalho da Silva está lá quase, mas aguenta-se por uns meses (faz anos em Novembro). Quiçá isto lhe faça pensar que há mais quem trabalharía com gosto para lá dos 60.

Carvalho da Silva diz ainda

Uso aquela imagem velha que todos repetem. Nenhum português deve abdicar dos seus direitos sociais e políticos, os seus direitos cívicos, mas as minhas ambições são os desafios do dia-a-dia e agora sou sindicalista empenhado.

Tradução: “Todos os jogadores gostavam de jogar num grande como o Benfica, e eu não fujo à regra, mas neste momento só penso no Desportivo das Aves”.

Isto, sim, faria sentido. Se quer realmente continuar activo na vida política, então está na altura de dar o salto: deixar de andar a brincar às manifs e candidatar-se a cargos políticos. Quer dizer, se o deixarem.

“Vou às urnas, mas no país. Irei às urnas no país”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Fevereiro, 2008

 

Com o governo “a piscar o olho à direita”, o político-poeta vê espaço para sneak in no espaço socialista tradicional. Anda a contar as espingardas, a sentir quanto interesse tem o país pela sua poesia. Avance, encha-se de paixão, que o Dr. Menezes (ou outro que lá esteja) lhe agradecerá.

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Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 7 Fevereiro, 2008

 

Alberto João Jardim na sua moção “Vencer 2011”:

Uma nova personalidade à frente do PSD/M, em 2011, sem os ónus que os combates duros dos últimos trinta anos acarretaram, parece reunir novas condições para reforçar o campo autonomista, chamando pequenas forças políticas que também reúnam condições para se integrar nesta trincheira que denomino ‘arco autonomista’.

O General com Medo

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 5 Fevereiro, 2008

O artigo do General Garcia Leandro (Expresso, 2 de Fevereiro) é ao mesmo tempo triste e assustador. Triste porque mostra uma pessoa indignada e impotente que recorre ao pior dos métodos para se fazer ouvir: alarmismo.

O General Garcia Leandro, como tantas outras pessoas, está descontente com o país e frustrado pela lentidão do nosso desenvolvimento. Até aqui nada de novo. O problema é que para se fazer ouvir, o General recorre ao discurso do medo e da insinuação. Normalmente o uso deste tipo de técnicas revela que o autor se considera “dono da verdade” e também que sente que está numa “missão”. Tudo muito messiânico. E presunçoso. Alías, o General tem a desfaçatez de nos pedir implicitamente um “obrigado” por ter resistido a apelos para chefiar um “movimento de indignação”. Obrigado! O facto de Garcia Leandro ser responsável do Observatório de Segurança torna as declarações mais alarmistas porque fica subjacente – falácia ex-cátedra – que o autor tem na sua posse dados sobre segurança não acessíveis ao público em geral.

O artigo é assustador não pelo que é dito – as tais explosões sociais que o General nos diz que vão acontecer como resultado dos salários do BCP – mas pelo que representa. Tal como o discurso sobre a corrupção, o texto é mais um exemplo de uma tendência crescente para o exagero e para o alarmismo no discurso público português. Parece que chegou a Portugal, para ficar, a “cultura do medo“.

Não tenho medo daquilo de que o General tem medo. Tenho medo sim das “self-fulfilling prophecies” – ou seja, que uns pobres desgraçados se inspirem nos Marinhos e Leandros e façam um disparate. E se isso acontecer, querem adivinhar quem serão os primeiros a dizer “eu bem vos disse…”?

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 5 Fevereiro, 2008

O director do Observatório de Segurança, Garcia Leandro alerta, num artigo de opinião na P54, que uma explosão social está a chegar. “Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa”, diz. O militar afirma já ter sido convidado para encabeçar movimentos de indignação, mas que tem resistido. (Expresso, 2 de Fevereiro de 2008)

Corrupção em Portugal

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Fevereiro, 2008

Em recentes anos, e de forma mais intensa nos últimos meses, tem crescido o discurso sobre corrupção em Portugal. Há uns anos era o silêncio quase absoluto sobre esta matéria. Hoje são raras as semanas em que não se fala de corrupção, quase sempre de forma alarmista, como se viu nas recentes declarações do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto.

Penso que nem o silêncio de há uns anos nem o quasi-histerismo de hoje são justificados. Suspeito que antes não se falava tanto de corrupção pela simples razão de que, por defeitos na investigação, menos casos vinham ao de cima. Como a disciplina de “law & economics” mostra, raramente a percepção do público em geral sobre a intensidade de um determinado crime coincide com a realidade. É sabido que as pessoas têm dificuldade em avaliar de forma correcta as probabilidades de diversos tipos de acontecimentos, estimando por cima uns, e por baixo outros. Em sondagens, a maior parte dos americanos, por exemplo, estima muito por cima a probabilidade de morrer num ataque terrorista (avaliability heuristics). Quando as autoridades começam a combater de forma mais eficaz um dado fenómeno, este começa a aparecer mais nos jornais. Tal leva as pessoas a considerar que ele é hoje mais prevalecente. Outra razão para esta intensa percepção pode ser precisamente o facto de o discurso público sobre esta matéria ser hoje mais intenso – tal pode ser uma causa desta percepção e não uma consequência.

Não sei se é isto que se está a passar em Portugal. Posso estar engando nesta intuição. Talvez a corrupção esteja mesmo a crescer de forma intensa no nosso país. Como é sabido, é muito difícil avaliar a incidência da corrupção. Existem algumas organizações internacionais que avaliam o fenómeno (como esta, por exemplo) e em cujos estudos Portugal não aparece como o poço de corrupção retratado por algumas pessoas. O que me levanta muitas suspeitas neste debate é que ninguém está interessado em discuir os números. Tal sugere duas coisas: que a corrupção é uma arma de arremesso muito útil para algumas pessoas e que, como em tantos outros casos, nós portugueses somos muito receptivos a más notícias sobre o nosso país, aquelas que confirmam as nossa eternas conversas de café sobre a lástima em que isto está.

Outro indicador que, para mim, sugere a reduzida seriedade desta discussão, é que poucos do que levantam o alarme estão preparados para aceitar que uma das principais armas para combater a corrupção é a redução do peso do Estado, como lembra ontem no Público Vasco Pulido Valente. Gostaria de ouvir o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, a considerar esta solução, mas duvido que o faça pois calculo que outros mais altos valores ideológicos se sobreponham.

Pensamento da semana

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 4 Fevereiro, 2008

Neste momento em que se discutem em Portugal uma série de fait-divers, vale a pena começar a semana a pensar em algo que seja realmente importante.

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A simples conclusão deste gráfico é que, entre os países desenvolvidos, Portugal tem se destacado nos últimos anos pelo fraco crescimento económico. Apesar de este facto não ser uma novidade por si, é sempre bom de quando em quando ver os números. Entre os países no gráfico, há 4 países mais ricos que crescem a velocidade inferior à nossa, há vários países que ainda não nos ultrapassaram em riqueza que crescem a uma taxa real muito superior, e há um número elevado de países mais ricos que cresce mais depressa do que Portugal. Não há, neste grupo largo, países mais pobres que cresçam a uma taxa inferior à nossa.

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Assinaturas

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 1 Fevereiro, 2008

Há coisas que prefiro nem saber. É melhor nem saber das pequenas vigarices do nosso primeiro-ministro enquanto aprendia a vingar nesse maravilhoso mundo das Jotas e do politiquismo de algibeira. Foi a estória da licenciatura e agora é a aldrabicezinha de assinar por outros na Câmara da Guarda. É enjoativo tanto o sorrisinho bem português depois de fazer aquela falcatrua de classe C, como o é a nossa felicidade quando vamos por aí fora a vangloriar-nos das falhas de quem nos governa. Por favor não abram mais destes baús. São muito fracos. Aposto que os outros países também o têm mas só os mostram quando vale mesmo a pena. É que ao menos que fossem coisas de dimensão que mostrassem inteligência e capacidade de inovação. Mas não, é só engenhocas de vão de escada que de pioneiras não têm nada.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 31 Janeiro, 2008

Administrador da “nova” ZON sobre a mudança de marca na “velha” PT Multimedia:

Ser ZON, ser Apple ou ser Orange não é o mais importante mas sim o que a palavra transmite em termos gráficos.

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