CODFISH WATERS

Net repairs

Posted in Uncategorized by codfish on 25 Julho, 2008

Por diferentes razões, os autores deste blog vão ter um verão complicado e agitado. Assim, tal como já tem acontecido em Julho, será difícil actualizar regularmente o Codfish. Tentaremos aproveitar o verão também para pensar sobre este blog, sobre os temas a cobrir, sobre o sempre delicado equilíbrio entre o comentário do quotidiano e as análises mais aprofundadas. Escrever este blog tem sido uma experiência muito estimulante, um óptimo treino de escrita e um incentivo a estarmos mais atentos ao que se passa. Mas como os praticantes deste desporto sabem, não é fácil manter actualizado um site generalista como este, principalmente no meio das vidas divertidas mas complicadas de um português da Geração de 70. Assim, na reentre podemos voltar mais calados ou mais agitados, mais focados ou mais caóticos. De toda formas, o mundo anda incerto pelo que não vemos mal nenhum em ter um blog também ele de futuro incerto e aberto. Abraços e boas férias.

6 meses

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 11 Julho, 2008

Hoje o Codfish Waters faz 6 meses de existência.
Obrigado por nos acompanharem.

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Falta de escrita

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 10 Julho, 2008

Esta semana estamos em sintonia com Dani Rodrik, deve ser um bom sinal:

I once had a fantasy. I would devote a whole year, perhaps a sabbatical, just to reading and thinking, and would not write anything. I mean really nothing: no papers, no articles, no op-eds, no contributions to collected volumes. I would turn down all invitations to contribute papers to conferences or books by saying “Thank you. but I am just reading and thinking this year, not writing.” The idea was to force a fundamental correction in the balance of trade between what went in my head and what came out.

I thought this had to make my subsequent writing better. After all, I would have had a long time to think about the literature and develop my ideas, without the pressure of having to spill them out.

And then there were also the inevitable narcissistic thoughts: Would anyone notice? Would anyone care? Would the world be a worse place as a result?

Call it an academic’s fantasy.

Of course I never came close to fulfilling this fantasy. In fact, starting a blog was a move in exactly the opposite direction. With a blog, you have to write something most days–or at least you feel the pressure to do so.

It wasn’t exactly by design, but perhaps the recent hiatus of activity on this blog was a small-scale acting out of my fantasy. At the very least, I have proved to myself that I can stay away–and not feel terribly guilty about it.

Thanks very much to those readers who urged my speedy return, provided justifications for my absence, or warned of dire consequences if I did not reappear soon. I hope they get a vacation too.

Os três melhores vídeos que vi esta semana

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 4 Julho, 2008

Matthew Harding viajou durante 14 meses, visitando 42 países, com o objectivo de produzir 4 minutos de uma dança meio-estupida. O resultado é estranhamente cativante, talvez pelo choque entre a energia gasta e a total e sublime futilidade do exercício. (via Boing Boing)

Uma música e vídeo em que tanto a música como o vídeo são criados com excertos do filme “Alice in Wonderland”. Segundo o autor, trata-se de “an electronic piece of which 90% is composed using sounds recorded from the Disney film ‘Alice In Wonderland’.”

Este não vi esta semana mas sim há uns meses (mas achei que “três” no título tinha mais impacto) – é um vídeo criado por uma empresa de Nova Iorque durante uma festa de final de tarde e que acabou por tornar-se no seu melhor investimento em publicidade e marketing. Uns dias depois o vídeo compeçou a circular e começaram a receber milhares de CVs por dia. A musica é excelente, de Harvey Danger. Parece que gravaram tudo num só take e à primeira, o que me parece algo suspeito.

 

Fishtoon

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 1 Julho, 2008

Via Slate

A última fronteira

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Junho, 2008

O último número da New York Review of Books tem um artigo sobre alguns avanços recentes no conhecimento do cérebro. Entre vários temas, o artigo aborda as fascinantes experiências realizadas pelo neurocientista V.S. Ramachandran para aliviar a dores causadas pelos chamados “phantom limbs”. Pessoas que perderam um braço ou uma perna sofrem por vezes dores insuportaveis nos membros desaparecidos.

…the brain creates a “phantom” limb in an apparent attempt to preserve a unified sense of self. For the patient, the phantom limb is painful. The brain knows there is no limb; pain is the consequence of the incoherence between what the brain “sees” (no arm) and the brain’s “feeling” the presence of a phantom that it has created in its attempt to maintain a unified sense of self in continuity with the past. Such pain is not created by an external stimulus and cannot be eliminated by painkillers.

V.S. Ramachandran teve a simples mas genial ideia de usar um jogo de espelhos para criar no paciente a ilusão de que o membro amputado ainda lá está. Ao criar-se esta ilusão a dor desaparece. O mais extraordinário é que, obviamente, o paciente tem consciência de que o que está a ser feito é um truque, mas a um qualquer nível do processo cerebral, consegue-se “enganar” o cérebro. 

Para além do bem estar destes pacientes, esta experiência abre novos caminhos para a compreensão dos mecanismos da consciência. Mas o melhor mesmo é ver a fascinante conferência que Ramachandran fez nas TED Talks:

Pop philosophy

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 26 Junho, 2008

Ao contrário do que à partida se poderia esperar, são poucos os termos e categorias da filosofia política que passaram para o discurso político do dia-a-dia. Não sei qual será a explicação para esta parcimónia numa tão barata fonte de legitimação e pseudo-solenidade retórica.

Assim de repente lembro-me apenas de dois que passaram para o uso corrente: “contrato social” (Rousseau), usado hoje por Helena Roseta, e “imperativo categórico” (Kant). Este último é particulamente mal usado. Quando se ouve fica-se a saber que vem ai despesa pública, tipo “apoiar os agricultores é um imperativo categórico do governo”. É usado quase como sinónimo de uma obrigação tão forte que não deve ser discutida, o que, como se imagina, dá muito jeito em política.

Já a expressão “contrato social” usa-se normalmente em discursos sobre falta de legitimidade do regime ou em questões de direitos sociais. A expressão é invariavelmente conjugada no futuro. Há sempre a necessidade de um “novo contrato social” ou de “renovar o contrato social”. Nunca é “vamos sair do contrato social” porque assume-se sempre que um contrato é algo excelente. Este não é o lugar para discutir a debilidade deste conceito de Rousseau, mas ao menos neste caso, e ao contrário do que se passa no imperativo categórico, a expressão é usada num espirito próximo da intenção do filósofo francês.

Certamente estou a esquecer-me de outras (agradeço e-mail ou comentário caso alguém se lembre). 

Há uma expressão que nunca se generalizará devido ao seu carácter negro, perturbador e realista (caracteristicas dispensáveis na retórica). Trata-se de uma das expressões filosóficas que mais impacto teve em mim – foi um dos meus muitos “awakenings from a dogmatic slumber”. Trata-se da famosa opinião/descrição que Thomas Hobbes (1588-1679) faz da vida no “estado de natureza”, sem lei, sem ordem:

Whatsoever therefore is consequent to a time of war, where every man is enemy to every man, the same consequent to the time wherein men live without other security than what their own strength and their own invention shall furnish them withal. In such condition there is no place for industry, because the fruit thereof is uncertain: and consequently no culture of the earth; no navigation, nor use of the commodities that may be imported by sea; no commodious building; no instruments of moving and removing such things as require much force; no knowledge of the face of the earth; no account of time; no arts; no letters; no society; and which is worst of all, continual fear, and danger of violent death; and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish, and short. (Leviathan, 1651)

 

     

 Hobbes                                                                                                    Kant                              

A bola não é redonda

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 25 Junho, 2008

Nunca na minha vida escrevi sobre futebol e nunca escrevi um post tão a quente (o árbito acabou de apitar o fim do Alemanhã-Turquia), pelo que peço desde já alguma compreensão para imprecisões, injustiças, exageros e generalizações.

Poucas vezes irritei-me tanto com um jogo. Poucas vezes vi uma vitória tão injusta (Alemanhã, 3 – Turquia, 2). A Alemanhã fez um total de três remates, nos quais marcou três golos. Os deslumbrados da gestão chamam a isto eficácia – eu chamo falta de imaginação.

“Eficácia” é uma palavra difícil de atacar nos nossos dias. Pensando um pouco percebe-se que,  obviamente, não estamos a falar de um valor absoluto.  Ganhar não é o único objectivo do futebol. Isto não é um argumento de “vitórias morais” – não tenho paciência para aquelas equipas simpáticas, que não chateiam muito, que fazem uma gracinhas estéticas com a bola, que são muito dignas e sujam-se pouco. Gosto de equipas que dão tudo, que têm garra, que usam a imaginação, que apenas fazem “bonito” quando estão desesperadas e nada mais funciona, que transmitem o prazer mas também a ansiedade que sentem dentro das quatro linhas. 

A Alemanhã fez um jogo feio, mastigado, seguro, malandro, chico-esperto e chato. Tenho poucas dúvidas que este jogo prejudicou a imagem do futebol alemão no mundo. Tenho poucas dúvidas que secretamente muitos alemães trocariam a final pelo respeito ganho pela Holanda, Rússia e Turquia durante este campeonato. 

Já estou mais calmo.

Political fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

Poster da República Popular da China, 1979

O que é que isto quer dizer?

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 20 Junho, 2008

A Comissão terá que acompanhar o funcionamento dos mercados, por forma a que se possa identificar e combater tudo aquilo que for uma especulação que nada tem a ver com o funcionamento transparente e próprio desses mercados. José Sócrates, via Público

Será que significa encerrar mercados de derivados? Ou especular ela própria comprando puts sobre commodities?

 

Obsessão Política

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 19 Junho, 2008

Gosto imenso de política e estou preocupado com o actual momento de crise política e económica do país e do mundo. Mas estou também cansado dos “doentes da política”, que se multiplicam em cenários de crise. Os sintomas típicos são o quadruplicar do teor político das conversas do dia-a-dia, oscilar entre o desespero derrotista e a constatação do quão simples era resolver o problema A e B ou a fulanização excessiva das crises, que dito de outra forma é a necessidade de identificar um agente que é o “culpado” de uma dada situação (GALP, Bush, Irlanda, etc.). Tempos como este premeiam análises confiantes, simples, absolutas, cínicas, pessimistas. A imagem-espelho desta atitude é a cavalgada eufórica em momentos de expansão económica, quando estes mesmos cínicos levam o optimismo longe demais, criando bolhas especulativas ou afirmando, por exemplo, que a tecnologia vai resolver todos os problemas, os de hoje e os de amanhã.  

Mas o maior problema da obsessão pela política é que esta, curiosamente, resulta quase sempre na mais profunda e abjecta inacção perantes os problemas de um país. É quase uma relação proporcionalmente inversa. Quanto mais uma pessoa vocifera mais provável é que nunca tenha feito nada de concreto para tentar resolver o problema. Talvez o protesto sirva precisamente para mascarar a inacção. Normalmente quem mais contribui para o progresso são as pessoas que identificam um problema na sociedade, reflectem sobre possíveis ideias para a sua resolução, apresentam propostas multi-facetadas, sem garantias de sucesso, e vão para o terreno, usando os media apenas quando constatam que a resolução do problema em causa será beneficiada pela visibilidade pública. 

Relembrando uma acusação muito em voga no século XIX, é de desconfiar dos que amam a humanidade mas não gostam da pessoas, dos que choram com as injustiças e que identificaram já todas as soluções, mas que nunca sujam as mãos.

Isto tudo a propósito deste cartoon do último número da New Yorker:

 

Ausente

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 17 Junho, 2008

Tenho estado com acesso muito limitado à Internet por estas terras.

Ciências Sociais

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 11 Junho, 2008

No Marginal Revolution, um post de leitura obrigatória para quem tem que fazer trabalho de campo no âmbito de teses de mestrado ou doutoramento em sociologia, ciência política, psicologia, economia e afins.

Political Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 3 Junho, 2008

Campanha do Partido Conservador, Reino Unido, 1909

Gráficos

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 1 Junho, 2008

Na imprensa em geral, e na imprensa portuguesa em particular, é habitual ver gráficos mal pensados e mal desenhados. Pode ser que ocasionalmente a intenção seja induzir em erro, mas estou convencido de que na maior parte dos casos o problemas deve-se ao desleixo natural e à dificuldade da tarefa.  

Não é fácil criar gráficos que sejam ao mesmo tempo rigorosos, estéticamente interessantes e eficazes do ponto de vista da comunicação. Ha tempos li que o New York Times tinha uma equipa de 30 pessoas só para desenhar gráficos e tabelas para o jornal, o que dá frutos, mas não impede erros ocasionais.    

Há uns dias o 37 Signals discutia o poder dos gráficos através da história, aparentemente verdadeira, que Bill Gates terá mudado o enfoque da sua fundação – a maior do mundo – após ler uma tabela no New York Times – vale a pena ler o post “The infographic that saved a million lives“.

A grande autoridade nesta área é Edward Tufte. O seu website e o seu livro “The Visual Display of Quantitative Information“, inclui discussões admiráveis sobre o tema assim como inúmeros conselhos sobre como melhorar os nossos gráficos e detectar falácias nos dos outros. Em Portugal existe também um excelente blog/site dedicado ao tema, o Charts, de Jorge Camões.  

Tufte redescobriu para o mundo este gráfico do séc. XIX, que para ele é um dos mais geniais alguma vez desenhado. Ilustra o avanço das tropas napoleónicas sobre a Rússia, mostrando de forma eficaz a matança causada por essa campanha, sugerindo porque é que representou o princípio do fim para Napoleão. A espessura da linha cinzenta-clara representa a dimensão do exército, que no momento da partida é de 422.000 soldados. Finda a campanha, regressaram a França (retorno ilustrado a cinzento escuro) apenas 10.000. O gráfico cruza ainda esta informação com as temperaturas negativas a que os soldados foram estando expostos ao longo do caminho, mostrando assim o papel do “General Inverno”. A batalha do Rio Bérézina, uma das mais trágicas derrotas militares da história da França, é arrepiadamente ilustrada no “estreitamento” súbito da linha mais escura (a do regresso) na passagem do rio – o exército passa de 50.000 para 28.000 soldados…(uma versão maior do gráfico aqui).   

 

Liberal-pessimista

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 27 Maio, 2008

Há quem seja liberal-conservador e quem seja conservador-liberal. Há liberais-paternalistas. Há quem seja liberal e conservador, afirmando não ser conservador. De forma muito coerente, os liberais optam, e muito bem, pela livre-escolha de rótulos. Eu sou liberal-pessimista.  

O que é que isso quer dizer? Quer dizer que sou liberal mas que tenho quase a certeza absoluta de que os liberais nunca deixarão de ser uma muito pequena minoria, que se torna ainda mais pequena se forem excluidos desta categoria (o que me parece correcto) os crazy libertarians e os anarco-capitalistas. Não vou entrar em pormenor sobre as razões do meu pessimismo. No fundo, simplificando muito, acho que o liberalismo não é uma natural disposition humana. Suspeito que não demorará muito tempo a que se estabeleça com maior firmeza aquilo que já é sugerido hoje pela psicologia cognitiva e evolucionária e pela neurologia – que a generalidade das pessoas valorizam a protecção do Estado e que estão dispostas a sacrificar a liberdade e outras restricções e custos do Estado em troca de vantagens reais ou imaginadas (não por isso menos importantes) do mesmo. Como liberal lamento isso, mas também como liberal farei muito pouco para contrariar esta tendência. 

Woody Allen dizia que “death is an acquired trait”. Acho que ser liberal também o é. 

Descendo um bocado à terra, para a área das políticas públicas, este meu pessimismo é justificado por exemplo pela evolução do peso do Estado nas últimas décadas, sob governos de esquerda e de direita, ou pela forma como a maioria dos empresários lida com o Estado e com a concorrência. Em relação a este último aspecto, sou forçado a concordar em parte com Daniel Oliveira, neste artigo no Expresso, quando refere que:

Durão Barroso defendeu a privatização da CGD. Passos Coelho também defende. Um esqueceu e outro esquecerá, porque os empresários nacionais precisam de um banco público para as horas difíceis. Os nossos liberais fazem voz grossa contra a intervenção do Estado na economia mas desaparecem quando se assinam acordos com a Lusoponte ou quando empresas de construção civil financiam os partidos de poder à espera de bons negócios. 

Em relação à redução do peso do Estado, confesso que há uns anos era optimista. Mas gradualmente fui perdendo a ingenuidade, ao constatar fenómenos como o aqui resumido por Fareed Zakaria no seu The Future of Freedom:

Since the early 1980s, three Republican presidents … one Republican speaker, and one Democrat president have tried to pare down government spending. But they bumped up against the reality of interest-group power. As a result, in eight years Reagan was able to close exactly four government programs of any note…Bush senior…proposed killing 246 smaller programs. The savings would have been tiny: about $3.5 billion, or .25 percent of federal spending. Still he turned out to be too ambitious…only eight program were killed amounting to a grand savings of $58 million…Newt Gingrich and his freshman horde came to power on a platform dedicated to changing the way Washington worked…four years later, the Republican revolution was in shambles…The Republican began in 1995 with a budget proposal that would have eliminated about 300 programs…saving more than $15 billion. Then the lobbying began…It turned out that most Americans wanted smaller government in the abstract, but they were not the ones calling their congressmen. A few months later the Republicans ended up passing a budget with total reductions of $1.5 billion, only one-tenth of what they had planned, and totaling only .001 percent of the overall budget.*  

Mas ontem descobri uma ilustração ainda mais deprimente, num artigo que tem sido muito discutido por estes dias, The Fall of Conservatism, de George Packer, New Yorker (que é algo atenuada pela possibilidade da parte anedotal não ser verdadeira): 

According to Buchanan, who was the White House communications director in Reagan’s second term, the President once told his barber, Milton Pitts, “You know, Milt, I came here to do five things, and four out of five ain’t bad.” He had succeeded in lowering taxes, raising morale, increasing defense spending, and facing down the Soviet Union; but he had failed to limit the size of government, which, besides anti-Communism, was the abiding passion of Reagan’s political career and of the conservative movement. He didn’t come close to achieving it and didn’t try very hard, recognizing early that the public would be happy to have its taxes cut as long as its programs weren’t touched. 

* – Aos liberais-optimistas que acham que este falhanço se deve apenas aos grupos de interesse, sugiro a leitura de “The myth of the rational voter“, de Bryan Caplan. 

Gasolina está barata

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 26 Maio, 2008

Eu sei que a gasolina é muito mais cara em Portugal do que nos EUA, mas é interessante ler a visão contrarian de Robert Bryce na Slate sobre o preço actual do petróleo:

By almost any measure, gasoline is still cheap. In fact, it has probably been far too cheap for far too long. The recent price increases are only beginning to reflect its real value.

When measured on an inflation-adjusted basis, the current price of gasoline is only slightly higher than it was in 1922.

Gasoline is also a fairly minor expense when you consider the overall cost of car ownership. In 1975, gasoline made up 33.4 percent of the total cost of owning and operating a car. By 2006, according to the Bureau of Transportation Statistics, gasoline costs had declined to just 17.1 percent of the total cost of car ownership.

No entanto, é curioso que o ano de comparação desde último dado seja 1975, e que já tenha sido argumentado – sem conclusões muito fidedignas – que os preços relativos das commodities têm naturalmente uma tendência decrescente…

 

Incerteza

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Maio, 2008

Este magnífico excerto de uma entrevista a Richard Feynman , muito bem apanhado pelo Goodnight Moon

…fez-me pensar numa eficaz metáfora concebida por Isaiah Berlin (e aqui resumida por Aileen Kelly na introdução ao livro de Berlin “Russian Thinkers”):

[P]luralist visions of the world are often the product of historical claustrophobia, during periods of intelllectual and social stagnation, when a sense of the intolerable cramping of human faculties by the demand for conformity generates a demand for ‘more light’, an extension of the areas of individual responsibility and spontaneous action. But as the the dominance of monistic doctrines throughout history shows, people are much more prone to agoraphobia: at moments of historical crisis, when the need for choice generates fears and neuroses, they eagerly trade the doubts and agonies of moral responsibility for deterministic visions, conservative or radical, that give them ‘the peace of imprisonment, a contented security, a sense of having at last found one’s proper place in the cosmos’.

 

Creativity loves constraints II

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Maio, 2008

Creativity loves constraints*

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 21 Maio, 2008

No extraordinário e infelizmente descontinuado blog Creating Passionate Users, de Kathy Sierra, falava-se às vezes da pouco óbvia e nada intuitiva ideia de que a criatividade precisa de constrangimentos.

Existem dois grandes mitos na história de arte: o de que os grandes artistas são anti-sistema, marginalizados e pobres (ideia popularizada em finais do séc. XIX, tipo La Bohème) e o de que os artistas precisam de total liberdade criativa para produzir o seu melhor trabalho. Compreende-se que estas ideias feitas sejam perpetuadas por artistas e críticos. Mas a verdade é que esta imagem romântica deve ser atraente para as pessoas em geral, pois algo tem que explicar a sua permanência perante a evidência histórica. Ao longo dos séculos a maior parte dos grandes artistas esteve ligada ao poder e serviu o poder. Isto não é necessáriamente uma crítica, é uma constatação. Quanto ao segundo mito, o dos constrangimentos, a questão é mais subtil. Gostamos de acreditar na liberdade total do artista. Mas o facto é que as restricções da época, do estilo dominante, e as que o próprio artista estabelece, são indissociáveis da obra e não são necessáriamente nocivas. Os grandes artistas revelam a sua genialidade no confronto com os espartilhos da sua obra, como Camões fez no uso do decassílabo nos Lusíadas, por exemplo. 

Claro que este conceito tem sido rejeitado ao longo do séc. XX, com a ideia da rebeldia na arte e com a glorificação da quebra de regras e tradições. Um artista é (deve ser) totalmente livre. Mas a rejeição do constrangimento talvez seja o maior constrangimento auto-imposto da história de arte. Mas para esta ainda mais complexa questão já não tenho verbo, pelo que me resta citar alguns dos poucos artistas do séc. XX que tiveram a “coragem” de ser contrarians nesta questão, e que Kathy Sierra relembrou neste contexto:      

I don’t believe in total freedom for the artist. Left on his own, free to do anything he likes, the artist ends up doing nothing at all. If there’s one thing that’s dangerous for an artist, it’s precisely this question of total freedom, waiting for inspiration and all the rest of it. Federico Fellini

Man built most nobly when limitations were at their greatest. Frank Lloyd Wright

In art, truth and reality begin when one no longer understands what one is doing or what one knows, and when there remains an energy that is all the stronger for being constrained, controlled and compressed. Henri Matisse

* – Título roubado deste excelente artigo de Marissa Mayer, vice-president for user experience da Google, que reflecte sobre esta questão num âmbito empresarial.  

Political Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 18 Maio, 2008

Campanha de Boris Johnson para Mayor de Londres, 2008

PS: Impostos sobre hardworking people = impostos sobre cerveja, cigarros, etc;
Se fosse nos EUA, o cartaz talvez incluisse bíblias e espingardas

Four Links on Liberty

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 15 Maio, 2008

(nota: imagem retirada deste projecto, cujo objectivo “utópico” é o de colocar uma hélice na estátua da liberdade para simbolizar o facto de, na opinião dos promotores, uma sociedade só ser verdadeiramente livre se for sustentável do ponto de vista energético e ambiental – ou seja um típico argumento de “positive freedom”, na caracterização e crítica de Isaiah Berlin). 

Links

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

  • Comentário no FT de Robert Kagan, assessor de McCain, em defesa da “liga das democracias”.
  • Análise da questão da raça na campanha para a Casa Branca no The New Republic.
  • Artigo sobre o livro “Dinner with Mugabe: The Man Behind the Monster” de Heidi Holland.
  • A lista de What Every Good Marketer Knows por Seth Godin.

Guerras

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

Enquanto se mantiver a guerra do Iraque, Bush não joga golfe.
Enquanto se mantiver a guerra da ASAE, Sócrates não fuma.

Fish maps

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 14 Maio, 2008

Na VSL: “More often than not, trolling websites that end with “.gov” is about as much fun as renewing your driver’s license. But if you check out the U.S. Census Bureau’s website, you can fully access a truly awesome book: the Census Atlas of the United States”.

Vale a pena ver este website com links para pdfs com informações do último census dos EUA. Através de uma apresentação bem cuidada, os documentos incluem gráficos como este abaixo por origem da população, distribuição etária, educação, sector de actividade, rendimento, etc. Têm igualmente comparações entre 1950 e 2000, permitindo de uma forma muito visual analisar os indicadores nos dois momentos do tempo.

 

A história do fim do fim da história

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 12 Maio, 2008

Há uns anos Frederico Lourenço adaptou a Odisseia para crianças. Hoje resolvi adaptar um post do 5 dias – “o fim do fim da história” – para adultos: 

Era uma vez a esquerda e a direita e os seus amigos socialismo, social-democracia e conservadorismo. Viviam todos num reino chamado Ocidente. Um dia a direita acordou e disse “venci-te, socialismo…o jogo acabou”. Mas no fundo, no fundo, quem tinha ganho era a social-democracia.

A esquerda era mal comportada e fazia muitas asneiras…pelo que teve que parar e descansar um bocado. “ufa, estou cansada”. A direita estava toda repimpona, pois viu um muro a cair.

Viviam-se os dias do Caranguejo, e o sol brilhava no reino do Ocidente. Era primavera e o amor estava no ar: o conservadorismo gostava da social-democracia, mas tinha vergonha de o dizer.

De modo que o passo seguinte da direita foi avançar para o neo-conservadorismo (um primo – ou talvez não – do conservadorismo, que tinha acabado de chegar ao reino). 

Os cacos estão à vista de todos. A história está a chegar ao fim. Quando? Logo que o mundo se consciencialize verdadeiramente da dimensão do buraco em que os maus mergulharam a América. 

Existe por vezes a tendência para infantilizar a política, para cair num antropoformismo de categorias e conceitos, para tratar processos históricos como se fossem decisões tomadas em quartos cheios de fumo de charuto, pelas 2 da manhã  (“o passo seguinte da direita foi…”), para simplificar em demasia, encontrando causas primordiais para tudo. É uma tendência natural, mas que se deve procura combater e não abraçar, como se constata no citado post. E julgo que o facto de ser um post em vez de um artigo de fundo não desculpa estes aspectos – ninguém é obrigado a explicar a evolução política da humanidade nas últimas duas décadas em 5 curtos parágrafos.

Indiana e NC II

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 7 Maio, 2008

11:59pm ET: Apesar de em menos de uma semana, Hillary Clinton ter recuperado de -3 para +2 na diferença face a Obama em Indiana, os resultados da candidata nos dois Estados que hoje tiveram Primárias ficaram longe de “se tirar o chapéu”. Parece que me enganei, peço desculpa. Obama foi quem desta vez renasceu das cinzas e obteve um óptimo resultado em North Carolina e um muito decente em Indiana. Será que apesar dos momentos menos conseguidos na campanha de Obama, os democratas ficaram fartos de tanta luta?

Revolutionary Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 4 Maio, 2008

Facebook is so 2007

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 2 Maio, 2008
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Newspeak

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 30 Abril, 2008

Os slogans do Rádio Clube Português estão cada vez mais estranhos e orwellianos. Os já conhecidos:

Dá voz às palavras

Contado por nós, você acredita

O novo:

O que pensa começa no que ouve

Será que devemos ficar preocupados?

Links

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 30 Abril, 2008

  • Artigo sobre o novo livro de Peter Gay, “Modernism”.
  • “It’s Not Just About Killing Hookers Anymore” – A Slate sobre o novo Grand Theft Auto.
  • “How to fix the web”, por Robert Scoble, na Fast Company, uma boa introdução a um dos maiores desafios – a balcanização da internet – e oportunidades actuais – agregação/organização da informação. Nesse contexto, o novo site FriendFeed, muito publicitado por Scoble, é um bom exemplo.    
  • Posner e Becker escrevem sobre regulação, o que dá jeito pois ontem o Tribunal de Contas publicou isto.

Discursos políticos no cinema

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Abril, 2008

Não gosto deste discurso, mas a sua raridade merece uma referência: não existem muitos exemplos de discursos tão marcadamente ideológicos como este e tão marcadamente de direita (de um tipo de direita, pelo menos). O discurso vem do livro Fountainhead, de Ayn Rand. Como se sabe, Rand foi uma autora de culto para muita gente nos anos da guerra fria (e mentora de, entre outros, Alan Greenspan). Embora concorde com algumas das ideias da obra dela (as que não são dela…), o estilo dá-me arrepios – o “self-righteousness”, a fúria, o espírito vingativo, etc. Talvez com algum exagero, Whittaker Chambers, comentando um outro livro famoso de Rand, referiu: “From almost any page of Atlas Shrugged, a voice can be heard, from painful necessity, commanding: ‘To the gas chambers–go!’…”. 

O filme é de King Vidor e o papel principal – Howard Roark – está a cargo de Gary Cooper. Foi a própria Ayn Rand que adaptou o argumento.

(Via American Rhetoric)

Os melhores discursos políticos no cinema II

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Abril, 2008

“Greed, for lack of a better word, is good” – Depois de Shakespeare, é difícil manter o nível. Mas este famoso discurso de Gordon Gekko/Michael Douglas no filme Wall Street é já um clássico – e é bastante político, ao contrário do que se poderia pensar. Ao longo dos anos o “for lack of a better word” foi caindo, tendo ficado na cultura popular apenas o “greed is good” como grande slogan do capitalismo dos anos 80. Ver todo o discurso permite colocar o “greed” em contexto e perceber que o uso do termo é feito de uma forma sofisticada e inteligente (para além disso, está muito bem filmado – reparem por exemplo no movimento de pessoas durante o discurso).

Os melhores discursos políticos no cinema

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Abril, 2008

“We few, we happy few” – o chamado St. Crispin’s day speech, da peça Henry V, de Shakespeare, é um dos mais extraordinários discursos alguma vez escritos. Ao longo dos anos tem sido estudado e admirado nas academias militares e escolas de gestão. Esta versão é a de Kenneth Branagh.

Sociólogos Sociófilos

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Abril, 2008

A propósito deste post, comecei a pensar sobre a relação entre as diferentes ciências sociais e as ideologias políticas. Imediatamente pensei na sociologia, pois nenhuma disciplina académica é tão ideologicamente marcada. Mais que isso, apenas a sociologia é clara e inequivocamente ideológica. Com isto não se pretende dizer que as outras disciplinas das humanidades são imunes à política. Têm fases, evoluem, há modas, lutas entre tendências, etc. Mas apenas a sociologia é constante e consistentemente de esquerda. Este facto, por si só, devia gerar fortíssimas dúvidas sobre o carácter de “ciência social” da sociologia.

Alguns estudos recentes nos EUA têm tentado quantificar estes aspectos. Uma forma simples de o fazer, embora com limitações, consiste na aferição das simpatias partidárias dos académicos. Claro que o carácter idológico da sociologia é mais profundo do que isso – relaciona-se com a natureza da disciplina, com os próprios objectos de estudo, metodologia, etc. Mas as atitudes dos praticantes são também relevantes. Este estudo realizado em 11 universidades da Califórnia, e que é analisado neste blog, sugere uma forte tendência de esquerda entre os académicos em geral…

The study, by Christopher F. Cardiff and Daniel B. Klein, finds an average Democrat:Republican ratio of 5:1, ranging from 9:1 at Berkeley to 1:1 at Pepperdine. The humanities average 10:1, while business schools are at only 1.3:1. (Needless to say, even at the heartless, dog-eat-dog, sycophant-of-the-bourgeoisie business schools the ratio doesn’t dip below 1:1.)

…que se torna esmagadora na sociologia:

What department has the highest average D:R ratio? You guessed it: sociology, at 44:1

Há várias tentativas de explicar esta “parcialidade”. Algumas explicações dizem respeito especificamente à sociologia, outras relacionam-se com a predominância do pensamento de esquerda nas universidades em geral e nas humanidades em particular. Sobre esta questão mais vasta, houve em Dezembro último uma interessante discussão no blog de Gary Becker e Richard Posner.

Historiadores Conservadores

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Abril, 2008

Se calhar estou a ser vítima de um qualquer cognitive bias, mas quando penso nos historiadores que marcaram o debate intelectual das últimas duas décadas, principalmente na área da política externa, só me lembro de conservadores. Será verdade? Haverá alguma razão para tal? Qual o significado deste dado? Há artigos sobre isto?

Alguns exemplos: Francis Fukuyama, Samuel Huntington, Timothy Garton Ash, Andrew Roberts, Bernard Lewis, Robert Kagan, Niall Ferguson…

Deste último vale imenso a pena ver esta conferência, que em pouco mais de meia hora arrasa a doutrina de política externa de Bush e elenca as limitações do “reluctant american empire”.

Rosencrantz and Guildenstern and Shakespeare are Dead

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Abril, 2008

Shakespeare morreu no dia 23 de Abril, há 392 anos.

Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.

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Murdoch e o seu WSJ

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 21 Abril, 2008

 

No seguimento da aquisição do Wall Street Journal pelo magnata dos media Rupert Murdoch, o jornal vai mudar esta semana de imagem e, aparentemente, aumentar a importância das secções de política, notícias internacionais, cultura e desporto. Com estas alterações, o Wall Street Journal pretende competir directamente com o NY Times como jornal genérico de referência. Vamos ver se consegue ter sucesso neste caminho, sem pôr em causa o seu mercado na área financeira/económica. O Financial Times deve estar a observar este movimento com especial interesse. A Newsweek desta semana tem um extenso artigo sobre Rupert Murdoch e o seu projecto para o Wall Street Journal.

O Bom Rebelde

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 14 Abril, 2008

Fernando Coelho, presidente da gestora de activos do Banco Espírito Santo (que gere mais de 20 mil milhões de euros) e recém-nomeado presidente da Associação de Fundos de Investimento Portugueses, afirma, em entrevista ao Diário Económico, que “o pior da crise financeira internacional já passou”. Humildemente, reconhece alguns erros cometidos no sector que representa: 

Havia uma disfunção clara entre o que era o ‘pricing’ dos activos e aquilo que consideramos ser o risco dos activos

O Diário Económico tranquiliza-nos: “todos os intervenientes nos mercados financeiros tiraram lições da crise de ‘subprime’ que estalou para as bolsas e Fernando Coelho não ficou atrás”:

A crise serve para dizer se dantes tínhamos 80% de um produto e 20% dos outros. Agora se calhar devemos colocar 50% num e os restantes 50% noutros. Tem que existir uma maior diversificação (…) numa situação de crise deveríamos estar mais diversificados”.

Mas talvez porque a crise tenha acabado, talvez porque as lições tenham sido retiradas:

Fernando Coelho afirmou que considera que o actual momento é favorável para os investidores regressarem aos mercados financeiros, mas com cautela. Diversificar é a palavra de ordem

Sabemos que há corporativismo em todos os sectores. Fernando Coelho, como um bom rebelde, rompe o consenso do FMI, BP, BCE, Fed, dando-nos boas notícias com reduzida base de sustentação. Naturalmente compreendemos que o faz por ser parte interessada nesse regresso dos investidores aos mercados financeiros. Até aqui tudo previsivel, embora este tipo de postura ponha um pouco em causa o mito de que os bancos têm interesse numa postura de sobriedade e moderação na sua auto-promoção (build trust). Mas o que me causou verdadeira perplexidade é a forma extraordinária como Fernando Coelho fala de duas “diversificações”: a do passado, que correu mal, e a do futuro, que vai certamente correr bem.

Political fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 10 Abril, 2008

Cartazes cubanos, 1965-71

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Psicologia e psiquiatria

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

O blog Freakonomics juntou especialistas em psicologia e psiquiatria e pediu-lhes para apresentarem a sua opinião sobre o desenvolvimento e progressos destas áreas no último século. Subjacente a esta pergunta está uma preocupação em relação ao grau de efectividade e de segurança dos medicamentos actualmente receitados para doenças relacionadas. Entre os comentários, que incluem orientações tão distintas como biologia molecular ou behavioral economics, estão os seguintes:

The environment has a large effect on our behavior…if we want to have a validly descriptive model of human behavior we must incorporate the environmental variables into our models. Dan Ariely

Do we know enough about the human psyche to prescribe the medications that we do? No. But we have had to do something, because people all over the world regularly try to kill themselves. John Medina

Humans are a complex and messy species and as such continue to offer psychology plenty of material to work with. David Baker

I think the field of psychology began making important and cumulative progress when it ceased to be a social science, and became a natural science. Psychology is really a branch of biology or zoology. Satoshi Kanazawa

Codfish Review

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 7 Abril, 2008

Excelente post de Pedro Magalhães.

Noutro tema: só agora reparei nos ombros largos deste senhor

Cenouras-e-Paus

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 7 Abril, 2008

A propósito da crise dos mercados financeiros, escrevi há uns dias sobre a dificuldade em aceitar a incerteza (que é diferente do risco). Nos últimos anos houve um excesso de confiança nas capacidades de elegantes e sofisticados modelos financeiros de análise de risco. Pode-se argumentar que os modelos são tentativas honestas de lidar com a incerteza e que de todas formas não pretendem fornecer certezas absolutas. Pode-se ainda perguntar qual é a alternativa aos modelos. Tudo pontos legítimos. Mas penso que é também legítimo perguntar se uma “unintended consequence” dos modelos não será, ironicamente, a assunção de maior risco. Ou seja, as ilusões de controlo que fornecem podem tornar os agentes menos cautelosos.     

Mas a actual crise está longe de ter um só “culpado” (tem-se constatado na imprensa portuguesa as previsíveis diabolizações da banca, que esquecem o papel do Estado, dos reguladores e dos bancos centrais nesta a crise). Outro aspecto que tem sido salientado nos últimos tempos é o problema dos incentivos dentro das instituições financeiras. Simplificando uma ideia complexa, o ponto geral é que os bancos têm incentivos para assumir elevados graus de risco porque capturam os resultados positivos e, em determinadas circunstâncias extraordinárias, repercutem os resultados negativos pela sociedade como um todo (devido ao papel central que ocupam nas economias modernas). Por outro lado, a estrutura de compensações actualmente praticada produz decisões que sacrificam a estabilidade e o risco de médio e longo prazo em benefício dos resultados de curto prazo (que “entram” directamente no bónus). Neste tema, os seguintes três artigos do Financial Times têm sido muito discutidos:  

 

Political Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 5 Abril, 2008

Mundo cão

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 3 Abril, 2008

Será que este vídeo explica alguns blogs anónimos?

New Yorker

Political Fish

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 2 Abril, 2008

Graffitis de Buenos Aires, a propósito da “terceira via” de Juan Perón, mas também fazendo referência ao roubo das mãos – a esquerda e a direita! – do cadáver de Perón (via Cuaderno)

Christopher Hitchens

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 1 Abril, 2008

Não sendo nada consensual, antes pelo contrário, Christopher Hitchens é no entanto um dos mais inteligentes, corajosos e interessantes comentadores vivos. “Comentador” é um termo péssimo, mas não encontro outra palavra para descrever o multifacetado Hitchens. Para quem não conheça bem, este inglês há muitos anos radicado nos Estados Unidos foi e é jornalista, ensaista, correspondente de guerra, biógrafo de Thomas Paine e Thomas Jefferson, autor de um dos best-sellers do ano passado “God is not Great”, livro que capturou (e ajudou a criar) um “momento ateu” que anda no ar. Alcoólico furioso, protagonista de incontáveis polémicas (uma das mais famosas foi com Kissinger), foi herói da esquerda, herói da direita, mas também já foi foco do ataque de ambas, já que o único rótulo que verdadeiramente o descreve é o de iconoclasta. Basta referir que um dos seus alvos de ataque foi Madre Teresa de Calcutá, no “The Missionary Position: Mother Theresa in Theory and in Practice”. Mas acima de tudo, como o título anterior sugere, Hitchens escreve bem, escreve de uma forma que já não se escreve, bastante à Orwell.

Como muita gente, há anos que oiço falar de Hitchens e que o leio esporadicamente, mas só recentemente comecei a ler os seus artigos com maior regularidade. Ontem, na Slate, Hitchens aborda a mais recente controvérsia à volta de Hillary Clinton – a aterragem na Bósnia – argumentando que a mentira de Clinton é mais grave do que parece.

Hayek v. Keynes

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

A propósito de Skidelsky, vale a pena ler o seu artigo, incluido no Cambridge Companion to Hayek, sobre o que une e o que separa estas figuras cimeiras do panorama intelectual do séc. XX. O debate que travaram há 7 décadas sobre o papel do Estado continua actual e relevante.   

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Stark reality

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Março, 2008

Philippe Starck, um dos grandes designers vivos, parece estar a viver uma crise de meia-idade. Ou isso ou deixou-se contagiar pelo fake anti-materialismo que por aí anda.

“I was a producer of materiality and I am ashamed of this fact,” Starck told Die Zeit weekly newspaper

“In future there will be no more designers. The designers of the future will be the personal coach, the gym trainer, the diet consultant,” he said.

Starck said the only objects that he still felt attached to were “a pillow perhaps and a good mattress.” But the thing one needs most, he added, was the “ability to love”. (Breitbart)

(via Gawker)

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The Earth is Flat

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Março, 2008

A tarefa mais difícil de um historiador é especular sobre o contexto e as atitudes de um determinado período. Mas por vezes o presente oferece um vislumbre do passado. Observar certas tribos ainda hoje existentes permite, por exemplo, compreender melhor a vida no neolítico. Este vídeo permite-nos perceber melhor como seria um debate científico circa 1550: 

(via Boing Boing)

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Fish Map

Posted in Portugal, Uncategorized by António Luís Vicente on 22 Março, 2008

Descobri uma excelente colecção da mapas antigos, na Olin Library da universidade de Cornell. 

Liga-se pouco a mapas em Portugal, principalmente quando pensamos no papel que os portugueses tiveram na história da cartografia, directa e indirectamente. Um dos aspectos mais intrigantes da história da cultura portuguesa é a relativa pobreza da nossa pintura. A nossa cultura tem sido consistentemente dominada pela literatura, área onde verdadeiramente temos um lugar na história intelectual europeia. Assim, tendo a ver os mapas como o único grande contributo português para a história visual do mundo. 

Alguns mapas da Olin Library:     

‘Universalis Cosmographia Secundum Ptholomaei Traditionem Et Americi Vespucci Alioruque Lustrationes’
Martin Waldseemuller
Strassburg, 1507
The name “America” appears for the first time on this 1507 world map. Waldeseemuller relies on Ptolemaic geographic sources for most of Europe and Asia. Africa has much detail along the coasts, based on the information of Portuguese travelers. China is based on information from Marco Polo. The original map measures over 4′ x7′, printed on 12 woodcut sheets.

Portolan World Map
Domingos Teixeira, 1573
Call number: G 3200 1573 T4

Portolan charts guided sailors in sea-crossings and between harbors along unfamiliar coasts.

Belém

Posted in Uncategorized by codfish on 22 Março, 2008

 bush-nativity.jpg

U. S. President George W. Bush exiting the Door of Humility at the Church of the Nativity in Bethlehem (Reuters)

(não resultou) 

Boa Páscoa!

Vamos jogar ao Risco

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 19 Março, 2008

É uma pena que do importante artigo desta semana de Greenspan o que fica, na maior parte das pessoas, é apenas a sugestão de que a actual crise é a mais grave desde a II Guerra Mundial. O artigo não é fácil para um leigo com eu, mas vale a pena ler. Insere-se num conjunto de artigos recentes que têm chamado à atenção para os limites dos modelos de risco usados pelos bancos. 

Alguns comentadores acham que os bancos se deixaram embriagar por sofisticados modelos de risco. Estes modelos resultam de um dado novo nos últimos anos – a aliança entre uma nova tribo bancária, os quants (analistas e cientistas com bases sólidas em matemática e finanças, uma espécie de nerds da banca) e os cada vez mais poderosos sistemas de informação. Não houve capacidade de resistência ao encanto destes modelos, devido à sua sofisticação e coerência interna, à legitimidade técnica de quem os elaborava e, principalmente, devido à predisposição humana para abraçar e engolir tudo o que oferece certezas e ordem (tipo astrologia). Hoje as limitações e os erros destes modelos estão à vista de todos. No artigo, Greenspan refere: “Also being questioned, tangentially, are the mathematically elegant economic forecasting models that once again have been unable to anticipate a financial crisis or the onset of recession”.

Mas como o “tangentially” sugere, muitos (incluindo Greenspan, como se depreende do resto do artigo) ainda não colocaram a seguinte questão: se calhar o problema não está nos modelos em si (tipo problema técnico teoricamente resolúvel se as premissas e a matemática forem melhoradas) mas sim na atitude perante esses modelos e nos danos provocados pela ilusão de que se domou o risco. E este assunto não diz respeito apenas à matematica financeira mas também à teoria económica em geral. 

O que se tem que encarar de frente é que as limitações destas previsões poderão não ser técnicas mas sim, para usar um palavrão, epistemológicas. Ou seja, em determinadas situações, pode ser humanamente impossível (para além de inútil e enganador) estimar o risco. 

Como em tantos casos, também nesta questão muito se pode aprender com um mau político. Daqui a 100 anos é provável que Donald Rumsfeld seja conhecido principalmente por ter dito a seguinte (brilhante) frase numa conferência de imprensa:  

As we know, there are known knowns. There are things we know we know. We also know there are known unknowns. That is to say, we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns, the ones we don’t know we don’t know. (Feb. 12, 2002, Department of Defense news briefing) 

O problema nas previsões reside precisamente nos “unknown unknowns”, também conhecidos, na sequência de dois livros excelentes de Nassim Nicholas Taleb (“Fooled  by Randomness e “The Black Swan”), como “fat tail events” ou “black swans”, que são muito mais comuns e disruptive do que pensamos (que faz com que não possam ser considerados “a excepção que confirma a regra”). 

Assim, prefiro claramente o outro importante artigo que surgiu por estes dias a propósito da crise financeira e dos erros de previsão – “Our Uncertain Economy“, do prémio nobel da economia Edmund Phelps. Usando Keynes, Hayek e Frank Knight, o economista relembra que em outras fases históricas do pensamento económico havia maior respeito pela papel da incerteza na vida económica. Mas hoje:

Most economists have pretended that the economy is essentially predictable and understandable (…) a new school of neo-neoclassical economists proposed that the market economy, though noisy, was basically predictable. All the risks in the economy, it was claimed, are driven by purely random shocks — like coin throws — subject to known probabilities, and not by innovations whose uncertain effects cannot be predicted.

O problema é que esta história é muito familiar e as lições vão rapidamente ser esquecidas. Parafraseando uma famosa frase, em períodos de euforia, a primeira vítima é o rigor e a humildade. O que torna esta questão mais complexa é que o rigor é substituido por algo que parece ainda mais rigoroso, científico e preciso do que aquilo que se deitou fora. Depois, nas depressões, escrevem-se dezenas de editoriais sobre os erros cometidos e sobre o que devia ter sido feito, sobre bolhas que em retrospectiva eram “claramente especulativas” (tão claras que ninguém as via). Dapois, num eterno retorno, quanto volta a euforia…   

   

Arquitectura e Poder

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 18 Março, 2008

Não há tema para o qual não exista uma citação de Winston Churchill (muitas delas mal atribuidas, pois Churchill, tal como Shakespeare, tem o condão de atrair citações nunca proferidas). Um quote muito usado por arquitectos é “first we shape our buildings and afterwards our buildings shape us”. A propósito da “conversão” de David Mamet da esquerda para a direita, lembrei-me que o contexto no qual Churchill resolveu discutir arquitectura, pois tem também a ver com mudanças ideológicas.

As Houses of Parliament foram parcialmente destruídas na II Guerra Mundial e o parlamento teve que aprovar a proposta de reconstrução do edifício. Churchill defendeu a preservação da estrutura histórica da câmara dos  comuns – ou seja que se mantivesse uma bancada oposta à outra, uma excentricidade quando sabemos que todos os outros parlamentos usam o “estilo francês” (mas que na realidade tem como modelo o Senado Romano) de disposição semi-circular.  Numa brilhante imagem/metáfora, Churchill chama à atenção que uma estrutura semi-circular pode ser mais promíscua, pois andar ao longo de um corredor é sempre mais fácil e pode ser feito com maior discrição do que a travessia de um fosso, perante o olhar de todos os seu pares.

There are two main characteristics of the House of Commons which will command the approval and the support of reflective and experienced Members. The first is that its shape should be oblong and not semicircular. Here is a very potent factor in our political life. The semicircular assembly, which appeals to political theorists, enables every individual or every group to move round the centre, adopting various shades of pink according as the weather changes. (…) The party system is much favoured by the oblong form of chamber. It is easy for an individual to move through those insensible gradations from left to right, but the act of crossing the Floor is one which requires serious attention. I am well informed on this matter for I have accomplished that difficult process, not only once, but twice.

On the rebuilding of the House of Commons after a bomb blast. The Second World War, Volume V : Closing the Ring (1951) Chapter 9    

        

David Mamet

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 18 Março, 2008

A esquerda nova-iorquina está em estado de choque com a “conversão” à direita de uma das suas estrelas, o dramaturgo e encenador David Mamet. Num artigo de opinião no Village Voice, Mamet refere que enquanto escrevia a sua última peça começou a pensar imenso sobre questões políticas e chegou à conclusão que toda a vida foi um “brain dead liberal”.  

A parte mais divertida do artigo é a descrição de como a sua mulher percebeu o que se estava a passar antes do que ele: 

We were riding along and listening to NPR [estação de rádio liberal]. I felt my facial muscles tightening, and the words beginning to form in my mind: “Shut the fuck up” she prompted. 

Mamet refere que durante várias decadas escreveu peças que retratavam uma visão sobre a natureza humana diametralmente oposta à que depois defendia enquanto “liberal”. Hoje acha particulamente errado o carácter derrotista da esquerda americana: 

I’d observed that lust, greed, envy, sloth, and their pals are giving the world a good run for its money, but that nonetheless, people in general seem to get from day to day; and that we in the United States get from day to day under rather wonderful and privileged circumstances-that we are not and never have been the villains that some of the world and some of our citizens make us out to be, but that we are a confection of normal (greedy, lustful, duplicitous, corrupt, inspired-in short, human) individuals living under a spectacularly effective compact called the Constitution, and lucky to get it. For the Constitution, rather than suggesting that all behave in a godlike manner, recognizes that, to the contrary, people are swine and will take any opportunity to subvert any agreement in order to pursue what they consider to be their proper interests.

O artigo tem ainda uma frase bastante Hayekiana:

But if the government is not to intervene, how will we, mere human beings, work it all out? I wondered and read, and it occurred to me that I knew the answer, and here it is: We just seem to. How do I know? From experience. I referred to my own-take away the director from the staged play and what do you get? Usually a diminution of strife, a shorter rehearsal period, and a better production. The director, generally, does not cause strife, but his or her presence impels the actors to direct (and manufacture) claims designed to appeal to Authority-that is, to set aside the original goal (staging a play for the audience) and indulge in politics, the purpose of which may be to gain status and influence outside the ostensible goal of the endeavor.

De entre os vários artigos escritos a propósito deste assunto, vale a pena ler a descrição de outras famosas “conversões” no Independent.

Keynes

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 17 Março, 2008

It is better to be roughly right than precisely wrong (John Maynard Keynes)

No post sobre a Bear Stearns, um dos indicadores incluídos no quadro é o “1 year target estimate”, o valor esperado da acção no final do ano. Os analistas previam que a Bear Stearns valesse $94,50. Hoje o valor é $3,78. É o que se chama estar “precisely wrong”. 

Lehman Brothers

Posted in Uncategorized by codfish on 17 Março, 2008

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Last Trade: 24.41
Trade Time: 1:47PM ET
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Bear Stearns

Posted in Uncategorized by codfish on 17 Março, 2008

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Last Trade: 3.78
Trade Time: 1:36PM ET
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Open: 3.17
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Ask: N/A
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José González

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 13 Março, 2008

Uma semana mais intensa de trabalho tem me mantido afastado do Codfish Waters, mas hoje serei compensado com o concerto de José González no Paradise Rock Club em Boston, integrado na digressão que terminará em Lisboa e no Porto no final de Abril.

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Realpolitiks Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 11 Março, 2008

Cartaz do Governo Americano, 1942

Poster russian.jpg

Rebel Sell

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 8 Março, 2008

Os posters da era soviética são hoje cobiçados por coleccionadores e justamente admirados por muita gente, principalmente por designers gráficos. Há de facto exemplos extraordinários desta arte, alguns dos quais podem ser vistos aqui. Existe até um blog que optou pela estética soviética.

Mas para além da estética, é curioso constatar que usamos estes materiais de propaganda soviética sem pestanejar, pensando pouco no que em tempos representaram. Hoje compram-se reproduções de posters em centros comerciais de Moscovo e regateiam-se bonés à Mao em quiosques da Cidade Proibida. Usam-se como objectos de design, como acto nostálgico ou irónico, como curiosidade histórica.

Há quem fique chocado com este uso da estética russa, relembrando os horrores do regime e realçando que eramos incapazes de pendurar nas nossas casas posters do partido nazi. Ninguém usaria uma t-shirt com um retrato do propagandista e facínora Goebbels a olhar romanticamente para o horizonte, mas muitos não hesitam em ostentar com orgulho o propagandista e facínora Che Guevara.

Sou sensível a uma versão moderada deste argumento. Não há dúvida de que existem de facto dois pesos e duas medidas. A generalidade das pessoas tem maior tolerância em relação ao “fascism with a human face” (na inspirada expressão de Susan Sontag para descrever o comunismo). Mas em última análise, a divertida mercantilização destes símbolos do marxismo e do anti-capitalismo assim como a sua transformação em souvenirs, compensam, pelo menos para mim, esta algo incoerente tolerância em relação à propaganda soviética. É como se cada compra, cada recuerdo, representasse mais um prego no caixão histórico do regime. Por outro lado, o argumento de que toda a estética fascista foi escondida debaixo do tapete não é completamente verdadeiro. Sei que praticamente o único exemplo que se encontra é o de Leni Riefenstahl, mas não deixa de ser uma importante excepção.

Assim, tendo a encarar esta questão com algum desprendimento. Até porque se me cruzar no Bairro Alto com duas pessoas, uma envergando a t-shirt da esquerda, outra a da direita, não tenho qualquer dúvida em apontar qual é o mais criativo e inconformista.

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PS: vale imenso a pena ler o livro ao qual roubei o título deste post, que é sobre como a “counterculture became consumer culture”.

Пolitical Φish

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 6 Março, 2008

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(Via A Soviet Poster a Day)

Frozen Fish

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 5 Março, 2008

O artigo já tem quase dois meses, mas para quem não apanhou vale a pena ler na Wired os bastidores do desenvolvimento do iPhone:

The demo was not going well.

Again.

It was a late morning in the fall of 2006. Almost a year earlier, Steve Jobs had tasked about 200 of Apple’s top engineers with creating the iPhone. Yet here, in Apple’s boardroom, it was clear that the prototype was still a disaster. It wasn’t just buggy, it flat-out didn’t work. The phone dropped calls constantly, the battery stopped charging before it was full, data and applications routinely became corrupted and unusable. The list of problems seemed endless. At the end of the demo, Jobs fixed the dozen or so people in the room with a level stare and said, “We don’t have a product yet.”

Três meses mais tarde apresentavam um dos produtos mais marcantes dos últimos tempos. Mas essas últimas semanas antes do lançamento não foram fáceis:

For those working on the iPhone, the next three months would be the most stressful of their careers. Screaming matches broke out routinely in the hallways. Engineers, frazzled from all-night coding sessions, quit, only to rejoin days later after catching up on their sleep. A product manager slammed the door to her office so hard that the handle bent and locked her in; it took colleagues more than an hour and some well-placed whacks with an aluminum bat to free her.

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What’s in a title

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 4 Março, 2008

Por falar em nomes, a revista The Bookseller organiza desde 1978 o “The Bookseller/Diagram Prize for Oddest Book Title of the Year“. Há poucos dias anunciou os finalistas da edição de 2008:

  • I Was Tortured By the Pygmy Love Queen, by Jasper McCutcheon (The Nazca Plains Corporation)
  • How to Write a How to Write Book, by Brian Piddock (Neil Rhodes Books)
  • Are Women Human? And Other International Dialogues, by Catharine A MacKinnon (Harvard University Press)
  • Cheese Problems Solved, by P L H McSweeney (Woodhead)
  • If You Want Closure in Your Relationship, Start With Your Legs, by Big Boom (Simon & Schuster)
  • People who Mattered in Southend and Beyond: From King Canute to Dr Feelgood, by Dee Gordon (Ian Henry Publications)

Alguns nomeados e vencedores em anos anteriores:

  • People Who Don’t Know They’re Dead: How They Attach Themselves to Unsuspecting Bystanders and What to Do About It, by Gary Leon Hill (2006)
  • How To Shit in the Woods: An Environmentally Sound Approach to a Lost Art, by Kathleen Meyer (1989)
  • The Stray Shopping Carts of Eastern North America: A Guide to Field Identification by Julian Montague (Harry N Abrams) (2007)
  • Weeds in a Changing World, by C.H. Stirton (1999).
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1903-1950

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 3 Março, 2008

The essence of being human is that one does not seek perfection, that one is sometimes willing to commit sins for the sake of loyalty, that one does not push asceticism to the point where it makes friendly intercourse impossible, and that one is prepared in the end to be defeated and broken up by life, which is the inevitable price of fastening one’s love upon other human individuals. (Reflections on Gandhi, Partisan Review, January 1949)

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