CODFISH WATERS

Fresh Fish

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 28 Abril, 2008

Sobre o aumento dos preços dos produtos agrícolas e os seus efeitos nas economias menos desenvolvidas, vale a pena ler duas visões de como resolver o problema a médio prazo . Tyler Cowen defende o aumento da liberalização do comércio internacional. Para se pôr a opinião de Cowen em perspectiva, leia-se o comentário de Dani Rodrik. Noutra opção, muito em linha com o seu trabalho, Esther Duflo sugere o desenvolvimento da actividade seguradora para fazer face à volatilidade dos preços dos bens alimentares. Tema a desenvolver aqui no codfishwaters.

Anúncios

Political Fish

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 25 Abril, 2008

[Via Barnabe, 2004]

Tagged with:

Os melhores discursos políticos no cinema II

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Abril, 2008

“Greed, for lack of a better word, is good” – Depois de Shakespeare, é difícil manter o nível. Mas este famoso discurso de Gordon Gekko/Michael Douglas no filme Wall Street é já um clássico – e é bastante político, ao contrário do que se poderia pensar. Ao longo dos anos o “for lack of a better word” foi caindo, tendo ficado na cultura popular apenas o “greed is good” como grande slogan do capitalismo dos anos 80. Ver todo o discurso permite colocar o “greed” em contexto e perceber que o uso do termo é feito de uma forma sofisticada e inteligente (para além disso, está muito bem filmado – reparem por exemplo no movimento de pessoas durante o discurso).

Os melhores discursos políticos no cinema

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Abril, 2008

“We few, we happy few” – o chamado St. Crispin’s day speech, da peça Henry V, de Shakespeare, é um dos mais extraordinários discursos alguma vez escritos. Ao longo dos anos tem sido estudado e admirado nas academias militares e escolas de gestão. Esta versão é a de Kenneth Branagh.

Sociólogos Sociófilos

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Abril, 2008

A propósito deste post, comecei a pensar sobre a relação entre as diferentes ciências sociais e as ideologias políticas. Imediatamente pensei na sociologia, pois nenhuma disciplina académica é tão ideologicamente marcada. Mais que isso, apenas a sociologia é clara e inequivocamente ideológica. Com isto não se pretende dizer que as outras disciplinas das humanidades são imunes à política. Têm fases, evoluem, há modas, lutas entre tendências, etc. Mas apenas a sociologia é constante e consistentemente de esquerda. Este facto, por si só, devia gerar fortíssimas dúvidas sobre o carácter de “ciência social” da sociologia.

Alguns estudos recentes nos EUA têm tentado quantificar estes aspectos. Uma forma simples de o fazer, embora com limitações, consiste na aferição das simpatias partidárias dos académicos. Claro que o carácter idológico da sociologia é mais profundo do que isso – relaciona-se com a natureza da disciplina, com os próprios objectos de estudo, metodologia, etc. Mas as atitudes dos praticantes são também relevantes. Este estudo realizado em 11 universidades da Califórnia, e que é analisado neste blog, sugere uma forte tendência de esquerda entre os académicos em geral…

The study, by Christopher F. Cardiff and Daniel B. Klein, finds an average Democrat:Republican ratio of 5:1, ranging from 9:1 at Berkeley to 1:1 at Pepperdine. The humanities average 10:1, while business schools are at only 1.3:1. (Needless to say, even at the heartless, dog-eat-dog, sycophant-of-the-bourgeoisie business schools the ratio doesn’t dip below 1:1.)

…que se torna esmagadora na sociologia:

What department has the highest average D:R ratio? You guessed it: sociology, at 44:1

Há várias tentativas de explicar esta “parcialidade”. Algumas explicações dizem respeito especificamente à sociologia, outras relacionam-se com a predominância do pensamento de esquerda nas universidades em geral e nas humanidades em particular. Sobre esta questão mais vasta, houve em Dezembro último uma interessante discussão no blog de Gary Becker e Richard Posner.

Historiadores Conservadores

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Abril, 2008

Se calhar estou a ser vítima de um qualquer cognitive bias, mas quando penso nos historiadores que marcaram o debate intelectual das últimas duas décadas, principalmente na área da política externa, só me lembro de conservadores. Será verdade? Haverá alguma razão para tal? Qual o significado deste dado? Há artigos sobre isto?

Alguns exemplos: Francis Fukuyama, Samuel Huntington, Timothy Garton Ash, Andrew Roberts, Bernard Lewis, Robert Kagan, Niall Ferguson…

Deste último vale imenso a pena ver esta conferência, que em pouco mais de meia hora arrasa a doutrina de política externa de Bush e elenca as limitações do “reluctant american empire”.

Rosencrantz and Guildenstern and Shakespeare are Dead

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Abril, 2008

Shakespeare morreu no dia 23 de Abril, há 392 anos.

Thus conscience does make cowards of us all;
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pith and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.

Tagged with: ,

Elitista, Sulista, Liberal e Quadro Superior

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 22 Abril, 2008

 

Marco António Costa questionou ainda se o futuro líder do partido «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade».

 

Those were the days…

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 21 Abril, 2008

Dando crédito à evolução do Wall Street Journal, vale a pena ler o artigo sobre os dias de luta política de Obama em Chicago e como estes influenciaram o candidato democrata às presidenciais americanas. Como diz Don Rose, um consultor político:

Chicago was his Harvard of politics. Had he gone to Cleveland or New York or Atlanta, it might have been a different path.

À volta deste tópico, está a discussão sobre a capacidade de Barack Obama de ser eficaz no combate contra os republicanos na campanha final de Novembro, assim como de perceber se é capaz de enfrentar a dureza de uma Presidência dos EUA. Este debate surge na sequência de algumas críticas em relação à performance de Obama nas últimas semanas durante a campanha para as primárias de amanhã na Pensilvânia.

 

 

Murdoch e o seu WSJ

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 21 Abril, 2008

 

No seguimento da aquisição do Wall Street Journal pelo magnata dos media Rupert Murdoch, o jornal vai mudar esta semana de imagem e, aparentemente, aumentar a importância das secções de política, notícias internacionais, cultura e desporto. Com estas alterações, o Wall Street Journal pretende competir directamente com o NY Times como jornal genérico de referência. Vamos ver se consegue ter sucesso neste caminho, sem pôr em causa o seu mercado na área financeira/económica. O Financial Times deve estar a observar este movimento com especial interesse. A Newsweek desta semana tem um extenso artigo sobre Rupert Murdoch e o seu projecto para o Wall Street Journal.

Luís Filipe Menezes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008

Luís Filipe Menezes é líder do PSD desde há pouco mais de 6 meses. Foi tempo suficiente para dizer coisas tão interessantes como:

Vou ouvir Portugal.

Proponho desmantelar o estado em 6 meses.

Parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo.

Os resultados evidentes da minha liderança estão na origem de alguma borbulhagem que anda no ar.

PSD ainda não merece ser Governo, PS já não merece.

Mais do que uma revisão, o país precisa é de uma nova Constituição.

Está na altura de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição.

Luis Filipe Menezes tem sido activo, feito comentários, apresentado-se ao país. Ideias concretas, poucas. Talvez a “única” proposta até ao momento tenha sido a descida de impostos, ainda não percebi com que argumento. O resto são comentários a vulso.

Na realidade, dadas as poucas hipóteses de virmos a ser governados por Menezes, quase que me atrevo a dizer que o que ele pensa para “Mudar Portugal” é pouco relevante. Mais interessante é o circo da luta na oposição. E aí, o Governo teve desde o início do ano os piores meses desde que foi eleito, e o maior partido de oposição não soube tirar dividendos disso. Mais, entrou em guerrinhas internas. Como diz o sábio Ribau Esteves, “ganhem juízo”. Claro que as guerrinhas resultam em certa medida da incapacidade de Menezes, mas quem as provoca deveria ter antecipado que o Governo poderia deslizar, antes de ter aceite eleger mais uma vez um líder “a prazo”. Agora estes líderes que só aparecem quando é para ganhar, viram que talvez ainda exista um restinho de esperança que Sócrates perca as próximas eleições. Acontece, que na prática, já devem vir tarde de mais.

Sendo assim, é natural que Luís Filipe Menezes arrisque. Se Menezes decidir avançar, as eleições antecipadas no PSD são uma forma de legitimização do seu poder, quando falta pouco mais de um ano para as eleições legislativas. Se a tal vaga de fundo aparecer, Menezes dá um passo de gigante para se manter como Presidente do PSD até às eleições de 2009. Menezes antecipa-se, desta forma, às conspirites e marca a agenda do futuro do partido. Caso não avance para a liderança do partido, como tem dito até ao momento, pelo menos não sai à “bomba”, aparecendo como o pobre coitado, vítima de um cartel de burgueses da Foz e de elitistas liberais do Sul.

Nas próximas semanas, vai-se falar de renovação, de abrir à sociedade civil, de Citroens (com as directas, menos), de “não estou interessado em discutir nomes, mas de ideias e projectos para Portugal”, enfim, vai ser animado. O circo continua e estamos cá para ver. E como nos avisa mais uma vez o sábio Ribau Esteves, ainda bem que é só um mês de discussão porque “em Junho queremos estar todos a apoiar solidariamente a selecção nacional de futebol”.

[Fotografia via 31 da Armada]

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008
Cover Image

Se um movimento das bases e distritais do partido lhe pedir que se recandidate, Luís Filipe Menezes ainda poderá reconsiderar a sua posição. O líder do PSD convocou directas antecipadas para 24 de Maio e disse “não estar na corrida”, mas homens-chave do aparelho afectos a Menezes já começaram a movimentar-se para pôr em marcha a onda que possa levar à recandidatura do líder (Expresso).

Reading tea leaves

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 16 Abril, 2008

Três meses e meio:

  • Substituição do ministro da saúde a meio de uma reforma e não apenas por razões de estilo, como ficou claro no caso de Anadia e outros;
  • Cedência aos sindicatos dos professores, que simpaticamente autorizaram uma avaliação pouco digna desse nome – isto após um inquérito da eurosondagem no qual 64% da população era contra a suspensão da avaliação e 84% considerava que os professores não deviam fazer mais greves; 
  • Aplicação residual do quadro de mobilidade especial enquanto instrumento de redução do número de funcionários públicos, que tem sido substituido por novos e caros planos de reformas antecipadas; 
  • Primeira descida de impostos desde pelo menos 2001, com o corte de 1 p.p. no IVA.

Como já foi referido por muitos, estes sinais sugerem uma travagem nas reformas e o início da campanha eleitoral de 2009. O dilema de Sócrates é o dilema de todos os políticos perante o ciclo eleitoral: persistência, pondo em risco maioria absoluta, cedência, pondo em risco resultados obtidos. Mas como a ciência política não é uma ciência, são tantas as excepções que é difícil afirmar regras. Guterres, por exemplo, poderá ter falhado a maioria absoluta mais pelas cedências do que pela firmeza. As últimas semanas mostram uma tendência para uma postura menos restritiva. Veremos o que os próximos meses nos reservam, porque também existem acções de sinal contrário. Mas o verdadeiro problema de Sócrates é que nenhum primeiro-ministro subiu tanto a parada em relação à disciplina orçamental, pelo que se houver um deslize, a queda de credibilidade será mais acentuada. Um problema relevante mas menos importante, mais do teatro político, é que Sócrates tem um talento natural para dar más notícias, para estar mal disposto, mas não é muito convincente a dar boas notícias e a distribuir benesses. 

Penso que neste momento Sócrates acha que pode ter o bolo e comê-lo, o que é ilustrado pela forma como justificou a descida do IVA: a ideia de que se pode aliviar os portugueses um bocadinho porque o deficit está mais controlado. O primeiro ministro acha que conquistou uma almofada ou folga, que faz com que possa ser “severo”, mas não tanto como no passado, e “simpático”, mas não tanto como o PS quer. Esta estratégia é arriscada porque em política as posições cinzentas até podem ser correctas mas são sempre mais ambíguas. E quando as posições são ambíguas gera-se uma tendência para a intensificação da pressão política e para as guerras de bastidores no governo. Poderá bastar a conjugação de um menor controlo de Sócrates sobre a despesa pública com um acentuar da crise internacional para que esse inesperado deslize se dê, pondo em causa o trabalho do governo e, mais importante, o esforço que o país fez nos últimos anos. 

Insultos: uma nova ambição

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 14 Abril, 2008

O meu problema com Alberto João Jardim não é tanto o recurso regular ao insulto, mas mais o pouco empenho que demonstra nesta actividade. Preferia que não insultasse. Mas já que o faz, era óptimo se fosse mais original e exigente. Este fim-de-semana referiu que os deputados da assembleia regional da madeira eram “um bando de loucos”. Directo mas pouco ambicioso.

Ainda por cima a história política e literária constitui uma inesgotável fonte de inspiração. Alguns exemplos:

  • “She plunged into a sea of platitudes, and with the powerful breast stroke of a channel swimmer, made her confident way towards the white cliffs of the obvious.”, W. Somerset Maugham
  • “He has no enemies, but is intensely disliked by his friends.”, Oscar Wilde
  • “He can compress the most words into the smallest idea of any man I know.”, Abraham Lincoln
  • “He loves nature in spite of what it did to him.”, Forrest Tucker
  • “His ignorance is encyclopedic.”, Abba Eban
  • “He uses statistics as a drunken man uses lamp-posts – for support rather than illumination.” Andrew Lang

Para treinar existe ainda este útil site que gera insultos Shakespeareanos.

O Bom Rebelde

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 14 Abril, 2008

Fernando Coelho, presidente da gestora de activos do Banco Espírito Santo (que gere mais de 20 mil milhões de euros) e recém-nomeado presidente da Associação de Fundos de Investimento Portugueses, afirma, em entrevista ao Diário Económico, que “o pior da crise financeira internacional já passou”. Humildemente, reconhece alguns erros cometidos no sector que representa: 

Havia uma disfunção clara entre o que era o ‘pricing’ dos activos e aquilo que consideramos ser o risco dos activos

O Diário Económico tranquiliza-nos: “todos os intervenientes nos mercados financeiros tiraram lições da crise de ‘subprime’ que estalou para as bolsas e Fernando Coelho não ficou atrás”:

A crise serve para dizer se dantes tínhamos 80% de um produto e 20% dos outros. Agora se calhar devemos colocar 50% num e os restantes 50% noutros. Tem que existir uma maior diversificação (…) numa situação de crise deveríamos estar mais diversificados”.

Mas talvez porque a crise tenha acabado, talvez porque as lições tenham sido retiradas:

Fernando Coelho afirmou que considera que o actual momento é favorável para os investidores regressarem aos mercados financeiros, mas com cautela. Diversificar é a palavra de ordem

Sabemos que há corporativismo em todos os sectores. Fernando Coelho, como um bom rebelde, rompe o consenso do FMI, BP, BCE, Fed, dando-nos boas notícias com reduzida base de sustentação. Naturalmente compreendemos que o faz por ser parte interessada nesse regresso dos investidores aos mercados financeiros. Até aqui tudo previsivel, embora este tipo de postura ponha um pouco em causa o mito de que os bancos têm interesse numa postura de sobriedade e moderação na sua auto-promoção (build trust). Mas o que me causou verdadeira perplexidade é a forma extraordinária como Fernando Coelho fala de duas “diversificações”: a do passado, que correu mal, e a do futuro, que vai certamente correr bem.

Petraeus II

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 12 Abril, 2008

Via Time

Tagged with: , , ,

Previsões

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 11 Abril, 2008

No seguimento de nova redução da previsão de crescimento económico para Portugal por parte do FMI, o primeiro-ministro José Sócrates foi muito determinado a explicar que a organização internacional está a ser “excessivamente pessimista”. Num comentário à saída do Parlamento, Sócrates afirmou:

Confio em quem conhece melhor o país, o governador do Banco de Portugal. Mantemos a nossa previsão, não temos nenhuma razão para alterar (RTP1).

O governador do Banco de Portugal, por outro lado, parece querer demarcar-se deste “excessivo optimismo” e em comentários à TSF, deu “um puxão de orelhas” ao governo por continuar tão confiante. É provável que Sócrates muito em breve tenha que engolir mais uma vez as suas afirmações, o que poderia ser evitável se tivesse sido mais comedido. Por muito boas dinâmicas internas que Portugal possa ter, é apenas natural que sejamos afectados pelo abrandamento internacional. Há um factor, a crise internacional, que Sócrates e Portugal não controlam e que deveria ser elemento determinante nos comentários do primeiro-ministro. Entendo que o Governo pretenda dinamizar a confiança dos investidores, mas se o que diz está constantemente a ser posto em causa, perde toda a credibilidade. O executivo mantém uma previsão de 2.2% e o governador fala em taxas “certamente abaixo dos dois por cento”. Esperemos para ver os próximos capítulos, mas nesta situação sinto-me mais tentado em apostar em Constâncio do que em Sócrates.

Dito isto, é preciso cautela com as previsões do FMI. Da minha experiência em mercados financeiros, estas análises multi-países tendem a esquecer idiossincracias particulares. Quando se reduz expectativas por choques que afectam todos os países, normalmente faz-se género tábua raza, sem ter em conta as especificidades de cada região. Se há um país com dinâmicas próprias, é comum “levar por tabela”. Eu não sei se o número do FMI é mais ou menos válido que o do Banco de Portugal (ainda não há um número actualizado oficial), mas aqui não se aplica necessariamente o dito bem português que o “que vem de fora é que é bom”.

Adenda – Graças a um comentário de um leitor, tive acesso às declarações de Vitor Constãncio (http://www.tsf.pt/online/common/include/streaming_audio.asp?audio=/2008/04/noticias/11/constancio.asx) e apesar de os factos que comentei acima serem reais (há uma diferença clara entre o discurso de Sócrates e de Constâncio), parece que o Governador do Banco Portugal nunca utilizou a palavra Governo no seu depoimento, ou seja, não desafiou frontalmente José Sócrates como a notícia do Público faz transparecer. Aparentemente o Público fez uma interpretação abusiva do comentário de Constâncio. A leitura mais uma vez a tirar é que temos que ter muita cautela na confiança que depositamos nalguns jornais.

O eterno Jota

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 10 Abril, 2008

Pedro Passos Coelho ao Correio da Manhã, no seguimento de uma sondagem pouco animadora para o PSD:

CM – Luís Filipe Menezes tem condições para vencer as eleições?
PPC – Começa a ter um caminho muito estreito para o fazer. Deve ser a equipa a fazer essa análise dos resultados. O resultado é mais um sinal que acentua a tendência de descredibilização que o PSD vem tendo aos olhos da sociedade portuguesa.
CM – Está disponível para ser candidato a líder do PSD?
PPC– Se no PSD se achar que é tempo para mudança de órgãos sociais e nova liderança estarei disponível para apresentar uma alternativa ao Governo PS.
CM – Já em 2009?
PPC – Se vier a acontecer, sim.

          

Political fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 10 Abril, 2008

Cartazes cubanos, 1965-71

Tagged with:

Greenwashing

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 10 Abril, 2008

Ainda no tema ambiente, um comentador que normalmente me irrita bastante, Thomas Friedman, do New York Times, põe em perspectiva o real impacto dos nossas virtudes ambientais individuais. Referindo-se a duas cidades que em poucos anos surgiram do nada e que portanto passaram a consumir energia e a poluir, refere:

Hey, I’m really glad you switched to long-lasting compact fluorescent light bulbs in your house. But the growth in Doha and Dalian ate all your energy savings for breakfast. I’m glad you bought a hybrid car. But Doha and Dalian devoured that before noon. I am glad that the U.S. Congress is debating whether to bring U.S. auto mileage requirements up to European levels by 2020. Doha and Dalian will have those gains for lunch – maybe just the first course. I’m glad that solar and wind power are “soaring” toward 2 percent of U.S. energy generation, but Doha and Dalian will devour all those gains for dinner. I am thrilled that you are now doing the “20 green things” suggested by your favorite American magazine. Doha and Dalian will snack on them all, like popcorn before bedtime.

A ideia não é cruzar os braços e deixar de ter cuidado com o ambiente só porque o impacto é diminuto. Um certo “frame of mind” colectivo vai sendo construído com as acções individuais e essa mudança de atitude pode mais tarde estimular ganho reais e globais.

Mas aqueles que ostentam uma aureola divina porque, por exemplo, reciclam, deviam pensar nesta questão e talvez ser mais humildes na sua virtude. Houve já quem tivesse apontado os paralelismos entre religião e ambientalismo (divindade da natureza, o mal é provocado pelo homem, visões apocalipticas, etc.), considerando, nomeadamente, que os offset de carbono são as indulgências do século XXI, pois primeiro peca-se, depois paga-se para compensar. Uma certa ostentação pode contribuir para o crescimento do cinismo à volta deste tema. E como vemos em algumas pessoas e em tantas empresas, uns rápidos e indolores sinais exteriores de correcção ambiental tranquilizam algumas almas, mas produzem muito pouco.

Tagged with: ,

Gore Details

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 9 Abril, 2008

Al Gore anunciou na semana passada uma mega-campanha sobre mudanças climáticas, porque, nas suas palavras “We can solve the climate crisis, but it will require a major shift in public opinion and engagement”. A campanha tem um orçamento de 300 milhões de dólares. Se há decisão que mostra as forças e as fraquezas de Al Gore é esta. Muito por seu mérito, o aquecimento global está hoje no centro da agenda mediática. Mesmo tendo em conta cenários menos pessimistas, pode-se argumentar que este trabalho tinha que ser feito pois tanto as populações como o poder político precisavam de ser alertados para os possíveis cenários negativos. Até porque qualquer proposta séria terá elevados custos económicos e sociais. Claro que tem havido alarmismos e histeria da parte de vários sectores e, não sendo dos piores, Gore tem sabido, no entanto, explorar de forma eficaz o medo latente das pessoas.

Gore é um comunicador. Isso é muito importante. Mas é apenas um aspecto desta questão. Outros aspectos prendem-se com o debate político, científico e com a análise de políticas públicas. O lançamento desta campanha mostra que Gore chegou ao final de um caminho (percorrido com sucesso) e em vez de passar o testemunho, decide voltar à casa de partida.

Ressalvando as enormes diferenças, num certo sentido pode-se fazer um paralelo com o SIDA. No início foi necessário fazer mega-campanhas porque as pessoas tinham que ganhar consciência do problema, dos perigos, das formas de prevenção, etc. Também aqui a comunicação por vezes exagerou, mas em última análise foi eficaz no combate ao preconceito que a doença gera e, principalmente, na educação para a prevenção. Mas de forma gradual o debate e os progressos à volta da questão passaram a ser cada vez mais políticos, mais centrados na medicina, mais científicos.

Tal como no SIDA, em relação ao aquecimento global pode ser importante ir fazendo algumas campanhas. Mas talvez já seja o tempo de tornar este debate mais sereno, mais orientado para as políticas públicas, mais técnico. E, nessa nova fase, Gore não é manifestamente a pessoa certa para liderar.

David Sipress, New Yorker

Petraeus

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

Petreaus

O General Petraeus e o embaixador Crocker estão nestes dias a explicar os desenvolvimentos no Iraque ao Comité de Relações Internacionais do Senado (com a presença dos três candidatos à Presidência dos EUA). O depoimento inicial de Petraeus aqui. Comentários aqui, aqui e aqui. Vale a pena também ver a apresentação que Petraeus trouxe ao Senado – Petraeus (via Newsweek). Interessante igualmente recordar o que Petraeus dizia em 2004 sobre o mesmo assunto:

There will be more tough times, frustration and disappointment along the way. It is likely that insurgent attacks will escalate as Iraq’s elections approach. Iraq’s security forces are, however, developing steadily and they are in the fight. Momentum has gathered in recent months. With strong Iraqi leaders out front and with continued coalition – and now NATO – support, this trend will continue. It will not be easy, but few worthwhile things are.

Tagged with: , ,

Pinho sobre o IVA

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

Manuel Pinho, num momento de pouca iluminação, comparou a descida do IVA a 5 semanas de factura de electricidade nacional. Num daqueles rasgos políticos de tentar tornar os grandes números (500 milhões de euros em 2009) em coisas do dia-a-dia que os portugueses entendam, o governante procurou estabelecer um pararelismo com algo que diz-nos pouco. O que são 5 semanas de electricidade? Ninguém paga facturas de 5 semanas. Não há outras comparações mais fáceis? Não percebo se foi uma piada ao Belmiro de Azevedo (por a Sonae pagar preços industriais pela electricidade), mas que foi fraco, isso julgo que foi.

O Ministro da Economia disse ainda que:

“Não faço parte dos que julgam que baixar o IVA em um ponto percentual é uma migalha. Não sou suficientemente rico para pensar isso”.

Para além de dirigida ao PSD, esta sim foi direitinha a Belmiro de Azevedo, sem passar pela casa da partida e sem receber 2 contos. Agora, por muita graça que o Ministro tenha, em primeiro lugar, piadas do género “puxa, é mesmo muita massa, só os ricos oligopolistas é que sabem o que isso é”, julgo desajustadas. E depois, duvido que Manuel Pinho tenha que estar a rebater as opiniões de empresários reformados, cada vez que uma nova medida seja introduzida.

Psicologia e psiquiatria

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

O blog Freakonomics juntou especialistas em psicologia e psiquiatria e pediu-lhes para apresentarem a sua opinião sobre o desenvolvimento e progressos destas áreas no último século. Subjacente a esta pergunta está uma preocupação em relação ao grau de efectividade e de segurança dos medicamentos actualmente receitados para doenças relacionadas. Entre os comentários, que incluem orientações tão distintas como biologia molecular ou behavioral economics, estão os seguintes:

The environment has a large effect on our behavior…if we want to have a validly descriptive model of human behavior we must incorporate the environmental variables into our models. Dan Ariely

Do we know enough about the human psyche to prescribe the medications that we do? No. But we have had to do something, because people all over the world regularly try to kill themselves. John Medina

Humans are a complex and messy species and as such continue to offer psychology plenty of material to work with. David Baker

I think the field of psychology began making important and cumulative progress when it ceased to be a social science, and became a natural science. Psychology is really a branch of biology or zoology. Satoshi Kanazawa

Codfish Review

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 7 Abril, 2008

Excelente post de Pedro Magalhães.

Noutro tema: só agora reparei nos ombros largos deste senhor

Cenouras-e-Paus

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 7 Abril, 2008

A propósito da crise dos mercados financeiros, escrevi há uns dias sobre a dificuldade em aceitar a incerteza (que é diferente do risco). Nos últimos anos houve um excesso de confiança nas capacidades de elegantes e sofisticados modelos financeiros de análise de risco. Pode-se argumentar que os modelos são tentativas honestas de lidar com a incerteza e que de todas formas não pretendem fornecer certezas absolutas. Pode-se ainda perguntar qual é a alternativa aos modelos. Tudo pontos legítimos. Mas penso que é também legítimo perguntar se uma “unintended consequence” dos modelos não será, ironicamente, a assunção de maior risco. Ou seja, as ilusões de controlo que fornecem podem tornar os agentes menos cautelosos.     

Mas a actual crise está longe de ter um só “culpado” (tem-se constatado na imprensa portuguesa as previsíveis diabolizações da banca, que esquecem o papel do Estado, dos reguladores e dos bancos centrais nesta a crise). Outro aspecto que tem sido salientado nos últimos tempos é o problema dos incentivos dentro das instituições financeiras. Simplificando uma ideia complexa, o ponto geral é que os bancos têm incentivos para assumir elevados graus de risco porque capturam os resultados positivos e, em determinadas circunstâncias extraordinárias, repercutem os resultados negativos pela sociedade como um todo (devido ao papel central que ocupam nas economias modernas). Por outro lado, a estrutura de compensações actualmente praticada produz decisões que sacrificam a estabilidade e o risco de médio e longo prazo em benefício dos resultados de curto prazo (que “entram” directamente no bónus). Neste tema, os seguintes três artigos do Financial Times têm sido muito discutidos:  

 

“Compartimos” ou nem por isso

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 6 Abril, 2008

O microcrédito foi introduzido por Muhammad Yunus no Bangladesh há mais de 30 anos como uma forma de fornecer empréstimos a pessoas no limiar da pobreza que não têm colateral e não são servidos pelos bancos tradicionais. Desde a fundação do Grameen Bank até hoje, o número de instituições de microcrédito e de pequenos empresários (ou melhor, empresárias, porque são na larga maioria mulheres) cresceu de uma forma exponencial em todo o Mundo subdesenvolvido, assim como a variedade de serviços prestados. Hoje em dia uma instituição de microcrédito disponibiliza serviços de depósitos, seguros, saúde, etc.

As grandes discussões sobre estes serviços têm normalmente versado uma de três questões: (1) será que o microcrédito tem impacto em termos de desenvolvimento? (2) será que o microcrédito é sustentável como negócio independente, ou seja, sem dinheiro de doadores? (3) será que o microcrédito está a chegar aos mais pobres dos pobres? Em relação à primeira questão, para um serviço que tem impactos visíveis nas vidas de certas pessoas – é fácil mostrar o exemplo de fulana tal, que não tinha nada e hoje em dia tem uma magnífica banca de peixes, ganhou poder familiar e paga as suas dívidas a tempo horas – a discussão torna-se complicada, sendo que até hoje ainda ninguém conseguiu totalmente demonstrar que o microcrédito tem um impacto positivo no desenvolvimento económico de um país ou região. No que concerne a segunda questão, existem casos de organizações que se conseguem manter independentes de doações, mas para isso tendem a violar o terceiro ponto, ou seja, não ter como clientes principais os mais pobres dessa região.

Esta última discussão é na prática o que está implícito no tema de um artigo do New York Times, que apresenta o caso da instituição financeira Compartamos no México, que tem conseguido com técnicas de microcrédito ser muito rentável nos últimos anos com os seus mais de um milhão de clientes. A Compartamos, que recentemente fez um IPO, é sobretudo um exemplo de sucesso porque procura clientes com um nível médio em termos relativos de pobreza, para além de aproveitar um mercado mexicano não muito competitivo ao nível das taxas de juro. A Compartamos tem, no entanto, sido alvo de críticas pelas instituições de microcrédito mais tradicionais por uma ideia de que a organização estará a “aproveitar-se” da população pobre do país, apesar de inicialmente ter sido constituída como sem fins lucrativos, e que por isso estará a pôr em causa a imagem do modelo de microcrédito. Na prática, o argumento é que se está a apresentar ao Mundo como uma coisa que não é. Eu compreendo esta posição, sobretudo quando as organizações de microcrédito querem responder ao primeiro ponto mencionado acima – ser vistos como tendo impacto no desenvolvimento – mas sinceramente acredito que é possível (e desejável) que se complementem as duas ou mais versões destes serviços financeiros. Para todos os efeitos, a Compartamos presta serviços financeiros a pessoas que não têm colateral. Se há alguém que considere as taxas de juro da Compartamos muito altas, então que lhes faça competição.

Political Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 5 Abril, 2008

Verborreia

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Abril, 2008

A Constituição dos Estados Unidos da América tem 4.400 palavras.

A Constituição da República Portuguesa tem 32.261 palavras.

Pela sua contenção verbal, os EUA viram-se impossibilitados de consagrar constitucionalmente um importante imperativo político: o da promoção da ginástica. De nada serviu o artigo de James Madison nos Federalist Papers “Forget the independence of the judiciary: what the country needs is a tough stance on obesity”.

Artigo 79.º
(Cultura física e desporto)
1. Todos têm direito à cultura física e ao desporto.
2. Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.

Mundo cão

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 3 Abril, 2008

Será que este vídeo explica alguns blogs anónimos?

New Yorker

Bill Richardson, Vice-Presidente?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Abril, 2008

Escrevi sobre a palestra em que estive presente, porque acredito que Bill Richardson é neste momento o candidato número 1 a Vice-Presidente, caso Obama vença a actual corrida com Hillary Clinton. Bill Richardson é para a campanha de Obama um importante complemento ao nível da comunidade hispânica e dos conhecimentos, e sobretudo a experiência, em política internacional. Bill Richardson, antigo Embaixador Americano nas Nações Unidas na era Clinton, participou várias vezes na negociação de sequestrados: por exemplo, Richardson disse-nos hoje que esteve a semana passada na Colômbia a assessorar o Presidente Uribe no conflito com as FARC. Obama por seu lado, apesar do seu judgement sobre o Iraque, é claramente um candidato mais focado nas questões domésticas. O seu comentário sobre a negociação com líderes controversos, apesar de provavelmente genuíno, deixou entender estar pouco oleado sobre o tema.

Richardson acrescenta assim a Obama duas componentes fundamentais. Em primeiro lugar, o poder eleitoral junto de Latinos. Depois o duplo valor de ter experiência em relações internacionais. Antes de mais, pelas competências que traz à campanha quando o candidato republicano é John McCain. Depois, pela complementariedade num possível futuro com Obama/Richardson como Presidente/Vice-Presidente, sobretudo quando os EUA têm que jogar nos próximos anos com mestria em dois tabuleiros: domesticamente, recuperar uma economia em recessão, e internacionalmente, reencontrar um rumo de certa forma perdido. Agora, dito isto, será que a campanha de Obama está em condições de (e quer) apresentar-se na corrida final com um dueto de candidatos oriundo de minorias?

Bill Richardson

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Abril, 2008

Em virtude de me encontrar neste momento em Boston, tive hoje (ontem) a oportunidade de ver e ouvir Bill Richardson, que recentemente decidiu apoiar Barack Obama na corrida a candidato democrata à Casa Branca. Devo dizer que fiquei pouco impressionado em termos gerais com as respostas às várias perguntas que recebeu, talvez porque tivesse elevadas expectativas em relação a este Governador do Novo México. Disparou para todo lado com as medidas que gostaria de implementar se tivesse sido escolhido para Presidente, até que a certa altura o entrevistador teve que lhe perguntar: “mas aonde é que tem dinheiro para isso tudo?” Adicionalmente, mostrou conhecimentos apenas superficiais dos vários temas que abordou, excepto em termos de política internacional, a sua especialidade.

Nos temas interessantes, disse que apoiava Obama porque “there is something special about this man; don’t know what it is, but it’s good”. Não se alongou sobre políticas de Obama, nada, apenas justificou o seu apoio por acreditar que Obama vai mudar a imagem que o Mundo tem neste momento da América. Na pergunta de maior expectativa, se estaria interessado/tinha sido convidado para ser candidato a Vice-Presidente de Obama, riu-se e deixou entender com meias palavras que é o que espera com este apoio. Como conhecido negociador, talvez já tenha isso negociado no contrato de endorsement. Sobre o facto de ter sido comparado a Judas por James Carville, respondeu que os “Clintons have a sense of entitlement, but why should they be the ones again? There are others around that might want to have a voice as well”.

Ao nível de políticas concretas, na economia, foi confuso. Em relação ao Iraque, defendeu o envio de uma força de segurança das Nações Unidas, no seguimento de uma saída relativamente rápida dos EUA. Em termos de outras políticas internacionais, abordou com sobriedade uma intervenção por razões morais no Sudão, um diálogo com a Rússia e uma estratégia clara para a relação com o Irão.

Political Fish

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 2 Abril, 2008

Graffitis de Buenos Aires, a propósito da “terceira via” de Juan Perón, mas também fazendo referência ao roubo das mãos – a esquerda e a direita! – do cadáver de Perón (via Cuaderno)

Gerir o terrorismo

Posted in Estados Unidos, Internacional by António Luís Vicente on 2 Abril, 2008

Durante a sua campanha presidencial em 2004, John Kerry foi muito atacado devido ao que disse sobre terrorismo numa entrevista no New York Times

When I asked Kerry what it would take for Americans to feel safe again, he displayed a much less apocalyptic worldview. ”We have to get back to the place we were, where terrorists are not the focus of our lives, but they’re a nuisance,” Kerry said

Esta posição faz muito sentido mas era demasiado realista (e politicamente insensata) num contexto no qual o 11 de Setembro estava emocionalmente mais presente do que hoje. A escolha da palavra “nuisance” também não foi das mais felizes.

 

A frase foi ampla e cinicamente explorada por Rove e companhia, como exemplo da insensibilidade de Kerry. 

Passados quatro anos, a questão ainda é delicada e seguramente não veremos os actuais candidatos a cometer o mesmo erro. Mas cada vez mais, principalmente no meio académico, as pessoas começam a compreender o que Kerry queria dizer com “nuisance”. A ideia é precisamente evitar o tipo de retórica e de “politics of fear” propagada pela actual administração. Fazer do terrorismo o foco central da acção de uma democracia é jogar o jogo dos terroristas, pois estes agradecem ser fonte de obsessão. Por último, o discurso emotivo à volta da questão, compreendendo-se em parte, tende a resvalar para absolutos morais e proclamações inflamadas e estas perjudicam a gestão do dia a dia do combate ao terrorismo.

Uma das vozes mais calmas e lúcidas nesta questão é a de Jeremy Shapiro, da Brookings Institution. Num interessante position paper, Shapiro aponta os custos deste discurso emotivo e apresenta um conjunto de recomendações: 

There have been no terrorist attacks in the United States since 9/11, but it is far from clear whether the government’s efforts have made the difference. Policy discussions of homeland security issues are driven not by rigorous analysis but by fear, perceptions of past mistakes, pork-barrel politics, and insistence on an invulnerability that cannot possibly be achieved. It’s time for a new, more analytic, threat-based approach, grounded in concepts of sufficiency, prioritization, and measured effectiveness. 

Christopher Hitchens

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 1 Abril, 2008

Não sendo nada consensual, antes pelo contrário, Christopher Hitchens é no entanto um dos mais inteligentes, corajosos e interessantes comentadores vivos. “Comentador” é um termo péssimo, mas não encontro outra palavra para descrever o multifacetado Hitchens. Para quem não conheça bem, este inglês há muitos anos radicado nos Estados Unidos foi e é jornalista, ensaista, correspondente de guerra, biógrafo de Thomas Paine e Thomas Jefferson, autor de um dos best-sellers do ano passado “God is not Great”, livro que capturou (e ajudou a criar) um “momento ateu” que anda no ar. Alcoólico furioso, protagonista de incontáveis polémicas (uma das mais famosas foi com Kissinger), foi herói da esquerda, herói da direita, mas também já foi foco do ataque de ambas, já que o único rótulo que verdadeiramente o descreve é o de iconoclasta. Basta referir que um dos seus alvos de ataque foi Madre Teresa de Calcutá, no “The Missionary Position: Mother Theresa in Theory and in Practice”. Mas acima de tudo, como o título anterior sugere, Hitchens escreve bem, escreve de uma forma que já não se escreve, bastante à Orwell.

Como muita gente, há anos que oiço falar de Hitchens e que o leio esporadicamente, mas só recentemente comecei a ler os seus artigos com maior regularidade. Ontem, na Slate, Hitchens aborda a mais recente controvérsia à volta de Hillary Clinton – a aterragem na Bósnia – argumentando que a mentira de Clinton é mais grave do que parece.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

O social-democrata Pacheco Pereira quer que a direcção do PSD de Luís Filipe Menezes seja afastada antes das eleições de 2009 e prevê que a mudança de liderança “vai mesmo ter de ser ‘à bomba'”. (Público)

Hayek v. Keynes

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

A propósito de Skidelsky, vale a pena ler o seu artigo, incluido no Cambridge Companion to Hayek, sobre o que une e o que separa estas figuras cimeiras do panorama intelectual do séc. XX. O debate que travaram há 7 décadas sobre o papel do Estado continua actual e relevante.   

Tagged with: , ,

Fresh Fish

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

Na última New York Review of Books vale a pena ler a crítica ao livro de Joseph Stiglitz “Making Globalization Work”. Quem escreve é Robert Skidelsky, autor da mais consagrada biografia de Keynes.

Stark reality

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Março, 2008

Philippe Starck, um dos grandes designers vivos, parece estar a viver uma crise de meia-idade. Ou isso ou deixou-se contagiar pelo fake anti-materialismo que por aí anda.

“I was a producer of materiality and I am ashamed of this fact,” Starck told Die Zeit weekly newspaper

“In future there will be no more designers. The designers of the future will be the personal coach, the gym trainer, the diet consultant,” he said.

Starck said the only objects that he still felt attached to were “a pillow perhaps and a good mattress.” But the thing one needs most, he added, was the “ability to love”. (Breitbart)

(via Gawker)

Tagged with: ,

The Earth is Flat

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Março, 2008

A tarefa mais difícil de um historiador é especular sobre o contexto e as atitudes de um determinado período. Mas por vezes o presente oferece um vislumbre do passado. Observar certas tribos ainda hoje existentes permite, por exemplo, compreender melhor a vida no neolítico. Este vídeo permite-nos perceber melhor como seria um debate científico circa 1550: 

(via Boing Boing)

Tagged with: , ,

Faith-based economics

Posted in Estados Unidos, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Março, 2008

Com duvidoso sucesso, os choques fiscais de redução de impostos foram introduzidos pela primeira vez nos EUA por Ronald Reagan. Kevin Hassett, actual assessor económico de John McCain, explica o porquê destes choques:

What really happens is that the economy grows more vigorously when you lower tax rates. It is beyond the reach of economic science to explain precisely why that happens, but it does.

Esta política que espera aumentar as receitas fiscais apesar da redução das taxas ficou conhecida por supply-side economics, em oposição à keynesiana demand-side economics. Segundo Dani Rodrik, depois do comentário de Hassett, deveria no entanto actualizar o seu nome: de supply-side economics deveria passar a faith-based economics!

Líderes incoerentes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 27 Março, 2008

Uma das características fundamentais de um grande líder é a coerência nos actos e afirmações. Infelizmente temos assistido na política em Portugal a constantes inconsistências de comentários e decisões nos vários partidos que nos governam. No governo actual, a incoerência envolveu decisões como a Ota e em especial na voz do primeiro-ministro, os impostos. Em 2005, enquanto candidato a primeiro-ministro, José Sócrates dizia “Não estou de acordo com subida de impostos”. Menos de 100 dias depois foi o que se viu. Há 15 dias atrás, Sócrates dizia que uma descida de impostos seria “leviana e irresponsável”. Ontem foi o que se viu. Os agentes económicos gostam de estabilidade para poderem decidir. A imprevisibilidade governativa, sobretudo em questões fiscais, é o maior inimigo do investimento.

Mas as incoerências não ficam pelo governo rosa. O PSD, aquando da subida do IVA, falava através do deputado Miguel Frasquilho, em “efeito nefasto sobre a evolução económica em todo o país”. O então líder Marques Mendes comentava tratar-se de um aumento“imoral”, tendo em conta que o financiamento das SCUTs se mantinha. Em contraposição, o agora líder da oposição Luís Filipe Menezes diz que a redução do IVA é “irrelevante e casuística”. Claro que o líder do PSD já é outro e passaram uns anos, mas custava muito admitir qualquer coisa como: “é um passo no caminho certo, mas não suficiente para termos a carga fiscal que havia antes deste Governo ter iniciado funções”*, sobretudo depois de o PSD ter proposto recentemente uma descida dos impostos? Talvez não fosse comentário suficiente para aparecer no top5 do noticiário das 20h, mas pelo menos, daría-lhe alguma credibilidade para os devaneios que venha dizer a seguir.

Eu sei que na política como no futebol é díficil que o que hoje é verdade amanhã não seja mentira, mas o mínimo dos mínimos de coerência seria útil para melhorar a credibilidade das decisões e opiniões políticas em Portugal.

*além de que dificilmente o governo poderia ter ido muito mais longe do que foi nesta altura do campeonato.

Os netos de Rousseau II

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 25 Março, 2008

Há uns dias tivemos isto. Hoje temos isto:

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), disse hoje ao DN, a propósito do triste episódio do telemóvel, da professora e da aluna ocorrido na Escola Carolina Michaelis, que “lidar com a indisciplina não é uma prioridade”. Isto porque, segundo o dito senhor, “é mais importante reflectir sobre os factores que estão na origem destes comportamentos”, que são “de natureza diversa: familiares, sociais, e também, sem dúvida de natureza política”. (via Jantar das Quartas)

Os netos de Rousseau*

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Março, 2008

O Correio da Manhã faz um útil ponto de situação sobre a agressão na escola Carolina Michaelis. O artigo revela que em Portugal houve no ano lectivo passado 185 agressões de alunos a professores. E que nesta escola:

…este é o terceiro caso de violência este ano. Em Dezembro de 2007, uma aluna do 10.º ano, insatisfeita com a nota que a professora de Português lhe atribuiu, agrediu a professora. Noutro caso já no princípio de 2008 um aluno foi esfaqueado à porta da escola

Que fazer? Reforço da autoridade dos professores na sala de aula? Sanções mais fortes? Ao contrário do que se poderia pensar, grande parte dos professores age contra o seu interesse próprio em matérias de disciplina. Ironicamente é uma das poucas áreas em que são pouco corporativistas. A razão é sobejamente conhecida – a tradição ideológica e pedagógica nascida com Rousseau que trata as criancinhas como barro moldável e puro, cada um uma tabula rasa na qual o professor escreve. Não é difícil compreender a atractividade desta ideia para a generalidade dos professores já que os torna em verdadeiros pais criadores de uma sociedade mais justa. Um corolário desta pureza natural é que os alunos nunca são os responsáveis últimos pelas suas acções. Há sempre um verdadeiro culpado, que é a sociedade, com as suas injustiças económicas, ou os pais. 

Assim, a reacção do professor responsável pelo gabinete de apoio ao aluno da escola, o famoso Fernando Charrua, não é de estranhar:  

Muitas vezes o que os alunos precisam é de alguém que lhes dê um abraço e que os ouça, porque, em muitos casos, não têm com quem falar em casa. Há casos em que fazer uma asneira é motivada pela vontade de chamar a atenção

* – O título do livro de Filomena Mónica “Os Filhos de Rousseau” tem que ser actualizado porque os anos passam e a cultura pedagógica não muda.  

Fish Map

Posted in Portugal, Uncategorized by António Luís Vicente on 22 Março, 2008

Descobri uma excelente colecção da mapas antigos, na Olin Library da universidade de Cornell. 

Liga-se pouco a mapas em Portugal, principalmente quando pensamos no papel que os portugueses tiveram na história da cartografia, directa e indirectamente. Um dos aspectos mais intrigantes da história da cultura portuguesa é a relativa pobreza da nossa pintura. A nossa cultura tem sido consistentemente dominada pela literatura, área onde verdadeiramente temos um lugar na história intelectual europeia. Assim, tendo a ver os mapas como o único grande contributo português para a história visual do mundo. 

Alguns mapas da Olin Library:     

‘Universalis Cosmographia Secundum Ptholomaei Traditionem Et Americi Vespucci Alioruque Lustrationes’
Martin Waldseemuller
Strassburg, 1507
The name “America” appears for the first time on this 1507 world map. Waldeseemuller relies on Ptolemaic geographic sources for most of Europe and Asia. Africa has much detail along the coasts, based on the information of Portuguese travelers. China is based on information from Marco Polo. The original map measures over 4′ x7′, printed on 12 woodcut sheets.

Portolan World Map
Domingos Teixeira, 1573
Call number: G 3200 1573 T4

Portolan charts guided sailors in sea-crossings and between harbors along unfamiliar coasts.

Belém

Posted in Uncategorized by codfish on 22 Março, 2008

 bush-nativity.jpg

U. S. President George W. Bush exiting the Door of Humility at the Church of the Nativity in Bethlehem (Reuters)

(não resultou) 

Boa Páscoa!

The audacity of a speech

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 21 Março, 2008

Só agora consegui ver o discurso de Obama sobre questões raciais (são 37 minutos!). Já tinha lido alguns artigos sobre o assunto pelo que tinha expectativas elevadas. A quente: 

  • Excelente discurso, cerebral mas por vezes emotivo, subtil.
  • Encara de frente questão polémica, quando talvez fosse suficiente um forte repúdio face às declarações do seu antigo pastor;
  • Não usa absolutos morais, condena mas não renega pastor, não mostra vergonha em relação ao seu passado;
  • Usa esta polémica e uma situação que o coloca na defensiva como mote para falar do “elefante na sala” – ou seja do tema central mas difícil de abordar e de assumir: a questão racial. Um político menor teria feito o discurso após a polémica de Geraldine Ferraro, ou seja num momento em que está no papel de “vítima”, não no papel de “acusado”.
  • Como disse Jon Stewart, Obama dirigiu-se às pessoas como se elas fossem adultas e inteligentes. Não teve medo de usar palavras difíceis, citar frases eruditas, invocar nuances e defender conceitos complexos e passíveis de serem mal interpretados. Até a duração do discurso, neste caso, foi “contra as regras”.

É já um cliché dizer que os políticos avaliam-se nos momentos dificeis. Até ao Verão ou até Novembro, caso seja o escolhido pelos democratas, ou até sabe-se lá quando, se for eleito presidente, Obama terá ainda muitas provas a superar. Caso seja o próximo presidente dos EUA, o principal desafio será certamente o de conciliar o dia a dia de uma presidência – as negociações e cedências, as zonas de ambiguidade moral, as decisões duras mas necessárias – com a retórica de mudança de paradigma. Mas, para já, a forma como Obama lidou com esta polémica revela um político superior, que se torna melhor quando confrontado com uma adversidade. 

Vamos jogar ao Risco

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 19 Março, 2008

É uma pena que do importante artigo desta semana de Greenspan o que fica, na maior parte das pessoas, é apenas a sugestão de que a actual crise é a mais grave desde a II Guerra Mundial. O artigo não é fácil para um leigo com eu, mas vale a pena ler. Insere-se num conjunto de artigos recentes que têm chamado à atenção para os limites dos modelos de risco usados pelos bancos. 

Alguns comentadores acham que os bancos se deixaram embriagar por sofisticados modelos de risco. Estes modelos resultam de um dado novo nos últimos anos – a aliança entre uma nova tribo bancária, os quants (analistas e cientistas com bases sólidas em matemática e finanças, uma espécie de nerds da banca) e os cada vez mais poderosos sistemas de informação. Não houve capacidade de resistência ao encanto destes modelos, devido à sua sofisticação e coerência interna, à legitimidade técnica de quem os elaborava e, principalmente, devido à predisposição humana para abraçar e engolir tudo o que oferece certezas e ordem (tipo astrologia). Hoje as limitações e os erros destes modelos estão à vista de todos. No artigo, Greenspan refere: “Also being questioned, tangentially, are the mathematically elegant economic forecasting models that once again have been unable to anticipate a financial crisis or the onset of recession”.

Mas como o “tangentially” sugere, muitos (incluindo Greenspan, como se depreende do resto do artigo) ainda não colocaram a seguinte questão: se calhar o problema não está nos modelos em si (tipo problema técnico teoricamente resolúvel se as premissas e a matemática forem melhoradas) mas sim na atitude perante esses modelos e nos danos provocados pela ilusão de que se domou o risco. E este assunto não diz respeito apenas à matematica financeira mas também à teoria económica em geral. 

O que se tem que encarar de frente é que as limitações destas previsões poderão não ser técnicas mas sim, para usar um palavrão, epistemológicas. Ou seja, em determinadas situações, pode ser humanamente impossível (para além de inútil e enganador) estimar o risco. 

Como em tantos casos, também nesta questão muito se pode aprender com um mau político. Daqui a 100 anos é provável que Donald Rumsfeld seja conhecido principalmente por ter dito a seguinte (brilhante) frase numa conferência de imprensa:  

As we know, there are known knowns. There are things we know we know. We also know there are known unknowns. That is to say, we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns, the ones we don’t know we don’t know. (Feb. 12, 2002, Department of Defense news briefing) 

O problema nas previsões reside precisamente nos “unknown unknowns”, também conhecidos, na sequência de dois livros excelentes de Nassim Nicholas Taleb (“Fooled  by Randomness e “The Black Swan”), como “fat tail events” ou “black swans”, que são muito mais comuns e disruptive do que pensamos (que faz com que não possam ser considerados “a excepção que confirma a regra”). 

Assim, prefiro claramente o outro importante artigo que surgiu por estes dias a propósito da crise financeira e dos erros de previsão – “Our Uncertain Economy“, do prémio nobel da economia Edmund Phelps. Usando Keynes, Hayek e Frank Knight, o economista relembra que em outras fases históricas do pensamento económico havia maior respeito pela papel da incerteza na vida económica. Mas hoje:

Most economists have pretended that the economy is essentially predictable and understandable (…) a new school of neo-neoclassical economists proposed that the market economy, though noisy, was basically predictable. All the risks in the economy, it was claimed, are driven by purely random shocks — like coin throws — subject to known probabilities, and not by innovations whose uncertain effects cannot be predicted.

O problema é que esta história é muito familiar e as lições vão rapidamente ser esquecidas. Parafraseando uma famosa frase, em períodos de euforia, a primeira vítima é o rigor e a humildade. O que torna esta questão mais complexa é que o rigor é substituido por algo que parece ainda mais rigoroso, científico e preciso do que aquilo que se deitou fora. Depois, nas depressões, escrevem-se dezenas de editoriais sobre os erros cometidos e sobre o que devia ter sido feito, sobre bolhas que em retrospectiva eram “claramente especulativas” (tão claras que ninguém as via). Dapois, num eterno retorno, quanto volta a euforia…   

   

Codfish Political Marketing

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 18 Março, 2008

PCP faz duro ataque à política de “arrogância”, do “quero, posso e mando” na Educação (Público)

(imagem: campanha da TMN, via final encounter)

Tagged with: ,

Arquitectura e Poder

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 18 Março, 2008

Não há tema para o qual não exista uma citação de Winston Churchill (muitas delas mal atribuidas, pois Churchill, tal como Shakespeare, tem o condão de atrair citações nunca proferidas). Um quote muito usado por arquitectos é “first we shape our buildings and afterwards our buildings shape us”. A propósito da “conversão” de David Mamet da esquerda para a direita, lembrei-me que o contexto no qual Churchill resolveu discutir arquitectura, pois tem também a ver com mudanças ideológicas.

As Houses of Parliament foram parcialmente destruídas na II Guerra Mundial e o parlamento teve que aprovar a proposta de reconstrução do edifício. Churchill defendeu a preservação da estrutura histórica da câmara dos  comuns – ou seja que se mantivesse uma bancada oposta à outra, uma excentricidade quando sabemos que todos os outros parlamentos usam o “estilo francês” (mas que na realidade tem como modelo o Senado Romano) de disposição semi-circular.  Numa brilhante imagem/metáfora, Churchill chama à atenção que uma estrutura semi-circular pode ser mais promíscua, pois andar ao longo de um corredor é sempre mais fácil e pode ser feito com maior discrição do que a travessia de um fosso, perante o olhar de todos os seu pares.

There are two main characteristics of the House of Commons which will command the approval and the support of reflective and experienced Members. The first is that its shape should be oblong and not semicircular. Here is a very potent factor in our political life. The semicircular assembly, which appeals to political theorists, enables every individual or every group to move round the centre, adopting various shades of pink according as the weather changes. (…) The party system is much favoured by the oblong form of chamber. It is easy for an individual to move through those insensible gradations from left to right, but the act of crossing the Floor is one which requires serious attention. I am well informed on this matter for I have accomplished that difficult process, not only once, but twice.

On the rebuilding of the House of Commons after a bomb blast. The Second World War, Volume V : Closing the Ring (1951) Chapter 9    

        

David Mamet

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 18 Março, 2008

A esquerda nova-iorquina está em estado de choque com a “conversão” à direita de uma das suas estrelas, o dramaturgo e encenador David Mamet. Num artigo de opinião no Village Voice, Mamet refere que enquanto escrevia a sua última peça começou a pensar imenso sobre questões políticas e chegou à conclusão que toda a vida foi um “brain dead liberal”.  

A parte mais divertida do artigo é a descrição de como a sua mulher percebeu o que se estava a passar antes do que ele: 

We were riding along and listening to NPR [estação de rádio liberal]. I felt my facial muscles tightening, and the words beginning to form in my mind: “Shut the fuck up” she prompted. 

Mamet refere que durante várias decadas escreveu peças que retratavam uma visão sobre a natureza humana diametralmente oposta à que depois defendia enquanto “liberal”. Hoje acha particulamente errado o carácter derrotista da esquerda americana: 

I’d observed that lust, greed, envy, sloth, and their pals are giving the world a good run for its money, but that nonetheless, people in general seem to get from day to day; and that we in the United States get from day to day under rather wonderful and privileged circumstances-that we are not and never have been the villains that some of the world and some of our citizens make us out to be, but that we are a confection of normal (greedy, lustful, duplicitous, corrupt, inspired-in short, human) individuals living under a spectacularly effective compact called the Constitution, and lucky to get it. For the Constitution, rather than suggesting that all behave in a godlike manner, recognizes that, to the contrary, people are swine and will take any opportunity to subvert any agreement in order to pursue what they consider to be their proper interests.

O artigo tem ainda uma frase bastante Hayekiana:

But if the government is not to intervene, how will we, mere human beings, work it all out? I wondered and read, and it occurred to me that I knew the answer, and here it is: We just seem to. How do I know? From experience. I referred to my own-take away the director from the staged play and what do you get? Usually a diminution of strife, a shorter rehearsal period, and a better production. The director, generally, does not cause strife, but his or her presence impels the actors to direct (and manufacture) claims designed to appeal to Authority-that is, to set aside the original goal (staging a play for the audience) and indulge in politics, the purpose of which may be to gain status and influence outside the ostensible goal of the endeavor.

De entre os vários artigos escritos a propósito deste assunto, vale a pena ler a descrição de outras famosas “conversões” no Independent.

Keynes

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 17 Março, 2008

It is better to be roughly right than precisely wrong (John Maynard Keynes)

No post sobre a Bear Stearns, um dos indicadores incluídos no quadro é o “1 year target estimate”, o valor esperado da acção no final do ano. Os analistas previam que a Bear Stearns valesse $94,50. Hoje o valor é $3,78. É o que se chama estar “precisely wrong”. 

Lehman Brothers

Posted in Uncategorized by codfish on 17 Março, 2008

lehman2.png

Last Trade: 24.41
Trade Time: 1:47PM ET
Change: Down 14.85 (37.82%)
Prev Close: 39.26
Open: 25.38
Bid: N/A
Ask: N/A
1y Target Est: 67.75
Day’s Range: 20.2534.91
52wk Range: 38.88 – 82.05
Volume: 131,239,129
Avg Vol (3m): 17,925,500
Market Cap: 12.95B
P/E (ttm): 3.39
EPS (ttm): 7.258
Div & Yield: 0.68 (1.50%)

Bear Stearns

Posted in Uncategorized by codfish on 17 Março, 2008

bear2.png

Last Trade: 3.78
Trade Time: 1:36PM ET
Change: Down 26.22 (87.41%)
Prev Close: 30.00
Open: 3.17
Bid: N/A
Ask: N/A
1y Target Est: 94.50
Day’s Range: 2.845.50
52wk Range: 26.85 – 159.36
Volume: 108,640,472
Avg Vol (3m): 12,928,700
Market Cap: 514.26M
P/E (ttm): 2.50
EPS (ttm): 1.52
Div & Yield: 1.28 (2.20%)

Filantropia

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 16 Março, 2008

É uma pena que em Portugal se use cada vez menos esta palavra. É um daqueles termos que se têm vindo a abandonar por serem demasido literários e algo antiquados – vem do grego “amor à humanidade”. Hoje usam-se os tecnocráticos “terceiro sector”, “Organizações Não Governamentais – ONGs” ou “instituições sem fins lucrativos”. Há quem considere que “filantropia” tem um toque paternalista. Talvez, mas nada comparado com o termo usado em Inglaterra para descrever o sector – “charity”. “Filantropia” tem a vantagem de ser uma só palavra, o seu significado é claro (enquanto que “terceiro sector” é vago) e não é definido por uma “negativa” – ao contrário de “não lucrativo” e “não governamental”.

Isto tudo a propósito de um interessante artigo no New York Times de 9 de Março sobre a “ciência” do fund raising – “What Makes People Give” – em que se descrevem algumas experiências feitas por economistas com o objectivo de perceber quais as técnicas mais eficazes para obter doações.

É grave

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 16 Março, 2008

Martin Feldstein, Presidente do National Bureau of Economic Research, afirmou perante uma plateia de investidores que a situação económica nos EUA é muito complicada, podendo esta ser a recessão americana mais grave desde a segunda Guerra Mundial!

The situation is very bad, the situation is getting worse, and the risks are that it could get very bad. There’s no doubt that this year and next year are going to be very difficult years.

Tendo em consideração que o NBER apenas confirma oficialmente uma recessão 6 a 18 meses depois desta se ter iniciado, é preocupante que o seu Presidente tenha neste momento este discurso tão alarmista.

Tagged with: , ,

Fresh Fish

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 14 Março, 2008

James Carville, um dos aquitectos da vitória de Bill Clinton em 1992, escreve no Financial Times sobre as recentes demissões de conselheiros de Hillary Clinton e Barack Obama e apela a um maior poder de encaixe da parte das candidaturas e da imprensa:

This sort of hyper-sensitivity diminishes everyone who engages in it, both the candidates and the media. Politics is a rough and tumble business, and yet there seems to be an effort by the commentariat to sanitise American politics to some type of high-level Victorian debating society.

José González

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 13 Março, 2008

Uma semana mais intensa de trabalho tem me mantido afastado do Codfish Waters, mas hoje serei compensado com o concerto de José González no Paradise Rock Club em Boston, integrado na digressão que terminará em Lisboa e no Porto no final de Abril.

Tagged with:

Codfish Political Consulting

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 13 Março, 2008

E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal”, sublinhou [Vitalino Canas] (RTP)

(imagem via Atelier Subterranean)

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 13 Março, 2008

E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal”, sublinhou [Vitalino Canas] (RTP)

Political Fish, PSD Edition

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 12 Março, 2008

O Codfish Waters publica de vez em quando exemplos de cartazes, vídeos e slogans políticos. Assim, sinto alguma obrigação de falar sobre a nova imagem do PSD, reconhecendo no entanto o carácter supérfulo desta discussão no contexto da actual crise vivida no PSD. Aliás, o que se está a passar ilustra bem que a verdadeira “imagem”, a que interessa, tem muito pouco a ver com logotipos e cores. 

Alguns jornais têm destacado a opção pelo azul como um corte radical com o passado. Não estou de acordo – o uso de azul é de facto um dado novo, mas acho que o cor-de-laranja continua a dominar, até porque fica realçado no fundo azul.  

227280.jpg

O azul e o cor-de-laranja não funcionam mal, como se constata neste conhecido quadro de Mark Rothko…

copy-of-rothko.jpg

…no qual o cor-de-laranja acaba por ter algum impacte visual, principalmente quando pensamos que a superficie que ocupa é reduzida e localizada na parte de baixo do quadro. 

O azul e o vermelho são sem dúvida as cores mais “políticas” do espectro. Na Europa o azul tem conotações mais à direita (aristocracia, monarquia, tories, etc.). Curiosamente nos EUA é ao contrário, pois os “blue states” são os dominados pelo partido democrata enquanto que os “red states” são os republicanos.

Quanto ao slogan – Mudar Portugal – acho preguiçoso e pouco original (em linha com a tradição portuguesa neste campo). A frase compreende-se no actual contexto de desânimo nacional e desejo de mudança. Mas na linha da crítica que o Francisco faz neste post ao “Esperança” do novo partido de Rui Marques, acho que o “Mudar” tem uma carga excessivamente negativa em relação ao país (há coisas que eu não quero mudar em Portugal!). Poderia ter havido mais ambição – criar um slogan mais positivo e não tão reactivo ao actual governo. Um bom exemplo do passado é o famoso “Prá Frente Portugal!” de Freitas do Amaral, que tem implícito uma crítica mas também uma ideia positiva de melhoria e não apenas de mudança (que pode ser para melhor ou para pior).

Read My Lips

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 11 Março, 2008

Bill Clinton elevou o “sorriso invertido” a uma forma de arte. Usava-o em momentos emotivos e quando pedia desculpa à nação pelo seu comportamento. Não o estou a acusar de cínico – toda a política tem algo de teatral. E este “sorriso” transmite emoção, contenção e arrependimento.  Há inúmeros exemplos na internet, como este:

Pelos vistos Clinton deixou escola, como se vê na fotografia mais em voga para ilustrar a notícia do momento:

a83270d4-eeea-11dc-97ec-0000779fd2ac.jpg

As fotografias mostram também como neste skill, como em tantos outros, o “mestre” tende a ser mais subtil que o “discípulo”…

Tagged with: ,

Regra de três simples

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 11 Março, 2008

Pedro Sales escreveu no Zero de Conduta:

José Sócrates mudou de ministro da Saúde, reconhecendo que “era a única forma de “restaurar a relação de confiança entre cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde”. Quando mais de metade dos professores se manifestam contra a política educativa, a frase ganha uma redobrada actualidade e fica uma pergunta muito simples. Que condições de trabalho, e de implementar as suas decisões nas escolas, tem uma responsável política que conta com a aberta hostilidade de uma classe profissional em peso?

Já era esperado este género de raciocínio, que se compreende na sequência do enorme precedente que o Governo de Sócrates abriu com a demissão do Ministro da Saúde. Só que apesar de Sócrates se ter enganado uma vez, não significa que se tenha de enganar uma segunda – alguém sabe o que se passa na Saúde?

Mesmo aceitando que agora o Governo deve seguir o precedente (porquê é que tem que ser assim?), tem que se ter em consideração que há uma diferença clara entre as duas situações: enquanto que na Educação, a “pesada” contestação é “limitada” em abrangência (concentrada nos professores), na Saúde, a “limitada” contestação tinha maior “peso” em amplitude: as pessoas na rua eram utentes diversos que, à partida, repito, à partida, não representavam uma única facção ou interesse profissional.

Hipocrise

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 11 Março, 2008

Nas últimas horas os jornais americanos só falam do escândalo que envolve o governador democrata de Nova Iorque, Eliot Spitzer, que aparentemente tinha ligações a uma rede de prostituição. Mas a verdadeira notícia é a hipocrisia de um dos mais moralistas políticos americanos. 

Ao contrário do retrato apressado que se faz deste lado do Atlântico, os políticos moralistas não estão apenas na direita evangélica. Também os há no partido democrata. As causas de Spitzer eram os abusos e ilegalidades dos CEOs das grandes empresas de Wall Street e as redes de crime organizado. Eram estas as grandes batalhas e as bandeiras nas suas campanhas para o cargo de district attorney e depois para governador.  Fazia-o com o zelo do moralista, com declarações inflamadas, alarmistas e justiceiras. Deste modo paga agora mais pela hipocrisia e pela desfaçatez do que pelo acto em si.

E penso que é correcto que seja assim. Andrew Sullivan escreveu ontem no seu blog que “It’s pretty slam-dunk. But I still feel sorry for him. Being human means failing”. Claro que ser humano é falhar mas tratar este assunto apenas como um mero drama pessoal pode obscurecer um importante ponto político – ninguém obrigou Spitzer a assumir uma postura pública completamente oposta à sua prática quotidiana. E a decisão de assumir essa postura foi um acto racional que teve como resultado votos e vitórias eleitorais. Assim, esta história ilustra também uma espécie de fraude eleitoral.  

Devo confessar que a queda de um moralista não me provoca grande tristeza.

Tagged with:

Realpolitiks Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 11 Março, 2008

Cartaz do Governo Americano, 1942

Poster russian.jpg