CODFISH WATERS

First ladies

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

 

Enquanto não estão escolhidas as caras para vice-presidentes, o acompanhamento mediático das eleições americanas centra-se também na batalha das primeiras damas. Cindy vs Michelle. A última Newsweek tem um retrato de 6 páginas da mulher de McCain, incluindo as controvérsias da sua vida a dois com o candidato republicano. Cindy acredita vir a ter um papel importante na Casa Branca:

Cindy is McCain’s “best friend, best adviser and closest confidant,” she says. As First Lady, she would not sit in on cabinet meetings. But the White House would give her a platform to advance causes, like special education, that are important to her.

O NY Times, numa óptica distinta, analisa a vida de Michelle Obama para explicar como a mulher do candidato democrata procura escapar aos ataques de falta de patriotismo de que foi alvo:

Mrs. Obama has already had to check her brutally honest approach to talking about race. Now she co-stars in a campaign that would as soon mute most discussion of race.

As her plane descends into a northern Montana valley, she sounds like a woman who wishes she could sit voters down for a long talk. “You know, if someone sat in a room with me for five minutes after hearing these rumors, they’d go ‘huh?’ ” she says. “They’d realize it doesn’t make sense.” She extends her long arms, her voice plaintive. “I will walk anyone through my life,” she says. “Come on, let’s go.”

A investigação da vida da mulher dos candidatos vai continuar nesta corrida, e ambos vão procurar mostrar o lado melhor das suas acompanhantes. De certa forma seguindo a orientação partidária, a candidata republicana a primeira dama parece mais parecida com as duas Bush, Barbara e Laura, enquanto “the rock” Michelle será mais do género Hillary. Vamos ver em que termina.

Verdades sobre Obama

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Junho, 2008

Barack Obama wears a FLAG PIN at all times. Even in the shower.

Barack Obama goes to church every morning. He goes to church every afternoon. He goes to church every evening. He is IN CHURCH RIGHT NOW.

Barack Obama’s skin is the color of AMERICAN SOIL.

Mais aqui.

Obama-Bloomberg

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 9 Junho, 2008

Pouco provável, mas para mim este seria o “ticket” ideal:

Fishtoon

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 12 Maio, 2008

Via Slate

Terá mesmo chegado ao fim?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 9 Maio, 2008

João Jesus Caetano apresenta no Goodnight Moon cinco razões pelas quais a corrida democrata pode não ter chegado ao fim. Destaque para:

Clinton poderá vir a ter na Virgínia Ocidental e no Kentucky duas das três melhores perfomances eleitorais em todo o processo. Ninguém, no seu juízo completo, abandonaria a corrida dias antes de vitórias dessa dimensão.

 

Indiana e NC II

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 7 Maio, 2008

11:59pm ET: Apesar de em menos de uma semana, Hillary Clinton ter recuperado de -3 para +2 na diferença face a Obama em Indiana, os resultados da candidata nos dois Estados que hoje tiveram Primárias ficaram longe de “se tirar o chapéu”. Parece que me enganei, peço desculpa. Obama foi quem desta vez renasceu das cinzas e obteve um óptimo resultado em North Carolina e um muito decente em Indiana. Será que apesar dos momentos menos conseguidos na campanha de Obama, os democratas ficaram fartos de tanta luta?

Those were the days…

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 21 Abril, 2008

Dando crédito à evolução do Wall Street Journal, vale a pena ler o artigo sobre os dias de luta política de Obama em Chicago e como estes influenciaram o candidato democrata às presidenciais americanas. Como diz Don Rose, um consultor político:

Chicago was his Harvard of politics. Had he gone to Cleveland or New York or Atlanta, it might have been a different path.

À volta deste tópico, está a discussão sobre a capacidade de Barack Obama de ser eficaz no combate contra os republicanos na campanha final de Novembro, assim como de perceber se é capaz de enfrentar a dureza de uma Presidência dos EUA. Este debate surge na sequência de algumas críticas em relação à performance de Obama nas últimas semanas durante a campanha para as primárias de amanhã na Pensilvânia.

 

 

Bill Richardson, Vice-Presidente?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Abril, 2008

Escrevi sobre a palestra em que estive presente, porque acredito que Bill Richardson é neste momento o candidato número 1 a Vice-Presidente, caso Obama vença a actual corrida com Hillary Clinton. Bill Richardson é para a campanha de Obama um importante complemento ao nível da comunidade hispânica e dos conhecimentos, e sobretudo a experiência, em política internacional. Bill Richardson, antigo Embaixador Americano nas Nações Unidas na era Clinton, participou várias vezes na negociação de sequestrados: por exemplo, Richardson disse-nos hoje que esteve a semana passada na Colômbia a assessorar o Presidente Uribe no conflito com as FARC. Obama por seu lado, apesar do seu judgement sobre o Iraque, é claramente um candidato mais focado nas questões domésticas. O seu comentário sobre a negociação com líderes controversos, apesar de provavelmente genuíno, deixou entender estar pouco oleado sobre o tema.

Richardson acrescenta assim a Obama duas componentes fundamentais. Em primeiro lugar, o poder eleitoral junto de Latinos. Depois o duplo valor de ter experiência em relações internacionais. Antes de mais, pelas competências que traz à campanha quando o candidato republicano é John McCain. Depois, pela complementariedade num possível futuro com Obama/Richardson como Presidente/Vice-Presidente, sobretudo quando os EUA têm que jogar nos próximos anos com mestria em dois tabuleiros: domesticamente, recuperar uma economia em recessão, e internacionalmente, reencontrar um rumo de certa forma perdido. Agora, dito isto, será que a campanha de Obama está em condições de (e quer) apresentar-se na corrida final com um dueto de candidatos oriundo de minorias?

Bill Richardson

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Abril, 2008

Em virtude de me encontrar neste momento em Boston, tive hoje (ontem) a oportunidade de ver e ouvir Bill Richardson, que recentemente decidiu apoiar Barack Obama na corrida a candidato democrata à Casa Branca. Devo dizer que fiquei pouco impressionado em termos gerais com as respostas às várias perguntas que recebeu, talvez porque tivesse elevadas expectativas em relação a este Governador do Novo México. Disparou para todo lado com as medidas que gostaria de implementar se tivesse sido escolhido para Presidente, até que a certa altura o entrevistador teve que lhe perguntar: “mas aonde é que tem dinheiro para isso tudo?” Adicionalmente, mostrou conhecimentos apenas superficiais dos vários temas que abordou, excepto em termos de política internacional, a sua especialidade.

Nos temas interessantes, disse que apoiava Obama porque “there is something special about this man; don’t know what it is, but it’s good”. Não se alongou sobre políticas de Obama, nada, apenas justificou o seu apoio por acreditar que Obama vai mudar a imagem que o Mundo tem neste momento da América. Na pergunta de maior expectativa, se estaria interessado/tinha sido convidado para ser candidato a Vice-Presidente de Obama, riu-se e deixou entender com meias palavras que é o que espera com este apoio. Como conhecido negociador, talvez já tenha isso negociado no contrato de endorsement. Sobre o facto de ter sido comparado a Judas por James Carville, respondeu que os “Clintons have a sense of entitlement, but why should they be the ones again? There are others around that might want to have a voice as well”.

Ao nível de políticas concretas, na economia, foi confuso. Em relação ao Iraque, defendeu o envio de uma força de segurança das Nações Unidas, no seguimento de uma saída relativamente rápida dos EUA. Em termos de outras políticas internacionais, abordou com sobriedade uma intervenção por razões morais no Sudão, um diálogo com a Rússia e uma estratégia clara para a relação com o Irão.

The audacity of a speech

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 21 Março, 2008

Só agora consegui ver o discurso de Obama sobre questões raciais (são 37 minutos!). Já tinha lido alguns artigos sobre o assunto pelo que tinha expectativas elevadas. A quente: 

  • Excelente discurso, cerebral mas por vezes emotivo, subtil.
  • Encara de frente questão polémica, quando talvez fosse suficiente um forte repúdio face às declarações do seu antigo pastor;
  • Não usa absolutos morais, condena mas não renega pastor, não mostra vergonha em relação ao seu passado;
  • Usa esta polémica e uma situação que o coloca na defensiva como mote para falar do “elefante na sala” – ou seja do tema central mas difícil de abordar e de assumir: a questão racial. Um político menor teria feito o discurso após a polémica de Geraldine Ferraro, ou seja num momento em que está no papel de “vítima”, não no papel de “acusado”.
  • Como disse Jon Stewart, Obama dirigiu-se às pessoas como se elas fossem adultas e inteligentes. Não teve medo de usar palavras difíceis, citar frases eruditas, invocar nuances e defender conceitos complexos e passíveis de serem mal interpretados. Até a duração do discurso, neste caso, foi “contra as regras”.

É já um cliché dizer que os políticos avaliam-se nos momentos dificeis. Até ao Verão ou até Novembro, caso seja o escolhido pelos democratas, ou até sabe-se lá quando, se for eleito presidente, Obama terá ainda muitas provas a superar. Caso seja o próximo presidente dos EUA, o principal desafio será certamente o de conciliar o dia a dia de uma presidência – as negociações e cedências, as zonas de ambiguidade moral, as decisões duras mas necessárias – com a retórica de mudança de paradigma. Mas, para já, a forma como Obama lidou com esta polémica revela um político superior, que se torna melhor quando confrontado com uma adversidade. 

Fresh Fish

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 14 Março, 2008

James Carville, um dos aquitectos da vitória de Bill Clinton em 1992, escreve no Financial Times sobre as recentes demissões de conselheiros de Hillary Clinton e Barack Obama e apela a um maior poder de encaixe da parte das candidaturas e da imprensa:

This sort of hyper-sensitivity diminishes everyone who engages in it, both the candidates and the media. Politics is a rough and tumble business, and yet there seems to be an effort by the commentariat to sanitise American politics to some type of high-level Victorian debating society.

Monster

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 8 Março, 2008

Um “monstro” arrancou-lhe o poder.

Temos lutador?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 5 Março, 2008

 

No tema do “what’s next” nas primárias democratas, a questão do momento é se Barack Obama vai (e é capaz) de responder aos ataques de Clinton que, segundo vários comentadores, foram essenciais para os resultados de ontem. Veja-se aqui e aqui. A questão é muito delicada. Vamos por partes.

Primeiro, atacar é bom. Pois, nem sempre. O International Heral Tribune dizia há pouco mais de uma semana o seguinte: “Clinton’s hard-edged instinct for negative politics has usually turned off the public”. O ataque do plagiarismo de Obama não me parece que tenha sido bem pensado, mas o da relação de Obama com o Canadá sobre a NAFTA, deve ter tido o seu efeito.

Depois, deve Obama atacar Hillary? Se o fizer, está a ir contra os seus princípios de uma nova forma de fazer política (aonde é que eu já ouvi isto?), mas caso não o faça, perde uma parte fundamental da forma de ganhar eleições. Obama está num forte dilema. Seguir o que apregoa ou fight back. Agora, com esta importante decisão, Obama mostrará se é ou não um líder forte e se é capaz de recuperar o momentum perdido.

Obama necessita de utilizar todo o capital intelectual do seu staff para criativamente atacar Clinton, sem invalidar os seus princípios. Por exemplo, o seu flyer sobre a opinião de Hillary sobre a NAFTA nos anos 90 não é um bom caminho. O anúncio de Hillary de que é a pessoa certa para atender o telefone na Casa Branca às 3 da manhã é o caminho certo. Não fala directamente de Obama, mas deixa entender que não está preparado. Obama respondeu, mas precisa de mais, precisa de ser o originador do debate. Obama para ganhar terá que evoluir do “hope” e “change” como Hillary evoluiu de “experienced” para “fighter”.

A corrida mais louca do mundo

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 5 Março, 2008

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Com a vitória clara de Clinton em Ohio e Rhode Island, a vitória de Obama em Vermont, e o empate técnico no Texas (neste momento em que escrevo ainda não há vencedor declarado), a ilação a tirar desta mini-Super-Tuesday é que a corrida democrata continua. As estatísticas valem o que valem, mas tenha-se em consideração que nas últimas ocasiões em que os democratas “arrastaram” a decisão final sobre o seu candidato até à Convenção Nacional (1952, 1972 e 1980), perderam sempre a eleição para Presidente.

NAFTA

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 4 Março, 2008

 

Muito se tem falado nos últimos dias sobre a política económica dos candidatos democratas às eleições americanas, em especial de Barack Obama, e em particular sobre as suas ideias aparentemente mais proteccionistas como a renegociação com o México e o Canadá da NAFTA. Veja-se aqui e aqui. Tempo de campanha em Estados (Ohio) que viram perder um número elevado de trabalhos nos últimos tempos é propício a esta discussão. Tem razão a “estratega” republicana Mary Matalin quando diz que quanto mais as primárias democratas demorarem, mais à esquerda o debate se tornará, e mais benefícios colherá o candidato republicano.

Dito isto, para lá da semântica, o que sobra é que estas ideias, se levadas muito a sério, têm como problema principal “apenas” uma questão de mensagem do que valorizamos. Simplificando numa frase: se somos pró-globalização, então não deveríamos apregoar estas ideais proteccionistas. Esse é o argumento. Se não queremos ver as barreiras comerciais a subir, então não devíamos “falar” abertamente dos problemas da liberalização. Isto porque, na realidade, um aumento dos acordos de comércio internacional não promove grandes ganhos económicos. Com as quedas das tarifas internacionais dos últimos anos, já não há assim tanto a ganhar com a liberalização. Nas contas mais optimistas do Banco Mundial, uma liberalização total do comércio internacional apenas acrescentaria 0,8% ao PIB mundial de 2015! Até em relação à NAFTA os economistas têm tido dificuldade em calcular grandes benefícios para o México. Eu acredito que em acordos bilaterais haja ganhos mais significativos para as partes envolvidas (se se tiver em consideração acessos a mercados, relações privilegiadas, diversão de comércio de outros países), não são é necessariamente bons para todos (e têm de ser bem negociados!).

Assim sendo, o ponto é que o debate provavelmente já deveria ter evoluído para outra questão – já não deveria estar centrado na redução das tarifas, mas mais noutras formas de aumentar a integração mundial, como seja o mercado de trabalho ou, mesmo dentro das barreiras, outras que sejam menos aparentes (relações históricas entre países, distribuição, questões linguísticas, sistemas fiscais, etc).

Reagobama

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 3 Março, 2008

 

Christopher Caldwell escreve no Financial Times deste fim-de-semana um excelente artigo sobre as diferenças entre Obama e Clinton (oferecendo também ele uma almofada a Obama) e pega num tema que tem vindo a ser recorrente nos últimos meses: a relação entre Obama e Reagan.

To read Mr Obama’s political autobiography, The Audacity of Hope, is to see an interest in Reagan that borders on fascination. “I understood his appeal,” Mr Obama writes.

O argumento é que Obama, tal como Reagan, não esconde a sua ideologia. Em 1980 o candidato republicano conseguiu atrair milhares de votantes independentes e democratas sem precisar de fazer um discurso ao centro. A eleição de Reagan contrariou a tese (da rational choice theory) que defende que um candidato tem que fazer campanha ao centro e “capturar” o votante mediano para ganhar eleições. 

O argumento até é interessante, mas parece-me prematuro. Pode ser que Obama consiga seguir os passos de Reagan e “violar” mais uma vez as regras normais que conduzem a uma vitória eleitoral – se alguém está em posição de o fazer é ele. Mas ainda é cedo para fazer este tipo de comparações: em primeiro lugar ainda estamos na fase das primárias, pelo que Obama ainda tem poucos incentivos para avançar para o centro – vamos ver se a coisas mudam quando (e se) estiver sozinho face a McCain. Em segundo lugar, Reagan mudou completamente os termos do debate, algo que Obama ainda não fez. Recentemente foi publicado um livro que usa o exemplo de Reagan para ilustrar um dos conceitos mais interessantes da ciência política recente – “heresthetics” – um nome inventado por William Riker para descrever situações nas quais um político consegue mudar radicalmente os termos do debate. Hoje já nos esquecemos, mas Reagan lançou duas ideias que estavam completamente fora da agenda e que tinham conduzido a derrotas em anos anteriores – forte liberalização da economia (quando, parafraseando as palavras de Nixon, “todos eram Keynesianos” e as ideias de Goldwater eram mal recebidas nas urnas) e intensificação da retórica anti-soviética (numa altura em que se vivia a détente ou “normalização” no relacionamento entre as duas superpotências).

Até ao momento não ouvi Obama defender ideias e políticas que se possam comparar a estas em termos de afastamento do mainstream (não, “change” e “hope” não contam). Não quer dizer que o tenha que fazer para ganhar ou que não o venha a fazer – o ponto é que, pelo menos por enquanto, comparar Obama com Reagan é forçar a história.

The Ohio girl

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 29 Fevereiro, 2008

Gail Collins escreve sobre the boring Hillary Clinton:

If Hillary Clinton were a state, she’d be Ohio.

Lou Dobbs, jornalista

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 28 Fevereiro, 2008

Lou Dobbs, da CNN, é talvez o pior jornalista no activo. Ouvir Dobbs é perceber que a demagogia não está confinada ao campo político e que, se possível, ainda é mais gravosa no jornalismo devido à presunção de neutralidade. Lou Dobbs é ferozmente anti-comércio internacional, anti-empresas e anti-imigração, atitude que mistura com um nacionalismo bacoco. Mas o ponto não é esse. Dobbs podia ser apaixonadamente a favor da globalização e dos salários dos CEOs. O que não pode é fazer reportagens como esta (e tantas outras iguais ou piores) e continuar a ser chamado de jornalista*:

A reportagem contém quase todos os clichés anti-capitalismo. Dobbs percebe bem a ferida em que esgravata – sabe que muitas pessoas estão assustadas com a recessão e com o desemprego e predispostas a este tipo de reportagens, sabe que isto vende e sabe que descobriu um filão (até já se usa nos EUA o termo “Lou Dobbs democrats”). Será este o futuro da esquerda americana? Espero que não.  

O pior é que Obama e Clinton, num estilo mais moderado, é certo, e instigados pelas primárias do Ohio, têm caído na tentação de ir por esta via, como se viu nas declarações sobre a NAFTA no último debate.

* – Lou Dobbs tem, aliás, uma curiosa interpretação do trabalho do jornalista, que devia ir directamente para os manuais de jornalismo enquanto sinal de alerta: “What you won’t see on our broadcast is ‘fair and balanced journalism.’ You will not see ‘objective journalism.’ The truth is not ‘fair and balanced.’ There is a nonpartisan, independent reality that doesn’t give a damn, frankly, what two Democrats and two Republicans think about anything or say about anything.” (New Yorker)

Obama e Religião II

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 26 Fevereiro, 2008

Duas horas depois de escrever este post, descubro, via Público, que anda a circular (com origem no campo de Hillary, segundo os apoiantes de Obama) esta fotografia:

Obama e Religião

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 26 Fevereiro, 2008

 

Questão complexa. Principalmente porque na Europa temos muita dificuldade em compreender o papel da religião na vida e na política americana. Há uma tendência para a caricatura e para tratar alguns casos específicos e circunscritos de maior extremismo como representativos do mainstream religioso americano.

Mas caricaturas aparte, algo que de facto distingue os EUA da Europa é a facilidade com que os políticos tiram referências religiosas da algibeira. Desenganem-se os que pensam que o fenómeno está confinado ao partido republicano ou à direita evangélica. Alías, para mim, um dos exemplos mais flagrantes e representativos deste fenómeno foi o discurso de Bill Clinton na apresentação oficial dos resultados do “Human Genome Project”. Num dos momentos mais importantes da história recente da ciência,  Clinton sentiu a necessidade de abrir o seu discurso dizendo “Today, we are learning the language in which God created life.”, afirmando mais à frente  que “we are gaining ever more awe for the complexity, the beauty, the wonder of God’s most divine and sacred gift.”

As posições religiosas expressas por Obama podem ser consideradas moderadas para o contexto norte-americano. Na melhor tradição de eficiência americana, as mesmas podem ser convenientemente analisadas neste memo preparado pela campanha. Para Obama, a questão religiosa é particularmente sensível porque segundo alguns comentadores, está a instalar-se entre sectores da população a ideia de que Obama é um muçulmano disfarçado. Esta extraordinária ideia não pode infelizmente ser ignorada pelos estrategas do candidato. Uma reacção de pânico poderá ser “aumentar o volume” do discurso cristão. Vai ser interessante – e um bom teste – ver a forma como Obama lidará com a situação. 

(fotografia: Jeff Haynes/AFP/Getty)