CODFISH WATERS

Álvaro Uribe Vélez

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 3 Julho, 2008

Álvaro Uribe Vélez foi o grande vencedor da libertação de Ingrid Betancourt e de outros treze sequestrados da FARC. Foi uma operação brilhante. Daquelas que só se vêm nos filmes, e mesmo nesses casos, não acreditamos que sejam verosímeis. O Presidente da Colômbia que tem conseguido níveis de popularidade de mais de 80% , estando a meio de um segundo mandato, vai assitir a mais uma melhoría do seu reconhecimento popular.

Álvaro Uribe é um líder como poucos na América Latina. A sua história, no entanto, não é rectilínea. O seu pai foi assassinado pelas FARC quando Uribe era Presidente da Câmara de Medellin. Durante esses tempos, a sua família foi várias vezes apontada como próxima de líderes de carteis da droga como Pablo Escobar. Enquanto Senador e Governador de uma região foi ganhando preponderância na política colombiana e começou a introduzir a mão dura nas suas políticas. Para o seu sucesso, sobretudo após ter sido eleito Presidente, foi fundamental a sua perseverança, a auto-confiança nas suas ideias, a consistência, a capacidade de perceber os colombianos, o poder de saber gerir a adversidade, o facto de que não esquece um nome e uma cara, a enorme qualidade dos seus discursos.

Álvaro Uribe está neste momento a ser tentado para pressionar o Supremo Tribunal a rever a Constituição e permitir que o actual Presidente se candidate a um terceiro mandato. Eu sinceramente preferiria que Uribe não caísse nessa tentação. Quer continue, quer não, Uribe já vai ficar na história. Quer continue, quer não, Uribe já vai ser recordado como o Presidente que neutralizou as FARC, que libertou vários reféns e praticamente eliminou novos raptos, que contribuiu para a diminuição da criminalidade nas grandes cidades para níveis muito aceitáveis, que obteve níveis consistentes de crescimento económico sem paralelo na história recente do país, que trouxe a Colômbia para os radares do investimento e turismo, isto tudo para além de ter liderado várias reformas fundamentais. Álvaro Uribe tem sido o Presidente que tem feito sonhar os colombianos de uma vida pós conflito. Se continuar, é verdade que pode conseguir mais. Abre, no entanto, um precedente que não trará nada de positivo à inconstante democracia colombiana. Apesar do muito que já deu ao seu país, 2010 será o momento certo para partir. A Colômbia está preparada para encontrar alternativas – Sergio Fajardo é uma delas.

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Israel das Américas?

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 4 Março, 2008

 

María Jimena Duzán, colunista do principal jornal colombiano (El Tiempo) escreveu assim na sua coluna intitulada “Somos a Israel da região?”:

Una cosa es que las Farc estén golpeadas y otra que para derrotarlas nos sea permitido convertirnos en el Israel de la región, sin que realmente lo seamos. Semejante audacia nos puede costar muy caro.

Este género de comparação (que é uma excepção no euforismo na Colômbia pós-ataque) parece-me extemporânea e evitável, assim como propagandista tem sido a reacção do Equador e da Venezuela. Em primeiro lugar, a situação na Colômbia não tem nada a ver com Israel/Palestina. Enquanto na Palestina, Israel faz raides sobre Palestinianos em plena Palestina, a Colômbia não está a atacar Equatorianos. Depois, a base do conflito é completamente diferente – não há como no Médio Oriente diferenças religiosas, nem zonas em discussão, na Colômbia há um grupo de revolucionários que de ideologia já não têm nada e que a única que fazem é minar a estabilidade social e económica do país.

Mais, sempre que as FARC se sentiram pressionadas pelo exército conseguiram refúgio no Equador ou na Venezuela, o que indica que no mínimo estes governos têm pactuado com a guerrilha. Isto para além das informações vinculadas que estes países estariam a financiar a FARC (neste ponto, não sei até que ponto é verdade, pelo menos para o Equador). Aliás, o próprio Equador começou por dizer que compreendia a decisão da Colômbia, para depois de um telefonema de Chávez, ter mudado de opinião. Para além de todas estas “justificações morais”, quando os secuestrados que foram libertados a semana passada duvidaram da força da estratégia militar colombiana, era necessário mostrar que o poder ainda estava do lado do Governo. Pontualmente é preciso ter um certo pragmatismo, sobretudo quando pode estar em causa o fim de um conflito que tem assolado este país nos últimos 50 anos. A própria Duzán admite:

Con la muerte de Raúl Reyes, vocero internacional de las Farc y miembro del secretariado, abatido por las fuerzas colombianas en un campamento en territorio ecuatoriano, la cosa cambia: hoy sí se puede decir que las Farc están seriamente golpeadas y quizás muy cerca de su fin.

Concordo que num mundo ideal era melhor que a Colômbia não intervisse num país vizinho para resolver problemas internos. Mas não nos podemos esquecer que não vivemos nesse mundo ideal. Deste modo, compreendo e valorizo o risco tomado pelo Presidente Uribe e os seus militares com esta decisão.

Chavismo no seu melhor

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 2 Março, 2008

Depois da intervenção militar colombiana no Equador que terminou com a morte do número dois da FARC, Hugo Chávez responde com isto e com estes comentários hostis no já famoso Aló Presidente:

FARC

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 14 Janeiro, 2008

Cortesia: El tiempo

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