CODFISH WATERS

O excepcionalismo português

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 20 Junho, 2008

Pegando no mote de um post de há uns tempos do Francisco, relembro aqui um impressionante gráfico que o Economist publicou há uns anos (mas que infelizmente permanece actual) e que ilustra um dos principais problemas estruturais do nosso país… 

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…que mostra que na Europa ocidental há países ricos nos quais o Estado tem um grande peso na economia, que há países pobres nos quais o Estado tem menos peso na economia e que há países ricos nos quais o Estado tem pouco peso na economia. Mas sozinho e orgulhoso, no canto superior esquerdo, está Portugal, o único que é pobre, com hábitos de rico.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

[António Nunes, ASAE] assegura que, até agora nunca recebeu “queixas de desvios” dos inspectores, apesar de reconhecer que, entre cem brigadas e mais e 200 inspectores, “é natural que nem todos estejam bem-dispostos todos os dias”. Público.

Capitalismo musculado

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

A propósito da ASAE, no Público

Além do do incumprimento das regras comunitárias, o inspector-geral sublinhava também que Portugal tem “três vezes mais restaurantes por habitante do que a média europeia” e dizia que isso “não tem viabilidade económica.”

Para além de constituir um flagrante erro de comunicação – ficamos a suspeitar ainda mais sobre o que realmente move esta ASAE – a frase é reveladora do enorme respeito que António Nunes tem pelos mecanismos de mercado. A ASAE vai iluminar o mercado e leva-lo pelo bom caminho, o que muito agradecemos. Por outro lado, a frase é reveladora de um certo deslumbramento estatístico. Gostava de saber qual é a relevância do indicador “restaurante per capita? Os portugueses podem valorizar mais os restaurantes do que outros povos europeus…o uso deste indicador não é muito mais absurdo do que dizer que Portugal tem mais praias per capita do que a Suíça e a Áustria, pelo que temos que fechar algumas. Ou que Portugal tem mais jogos de futebol per capita do que os EUA, pelo que o futebol não tem viabilidade económica.

A existir algum interesse na questão do eventual excesso de restaurantes, suspeito que a a questão passará muito mais pela fuga ao fisco do que pelas matérias reguladas pela ASAE. Muitas tascas e tasquedos sobrevivem porque ninguém pede facturas, porque declaram quase nada e porque têm familiares entre os empregados. Isto sim devia ser atacado, pois todos somos afectados por essa economia paralela. 

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

Vítor Constâncio, citado pela TSF:

Caso se confirmarem as expectativas, neste momento, de uma possível recessão nos EUA, isso terá consequências na Europa, incluindo Portugal, o que poderá conduzir uma ligeira revisão em baixa das recentes previsões económicas

It’s the expectations, stupid

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

Ontem e hoje estive no “Business Roundtable with the Government of Portugal”. Ontem José Sócrates, Costa Pina e António Borges; hoje Manuel Pinho, Vitor Constâncio e António Vitorino. Após uma intervenção inicial do primeiro ministro (amplamente divulgada na imprensa de hoje), as sessões decorreram em “off the record”. Adorava fazer-me de interessante e insinuar que nessas sessões fechadas foram ditas coisas muito excitantes. Mas não houve nada de especial. A única vantagem do off-the-record é o facto de os protagonistas estarem talvez um bocado mais relaxados e (notório no caso do primeiro-ministro) menos crispados.

Para uma plateia de empresários, a mensagem do primeiro ministro (na sua intervenção aberta aos jornalistas, pelo que posso comentar) foi confiança, confiança, confiança. O investimento privado está a crescer, a consolidação orçamental é sustentada, o rumo está definido e não vai ser alterado. Como refere João Miranda, num post no Blasfémias, o governo está a gerir expectativas. Ao contrário do que é dito no post, acho que a gestão de expectativas não é uma ideia infantil nem é uma caracteristica lusa. As expectativas são um elemento central da economia e todos os chefes de executivo têm que entrar nesse jogo de vez em quando. Mas dito isto, trata-se de um jogo de alto risco, a usar com conta e medida e no qual o passado do político entra de facto na equação.

E é um problema político sofisticado. Sócrates mostra optimismo num dia em que os mercado colapsam por todo o lado. Tal poderá sugerir que o mau timing destas manifestações de confiança, pois arrisca-se a transmitir um certo afastamento da realidade (recordam-se da “tese do oásis”, de Braga de Macedo?). Mas por outro lado, se há dia em que convém ter uma reacção é quando os agentes estão a absorver um movimento brutal do mercado e procuram informação e sinais de vários lados, incluindo do governo. Neste caso específico, penso que Sócrates exagerou no optimismo e que a sua mensagem teria mais força se tivesse sido mais moderada.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 22 Janeiro, 2008

Título do Jornal de Negócios de hoje:

José Sócrates: “Portugal vai voltar a acelerar em 2008” – Optimismo oficial imune à crise das bolsas.