CODFISH WATERS

First ladies

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

 

Enquanto não estão escolhidas as caras para vice-presidentes, o acompanhamento mediático das eleições americanas centra-se também na batalha das primeiras damas. Cindy vs Michelle. A última Newsweek tem um retrato de 6 páginas da mulher de McCain, incluindo as controvérsias da sua vida a dois com o candidato republicano. Cindy acredita vir a ter um papel importante na Casa Branca:

Cindy is McCain’s “best friend, best adviser and closest confidant,” she says. As First Lady, she would not sit in on cabinet meetings. But the White House would give her a platform to advance causes, like special education, that are important to her.

O NY Times, numa óptica distinta, analisa a vida de Michelle Obama para explicar como a mulher do candidato democrata procura escapar aos ataques de falta de patriotismo de que foi alvo:

Mrs. Obama has already had to check her brutally honest approach to talking about race. Now she co-stars in a campaign that would as soon mute most discussion of race.

As her plane descends into a northern Montana valley, she sounds like a woman who wishes she could sit voters down for a long talk. “You know, if someone sat in a room with me for five minutes after hearing these rumors, they’d go ‘huh?’ ” she says. “They’d realize it doesn’t make sense.” She extends her long arms, her voice plaintive. “I will walk anyone through my life,” she says. “Come on, let’s go.”

A investigação da vida da mulher dos candidatos vai continuar nesta corrida, e ambos vão procurar mostrar o lado melhor das suas acompanhantes. De certa forma seguindo a orientação partidária, a candidata republicana a primeira dama parece mais parecida com as duas Bush, Barbara e Laura, enquanto “the rock” Michelle será mais do género Hillary. Vamos ver em que termina.

Verdades sobre Obama

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Junho, 2008

Barack Obama wears a FLAG PIN at all times. Even in the shower.

Barack Obama goes to church every morning. He goes to church every afternoon. He goes to church every evening. He is IN CHURCH RIGHT NOW.

Barack Obama’s skin is the color of AMERICAN SOIL.

Mais aqui.

Bill Richardson, Vice-Presidente?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Abril, 2008

Escrevi sobre a palestra em que estive presente, porque acredito que Bill Richardson é neste momento o candidato número 1 a Vice-Presidente, caso Obama vença a actual corrida com Hillary Clinton. Bill Richardson é para a campanha de Obama um importante complemento ao nível da comunidade hispânica e dos conhecimentos, e sobretudo a experiência, em política internacional. Bill Richardson, antigo Embaixador Americano nas Nações Unidas na era Clinton, participou várias vezes na negociação de sequestrados: por exemplo, Richardson disse-nos hoje que esteve a semana passada na Colômbia a assessorar o Presidente Uribe no conflito com as FARC. Obama por seu lado, apesar do seu judgement sobre o Iraque, é claramente um candidato mais focado nas questões domésticas. O seu comentário sobre a negociação com líderes controversos, apesar de provavelmente genuíno, deixou entender estar pouco oleado sobre o tema.

Richardson acrescenta assim a Obama duas componentes fundamentais. Em primeiro lugar, o poder eleitoral junto de Latinos. Depois o duplo valor de ter experiência em relações internacionais. Antes de mais, pelas competências que traz à campanha quando o candidato republicano é John McCain. Depois, pela complementariedade num possível futuro com Obama/Richardson como Presidente/Vice-Presidente, sobretudo quando os EUA têm que jogar nos próximos anos com mestria em dois tabuleiros: domesticamente, recuperar uma economia em recessão, e internacionalmente, reencontrar um rumo de certa forma perdido. Agora, dito isto, será que a campanha de Obama está em condições de (e quer) apresentar-se na corrida final com um dueto de candidatos oriundo de minorias?

Bill Richardson

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Abril, 2008

Em virtude de me encontrar neste momento em Boston, tive hoje (ontem) a oportunidade de ver e ouvir Bill Richardson, que recentemente decidiu apoiar Barack Obama na corrida a candidato democrata à Casa Branca. Devo dizer que fiquei pouco impressionado em termos gerais com as respostas às várias perguntas que recebeu, talvez porque tivesse elevadas expectativas em relação a este Governador do Novo México. Disparou para todo lado com as medidas que gostaria de implementar se tivesse sido escolhido para Presidente, até que a certa altura o entrevistador teve que lhe perguntar: “mas aonde é que tem dinheiro para isso tudo?” Adicionalmente, mostrou conhecimentos apenas superficiais dos vários temas que abordou, excepto em termos de política internacional, a sua especialidade.

Nos temas interessantes, disse que apoiava Obama porque “there is something special about this man; don’t know what it is, but it’s good”. Não se alongou sobre políticas de Obama, nada, apenas justificou o seu apoio por acreditar que Obama vai mudar a imagem que o Mundo tem neste momento da América. Na pergunta de maior expectativa, se estaria interessado/tinha sido convidado para ser candidato a Vice-Presidente de Obama, riu-se e deixou entender com meias palavras que é o que espera com este apoio. Como conhecido negociador, talvez já tenha isso negociado no contrato de endorsement. Sobre o facto de ter sido comparado a Judas por James Carville, respondeu que os “Clintons have a sense of entitlement, but why should they be the ones again? There are others around that might want to have a voice as well”.

Ao nível de políticas concretas, na economia, foi confuso. Em relação ao Iraque, defendeu o envio de uma força de segurança das Nações Unidas, no seguimento de uma saída relativamente rápida dos EUA. Em termos de outras políticas internacionais, abordou com sobriedade uma intervenção por razões morais no Sudão, um diálogo com a Rússia e uma estratégia clara para a relação com o Irão.

The audacity of a speech

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 21 Março, 2008

Só agora consegui ver o discurso de Obama sobre questões raciais (são 37 minutos!). Já tinha lido alguns artigos sobre o assunto pelo que tinha expectativas elevadas. A quente: 

  • Excelente discurso, cerebral mas por vezes emotivo, subtil.
  • Encara de frente questão polémica, quando talvez fosse suficiente um forte repúdio face às declarações do seu antigo pastor;
  • Não usa absolutos morais, condena mas não renega pastor, não mostra vergonha em relação ao seu passado;
  • Usa esta polémica e uma situação que o coloca na defensiva como mote para falar do “elefante na sala” – ou seja do tema central mas difícil de abordar e de assumir: a questão racial. Um político menor teria feito o discurso após a polémica de Geraldine Ferraro, ou seja num momento em que está no papel de “vítima”, não no papel de “acusado”.
  • Como disse Jon Stewart, Obama dirigiu-se às pessoas como se elas fossem adultas e inteligentes. Não teve medo de usar palavras difíceis, citar frases eruditas, invocar nuances e defender conceitos complexos e passíveis de serem mal interpretados. Até a duração do discurso, neste caso, foi “contra as regras”.

É já um cliché dizer que os políticos avaliam-se nos momentos dificeis. Até ao Verão ou até Novembro, caso seja o escolhido pelos democratas, ou até sabe-se lá quando, se for eleito presidente, Obama terá ainda muitas provas a superar. Caso seja o próximo presidente dos EUA, o principal desafio será certamente o de conciliar o dia a dia de uma presidência – as negociações e cedências, as zonas de ambiguidade moral, as decisões duras mas necessárias – com a retórica de mudança de paradigma. Mas, para já, a forma como Obama lidou com esta polémica revela um político superior, que se torna melhor quando confrontado com uma adversidade. 

Monster

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 8 Março, 2008

Um “monstro” arrancou-lhe o poder.

Temos lutador?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 5 Março, 2008

 

No tema do “what’s next” nas primárias democratas, a questão do momento é se Barack Obama vai (e é capaz) de responder aos ataques de Clinton que, segundo vários comentadores, foram essenciais para os resultados de ontem. Veja-se aqui e aqui. A questão é muito delicada. Vamos por partes.

Primeiro, atacar é bom. Pois, nem sempre. O International Heral Tribune dizia há pouco mais de uma semana o seguinte: “Clinton’s hard-edged instinct for negative politics has usually turned off the public”. O ataque do plagiarismo de Obama não me parece que tenha sido bem pensado, mas o da relação de Obama com o Canadá sobre a NAFTA, deve ter tido o seu efeito.

Depois, deve Obama atacar Hillary? Se o fizer, está a ir contra os seus princípios de uma nova forma de fazer política (aonde é que eu já ouvi isto?), mas caso não o faça, perde uma parte fundamental da forma de ganhar eleições. Obama está num forte dilema. Seguir o que apregoa ou fight back. Agora, com esta importante decisão, Obama mostrará se é ou não um líder forte e se é capaz de recuperar o momentum perdido.

Obama necessita de utilizar todo o capital intelectual do seu staff para criativamente atacar Clinton, sem invalidar os seus princípios. Por exemplo, o seu flyer sobre a opinião de Hillary sobre a NAFTA nos anos 90 não é um bom caminho. O anúncio de Hillary de que é a pessoa certa para atender o telefone na Casa Branca às 3 da manhã é o caminho certo. Não fala directamente de Obama, mas deixa entender que não está preparado. Obama respondeu, mas precisa de mais, precisa de ser o originador do debate. Obama para ganhar terá que evoluir do “hope” e “change” como Hillary evoluiu de “experienced” para “fighter”.

A corrida mais louca do mundo

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 5 Março, 2008

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Com a vitória clara de Clinton em Ohio e Rhode Island, a vitória de Obama em Vermont, e o empate técnico no Texas (neste momento em que escrevo ainda não há vencedor declarado), a ilação a tirar desta mini-Super-Tuesday é que a corrida democrata continua. As estatísticas valem o que valem, mas tenha-se em consideração que nas últimas ocasiões em que os democratas “arrastaram” a decisão final sobre o seu candidato até à Convenção Nacional (1952, 1972 e 1980), perderam sempre a eleição para Presidente.

Acabou-se a música

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 5 Março, 2008

Fish Map

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 1 Março, 2008

Como temos descoberto nos últimos anos, o sistema eleitoral americano é confuso e messy.  Os problemas têm surgido no processo – os “hanging chads” na Florida em 2000, as suspeitas em relação ao sistema computadorizado de voto (ver esta sátira do The Onion) e as penalizações por primárias antecipadas – mas também fruto das regras do jogo – os superdelegados, os delegados, o colégio eleitoral, etc.

A democracia americana tal como foi concebida pelos founding fathers – Madison, Jefferson, Adams, Franklin, Washintgon, Hamilton e outros – é um dos mais brilhantes feitos da humanidade. E a Europa aprendeu muito e ainda tem muito a aprender com os EUA nesta matéria. Mas um aspecto curioso é que o dia-a-dia da política americana é bastante mais agreste e agressivo do que se poderia pensar. Alguns dos vídeos políticos que temos vindo a compilar mostram este aspecto mais negro e crú da política americana e recorde-se que foi na américa que praticamente se inventou e apurou o uso de campanhas “negativas”. Quanto à demagogia na política, o clássico é “All the King’s Men“, uma obra de ficção de Robert Penn Warren baseado num caso real de “local politics” no sul dos EUA. 

Uma das manifestações deste duro processo eleitoral é o chamado gerrymandering, a prática de re-desenhar o mapa dos distritos eleitorais de forma a beneficiar um dado partido ou candidato. O congresso federal é composto por duas câmaras – o Senado, com dois eleitos por cada Estado (para que haja uma representação equitativa de todos os estados, grandes e pequenos) e a Câmara dos Representantes (que compensa o pressuposto anterior criando um órgão mais representativo da população, pois cada membro é eleito pelo mesmo número de pessoas, o que faz com que a Califórnia tenha mais de 40 representantes e Rhode Island tenha só dois, por exemplo). Quando de dez em dez anos se faz um censo à população, a lei dita que se redesenhe os distritos para fazer face a mudanças demográficas e mobilidade interna, pois há que garantir que o distrito continuar a ter mais ou menos o mesmo número de pessoas. O problema é que este processo é aproveitado para criar distritos uniformizados ideológicamente de forma a beneficiar um dos candidatos (normalmente o incumbente). Por exemplo, se uma dada zona nos arredores de uma cidade californiana tem vindo a receber nos últimos dez anos muitas pessoas da cidade, que tradicionalmente votam mais democrata, um dado incumbente repúblicano que tenha como base de apoio os agricultores locais pode ver o seu lugar em perigo. Assim, surgem incentivos para construir distritos a “regra e esquadro” de forma a literalmente apanhar alguns bairros e deixar de fora outros (que o político acha mais incertos ou mais hostis). Assim, quando se vê nos mapas uns “corredores” e umas “penínsulas” suspeitas percebe-se que houve algum trabalho de gerrymandering. Alguns exemplos: 

                               

 

The Ohio girl

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 29 Fevereiro, 2008

Gail Collins escreve sobre the boring Hillary Clinton:

If Hillary Clinton were a state, she’d be Ohio.

Obama e Religião II

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 26 Fevereiro, 2008

Duas horas depois de escrever este post, descubro, via Público, que anda a circular (com origem no campo de Hillary, segundo os apoiantes de Obama) esta fotografia:

Ralph Nader

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 24 Fevereiro, 2008

Contra o “Corporate Greed, Corporate Power and Corporate Control”, Ralph Nader está a anunciar neste momento no Meet the Press a sua candidatura à presidência dos Estados Unidos. Segundo sondagens da Gallup, apenas 24% dos americanos estão satisfeitos com os políticos que têm. É esta a plataforma que justifica mais uma candidatura de Nader. O candidato que alegadamente “roubou” a vitória a Gore em 2000, explicou recentemente a Riz Khan as suas opiniões:

Quem disse isto?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 24 Fevereiro, 2008

Quem disse isto?

We’ve gotten to where we’ve nearly them’d ourselves to death. Them, and them, and them. But this is America. There is no them; there is only us.

Não vale googlar!

Pink fish

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Fevereiro, 2008

Entrevista de Obama à revista côr-de-rosa People:

First concert?
Elton John, when I was 10. The music was terrific, but I didn’t get all the plumage. I guess I get it now.

Sonny & Cher or Donny & Marie?
Sonny & Cher, even though Sonny ended up Republican. I thought Cher was pretty hot.

Who would you most like to meet?
Bruce Springsteen. He strikes me as a good person.

Vale a pena também ver 5 dos momentos mais divertidos em política dos programas da tarde da televisão americana – Aqui.

Reinventar o republicanismo

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 18 Fevereiro, 2008

Ryan Lizza procura perceber num artigo no The New Yorker se McCain é capaz de reinventar o republicanismo:

In 2000, McCain railed against corporate power and the influence of lobbyists and money in politics. Today, the only mention of corporations in his stump speech is a demand that the corporate-tax rate be lowered. After 2000, McCain seemed briefly to be considering leaving the Republican Party, just as Roosevelt had. But, once terrorism and the war in Iraq became the preeminent issues, he decided instead to take over the Party.

McCain is careful not to mock the broader libertarian right, which makes up a far larger share of his party than Paul’s followers do. Nonetheless, his victory is a repudiation of small-government conservatism, a development not seen in the years of Barry Goldwater, Reagan, and the two Bushes. “For the first time since Eisenhower,” Newt Gingrich told me, “you have someone who has clearly not accommodated the conservative wing winning the nomination. That is a remarkable achievement.”

Em poucas palavras, a hipótese da necessidade de reinvenção resulta dos Estados Unidos estarem a evoluir – maior peso de imigrantes, jovens mais “democratas” que noutros tempos – e do próprio partido estar a evoluir – mais apoio interno para intervenções “eficientes” do Estado em áreas específicas. De qualquer forma, a dúvida fica se McCain chegará a fazer essa reinvenção ou se acabará por ser sobreposto pelo poder da reacção.

He’s got the Power

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 18 Fevereiro, 2008

Na sequência do comentário do António sobre Obama, Brzezinski e companhia limitada, conto uma estória menos conhecida da irlandesa Samantha Power, a face jovem dos conselheiros de política externa do candidato democrata à Casa Branca.

Apesar do currículo aparentemente cheio de sucesso, Samantha tem uma história de ascensão na vida política estadounidense típica de um sonho americano: julgo que por alturas nos anos 90 em que era correspondente jornalística na antiga Jugoslávia, decidiu dedicar-se a estudar o fenómeno do genocídio, tendo-se proposto fazer uma análise sobre o assunto durante 3/4 anos e, no seguimento desse trabalho, escrever um livro sobre o tema. Samantha bateu a todas as portas de editoras e ninguém se mostrou interessado em patrocinar o seu research durante 4 anos sobre genocídio. Depois de momentos de desespero, lá conseguiu uma editora que lhe financiasse esta sua heróica missão. Quando percebeu a dimensão do tema, viu-se na necessidade de dedicar mais tempo ao livro e acabou por só concluir o estudo e o manuscrito inicial após 7 anos de análise! Quando apresentou o trabalho final ao editor, este disse-lhe que já não estava interessado em publicar o livro, porque era muito longo – que ninguém o ía ler.

Samantha aí não baixou os braços e foi novamente de porta em porta apresentar a sua obra e mais uma vez ninguém se mostrou receptivo…até que lá conseguiu após muito esforço quem lhe publicasse o livro. O interessante deste conto é que tem um final feliz, o livro “Problem from Hell: America and the Age of Genocide” acabou por ser aclamado pela crítica, tendo recebido em 2003 o Pulitzer Price. A partir daí, tudo se tornou mais fácil: Samantha conseguiu tenure em Harvard, escreve para a Time e o NY Times, foi conselheira no Senado de Obama em 2005-06 e está pronta a publicar um livro sobre Sérgio Vieira de Mello, de quem diz (via Men’s Vogue):

Sergio has the chance to be the face that we’ve never had—for international law, for international institutions, for the kinds of sacrifices, and just again a paradigm shift.

Em resumo, se Samantha Power não acreditasse piamente no projecto em que se meteu, não estaríamos aqui a escrever sobre ela. Qualquer outra pessoa teria desistido a meio do processo – a persistência naquilo em que se acredita, por vezes paga.

Mitt, já negociou a vice-presidência?

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 8 Fevereiro, 2008

Does history repeat itself?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 8 Fevereiro, 2008

Será que a história repete-se? Em 1976, Gerald Ford e Ronald Reagan foram para a convenção republicana de Kansas City sem nenhum dos dois ter delegados suficientes para garantir a nomeação. Ford na altura ganhou durante a convenção o apoio que necessitava por escassa margem, mas muitos questionaram-se à saída se seria o melhor candidato. The rest is history: Ford veio a perder para Carter na eleição para Presidente, que por sua vez perdeu para Reagan em 1980.

Com uma parte considerável das primárias democratas já realizadas, os dois principais candidatos têm uma margem de diferença muito escassa – 14 milhões de votos contados e menos de 0.5% de diferença entre Hillary e Barack. Neste ambiente, e com mais de três semanas até aos próximos grandes estados (dando a oportunidade a Obama de reduzir a diferença nestes estados face a Clinton), é necessário pôr alguns pontos na probabilidade de que se venha a ter uma convenção nacional democrata sem vencedor antecipado.

Nesse cenário, importante para Hillary Clinton, como o foi para Ford, será o seu apoio no seio do aparelho do partido – 193 super-delegados até ao momento contra 106 para Obama – já para não falar na possibilidade remota de Florida e Michigan virem a ser incluídos na contagem. Se com esses apoios decisivos Clinton vencer as primárias…aí, à saída da convenção, certamente muitos se perguntarão se nomearam the wrong girl.

Tsunami Tuesday – Republicanos

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 6 Fevereiro, 2008

Com alguns resultados ainda em fase de confirmação, podemos tirar as seguintes conclusões iniciais e ideias para o que vem a seguir sobre a terça-feira gorda dos republicanos:

1. McCain está muito próximo da vitória.

2. Talvez esperasse que o tivesse por números mais claros. As vitórias na Califórnia, em Nova Yorque e Illinois são clarissímas e importantíssimas, mas nos estados do interior, de que vai necessitar em Novembro, tem dificuldade em penetrar.

3. Romney é o grande perdedor da noite, mesmo incluindo nestas contas os democratas. Não conseguiu ganhar com a falta de força de McCain entre os conservadores mais tradicionais e parecem ser fracos os seus números no estado da Califórnia (face ao crescendo de expectativas).

4. Huckabee renasce das cinzas. Quando menos se espera, eis que regressa em força com vitórias em Alabama, Arkansas (estado de origem), Georgia, Tennessee e West Virginia. Como Huckabee disse no seu discurso desta noite:

They said that this was a race between two. They said, and they were right…and we’re part of those two!

5. Evangélicos estão mais divididos do que se possa pensar. Polls indicam um terço para cada – Huckabee, Romney e McCain, com ligeira vantagem para o primeiro.

6. Missouri – estado normalmente associado à voz geral do país – foi também para os republicanos uma luta fraticida. McCain venceu com uma margem mínima para Huckabee logo seguido por Romney. Huckabee conseguiu os votos dos agricultores e McCain e Romney dividiram os votantes nas cidades principais.

7. McCain parece a escolha, mas Huckabee vai lhe vender cara a vitória com a sua força no Sul. Romney parece mais longe. Precisava de uma grande vitória que não teve.

8. Os republicanos têm um dilema: escolher entre alguém que acreditem, mas que perca as eleições de Novembro, ou escolher alguém de quem têm muitas dúvidas, mas que lhes pode fazer ganhar novamente a Casa Branca. A dúvida para John McCain é como que pretende enfrentar este dilema republicano – motiva-os a votar e perde o centro ou esquece-os e perde o partido?

Tsunami Tuesday – Democratas

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 6 Fevereiro, 2008

 

Com alguns resultados ainda em fase de confirmação, podemos tirar as seguintes conclusões iniciais e ideias para o que vem a seguir sobre a terça-feira gorda dos democratas:

1. A corrida ainda não acabou. Hillary ainda não ganhou a nomeação democrata, o que seria uma hipótese forte há não muito tempo atrás.

2. Hillary ganha grandes estados – Califórnia e NY – e consegue um óptimo resultado em Massachusetts, respondendo com números ao apoio de Ted e Caroline Kennedy a Obama.

3. Obama ganhou mais estados (13 – Alabama, Alaska, Colorado, Connecticut, Delaware, Georgia, Idaho, Illinois, Kansas, Minnesota, Missouri (ver abaixo), North Dakota, e Utah), mas menos delegados. Alguns dos estados em que ganhou foi através do sistema de caucus.

4. Obama ganhou por larga margem em estados denominados “red states”, dando voz ao argumento que é a solução que melhor poderá combater os republicanos nas eleições de Novembro.

5. Hillary aparentemente (ainda com 20% dos votos contados, mas já como vencedora) conseguiu um óptimo resultado na Califórnia. Hillary perde entre a comunidade branca! e negra, mas ganha em grandes números nos hispânicos e asiáticos. Dois terços dos latinos (25% dos votos) optaram por Clinton. Em Nova York pesam menos (10% dos votantes), mas escolheram-na ainda em maior número – 75% Hillary. Se Obama quer ganhar o partido, necessita de ganhar esta comunidade. E não está a faze-lo.

6. Em Missouri há um impacto técnico. Com 99% dos votos contados, não há um vencedor declarado, embora Obama esteja à frente com 6500 votos de distância em mais de 800 mil. Este estado é importante por ser considerado o mais próximo da vontade geral do país. Basicamente é mais uma indicação que os votantes nas primárias democratas estão totalmente divididos entre os dois candidatos.

7. E agora? Próximos estados podem favorecer Obama – Louisiana e Nebraska dia 9, Maine caucus dia 10, e DC, Maryland e Virginia dia 12.

8. Hillary continua a ser favorita. Com a vitória clara na Califórnia, Hillary tornou uma noite que lhe poderia ter causado alguns amargos de boca num bom resultado. Algumas dúvidas para o futuro: Que estratégia para os próximos estados antes de se chegar ao Texas em Março? será para Clinton suficiente para “ganhar o partido” vencer estas eleições com vantagem mínima? O que pretende fazer a Bill se vier a liderar os democratas?

Tsunami Tuesday!!

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 5 Fevereiro, 2008

Talvez o melhor resumo numa única página do que está em causa neste dia: número de delegados por Estado por partido, regras por Estado por partido e últimas sondagens. Provavelmente para a Califórnia teria as minhas dúvidas em colocar a sondagem da SurveyUSA (53% Clinton, 41% Obama), que contradiz (pelo menos em magnitude da diferença) as restantes sondagens.

Super Tuesday states
Super Tuesday states
February 5, 2008

Via LA Times

Yes, we can

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 3 Fevereiro, 2008

Tsunami Tuesday update

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 2 Fevereiro, 2008

Hillary aparece mais destacada nas últimas sondagens, já pós desistência de Edwards. Aqui e aqui.

Obrigado por seres quem és

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 2 Fevereiro, 2008

Sei que depois de dito parece óbvio mas foi graças ao Financial Times de hoje que percebi a razão pela qual estas primárias são tão excitantes e estão a despertar tanto interesse na américa e no mundo. Temos que agradecer a este senhor…

…que por ser quem é, e por ser como é, e por não se candidatar, faz com que esta eleição seja a primeira em 80 anos nas qual nem o presidente em exercício nem o vice-presidente vão a votos. Se a isto somarmos o facto de não existirem à partida claros favoritos, temos os ingredientes para a mais competitiva corrida à Casa Branca de que há memória.

Disfranchisement II…China Caucus

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 2 Fevereiro, 2008

Disfranchisement*

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 1 Fevereiro, 2008

Um causa para o séc. XXI: alargar o voto nas eleições americanas a um pequeno e marginalizado grupo populacional que ainda não tem esse direito: os não-americanos.

Pelo menos há interesse, muito interesse.  

* – não confundir com “Antidisestablishmentarianism”

Tsunami Tuesday

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 1 Fevereiro, 2008

Entre outras, a caminho do Super Tuesday 2008, vale a pena estar atento às seguintes questões nas primárias democratas:

De que lado é que vão estar os apoiantes de Edwards?

  • sindicatos devem apoiar Clinton
  • white males do lado de Obama
  • será que vai existir uma tendência clara?

Que consegue Obama fazer no Estado da Califórnia?

  • Obama está a contar aqui com o apoio de independentes e pessoas que até agora nunca votaram em primárias de forma a poder surpreender nos resultados. Neste momento procura cativar os latino-americanos tradicionalmente pró-Clinton.

Que impacto tem o apoio da família Kennedy em Estados como Massachusetts?

Que vai acontecer nos Estados de maior incerteza – Minnesota, Tennessee, Connecticut e em menor escala Missouri e New Jersey?

[Nos republicanos, as sondagens indicam McCain como vencedor e em muitos estados como Nova York existe a regra de que o vencedor elege todos os delegados à Convenção.]

Tsunami Tuesday, Ilustrado

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 1 Fevereiro, 2008

Giuliani, a não copiar

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 30 Janeiro, 2008

Agora que estão iminentes os resultados das primárias no Estado da Florida, é de apontar a muito fraca estratégia de Giuliani nas primárias, a qual muito provavelmente o afastará da corrida eleitoral. Recordo que Giuliani era líder pelos republicanos nas sondagens nacionais há cerca de um mês e optou por não fazer campanha nos estados iniciais – Iowa, New Hampshire, Michigan, South Carolina – indo imediatamente para o clima mais quentinho da Florida. Fez-lhe bem ao bronze mas basicamente custou-lhe a eleição. Para além disso perdeu-se num discurso centrado no 11 de Setembro, não soube controlar as suas “falhas” como republicano , e não conseguiu reunir-se das pessoas certas.

Florida, Ilustrado II

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 29 Janeiro, 2008

Giuliani: “show must go on?” Se não ganhar hoje, é pouco provável

* – Sim, é mesmo ele. Mais imagens dignificantes aqui.

Florida, Ilustrado

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 29 Janeiro, 2008

Esperemos que estas imagens das eleições de 2000 não se repitam hoje…

       

Quem diria que a marijuana podia definir um tipo

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 28 Janeiro, 2008

[W]hen I was in England I experimented with marijuana a time or two, and I didn’t like it. I didn’t inhale.”         

–Candidate Bill Clinton (The New York Times, 3/30/92)

I inhaled – that was the point.

— Candidate Barack Obama (American Magazine Conference, 10/23/06)

Yes, we can

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 27 Janeiro, 2008

Obama em South Carolina:

Don’t tell me we can’t change.
The choice in this election is not between regions, or religions, or genders, is not between rich vs poor, young vs old and is not about blacks vs whites. This election is about past vs future!

 O discurso de vitória de Obama em Iowa, no momento de surpresa em que aconteceu, foi inspirador em termos de liderança e frieza, ao mesmo tempo que cheio de orientação política para o futuro. Agora a bem mais esperada vitória em South Carolina permitiu a Obama voltar a explicar com superioridade porque ele é o caminho. O discurso rivaliza em termos de qualidade com o de Iowa e aborda (para além do sistema nacional de saúde, Iraque, crise no mercado imobiliário) o tema comum nos discursos de Obama – a união de esforços para um objectivo comum e o combate ao status quo de Washington.

Ontem falava com uma senhora muito experiente em Washington que me dizia que Obama iria criar uma clivagem tão grande com o poder instalado, que de nada seria capaz. O país íria parar. Neste discurso Obama responde a essas críticas com exemplos do seu dia-a-dia (ver parte final do discurso). Nenhum deles é explicação suficiente para nos dar a confiança total que os críticos não têm razão. Para apoiar Obama, tem de se acreditar. Either you do, or you don’t.

South Carolina, Ilustrado IV

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 27 Janeiro, 2008

Obama ganha South Carolina

South Carolina, Ilustrado III

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 26 Janeiro, 2008

Não, não é a bandeira de um Emirato do Golfo Pérsico, é a bandeira de South Carolina

South Carolina, Ilustrado II

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 26 Janeiro, 2008

 – “Smile honey, we need more feeling…”

– “Shut up Bill, next thing you’ll be asking me to cry”

South Carolina, Ilustrado

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 26 Janeiro, 2008

A julgar pelas polémicas das últimas semanas, o combate eleitoral de hoje é entre estes dois

Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma III

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 24 Janeiro, 2008

…No design como na política…(justo)

  

Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma II

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 24 Janeiro, 2008

…No design como na política…(injusto)

  

How the republicans lost their way?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 24 Janeiro, 2008

Vale a pena ler a cuidada reflexão de Michael Gerson, antigo assessor de George Bush, sobre os recentes insucessos republicanos. Interessante, também, a palavra de esperança com que termina.

It has been a quick, downward path from Kerry’s concession call to the present discontents of the Republican Party. But two caveats need to be kept in mind. First, political recoveries can be as sudden as political declines. And second, there is, perhaps, one large American political figure who could cause depressed, fractious Republicans to bind their wounds, downplay their divisions, renew their purpose, and join hands in blissful unity at the Minneapolis-St. Paul Republican convention.

And that figure is Hillary Clinton.

Hillary Clinton

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Janeiro, 2008

 

Talvez seja o meu prudente pessimismo, mas vejo a América virar-se neste momento para Hillary. O tema da potencial recessão chegou estas últimas semanas aos cafés, ampliado com a discussão do pacote de retoma. As pessoas começaram a ficar assustadas. Para mais sobre o tema, ver aqui, aqui e aqui. Os americanos estão cansados das políticas actuais e querem mudança. Querem mudança, mas querem-no para um porto seguro. Não querem entrar em aventuras. Querem voltar a uns tempos em que já foram felizes. Não querem grandes saltos. Querem ver a América onde estava antes de entrar no novo milénio. Vamos ver se se confirma. Na sensibilidade em que estas eleições andam, tudo vale e South Carolina pode vir a mudar alguma coisa, já que os afro-americanos parece que já decidiram quem apoiar.

Clinton e Romney

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Janeiro, 2008

Projecções põem  Clinton e Romney a ganhar em Nevada. Acompanhe aqui e aqui.

Hillary a ganhar terreno

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Janeiro, 2008

 

Prediction markets a pôr dinheiro na Hillary para Nevada. Vejam o gráfico da última semana. Os caucus democratas deste Estado começam hoje às 17h00 portuguesas.

US v. Europa

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 11 Janeiro, 2008

Ultimamente têm aparecido vários sites que permitem ver como nos situamos politicamente face aos candidatos à presidência americana. Responde-se a um conjunto de perguntas sobre economia, política externa e “moral issues” e o site cruza com as posições dos políticos. O melhor talvez seja este, embora o Ron Paul me pareça mal posicionado – não devia estar mais à direita em termos económicos e mais “progressista” em temas morais/sociais?   

Adenda: por sugestão de Ricardo Bação, vejam também este, mais abrangente.