CODFISH WATERS

Incerteza

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Maio, 2008

Este magnífico excerto de uma entrevista a Richard Feynman , muito bem apanhado pelo Goodnight Moon

…fez-me pensar numa eficaz metáfora concebida por Isaiah Berlin (e aqui resumida por Aileen Kelly na introdução ao livro de Berlin “Russian Thinkers”):

[P]luralist visions of the world are often the product of historical claustrophobia, during periods of intelllectual and social stagnation, when a sense of the intolerable cramping of human faculties by the demand for conformity generates a demand for ‘more light’, an extension of the areas of individual responsibility and spontaneous action. But as the the dominance of monistic doctrines throughout history shows, people are much more prone to agoraphobia: at moments of historical crisis, when the need for choice generates fears and neuroses, they eagerly trade the doubts and agonies of moral responsibility for deterministic visions, conservative or radical, that give them ‘the peace of imprisonment, a contented security, a sense of having at last found one’s proper place in the cosmos’.

 

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Cenouras-e-Paus

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 7 Abril, 2008

A propósito da crise dos mercados financeiros, escrevi há uns dias sobre a dificuldade em aceitar a incerteza (que é diferente do risco). Nos últimos anos houve um excesso de confiança nas capacidades de elegantes e sofisticados modelos financeiros de análise de risco. Pode-se argumentar que os modelos são tentativas honestas de lidar com a incerteza e que de todas formas não pretendem fornecer certezas absolutas. Pode-se ainda perguntar qual é a alternativa aos modelos. Tudo pontos legítimos. Mas penso que é também legítimo perguntar se uma “unintended consequence” dos modelos não será, ironicamente, a assunção de maior risco. Ou seja, as ilusões de controlo que fornecem podem tornar os agentes menos cautelosos.     

Mas a actual crise está longe de ter um só “culpado” (tem-se constatado na imprensa portuguesa as previsíveis diabolizações da banca, que esquecem o papel do Estado, dos reguladores e dos bancos centrais nesta a crise). Outro aspecto que tem sido salientado nos últimos tempos é o problema dos incentivos dentro das instituições financeiras. Simplificando uma ideia complexa, o ponto geral é que os bancos têm incentivos para assumir elevados graus de risco porque capturam os resultados positivos e, em determinadas circunstâncias extraordinárias, repercutem os resultados negativos pela sociedade como um todo (devido ao papel central que ocupam nas economias modernas). Por outro lado, a estrutura de compensações actualmente praticada produz decisões que sacrificam a estabilidade e o risco de médio e longo prazo em benefício dos resultados de curto prazo (que “entram” directamente no bónus). Neste tema, os seguintes três artigos do Financial Times têm sido muito discutidos: