CODFISH WATERS

Candidatos PSD

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Abril, 2008

Como esperado, as eleições no PSD estão animadas. Em relação aos três principais candidatos, tenho neste momento estes comentários:
• Pedro Santana Lopes é candidato não se sabe bem porquê. Será que (ainda) pensa que tem a obrigação de estar “disponível para combate” sempre que há eleições? Não sei se Pedro Santana Lopes sabe que, caso ganhe, será o candidato do PSD às eleições do próximo ano! Não faz sentido nenhum que o PSD apresente às eleições o líder que foi afastado por José Sócrates, sobretudo nas condições em que foi. Eu presumo que Santana Lopes saiba disso, o que significa que concorre para perder – uma pessoa que já foi primeiro-ministro, concorre às eleições do seu partido só para perder, só para aparecer na televisão? É andar demais a brincar à política para o meu gosto. Para bricadeiras, mais valia terem apresentado o Ribau Esteves como representante da ala: ao menos esse sabe falar de futebol.

• Manuela Ferreira Leite é uma candidata conhecida pela sua seriedade, capacidade de trabalho, e boas intenções. Os seus méritos não serão suficientes, no entanto, para ganhar a Sócrates, desde que este não se desoriente. Aliás, olhando para a curta história da democracia estável portuguesa, não houve até ao momento quem conseguisse roubar uma eleição a um primeiro-ministro minimamente estabelecido. Manuela Ferreira Leite será criticada pelo seu trabalho nas contas públicas, mas é à partida uma líder para aguentar eleitorado, preparar as águas para quem se segue e eventualmente lutar pelo fim da maioria absoluta do PS (sobretudo se a economia desapontar). Talvez experiente demais para andar a fazer fretes, mas reconheça-se o seu esforço.

• Pedro Passos Coelho é uma incógnita. Depois dos anos na JSD*, eu e a larga maioria dos portugueses pouco ouvimos dele. Por muito ou pouco que simpatize com ele, não faço ideia do que pensa. Apesar de ter trabalhado na política todos estes anos, é estranho não ter tido ainda um cargo executivo. Usando uma métrica com muito pouco interesse apresentada por Santana Lopes nas eleições de 2005, Pedro Passos Coelho tem 150 mil hits no google.pt, enquanto Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes conseguem 247 e 326 mil, respectivamente. Pedro Passos Coelho não me parece que tenha página no wikipedia (“Luís Menezes, importas-te de criar uma?”). Nesse sentido, de todos os candidatos, Passos Coelho é o que necessita mais urgentemente de apresentar as suas ideias (terça-feira). Pode ser uma cara que os portugueses queiram ouvir, mas é um tiro no escuro. Tem o apoio de Nogueira Leite, Rita Marques Guedes, Miguel Relvas, entre outros. Maioria dos apoiantes, jovens políticos “looking for change”. Tem agora também o apoio da concelhia do Porto, apesar de não ter passado no requisito número um de não ter curso superior. É uma solução de mudança, apesar de estar no partido há mais de 20 anos. Pode ser a simpatia que contraste com os momentos de irritação de Sócrates. Até pode ser que seja, mas ainda é cedo para dizer. Veremos que tão interessante se torna.

*Pela forma como se tornaram, tenho as minhas reservas em relação em quem passou muito tempo nas Jotas, mas Passos Coelho ao menos fez um bom trabalho.

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Luís Filipe Menezes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008

Luís Filipe Menezes é líder do PSD desde há pouco mais de 6 meses. Foi tempo suficiente para dizer coisas tão interessantes como:

Vou ouvir Portugal.

Proponho desmantelar o estado em 6 meses.

Parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo.

Os resultados evidentes da minha liderança estão na origem de alguma borbulhagem que anda no ar.

PSD ainda não merece ser Governo, PS já não merece.

Mais do que uma revisão, o país precisa é de uma nova Constituição.

Está na altura de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição.

Luis Filipe Menezes tem sido activo, feito comentários, apresentado-se ao país. Ideias concretas, poucas. Talvez a “única” proposta até ao momento tenha sido a descida de impostos, ainda não percebi com que argumento. O resto são comentários a vulso.

Na realidade, dadas as poucas hipóteses de virmos a ser governados por Menezes, quase que me atrevo a dizer que o que ele pensa para “Mudar Portugal” é pouco relevante. Mais interessante é o circo da luta na oposição. E aí, o Governo teve desde o início do ano os piores meses desde que foi eleito, e o maior partido de oposição não soube tirar dividendos disso. Mais, entrou em guerrinhas internas. Como diz o sábio Ribau Esteves, “ganhem juízo”. Claro que as guerrinhas resultam em certa medida da incapacidade de Menezes, mas quem as provoca deveria ter antecipado que o Governo poderia deslizar, antes de ter aceite eleger mais uma vez um líder “a prazo”. Agora estes líderes que só aparecem quando é para ganhar, viram que talvez ainda exista um restinho de esperança que Sócrates perca as próximas eleições. Acontece, que na prática, já devem vir tarde de mais.

Sendo assim, é natural que Luís Filipe Menezes arrisque. Se Menezes decidir avançar, as eleições antecipadas no PSD são uma forma de legitimização do seu poder, quando falta pouco mais de um ano para as eleições legislativas. Se a tal vaga de fundo aparecer, Menezes dá um passo de gigante para se manter como Presidente do PSD até às eleições de 2009. Menezes antecipa-se, desta forma, às conspirites e marca a agenda do futuro do partido. Caso não avance para a liderança do partido, como tem dito até ao momento, pelo menos não sai à “bomba”, aparecendo como o pobre coitado, vítima de um cartel de burgueses da Foz e de elitistas liberais do Sul.

Nas próximas semanas, vai-se falar de renovação, de abrir à sociedade civil, de Citroens (com as directas, menos), de “não estou interessado em discutir nomes, mas de ideias e projectos para Portugal”, enfim, vai ser animado. O circo continua e estamos cá para ver. E como nos avisa mais uma vez o sábio Ribau Esteves, ainda bem que é só um mês de discussão porque “em Junho queremos estar todos a apoiar solidariamente a selecção nacional de futebol”.

[Fotografia via 31 da Armada]

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008
Cover Image

Se um movimento das bases e distritais do partido lhe pedir que se recandidate, Luís Filipe Menezes ainda poderá reconsiderar a sua posição. O líder do PSD convocou directas antecipadas para 24 de Maio e disse “não estar na corrida”, mas homens-chave do aparelho afectos a Menezes já começaram a movimentar-se para pôr em marcha a onda que possa levar à recandidatura do líder (Expresso).

O eterno Jota

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 10 Abril, 2008

Pedro Passos Coelho ao Correio da Manhã, no seguimento de uma sondagem pouco animadora para o PSD:

CM – Luís Filipe Menezes tem condições para vencer as eleições?
PPC – Começa a ter um caminho muito estreito para o fazer. Deve ser a equipa a fazer essa análise dos resultados. O resultado é mais um sinal que acentua a tendência de descredibilização que o PSD vem tendo aos olhos da sociedade portuguesa.
CM – Está disponível para ser candidato a líder do PSD?
PPC– Se no PSD se achar que é tempo para mudança de órgãos sociais e nova liderança estarei disponível para apresentar uma alternativa ao Governo PS.
CM – Já em 2009?
PPC – Se vier a acontecer, sim.

          

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

O social-democrata Pacheco Pereira quer que a direcção do PSD de Luís Filipe Menezes seja afastada antes das eleições de 2009 e prevê que a mudança de liderança “vai mesmo ter de ser ‘à bomba'”. (Público)

Líderes incoerentes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 27 Março, 2008

Uma das características fundamentais de um grande líder é a coerência nos actos e afirmações. Infelizmente temos assistido na política em Portugal a constantes inconsistências de comentários e decisões nos vários partidos que nos governam. No governo actual, a incoerência envolveu decisões como a Ota e em especial na voz do primeiro-ministro, os impostos. Em 2005, enquanto candidato a primeiro-ministro, José Sócrates dizia “Não estou de acordo com subida de impostos”. Menos de 100 dias depois foi o que se viu. Há 15 dias atrás, Sócrates dizia que uma descida de impostos seria “leviana e irresponsável”. Ontem foi o que se viu. Os agentes económicos gostam de estabilidade para poderem decidir. A imprevisibilidade governativa, sobretudo em questões fiscais, é o maior inimigo do investimento.

Mas as incoerências não ficam pelo governo rosa. O PSD, aquando da subida do IVA, falava através do deputado Miguel Frasquilho, em “efeito nefasto sobre a evolução económica em todo o país”. O então líder Marques Mendes comentava tratar-se de um aumento“imoral”, tendo em conta que o financiamento das SCUTs se mantinha. Em contraposição, o agora líder da oposição Luís Filipe Menezes diz que a redução do IVA é “irrelevante e casuística”. Claro que o líder do PSD já é outro e passaram uns anos, mas custava muito admitir qualquer coisa como: “é um passo no caminho certo, mas não suficiente para termos a carga fiscal que havia antes deste Governo ter iniciado funções”*, sobretudo depois de o PSD ter proposto recentemente uma descida dos impostos? Talvez não fosse comentário suficiente para aparecer no top5 do noticiário das 20h, mas pelo menos, daría-lhe alguma credibilidade para os devaneios que venha dizer a seguir.

Eu sei que na política como no futebol é díficil que o que hoje é verdade amanhã não seja mentira, mas o mínimo dos mínimos de coerência seria útil para melhorar a credibilidade das decisões e opiniões políticas em Portugal.

*além de que dificilmente o governo poderia ter ido muito mais longe do que foi nesta altura do campeonato.

Political Fish, PSD Edition

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 12 Março, 2008

O Codfish Waters publica de vez em quando exemplos de cartazes, vídeos e slogans políticos. Assim, sinto alguma obrigação de falar sobre a nova imagem do PSD, reconhecendo no entanto o carácter supérfulo desta discussão no contexto da actual crise vivida no PSD. Aliás, o que se está a passar ilustra bem que a verdadeira “imagem”, a que interessa, tem muito pouco a ver com logotipos e cores. 

Alguns jornais têm destacado a opção pelo azul como um corte radical com o passado. Não estou de acordo – o uso de azul é de facto um dado novo, mas acho que o cor-de-laranja continua a dominar, até porque fica realçado no fundo azul.  

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O azul e o cor-de-laranja não funcionam mal, como se constata neste conhecido quadro de Mark Rothko…

copy-of-rothko.jpg

…no qual o cor-de-laranja acaba por ter algum impacte visual, principalmente quando pensamos que a superficie que ocupa é reduzida e localizada na parte de baixo do quadro. 

O azul e o vermelho são sem dúvida as cores mais “políticas” do espectro. Na Europa o azul tem conotações mais à direita (aristocracia, monarquia, tories, etc.). Curiosamente nos EUA é ao contrário, pois os “blue states” são os dominados pelo partido democrata enquanto que os “red states” são os republicanos.

Quanto ao slogan – Mudar Portugal – acho preguiçoso e pouco original (em linha com a tradição portuguesa neste campo). A frase compreende-se no actual contexto de desânimo nacional e desejo de mudança. Mas na linha da crítica que o Francisco faz neste post ao “Esperança” do novo partido de Rui Marques, acho que o “Mudar” tem uma carga excessivamente negativa em relação ao país (há coisas que eu não quero mudar em Portugal!). Poderia ter havido mais ambição – criar um slogan mais positivo e não tão reactivo ao actual governo. Um bom exemplo do passado é o famoso “Prá Frente Portugal!” de Freitas do Amaral, que tem implícito uma crítica mas também uma ideia positiva de melhoria e não apenas de mudança (que pode ser para melhor ou para pior).

Sabão nos olhos

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 11 Março, 2008

Na perspectiva de Menezes, os resultados “evidentes” da sua liderança a este nível estão na origem de “alguma borbulhagem que anda no ar” (Público)

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Nomes da Família D’Orange

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 29 Fevereiro, 2008

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Um requisito do recente PSD é que os seus líderes têm que ter uma alcunha para se afirmarem entres os barões do partido e poderem sobreviver perante o permanente ataque dos demagogos com a mania que têm opinião. É já uma imagem de marca. É uma forma de lhes termos compaixão. Acho que merecem. Marcelo Rebelo de Sousa foi a vichyssoise; Durão Barroso, o cherne; Santana Lopes, o menino-guerreiro; Marques Mendes, esse era grande demais para estas coisas; e agora Luis Filipe Menezes, o John Wayne. Especulemos então sobre as alcunhas que se seguem:
António Borges – o D. Sebastião
Ferreira Leite – a Dama de Zinco
Aguiar Branco – el Clark Gable
Rui Rio – o Peixeiro do Bolhão
Passos Coelho – o Laranjinha
Alexandre Relvas – o Alex dos Plásticos

Mais ideias?

Lone Ranger

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 27 Fevereiro, 2008

Luís Filipe Menezes invocou John Wayne na entrevista de ontem à SIC Notícias (o vídeo está disponível no Cachimbo de Magritte)…

…parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo

…o que não é mais do que a velha e gasta fórmula política da “maioria silenciosa”, do tipo “a elite está contra mim, mas o povo está comigo”.

Confesso que não descobri via Google a citação a que Menezes se refere (se alguém descobrir diga s.f.f.). Mas independentemente disso, penso que a atitude é errada – Menezes precisa de se preocupar com as elites, que claramente não estão com ele. E neste contexto talvez fosse mais apropriada, na perspectiva de Menezes, a referência a uma muito mais famosa frase de John Wayne…

If you’ve got them by the balls their hearts and minds will follow.

Que ele podia ter parafraseado “se eu ganhar as eleições, eles aparecem”.