CODFISH WATERS

Zimbabwe

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 27 Junho, 2008

Hoje o Zimbabwe tem eleições. Ou para ser mais preciso, elege não democraticamente o seu Presidente. Depois da desistência de Morgan Tsvangirai, o actual Presidente Robert Mugabe continuará a liderar os destinos do país. A violência nas últimas semanas atingiu níveis bárbaros. O outro dia via na televisão relatos de pessoas com caras desfiguradas, outras queimadas, algumas sem membros, uma mulher que tinha tido a cabeça totalmente aberta com um machado, entre outras imagens impressionantes. E isto foram as das pessoas que sobreviveram. Razões para estes ataques, apoiarem o candidato errado. Do lado contrário, os apoiantes de Mugabe afirmam apenas estar a responder às agressões pós primeira volta dos apoiantes do MDC, quando estes pensaram que tinham ganho e começaram a gritar que era tudo deles. De qualquer das formas, é exasperante como esta violência persiste.

Tenho me perguntado muito porquê. Porque é que alguém chega a este extremo na luta pelo poder? Julgo que poucos duvidamos que na contagem justa dos votos, Tsvangirai terá ganho à primeira volta. Se Mugabe está a ser atacado internacionalmente, se deixou a economia numa lástima, se pode aposentar-se em qualquer refúgio de luxo no sul de França, pergunto-me, porquê, porque continua nesta luta? Pessoas com mais experiência em África confirmam-me que o próprio é hoje apenas um fantoche de toda a estrutura do poder. Em particular, a sua mulher Grace, quarenta anos mais nova que Robert, e os generais são quem exige manter o poder e obrigam-no a continuar. Perante esta situação, a solução não é fácil.

O Zimbabwe é esta semana capa do Economist. Quando isso acontece, só pode ser mau sinal. A opinião do Economist é que os restantes países africanos, em especial da Southern African Development Community (SADC), devem liderar o não reconhecimento do regime de Mugabe. Crucial para isso, será o papel da África do Sul. Gostaria de confiar nesta hipótese, mas estou muito céptico em relação à capacidade política do actual governo da África do Sul (em fim de mandato) para liderar esse protesto. Quem sabe se não tiverem alternativa.