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Gráficos

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 1 Junho, 2008

Na imprensa em geral, e na imprensa portuguesa em particular, é habitual ver gráficos mal pensados e mal desenhados. Pode ser que ocasionalmente a intenção seja induzir em erro, mas estou convencido de que na maior parte dos casos o problemas deve-se ao desleixo natural e à dificuldade da tarefa.  

Não é fácil criar gráficos que sejam ao mesmo tempo rigorosos, estéticamente interessantes e eficazes do ponto de vista da comunicação. Ha tempos li que o New York Times tinha uma equipa de 30 pessoas só para desenhar gráficos e tabelas para o jornal, o que dá frutos, mas não impede erros ocasionais.    

Há uns dias o 37 Signals discutia o poder dos gráficos através da história, aparentemente verdadeira, que Bill Gates terá mudado o enfoque da sua fundação – a maior do mundo – após ler uma tabela no New York Times – vale a pena ler o post “The infographic that saved a million lives“.

A grande autoridade nesta área é Edward Tufte. O seu website e o seu livro “The Visual Display of Quantitative Information“, inclui discussões admiráveis sobre o tema assim como inúmeros conselhos sobre como melhorar os nossos gráficos e detectar falácias nos dos outros. Em Portugal existe também um excelente blog/site dedicado ao tema, o Charts, de Jorge Camões.  

Tufte redescobriu para o mundo este gráfico do séc. XIX, que para ele é um dos mais geniais alguma vez desenhado. Ilustra o avanço das tropas napoleónicas sobre a Rússia, mostrando de forma eficaz a matança causada por essa campanha, sugerindo porque é que representou o princípio do fim para Napoleão. A espessura da linha cinzenta-clara representa a dimensão do exército, que no momento da partida é de 422.000 soldados. Finda a campanha, regressaram a França (retorno ilustrado a cinzento escuro) apenas 10.000. O gráfico cruza ainda esta informação com as temperaturas negativas a que os soldados foram estando expostos ao longo do caminho, mostrando assim o papel do “General Inverno”. A batalha do Rio Bérézina, uma das mais trágicas derrotas militares da história da França, é arrepiadamente ilustrada no “estreitamento” súbito da linha mais escura (a do regresso) na passagem do rio – o exército passa de 50.000 para 28.000 soldados…(uma versão maior do gráfico aqui).   

 

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