CODFISH WATERS

Pavilhões de Portugal

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 20 Julho, 2008

É feio ser-se ingrato. É importante reconhecer o mérito.  Rosa Mota, Carlos Lopes e José Saramago têm em comum o facto de terem ganho uma medalha (o prémio Nobel atribui também uma medalha). Os três receberam também a mesma recompensa – pavilhões – sendo que Saramago “recebe” um dos mais marcantes edifícios da história de Portugal. Os três têm mérito e sem dúvida contribuiram para o país. Mas convém ter alguma noção da história, dos efeitos do tempo e uma boa dose de bom senso.

A própria lista de prémios Nobel em literatura é por vezes citada para ilustrar os efeitos do tempo na literatura. Alguns autores consagrados por uma época desapareceram ao fim de uma ou duas gerações. Outros, praticamente desconhecidos em vida, ocupam hoje lugares cimeiros na história da literatura. Para além de alguns especialistas e eruditos, alguém ainda conhece ou lê Knut Pedersen Hamsun (prémio em 1920)? Ou Ivan Bunin (1933), John Galsworthy, (1932), Erik Axel Karlfeldt (1931), Sigrid Undset (1928), Verner von Heidenstam (1916)? Ou mesmo os mais recentes Odysseus Elytis (1979), Eugenio Montale (1975) ou Patrick White (1973)?

Pode ser que Saramago ainda seja lido daqui a 100 anos ou pode ser que não. Mas o deslumbramento que levou a estas três decisões e, principalmente o gesto filisteu de ceder a casa dos bicos à Fundação Saramago não é o acto de uma nação agradecida mas sim a prova acabada da escassez de referências, da procura de herois “ready-made” e do deslumbramento com o presente.

 

Pavilhão Carlos Lopes

Pavilhão Rosa Mota

Pavilhão José Saramago

Anúncios

Verborreia

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Abril, 2008

A Constituição dos Estados Unidos da América tem 4.400 palavras.

A Constituição da República Portuguesa tem 32.261 palavras.

Pela sua contenção verbal, os EUA viram-se impossibilitados de consagrar constitucionalmente um importante imperativo político: o da promoção da ginástica. De nada serviu o artigo de James Madison nos Federalist Papers “Forget the independence of the judiciary: what the country needs is a tough stance on obesity”.

Artigo 79.º
(Cultura física e desporto)
1. Todos têm direito à cultura física e ao desporto.
2. Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.

Peritos II

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 25 Fevereiro, 2008

Indo mais longe do que o meu comentário aqui, Pedro Magalhães no Margens de Erro apresenta números que no mínimo põem em questão a tomada de posição da SEDES. Eu nem queria entrar por aí, por mim a SEDES até poderia ter razão mas necessitava de pôr na mesa alguma coisa que o demonstrasse. Para Pedro Magalhães esses dados estão disponíveis, não foram é utilizados com o devido cuidado pela SEDES.

Peritos

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Fevereiro, 2008

Esta tomada de posição da SEDES é um pouco surreal (sedes.doc). Trata-se de um documento em word sem qualquer demonstração de que é oficial, excepto o facto de ter sido escrito numa cidade chamada Sedes (ver fim do documento), e que apresenta um conjunto de afirmações que qualquer um de nós poderia fazer. Não tem nenhuma referência a um estudo que tenha sido feito, a indicadores que tenham sido recolhidos, nada. Baseia-se apenas em percepções. Por exemplo, diz que a “o mal-estar difuso na sociedade portuguesa” é causado pela “degradação da qualidade da vida cívica”. Com que análise é que chegaram a essa conclusão?

Isto de ser especialista, não é só ser reconhecido. É preciso trabalhar. Juízos necessitam demonstrações. Os especialistas são especialistas porque se especializam nos temas que abordam. Não basta enviar umas “postas de pescada” como qualquer um de nós. O problema é quando ouvimos estas associações como se o que escrevessem fossem verdades absolutas. O Paulo Pinto Mascarenhas do Atlântico, por exemplo, concorda com o documento. Eu não sei, não tenho nenhum dado no documento que me faça pensar que a opinião deles seja melhor ou pior que a de qualquer outro. Sinceramente pergunto-me: porque é que estes 9 senhores assinam estas coisas de cruz?

A única parte que achei piada foi esta, realçando a importância dum ponto mencionado também aqui:

Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.

A lawyer and a court reporter are on a mountaintop with a meditating guru. As the guru recites his mantra,

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 19 Fevereiro, 2008
topworld.jpg
No Público:

Qual é o balanço que José Sócrates faz dos seus três anos de Governo, que se cumprem amanhã? Positivo, muito positivo. Que imagem tem o primeiro-ministro da sua acção e das suas políticas? Reformistas. Alguma coisa correu mal? Não, tudo correu lindamente.

Pensamento da semana

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 4 Fevereiro, 2008

Neste momento em que se discutem em Portugal uma série de fait-divers, vale a pena começar a semana a pensar em algo que seja realmente importante.

gdp1.gif

A simples conclusão deste gráfico é que, entre os países desenvolvidos, Portugal tem se destacado nos últimos anos pelo fraco crescimento económico. Apesar de este facto não ser uma novidade por si, é sempre bom de quando em quando ver os números. Entre os países no gráfico, há 4 países mais ricos que crescem a velocidade inferior à nossa, há vários países que ainda não nos ultrapassaram em riqueza que crescem a uma taxa real muito superior, e há um número elevado de países mais ricos que cresce mais depressa do que Portugal. Não há, neste grupo largo, países mais pobres que cresçam a uma taxa inferior à nossa.

Tagged with: , ,

Asais

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Janeiro, 2008

Vital Moreira diz-nos que devemos (e a oposição também) “respeitar e apoiar o organismo público que veio dar visibilidade e eficácia à defesa da segurança económica e alimentar”. Concordo, mas com as seguintes ressalvas: (1) que o organismo faça menos barulho (e aqui não estou a falar só do seu presidente) e (2) que me prove que há necessidade para tanto alarmismo. É que eu não me recordo de haver em Portugal um problema de saúde pública (mesmo sem dados oficiais, não me lembro de um amigo meu que tenha tido gastroentrite..bate na madeira) e assim de repente consigo lembrar-me de dois ou três temas mais importantes para resolver neste momento no nosso país.

Tagged with: , ,

Os três da vida airada

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 24 Janeiro, 2008

bandeiras1.gif

está a economia que não sucumbe ao imperialismo americano!
Tem voz própria, não entra em hipocrisias! Isto sim é de homem!
…Será que os 150 mil estágios que tanto falavam é para ser numas dessas fábricas topo de gama que andam a construir lá para Teerão?

Tagged with: , , ,

Porque não crescem

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 22 Janeiro, 2008

restriccoes.gif

Agora que falam em crescimento, exploremos um bocadinho um estudo do Banco Mundial que pergunta a empresas de que forma é que vêm um conjunto de factores como obstáculos ao investimento/crescimento. Eu sei que estes inquéritos têm muito que se lhe diga (só quem sobreviveu as verdadeiras restricções é que está cá para responder), mas dão-nos uma indicação do que pensam os empresários em general. Olhando para a parte portuguesa, podemos tirar um conjunto de conclusões sobre a opinião das nossas empresas:

1. As empresas portuguesas não consideram as restricções às suas operações mais do que moderadas (a escala vai de 0 a 4 e em média para Portugal não há nenhum obstáculo com mais 2, sinónimo de obstáculo moderado).

2. As empresas vêm a situação macroeconómica, as práticas anti-competitivas, o sistema regulatório e o nível de impostos / administração fiscal como os obstáculos mais restritivos ao crescimento.

3. Comparando com Espanha, as empresas queixam-se sempre mais que as espanholas em qualquer das restricções, o que faz sentido tendo em conta o diferente nível económico. Se algum ponto estivesse na linha encarnada no gráfico, significaria que as empresas portuguesas veriam esse obstáculo ao mesmo nível que as espanholas. No caso, todos os pontos estão abaixo da linha, ou seja, para todos os obstáculos, queixamo-nos sempre mais que nuestros hermanos.

4. Finalizando, e com especial interesse, as diferenças maiores face a Espanha em termos de obstáculos ao investimento/crescimento não estão na administração fiscal ou na lei laboral, mas antes no sistema legal, corrupção e criminalidade!