CODFISH WATERS

Onde está Manuela Ferreira Leite?

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 11 Junho, 2008

É lamentável que o PSD esteja a aproveitar o ambiente de tensão e receio provocado pelos bloqueios ilegais de uma minoria de camionistas para tentar ganhar uns fáceis pontos políticos.

Do lado do PSD, o deputado Hugo Velosa afirmou concordar com as críticas feitas pelo CDS-PP, afirmando que o Governo “baixou os braços” perante a “crise que era previsível”. O social-democrata defendeu que o Executivo de Sócrates “tem que intervir” mas não especificou de que forma o deve fazer, afirmando que o Governo tem que “fazer qualquer coisa” para responder aos “sectores mais afectados”. Para o deputado, teriam dado “bom jeito para resolver problemas deste tipo”, os “600 milhões de euros” da receita do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos que o Governo “desviou para as Estradas de Portugal” (Público).

É lamentável que o PSD não esteja na primeira linha na crítica à violação da liberdade de circulação e do direito de trabalhar. Sei que a UGT tem uma agenda muito própria ao redigir o comunicado hoje emitido. Mas ao menos teve o mérito de condenar frontalmente as acções dos camionistas: 

“Face às actuais paralisações dos transportes exige-se do Governo e das autoridades uma actuação consequente no decorrer das suas obrigações e do respeito pelo Estado de Direito”, acrescenta a UGT, denunciando uma “pressão intolerável” de muitos empresários sobre os poderes públicos. (Público)

Manuela Ferreira Leite teria surpreendido pela positiva se tivesse aproveitado a primeira grande questão política desde a sua eleição para marcar a diferença – para mostrar que está disposta a assumir posições claras face às questões importantes (e penso que o estado de direito é uma questão importante) não apenas para comentar e criticar o governo. 

Manuela Ferreira Leite tem a difícil tarefa de diferenciação face a José Sócrates. Mas penso que devia resistir a este estilo de oposição que diz branco quando o governo diz preto. Penso que a nova presidente do partido perdeu uma boa oportunidade. E penso que o país precisa de um PSD que se apresente mais seguro de si próprio, capaz de criar o seu caminho, de acordo com os seus valores e as suas propostas.

Candidatos PSD II

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Maio, 2008

A Visão apresenta esta semana um questionário aos 5 candidatos à Presidência do PSD. Das respostas, pouco há a retirar. Destacaria, no entanto, o seguinte:

– Sobre a redução dos impostos em 2009, Manuela Ferreira Leite respondeu com ar superior “Ninguém, com seriedade, face aos dados hoje disponíveis, pode definir um cenário macroeconómico para 2009”. Se for eleita Presidente do PSD, penso que vai passar o tempo a dar-nos lições de economia. Disse este comentário apesar de sabermos que o mínimo é  que o Governo tenha uma noção das linhas gerais do Orçamento que vai apresentar dentro de cinco meses….enfim. Pedro Passos Coelho e Santana Lopes dizem sim e não, respectivamente. Talvez o último tenha a melhor resposta.

– É sintomático que Manuela Ferreira Leite, como única mulher, tenha sido a única dos cinco candidatos que não respondeu à pergunta: “Consigo, como vai o partido captar mulheres para cumprir a Lei da Paridade em 2009?”

– Sobre a redução do peso do Estado, Ferreira Leite responde “o peso do Estado é um conceito global e não sectorial”. Muito interessante, mas se pudesse especificar o que isso quer dizer, agradecíamos. Sobre o mesmo tema, Pedro Passos Coelho e Santana Lopes defendem a redução do Estado em sectores chave da economia. Aliás, neste campo, Passos Coelho na entrevista ao Correio da Manhã da semana passada defendeu a saída do Estado da Caixa Geral de Depósitos e da RTP, isto como forma de se apresentar ao eleitorado como “liberal”. Julgo, no entanto, que para ser conotado como tal, esse não é o discurso. Não tenho nada contra a venda da CGD, mas também não tenho muito a favor. Para o trabalho que daria a um governo esse processo, não sei se é uma guerra que valha a pena comprar. Duvido que seja isso que melhore os nossos níveis de crescimento, o que devería ser o enfoque de qualquer candidato. Que eu saiba, a CGD tem limitado muito pouco – se alguma coisa – a actividade de outros bancos, não sendo assim um entrave ao desenvolvimento do sistema financeiro. Para tomar medidas como terminar com a obrigação de determinados portugueses só receberem a sua pensão/salário através da CGD, parece-me que não é necessário privatizá-la. Na prática, acredito que se Passos Coelho ou outro quer ter um discurso com ideias liberais (muito em voga na blogosfera), então devería posicionar-se por exemplo mais nas reformas do mercado laboral, em que Portugal está na posição 157 em 177 países no Doing Business Report do Banco Mundial. Outras áreas que deveria utilizar no seu discurso liberal, e que me vêm à cabeça neste momento, são por exemplo o aumento dos provedores de serviços ao Estado; o apoio à regulação de sectores centrais da economia; o aumento da competição em serviços tradicionalmente públicos como a saúde, educação, gestão de resíduos; o desenvolvimento de medidas que premeiem a inovação e o empreenderismo privado, etc. Tudo isto e talvez mais, mas duvido que privatizações como a CGD seja o caminho – isso dará muito trabalho e provavelmente muito pouco retorno.

O fim do PSD?

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 1 Maio, 2008

Acabei de ouvir, na TVI, Miguel Sousa Tavares a colocar a hipótese do fim do PSD. O argumento é que nenhuma facção vai conseguir conviver com a que ganhar, o que poderá levar a uma cisão. Os comentadores são pagos para fazer profecias ousadas. Mas embora não concorde com a premissa base de Sousa Tavares – que o partido não aguenta lutas ferozes de facção porque não tem ideologia e porque só quer poder – a tese do fim do PSD não me parece totalmente descabida.

Mas o meu palpite assenta na premissa oposta: de que o actual combate pela liderança é o mais ideológico da história do PSD (descontando os anos 70). Se perguntarmos a qualquer pessoa qual foi até hoje a mais marcante eleição pela liderança do PSD, a maior parte, senão todos, dirá que foi a que se seguiu à demissão de Cavaco Silva do cargo de primeiro-ministro e que colocou frente-a-frente Fernando Nogueira, Durão Barroso e Santana Lopes. Mas alguém pensa que esse debate foi ideológico? Esse sim foi um combate por poder, pelos despojos do dia, pela primazia no processo de renovação geracional do partido. Ironicamente, o único que tentou discutir ideologia nesse congresso foi Menezes, com o “elitista, sulista e liberal” – os assobios que se seguiram mostraram que o partido não queria discutir facções nem ideologias, mas sim pessoas.

Ao contrário, a campanha em curso está a assumir uma natureza muito mais “divisionista” e ideológica. As divisões têm merecido a maior parte da atenção. A dicotomia bases-elite não é de agora mas que nunca foi tão central e brutal. Três dos muitos exemplos:

Marco António Costa questionou ainda se o futuro líder do partido «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade».

Alberto João Jardim revelou ainda que a Comissão Política Regional do PSD-M está preocupada com a fragmentação do partido e «sobretudo pela tentativa de uma certa burguesia dos salões de Lisboa e do Porto, com o apoio de um conhecido empresário de televisão, tentar desvirtuar um partido popular e social-democrata como é o PSD»

“Faço votos para que aquele que vencer as próximas eleições faça com que haja uma verdadeira representação no Parlamento daqueles que trabalham por conta de outrem e não apenas de empresários e profissionais liberais”, disse.”Falo com o coração, mas o recado está dado”, acrescentou Mendes Bota.

Quanto à ideologia – um aspecto que tem sido menos salientado* – começou esta semana a criar-se um claro fosso entre por um lado Manuel Ferreira Leite, com uma posição fiscally conservative, e por outro Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes, com posições do tipo supply side economics misturadas com keynesianismo – descer impostos, estimular a economia, etc. O título deste artigo da Lusa diz tudo: “Passos Coelho e Santana defendem nova política económica, coincidindo nas críticas à aposta excessiva na redução défice”.

Seguindo esta via Passos Coelho e Santana Lopes optaram portanto por um caminho de diferenciação clara face a Ferreira Leite mas também face a Sócrates. A Ferreira Leite resta afirmar-se como mais eficaz do que Sócrates, o que talvez não cole pois, caso ganhe, o PS focará a campanha no track-record de Ferreira Leite na pasta das finanças. Mas o caminho da diferenciação radical também tem custos. Tudo depende de se saber se a generalidade dos portugueses interiorizou as vantagens de um deficit controlado, se estão dispostos a deitar a perder os sacrificios realizados e se se lembram desse grande estímulo económico provocado pela despesa de Guterres.

Os partidos podem e devem ter debates ideológicos e lutas internas de clarificação. Quando não matam, estes movimentos tornam os partidos mais fortes. Mas podem matar.

* – Ao ponto de alguns nem o verem. Veja-se por exemplo este post de Luís Rainha, no 5 dias, que cai no facilitismo de uma certa esquerda que adora pensar que apenas ela pensa.

Candidatos PSD

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Abril, 2008

Como esperado, as eleições no PSD estão animadas. Em relação aos três principais candidatos, tenho neste momento estes comentários:
• Pedro Santana Lopes é candidato não se sabe bem porquê. Será que (ainda) pensa que tem a obrigação de estar “disponível para combate” sempre que há eleições? Não sei se Pedro Santana Lopes sabe que, caso ganhe, será o candidato do PSD às eleições do próximo ano! Não faz sentido nenhum que o PSD apresente às eleições o líder que foi afastado por José Sócrates, sobretudo nas condições em que foi. Eu presumo que Santana Lopes saiba disso, o que significa que concorre para perder – uma pessoa que já foi primeiro-ministro, concorre às eleições do seu partido só para perder, só para aparecer na televisão? É andar demais a brincar à política para o meu gosto. Para bricadeiras, mais valia terem apresentado o Ribau Esteves como representante da ala: ao menos esse sabe falar de futebol.

• Manuela Ferreira Leite é uma candidata conhecida pela sua seriedade, capacidade de trabalho, e boas intenções. Os seus méritos não serão suficientes, no entanto, para ganhar a Sócrates, desde que este não se desoriente. Aliás, olhando para a curta história da democracia estável portuguesa, não houve até ao momento quem conseguisse roubar uma eleição a um primeiro-ministro minimamente estabelecido. Manuela Ferreira Leite será criticada pelo seu trabalho nas contas públicas, mas é à partida uma líder para aguentar eleitorado, preparar as águas para quem se segue e eventualmente lutar pelo fim da maioria absoluta do PS (sobretudo se a economia desapontar). Talvez experiente demais para andar a fazer fretes, mas reconheça-se o seu esforço.

• Pedro Passos Coelho é uma incógnita. Depois dos anos na JSD*, eu e a larga maioria dos portugueses pouco ouvimos dele. Por muito ou pouco que simpatize com ele, não faço ideia do que pensa. Apesar de ter trabalhado na política todos estes anos, é estranho não ter tido ainda um cargo executivo. Usando uma métrica com muito pouco interesse apresentada por Santana Lopes nas eleições de 2005, Pedro Passos Coelho tem 150 mil hits no google.pt, enquanto Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes conseguem 247 e 326 mil, respectivamente. Pedro Passos Coelho não me parece que tenha página no wikipedia (“Luís Menezes, importas-te de criar uma?”). Nesse sentido, de todos os candidatos, Passos Coelho é o que necessita mais urgentemente de apresentar as suas ideias (terça-feira). Pode ser uma cara que os portugueses queiram ouvir, mas é um tiro no escuro. Tem o apoio de Nogueira Leite, Rita Marques Guedes, Miguel Relvas, entre outros. Maioria dos apoiantes, jovens políticos “looking for change”. Tem agora também o apoio da concelhia do Porto, apesar de não ter passado no requisito número um de não ter curso superior. É uma solução de mudança, apesar de estar no partido há mais de 20 anos. Pode ser a simpatia que contraste com os momentos de irritação de Sócrates. Até pode ser que seja, mas ainda é cedo para dizer. Veremos que tão interessante se torna.

*Pela forma como se tornaram, tenho as minhas reservas em relação em quem passou muito tempo nas Jotas, mas Passos Coelho ao menos fez um bom trabalho.

Elitista, Sulista, Liberal e Quadro Superior

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 22 Abril, 2008

 

Marco António Costa questionou ainda se o futuro líder do partido «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade».

 

Luís Filipe Menezes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008

Luís Filipe Menezes é líder do PSD desde há pouco mais de 6 meses. Foi tempo suficiente para dizer coisas tão interessantes como:

Vou ouvir Portugal.

Proponho desmantelar o estado em 6 meses.

Parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo.

Os resultados evidentes da minha liderança estão na origem de alguma borbulhagem que anda no ar.

PSD ainda não merece ser Governo, PS já não merece.

Mais do que uma revisão, o país precisa é de uma nova Constituição.

Está na altura de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição.

Luis Filipe Menezes tem sido activo, feito comentários, apresentado-se ao país. Ideias concretas, poucas. Talvez a “única” proposta até ao momento tenha sido a descida de impostos, ainda não percebi com que argumento. O resto são comentários a vulso.

Na realidade, dadas as poucas hipóteses de virmos a ser governados por Menezes, quase que me atrevo a dizer que o que ele pensa para “Mudar Portugal” é pouco relevante. Mais interessante é o circo da luta na oposição. E aí, o Governo teve desde o início do ano os piores meses desde que foi eleito, e o maior partido de oposição não soube tirar dividendos disso. Mais, entrou em guerrinhas internas. Como diz o sábio Ribau Esteves, “ganhem juízo”. Claro que as guerrinhas resultam em certa medida da incapacidade de Menezes, mas quem as provoca deveria ter antecipado que o Governo poderia deslizar, antes de ter aceite eleger mais uma vez um líder “a prazo”. Agora estes líderes que só aparecem quando é para ganhar, viram que talvez ainda exista um restinho de esperança que Sócrates perca as próximas eleições. Acontece, que na prática, já devem vir tarde de mais.

Sendo assim, é natural que Luís Filipe Menezes arrisque. Se Menezes decidir avançar, as eleições antecipadas no PSD são uma forma de legitimização do seu poder, quando falta pouco mais de um ano para as eleições legislativas. Se a tal vaga de fundo aparecer, Menezes dá um passo de gigante para se manter como Presidente do PSD até às eleições de 2009. Menezes antecipa-se, desta forma, às conspirites e marca a agenda do futuro do partido. Caso não avance para a liderança do partido, como tem dito até ao momento, pelo menos não sai à “bomba”, aparecendo como o pobre coitado, vítima de um cartel de burgueses da Foz e de elitistas liberais do Sul.

Nas próximas semanas, vai-se falar de renovação, de abrir à sociedade civil, de Citroens (com as directas, menos), de “não estou interessado em discutir nomes, mas de ideias e projectos para Portugal”, enfim, vai ser animado. O circo continua e estamos cá para ver. E como nos avisa mais uma vez o sábio Ribau Esteves, ainda bem que é só um mês de discussão porque “em Junho queremos estar todos a apoiar solidariamente a selecção nacional de futebol”.

[Fotografia via 31 da Armada]

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 18 Abril, 2008
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Se um movimento das bases e distritais do partido lhe pedir que se recandidate, Luís Filipe Menezes ainda poderá reconsiderar a sua posição. O líder do PSD convocou directas antecipadas para 24 de Maio e disse “não estar na corrida”, mas homens-chave do aparelho afectos a Menezes já começaram a movimentar-se para pôr em marcha a onda que possa levar à recandidatura do líder (Expresso).

O eterno Jota

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 10 Abril, 2008

Pedro Passos Coelho ao Correio da Manhã, no seguimento de uma sondagem pouco animadora para o PSD:

CM – Luís Filipe Menezes tem condições para vencer as eleições?
PPC – Começa a ter um caminho muito estreito para o fazer. Deve ser a equipa a fazer essa análise dos resultados. O resultado é mais um sinal que acentua a tendência de descredibilização que o PSD vem tendo aos olhos da sociedade portuguesa.
CM – Está disponível para ser candidato a líder do PSD?
PPC– Se no PSD se achar que é tempo para mudança de órgãos sociais e nova liderança estarei disponível para apresentar uma alternativa ao Governo PS.
CM – Já em 2009?
PPC – Se vier a acontecer, sim.

          

Pinho sobre o IVA

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

Manuel Pinho, num momento de pouca iluminação, comparou a descida do IVA a 5 semanas de factura de electricidade nacional. Num daqueles rasgos políticos de tentar tornar os grandes números (500 milhões de euros em 2009) em coisas do dia-a-dia que os portugueses entendam, o governante procurou estabelecer um pararelismo com algo que diz-nos pouco. O que são 5 semanas de electricidade? Ninguém paga facturas de 5 semanas. Não há outras comparações mais fáceis? Não percebo se foi uma piada ao Belmiro de Azevedo (por a Sonae pagar preços industriais pela electricidade), mas que foi fraco, isso julgo que foi.

O Ministro da Economia disse ainda que:

“Não faço parte dos que julgam que baixar o IVA em um ponto percentual é uma migalha. Não sou suficientemente rico para pensar isso”.

Para além de dirigida ao PSD, esta sim foi direitinha a Belmiro de Azevedo, sem passar pela casa da partida e sem receber 2 contos. Agora, por muita graça que o Ministro tenha, em primeiro lugar, piadas do género “puxa, é mesmo muita massa, só os ricos oligopolistas é que sabem o que isso é”, julgo desajustadas. E depois, duvido que Manuel Pinho tenha que estar a rebater as opiniões de empresários reformados, cada vez que uma nova medida seja introduzida.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 31 Março, 2008

O social-democrata Pacheco Pereira quer que a direcção do PSD de Luís Filipe Menezes seja afastada antes das eleições de 2009 e prevê que a mudança de liderança “vai mesmo ter de ser ‘à bomba'”. (Público)

Líderes incoerentes

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 27 Março, 2008

Uma das características fundamentais de um grande líder é a coerência nos actos e afirmações. Infelizmente temos assistido na política em Portugal a constantes inconsistências de comentários e decisões nos vários partidos que nos governam. No governo actual, a incoerência envolveu decisões como a Ota e em especial na voz do primeiro-ministro, os impostos. Em 2005, enquanto candidato a primeiro-ministro, José Sócrates dizia “Não estou de acordo com subida de impostos”. Menos de 100 dias depois foi o que se viu. Há 15 dias atrás, Sócrates dizia que uma descida de impostos seria “leviana e irresponsável”. Ontem foi o que se viu. Os agentes económicos gostam de estabilidade para poderem decidir. A imprevisibilidade governativa, sobretudo em questões fiscais, é o maior inimigo do investimento.

Mas as incoerências não ficam pelo governo rosa. O PSD, aquando da subida do IVA, falava através do deputado Miguel Frasquilho, em “efeito nefasto sobre a evolução económica em todo o país”. O então líder Marques Mendes comentava tratar-se de um aumento“imoral”, tendo em conta que o financiamento das SCUTs se mantinha. Em contraposição, o agora líder da oposição Luís Filipe Menezes diz que a redução do IVA é “irrelevante e casuística”. Claro que o líder do PSD já é outro e passaram uns anos, mas custava muito admitir qualquer coisa como: “é um passo no caminho certo, mas não suficiente para termos a carga fiscal que havia antes deste Governo ter iniciado funções”*, sobretudo depois de o PSD ter proposto recentemente uma descida dos impostos? Talvez não fosse comentário suficiente para aparecer no top5 do noticiário das 20h, mas pelo menos, daría-lhe alguma credibilidade para os devaneios que venha dizer a seguir.

Eu sei que na política como no futebol é díficil que o que hoje é verdade amanhã não seja mentira, mas o mínimo dos mínimos de coerência seria útil para melhorar a credibilidade das decisões e opiniões políticas em Portugal.

*além de que dificilmente o governo poderia ter ido muito mais longe do que foi nesta altura do campeonato.

Political Fish, PSD Edition

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 12 Março, 2008

O Codfish Waters publica de vez em quando exemplos de cartazes, vídeos e slogans políticos. Assim, sinto alguma obrigação de falar sobre a nova imagem do PSD, reconhecendo no entanto o carácter supérfulo desta discussão no contexto da actual crise vivida no PSD. Aliás, o que se está a passar ilustra bem que a verdadeira “imagem”, a que interessa, tem muito pouco a ver com logotipos e cores. 

Alguns jornais têm destacado a opção pelo azul como um corte radical com o passado. Não estou de acordo – o uso de azul é de facto um dado novo, mas acho que o cor-de-laranja continua a dominar, até porque fica realçado no fundo azul.  

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O azul e o cor-de-laranja não funcionam mal, como se constata neste conhecido quadro de Mark Rothko…

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…no qual o cor-de-laranja acaba por ter algum impacte visual, principalmente quando pensamos que a superficie que ocupa é reduzida e localizada na parte de baixo do quadro. 

O azul e o vermelho são sem dúvida as cores mais “políticas” do espectro. Na Europa o azul tem conotações mais à direita (aristocracia, monarquia, tories, etc.). Curiosamente nos EUA é ao contrário, pois os “blue states” são os dominados pelo partido democrata enquanto que os “red states” são os republicanos.

Quanto ao slogan – Mudar Portugal – acho preguiçoso e pouco original (em linha com a tradição portuguesa neste campo). A frase compreende-se no actual contexto de desânimo nacional e desejo de mudança. Mas na linha da crítica que o Francisco faz neste post ao “Esperança” do novo partido de Rui Marques, acho que o “Mudar” tem uma carga excessivamente negativa em relação ao país (há coisas que eu não quero mudar em Portugal!). Poderia ter havido mais ambição – criar um slogan mais positivo e não tão reactivo ao actual governo. Um bom exemplo do passado é o famoso “Prá Frente Portugal!” de Freitas do Amaral, que tem implícito uma crítica mas também uma ideia positiva de melhoria e não apenas de mudança (que pode ser para melhor ou para pior).

Claustrofobia

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 4 Março, 2008

O novo partido vai chamar-se Movimento Esperança Portugal (…) descreve-se como abrangendo um espaço da social-democracia entre o PS e PSD (SIC Online)

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Nomes da Família D’Orange

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 29 Fevereiro, 2008

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Um requisito do recente PSD é que os seus líderes têm que ter uma alcunha para se afirmarem entres os barões do partido e poderem sobreviver perante o permanente ataque dos demagogos com a mania que têm opinião. É já uma imagem de marca. É uma forma de lhes termos compaixão. Acho que merecem. Marcelo Rebelo de Sousa foi a vichyssoise; Durão Barroso, o cherne; Santana Lopes, o menino-guerreiro; Marques Mendes, esse era grande demais para estas coisas; e agora Luis Filipe Menezes, o John Wayne. Especulemos então sobre as alcunhas que se seguem:
António Borges – o D. Sebastião
Ferreira Leite – a Dama de Zinco
Aguiar Branco – el Clark Gable
Rui Rio – o Peixeiro do Bolhão
Passos Coelho – o Laranjinha
Alexandre Relvas – o Alex dos Plásticos

Mais ideias?

Lone Ranger

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 27 Fevereiro, 2008

Luís Filipe Menezes invocou John Wayne na entrevista de ontem à SIC Notícias (o vídeo está disponível no Cachimbo de Magritte)…

…parafraseando John Wayne sinto nesta altura que está quase toda a gente contra mim excepto o povo

…o que não é mais do que a velha e gasta fórmula política da “maioria silenciosa”, do tipo “a elite está contra mim, mas o povo está comigo”.

Confesso que não descobri via Google a citação a que Menezes se refere (se alguém descobrir diga s.f.f.). Mas independentemente disso, penso que a atitude é errada – Menezes precisa de se preocupar com as elites, que claramente não estão com ele. E neste contexto talvez fosse mais apropriada, na perspectiva de Menezes, a referência a uma muito mais famosa frase de John Wayne…

If you’ve got them by the balls their hearts and minds will follow.

Que ele podia ter parafraseado “se eu ganhar as eleições, eles aparecem”.

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 27 Janeiro, 2008

Alberto João Jardim sobre o clima no PSD:

Começo-me a irritar com uns jantares e almoços conspiratórios com uns meninos lá de cima do Porto, que nunca me cheiraram bem, com toda a franqueza, uma gente com a qual eu não me identifico.

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We campaign in poetry, but we govern in prose

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

A comunicação da contratação da agência de comunicação foi mal comunicada (ligação).