CODFISH WATERS

Álvaro Uribe Vélez

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 3 Julho, 2008

Álvaro Uribe Vélez foi o grande vencedor da libertação de Ingrid Betancourt e de outros treze sequestrados da FARC. Foi uma operação brilhante. Daquelas que só se vêm nos filmes, e mesmo nesses casos, não acreditamos que sejam verosímeis. O Presidente da Colômbia que tem conseguido níveis de popularidade de mais de 80% , estando a meio de um segundo mandato, vai assitir a mais uma melhoría do seu reconhecimento popular.

Álvaro Uribe é um líder como poucos na América Latina. A sua história, no entanto, não é rectilínea. O seu pai foi assassinado pelas FARC quando Uribe era Presidente da Câmara de Medellin. Durante esses tempos, a sua família foi várias vezes apontada como próxima de líderes de carteis da droga como Pablo Escobar. Enquanto Senador e Governador de uma região foi ganhando preponderância na política colombiana e começou a introduzir a mão dura nas suas políticas. Para o seu sucesso, sobretudo após ter sido eleito Presidente, foi fundamental a sua perseverança, a auto-confiança nas suas ideias, a consistência, a capacidade de perceber os colombianos, o poder de saber gerir a adversidade, o facto de que não esquece um nome e uma cara, a enorme qualidade dos seus discursos.

Álvaro Uribe está neste momento a ser tentado para pressionar o Supremo Tribunal a rever a Constituição e permitir que o actual Presidente se candidate a um terceiro mandato. Eu sinceramente preferiria que Uribe não caísse nessa tentação. Quer continue, quer não, Uribe já vai ficar na história. Quer continue, quer não, Uribe já vai ser recordado como o Presidente que neutralizou as FARC, que libertou vários reféns e praticamente eliminou novos raptos, que contribuiu para a diminuição da criminalidade nas grandes cidades para níveis muito aceitáveis, que obteve níveis consistentes de crescimento económico sem paralelo na história recente do país, que trouxe a Colômbia para os radares do investimento e turismo, isto tudo para além de ter liderado várias reformas fundamentais. Álvaro Uribe tem sido o Presidente que tem feito sonhar os colombianos de uma vida pós conflito. Se continuar, é verdade que pode conseguir mais. Abre, no entanto, um precedente que não trará nada de positivo à inconstante democracia colombiana. Apesar do muito que já deu ao seu país, 2010 será o momento certo para partir. A Colômbia está preparada para encontrar alternativas – Sergio Fajardo é uma delas.

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Zimbabwe

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 27 Junho, 2008

Hoje o Zimbabwe tem eleições. Ou para ser mais preciso, elege não democraticamente o seu Presidente. Depois da desistência de Morgan Tsvangirai, o actual Presidente Robert Mugabe continuará a liderar os destinos do país. A violência nas últimas semanas atingiu níveis bárbaros. O outro dia via na televisão relatos de pessoas com caras desfiguradas, outras queimadas, algumas sem membros, uma mulher que tinha tido a cabeça totalmente aberta com um machado, entre outras imagens impressionantes. E isto foram as das pessoas que sobreviveram. Razões para estes ataques, apoiarem o candidato errado. Do lado contrário, os apoiantes de Mugabe afirmam apenas estar a responder às agressões pós primeira volta dos apoiantes do MDC, quando estes pensaram que tinham ganho e começaram a gritar que era tudo deles. De qualquer das formas, é exasperante como esta violência persiste.

Tenho me perguntado muito porquê. Porque é que alguém chega a este extremo na luta pelo poder? Julgo que poucos duvidamos que na contagem justa dos votos, Tsvangirai terá ganho à primeira volta. Se Mugabe está a ser atacado internacionalmente, se deixou a economia numa lástima, se pode aposentar-se em qualquer refúgio de luxo no sul de França, pergunto-me, porquê, porque continua nesta luta? Pessoas com mais experiência em África confirmam-me que o próprio é hoje apenas um fantoche de toda a estrutura do poder. Em particular, a sua mulher Grace, quarenta anos mais nova que Robert, e os generais são quem exige manter o poder e obrigam-no a continuar. Perante esta situação, a solução não é fácil.

O Zimbabwe é esta semana capa do Economist. Quando isso acontece, só pode ser mau sinal. A opinião do Economist é que os restantes países africanos, em especial da Southern African Development Community (SADC), devem liderar o não reconhecimento do regime de Mugabe. Crucial para isso, será o papel da África do Sul. Gostaria de confiar nesta hipótese, mas estou muito céptico em relação à capacidade política do actual governo da África do Sul (em fim de mandato) para liderar esse protesto. Quem sabe se não tiverem alternativa.

Especulação sobre o preço do petróleo

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 25 Junho, 2008

Ainda sobre este tema, leia-se aqui a explicação do insuspeito Paul Krugman:

First of all, I don’t have a political dog in this fight. I’m happy to believe that crazy speculation distorts markets. And I do think it’s likely that oil prices will come down, for a while, once consumers have a chance to respond more fully to high prices by changing their driving habits, switching to smaller cars, etc.. But the mysticism over how speculation is supposed to drive prices drives me crazy, professionally.

Reagir à crise do petróleo

Posted in Internacional, Portugal by António Luís Vicente on 10 Junho, 2008

Apostar em veículos de elevada eficiência energética:

Dr Purves claimed that the use of one wheel instead of four gave great economy of power. This seems highly doubtful. Dr John Purvis had set up the West of England Electricity Company, so he was presumably not a solitary eccentric. This picture and those below from Popular Science (USA magazine) sometime in 1932. (toda a história aqui

Petróleo

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 8 Junho, 2008

A propósito da actual crise, alguns blogs americanos salientaram o interesse deste recente artigo do Federal Reserve Bank of Dallas. Trata-se de uma análise interessante, oferecendo uma  visão mais optimista do que a média. Inclui também alguns gráficos úteis, como este que mostra que em preços reais, apenas recentemente se ultrapassou os máximos históricos do início dos anos 80:

 

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Kosovo

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 22 Maio, 2008

Faz amanhã três meses que escrevi este post. Neste mapa continuamos em amarelo.
Qual é a ideia, ver se passamos despercebidos ou compensar os passeios à Venezuela?

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Sócrates na Venezuela

Posted in Internacional, Portugal by codfish on 15 Maio, 2008

Solicitámos a Federico Ortega, economista venezuelano, que escrevesse sobre a visita de Sócrates ao seu país. Federico estudou na Universidad Católica Andrés Bello, tendo trabalhado como economista, entre outros projectos, na Corporación Andina de Fomento. Ele está neste momento a terminar um mestrado em administração pública pela Universidade de Harvard e escreve regularmente para o blog venezuelano Economía, Política y Petróleo. Aqui fica o texto que nos enviou, que muito agradecemos:

Francisco me pidio que escribiera unas lineas sobre el acuerdo firmado entre el Primer Ministro Socrates y el Presidente Chavez esta semana. Aunque no soy necesariamente un experto en estos temas, espero que encuentren valor en estas ideas escritas desde la perspectiva venezolana.

A manera de contexto, lo primero que diria es que este acuerdo no es de ninguna manera extraordinario. El mismo se enmarca dentro de una serie de acuerdos firmados en anos recientes con otros gobiernos “amigos” del venezolano. Se han firmado acuerdos similares con Cuba, Londres, Massachusetts, Brasil, Bolivia, Nicaragua, entre otros. Que es lo que tienen en comun estos sitios? que son gobiernos de izquierda, que comparten (con claros y a veces marcados matices) la ideologia del presidente Chavez, y estan en posicion de proporcionar un apoyo a la imagen internacional de la revolucion bolivariana. La mayoria de los acuerdos involucran de alguna manera provision de petroleo, nuestro principal commodity, garantizando condiciones beneficiosas para el comprador como pago a credito, descuentos o pagos a traves de bienes y servicios. Con Argentina se intercambia petroleo por carne, con Cuba por medicos y con Londres por consultores expertos en trafico. Los acuerdos tambien suelen incluir contratos publicos para empresas extranjeras, como construccion de infraestructura o inversiones conjuntas en hidrocarburos o mineria.

Hay dos puntos que me parece importante resaltar de estos acuerdos. En primer lugar que representan casi una internacionalizacion del mismo sistema clientelista que existe en Venezuela. La politica internacional bolivariana es netamente transaccional; si se es amigo del gobierno se recibe ayuda economica, si se critica, se entra al grupo de los “imperialistas”. Y aunque Venezuela siempre ha hecho diplomacia con petroleo, ayudando tradicionalmente a paises pobres de la region, lo que pareciera ser innovador es que lo que se pide a cambio no es necesariamente un apoyo a los interes del pais, sino a los de la revolucion. En segundo lugar, aclararia que no todos los apoyos son iguales. Con Cuba, Bolivia y Nicaragua la relacion es mas estrecha, en parte por la cercania ideologica entre los jefes de gobierno. Con ellos, los acuerdos se han enmarcado dentro del esquema de la Alternativa Bolivariana para las Americas (ALBA), un esquema de integracion regional. Con otros paises, los apoyos dependen de lo que el pais pueda ofrecer. Con Brasil y Argentina la entrada al MERCOSUR es una carta importante, con Londres y Boston se busca mejorar la imagen de Venezuela en el mundo, con Rusia se buscan armas y con Portugal creo que se busca que juegue un rol de advocacia dentro de la Union Europea. Luego de la disputa con Espana, Portugal se convertiria en el aliado mas importante del gobierno en Europa.

La pregunta mas relevante para Portugal es, sera este un acuerdo beneficioso? Los beneficios son claros, buenos negocios, petroleo barato, nada malo ahi. Los costos son mas dificiles de medir. Por un lado, apoyar publicamente a la revolucion bolivariana puede ser incomodo, y si Chavez se redicaliza mientras vaya perdiendo poder, los costos se podrian incrementar. Estos costos pueden ser domesticos (aprovechado por la oposicion) e internacionales (quedando mal ante la comunidad internacional). En fin, no es facil calcular el efecto neto, sin embargo creo que podriamos tomar el caso de Brasil como una buena referencia. Brasil es el pais que ha firmado los mas jugosos acuerdos de costruccion de obras publicas, joint ventures petroleros, y exportaciones a Venezuela. Esto ha tenido costos para Lula, pero lo ha sabido manejar bien. Cuando se han incrementado las criticas en la oposicion, Lula ha logrado utilizar la coalicion de empresaros que se benefician por los acuerdos. Internacionalmente aunque tambien ha sido criticado, ha presentado su posicion como la de mediador, sin otorgar un apoyo incondicional, pero sirviendo de puente entre los “imperialistas” y Hugo. En definitiva, creo que Brasil se ha beneficiado mucho de su relacion con Chavez y me atreveria a decir que, despues de Cuba, es elpais que ha obtenido los mayores beneficios. Le podra ir a Portugal tan bien? considerando que esta en una posicion diplomatica todavia mas comoda -no siendo vecino- no veo porque no. Aunque definitivamente hay riesgos de que los costos se incrementen ante una radicalizacion de la revolucion, creo que vale la pena arriesgarse. Los beneficios obtenidos son largos, parecen valiosos y dificiles de quebrar. Mi impresion es que Socrates esta aprendiendo las lecciones de Lula y esta haciendo un buen negocio.

Independence Day

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 5 Maio, 2008

 

Este mês Israel festeja 60 anos de independência. O que para os israelitas é motivo de festa, para os palestinianos é razão para recordar o Nakba, a “catástrofe”, em que mais de 700 mil palestinianos foram expulsos das suas terras (a visão tradicional israelita é que saíram de livre vontade). Passados todos estes anos, o único ponto que une os dois lados da barricada é que existem diferenças claras sobre o que se passou nesse período. Mesmo dentro dos historiadores israelitas existem visões distintas dos acontecimentos, como é exemplo dois artigos publicados recentemente. Efraim Karsh, Professor em Kings College, defendeu esta semana o seguinte:

The recent declassification of millions of documents from the period of the British Mandate [1920-1948] and Israel’s early days, documents untapped by earlier generations of writers and ignored or distorted by the “new historians,” paint a much more definitive picture of the historical record. They reveal that the claim of dispossession is not only completely unfounded but the inverse of the truth. Far from being the hapless objects of a predatory Zionist assault, it was Palestinian Arab leaders who from the early 1920’s onward, and very much against the wishes of their own constituents, launched a relentless campaign to obliterate the Jewish national revival. This campaign culminated in the violent attempt to abort the UN resolution of November 29, 1947, which called for the establishment of two states in Palestine. Had these leaders, and their counterparts in the neighboring Arab states, accepted the UN resolution, there would have been no war and no dislocation in the first place.

Ao mesmo tempo, David Remnick escreveu uma crítica positiva do último livro de Benny Morris, um “novo” historiador, conhecido pelas suas opiniões revisionistas. Remnick afirma que

“1948: A History of the First Arab-Israeli War” is a commanding, superbly documented, and fair-minded study of the events that, in the wake of the Holocaust, gave a sovereign home to one people and dispossessed another.

…e recorda o trabalho anterior de Morris:

In 1988, Morris published “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1949,” which revolutionized Israeli historiography and, to a great extent, a nation’s understanding of its own birth. Relying less on testimony than on the newly available documents, Morris described how and why sixty per cent of the Palestinians were uprooted and their society destroyed. It was a far more complex picture than many Israelis were prepared to accept. The book features a map that shows three hundred and eighty-nine Arab villages, from upper Galilee to the Negev Desert. Morris revealed that in forty-nine of these villages the indigenous Arabs were expelled by the Haganah and other Jewish military forces; in sixty-two villages, the Arabs fled out of fear, having heard rumors of attacks and even massacres; in six, the villagers left at the instruction of Palestinian local leaders. The refugees, who probably expected to return to their homes in a matter of weeks or months, went to Gaza and the West Bank, and also to surrounding Arab countries—Lebanon, Jordan, Egypt, and Syria—where, to this day, they have never been fully absorbed.

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Greenwashing

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 10 Abril, 2008

Ainda no tema ambiente, um comentador que normalmente me irrita bastante, Thomas Friedman, do New York Times, põe em perspectiva o real impacto dos nossas virtudes ambientais individuais. Referindo-se a duas cidades que em poucos anos surgiram do nada e que portanto passaram a consumir energia e a poluir, refere:

Hey, I’m really glad you switched to long-lasting compact fluorescent light bulbs in your house. But the growth in Doha and Dalian ate all your energy savings for breakfast. I’m glad you bought a hybrid car. But Doha and Dalian devoured that before noon. I am glad that the U.S. Congress is debating whether to bring U.S. auto mileage requirements up to European levels by 2020. Doha and Dalian will have those gains for lunch – maybe just the first course. I’m glad that solar and wind power are “soaring” toward 2 percent of U.S. energy generation, but Doha and Dalian will devour all those gains for dinner. I am thrilled that you are now doing the “20 green things” suggested by your favorite American magazine. Doha and Dalian will snack on them all, like popcorn before bedtime.

A ideia não é cruzar os braços e deixar de ter cuidado com o ambiente só porque o impacto é diminuto. Um certo “frame of mind” colectivo vai sendo construído com as acções individuais e essa mudança de atitude pode mais tarde estimular ganho reais e globais.

Mas aqueles que ostentam uma aureola divina porque, por exemplo, reciclam, deviam pensar nesta questão e talvez ser mais humildes na sua virtude. Houve já quem tivesse apontado os paralelismos entre religião e ambientalismo (divindade da natureza, o mal é provocado pelo homem, visões apocalipticas, etc.), considerando, nomeadamente, que os offset de carbono são as indulgências do século XXI, pois primeiro peca-se, depois paga-se para compensar. Uma certa ostentação pode contribuir para o crescimento do cinismo à volta deste tema. E como vemos em algumas pessoas e em tantas empresas, uns rápidos e indolores sinais exteriores de correcção ambiental tranquilizam algumas almas, mas produzem muito pouco.

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Gore Details

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 9 Abril, 2008

Al Gore anunciou na semana passada uma mega-campanha sobre mudanças climáticas, porque, nas suas palavras “We can solve the climate crisis, but it will require a major shift in public opinion and engagement”. A campanha tem um orçamento de 300 milhões de dólares. Se há decisão que mostra as forças e as fraquezas de Al Gore é esta. Muito por seu mérito, o aquecimento global está hoje no centro da agenda mediática. Mesmo tendo em conta cenários menos pessimistas, pode-se argumentar que este trabalho tinha que ser feito pois tanto as populações como o poder político precisavam de ser alertados para os possíveis cenários negativos. Até porque qualquer proposta séria terá elevados custos económicos e sociais. Claro que tem havido alarmismos e histeria da parte de vários sectores e, não sendo dos piores, Gore tem sabido, no entanto, explorar de forma eficaz o medo latente das pessoas.

Gore é um comunicador. Isso é muito importante. Mas é apenas um aspecto desta questão. Outros aspectos prendem-se com o debate político, científico e com a análise de políticas públicas. O lançamento desta campanha mostra que Gore chegou ao final de um caminho (percorrido com sucesso) e em vez de passar o testemunho, decide voltar à casa de partida.

Ressalvando as enormes diferenças, num certo sentido pode-se fazer um paralelo com o SIDA. No início foi necessário fazer mega-campanhas porque as pessoas tinham que ganhar consciência do problema, dos perigos, das formas de prevenção, etc. Também aqui a comunicação por vezes exagerou, mas em última análise foi eficaz no combate ao preconceito que a doença gera e, principalmente, na educação para a prevenção. Mas de forma gradual o debate e os progressos à volta da questão passaram a ser cada vez mais políticos, mais centrados na medicina, mais científicos.

Tal como no SIDA, em relação ao aquecimento global pode ser importante ir fazendo algumas campanhas. Mas talvez já seja o tempo de tornar este debate mais sereno, mais orientado para as políticas públicas, mais técnico. E, nessa nova fase, Gore não é manifestamente a pessoa certa para liderar.

David Sipress, New Yorker

Petraeus

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 9 Abril, 2008

Petreaus

O General Petraeus e o embaixador Crocker estão nestes dias a explicar os desenvolvimentos no Iraque ao Comité de Relações Internacionais do Senado (com a presença dos três candidatos à Presidência dos EUA). O depoimento inicial de Petraeus aqui. Comentários aqui, aqui e aqui. Vale a pena também ver a apresentação que Petraeus trouxe ao Senado – Petraeus (via Newsweek). Interessante igualmente recordar o que Petraeus dizia em 2004 sobre o mesmo assunto:

There will be more tough times, frustration and disappointment along the way. It is likely that insurgent attacks will escalate as Iraq’s elections approach. Iraq’s security forces are, however, developing steadily and they are in the fight. Momentum has gathered in recent months. With strong Iraqi leaders out front and with continued coalition – and now NATO – support, this trend will continue. It will not be easy, but few worthwhile things are.

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Gerir o terrorismo

Posted in Estados Unidos, Internacional by António Luís Vicente on 2 Abril, 2008

Durante a sua campanha presidencial em 2004, John Kerry foi muito atacado devido ao que disse sobre terrorismo numa entrevista no New York Times

When I asked Kerry what it would take for Americans to feel safe again, he displayed a much less apocalyptic worldview. ”We have to get back to the place we were, where terrorists are not the focus of our lives, but they’re a nuisance,” Kerry said

Esta posição faz muito sentido mas era demasiado realista (e politicamente insensata) num contexto no qual o 11 de Setembro estava emocionalmente mais presente do que hoje. A escolha da palavra “nuisance” também não foi das mais felizes.

 

A frase foi ampla e cinicamente explorada por Rove e companhia, como exemplo da insensibilidade de Kerry. 

Passados quatro anos, a questão ainda é delicada e seguramente não veremos os actuais candidatos a cometer o mesmo erro. Mas cada vez mais, principalmente no meio académico, as pessoas começam a compreender o que Kerry queria dizer com “nuisance”. A ideia é precisamente evitar o tipo de retórica e de “politics of fear” propagada pela actual administração. Fazer do terrorismo o foco central da acção de uma democracia é jogar o jogo dos terroristas, pois estes agradecem ser fonte de obsessão. Por último, o discurso emotivo à volta da questão, compreendendo-se em parte, tende a resvalar para absolutos morais e proclamações inflamadas e estas perjudicam a gestão do dia a dia do combate ao terrorismo.

Uma das vozes mais calmas e lúcidas nesta questão é a de Jeremy Shapiro, da Brookings Institution. Num interessante position paper, Shapiro aponta os custos deste discurso emotivo e apresenta um conjunto de recomendações: 

There have been no terrorist attacks in the United States since 9/11, but it is far from clear whether the government’s efforts have made the difference. Policy discussions of homeland security issues are driven not by rigorous analysis but by fear, perceptions of past mistakes, pork-barrel politics, and insistence on an invulnerability that cannot possibly be achieved. It’s time for a new, more analytic, threat-based approach, grounded in concepts of sufficiency, prioritization, and measured effectiveness. 

É grave

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 16 Março, 2008

Martin Feldstein, Presidente do National Bureau of Economic Research, afirmou perante uma plateia de investidores que a situação económica nos EUA é muito complicada, podendo esta ser a recessão americana mais grave desde a segunda Guerra Mundial!

The situation is very bad, the situation is getting worse, and the risks are that it could get very bad. There’s no doubt that this year and next year are going to be very difficult years.

Tendo em consideração que o NBER apenas confirma oficialmente uma recessão 6 a 18 meses depois desta se ter iniciado, é preocupante que o seu Presidente tenha neste momento este discurso tão alarmista.

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Pez Fresco

Posted in Desenvolvimento, Internacional by António Luís Vicente on 9 Março, 2008

Na última Foreign Affairs vale a pena ler o artigo “An Empty Revolution” (via Arts & Letters Daily), que põe em causa o papel da “revolução” Hugo Chávez no combate à pobreza  na Venezuela.

Although opinions differ on whether Chávez’s rule should be characterized as authoritarian or democratic, just about everyone appears to agree that, in contrast to his predecessors, Chávez has made the welfare of the Venezuelan poor his top priority. (…) That story line may be compelling to many who are rightly outraged by Latin America’s deep social and economic inequalities. Unfortunately, it is wrong. Neither official statistics nor independent estimates show any evidence that Chávez has reoriented state priorities to benefit the poor. Most health and human development indicators have shown no significant improvement beyond that which is normal in the midst of an oil boom. Indeed, some have deteriorated worryingly, and official estimates indicate that income inequality has increased. The “Chávez is good for the poor” hypothesis is inconsistent with the facts.

Israel das Américas?

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 4 Março, 2008

 

María Jimena Duzán, colunista do principal jornal colombiano (El Tiempo) escreveu assim na sua coluna intitulada “Somos a Israel da região?”:

Una cosa es que las Farc estén golpeadas y otra que para derrotarlas nos sea permitido convertirnos en el Israel de la región, sin que realmente lo seamos. Semejante audacia nos puede costar muy caro.

Este género de comparação (que é uma excepção no euforismo na Colômbia pós-ataque) parece-me extemporânea e evitável, assim como propagandista tem sido a reacção do Equador e da Venezuela. Em primeiro lugar, a situação na Colômbia não tem nada a ver com Israel/Palestina. Enquanto na Palestina, Israel faz raides sobre Palestinianos em plena Palestina, a Colômbia não está a atacar Equatorianos. Depois, a base do conflito é completamente diferente – não há como no Médio Oriente diferenças religiosas, nem zonas em discussão, na Colômbia há um grupo de revolucionários que de ideologia já não têm nada e que a única que fazem é minar a estabilidade social e económica do país.

Mais, sempre que as FARC se sentiram pressionadas pelo exército conseguiram refúgio no Equador ou na Venezuela, o que indica que no mínimo estes governos têm pactuado com a guerrilha. Isto para além das informações vinculadas que estes países estariam a financiar a FARC (neste ponto, não sei até que ponto é verdade, pelo menos para o Equador). Aliás, o próprio Equador começou por dizer que compreendia a decisão da Colômbia, para depois de um telefonema de Chávez, ter mudado de opinião. Para além de todas estas “justificações morais”, quando os secuestrados que foram libertados a semana passada duvidaram da força da estratégia militar colombiana, era necessário mostrar que o poder ainda estava do lado do Governo. Pontualmente é preciso ter um certo pragmatismo, sobretudo quando pode estar em causa o fim de um conflito que tem assolado este país nos últimos 50 anos. A própria Duzán admite:

Con la muerte de Raúl Reyes, vocero internacional de las Farc y miembro del secretariado, abatido por las fuerzas colombianas en un campamento en territorio ecuatoriano, la cosa cambia: hoy sí se puede decir que las Farc están seriamente golpeadas y quizás muy cerca de su fin.

Concordo que num mundo ideal era melhor que a Colômbia não intervisse num país vizinho para resolver problemas internos. Mas não nos podemos esquecer que não vivemos nesse mundo ideal. Deste modo, compreendo e valorizo o risco tomado pelo Presidente Uribe e os seus militares com esta decisão.

NAFTA

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 4 Março, 2008

 

Muito se tem falado nos últimos dias sobre a política económica dos candidatos democratas às eleições americanas, em especial de Barack Obama, e em particular sobre as suas ideias aparentemente mais proteccionistas como a renegociação com o México e o Canadá da NAFTA. Veja-se aqui e aqui. Tempo de campanha em Estados (Ohio) que viram perder um número elevado de trabalhos nos últimos tempos é propício a esta discussão. Tem razão a “estratega” republicana Mary Matalin quando diz que quanto mais as primárias democratas demorarem, mais à esquerda o debate se tornará, e mais benefícios colherá o candidato republicano.

Dito isto, para lá da semântica, o que sobra é que estas ideias, se levadas muito a sério, têm como problema principal “apenas” uma questão de mensagem do que valorizamos. Simplificando numa frase: se somos pró-globalização, então não deveríamos apregoar estas ideais proteccionistas. Esse é o argumento. Se não queremos ver as barreiras comerciais a subir, então não devíamos “falar” abertamente dos problemas da liberalização. Isto porque, na realidade, um aumento dos acordos de comércio internacional não promove grandes ganhos económicos. Com as quedas das tarifas internacionais dos últimos anos, já não há assim tanto a ganhar com a liberalização. Nas contas mais optimistas do Banco Mundial, uma liberalização total do comércio internacional apenas acrescentaria 0,8% ao PIB mundial de 2015! Até em relação à NAFTA os economistas têm tido dificuldade em calcular grandes benefícios para o México. Eu acredito que em acordos bilaterais haja ganhos mais significativos para as partes envolvidas (se se tiver em consideração acessos a mercados, relações privilegiadas, diversão de comércio de outros países), não são é necessariamente bons para todos (e têm de ser bem negociados!).

Assim sendo, o ponto é que o debate provavelmente já deveria ter evoluído para outra questão – já não deveria estar centrado na redução das tarifas, mas mais noutras formas de aumentar a integração mundial, como seja o mercado de trabalho ou, mesmo dentro das barreiras, outras que sejam menos aparentes (relações históricas entre países, distribuição, questões linguísticas, sistemas fiscais, etc).

Chavismo no seu melhor

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 2 Março, 2008

Depois da intervenção militar colombiana no Equador que terminou com a morte do número dois da FARC, Hugo Chávez responde com isto e com estes comentários hostis no já famoso Aló Presidente:

Fish Photo

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 1 Março, 2008

Não é por acaso que esta fotografia (e variações sobre o mesmo tema) tem sido muito usada nos últimos dois dias (é a capa do Financial Times de hoje, por exemplo). Retrata na perfeição a ideia de que Medvedev é um instrumento de Putin. Mas a Russia é um país complexo e esta eleição ainda nos pode reservar surpresas. Até porque a imagem relembra também a famosa descrição que Churchill fez da política russa: “It is a riddle, wrapped in a mystery, inside an enigma”. Que “riddle” estará dentro da boneca de Putin?

A Russian traditional wooden Matryoshka dolls depicting President Vladimir Putin and presidential candidate First Deputy Premier Dmitry Medvedev is seen, in St. Petersburg, Russia, Thursday, Feb. 28, 2008. Russians go to the polls to elect a new president on March 2.  Writing reads D Medvedev. From AP Photo by Dmitry Lovetsky.

Fotografia: Associated Press 

Political Fish

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 1 Março, 2008

Campanha de Nelson Mandela/ANC, África do Sul, 1994

Fish Maps

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 26 Fevereiro, 2008

Michael Werzt, investigador de assuntos internacionais, passou por Lisboa e concedeu uma boa entrevista ao Público (17 de Fevereiro). Estive numa das conferências e retive uma frase em particular – qualquer coisa como “the Pacific will be to the 21st century what the Mediterranean was to the classical world”. Ou seja que a economia e a cultura deste século passarão cada vez mais pelas costas da Califórnia, da China, do Japão e da Rússia, como há 20 e tal séculos passavam por Roma, Esparta, Cartago e Fenícia (e que portanto a Europa estará cada vez mais na periferia do mundo). Sei que Wertz não é o primeiro a afirmar tal coisa e que estas generalizações tendem a simplificar realidades complexas – mas foi a primeira vez que o conceito me pareceu credível e estimulante. 

Embora quase sempre errado, é tentador ver a História como uma sucessão de grandes ciclos: “ao Mediterâneo sucede o Atlântico que é substituido pelo Pacífico como centro da civilização”. Claro que racionalmente sabemos que a globalização e as tecnologias de informação sugerem que todo o mundo é um “centro” ou que pode haver vários “centros”.  Mas estas generalizações não devem ser completamente descartadas – embora pouco sólidas em si mesmo, são normalmente excelentes estímulos intelectuais. Por outro lado, podem ser úteis enquanto sintomas para o diagnóstico das ansiedades globais. Como estamos cada vez mais assustados com a China, com a Rússia, com o domínio americano e com a irrelevância crescente da Europa, tendemos a levar cada vez mais a sério este tipo de previsões. 

Uma possível verificação da profecia de Wertz resultará da observação dos planisférios daqui a 40 ou 50 anos. Como se sabe os mapas são mais políticos do que parecem, pois a decisão sobre qual o continente que deve aparecer literalmente no centro da folha acaba por ser um acto político. Será que os nossos netos vão abrir os livros de geografia e ver isto?

Ou mesmo isto?

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Incertezas das certezas

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Fevereiro, 2008

Enquanto Cavaco Silva diz que “Portugal não se deve precipitar” na sua posição sobre a declaração de independência do Kosovo e Sócrates diz que a decisão de Portugal será tomada “muito brevemente”, os kosovares desde o primeiro dia que nos puseram na lista dos países que vão reconhecer o Kosovo como Estado independente.

 

Será que Cavaco estava a pensar na Paz Mundial?

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 21 Fevereiro, 2008

Será que Cavaco estava a pensar na Paz Mundial quando disse que “Portugal tem outras prioridades”?
Com o objectivo de se caminhar para a Paz no Médio Oriente, está em curso uma proposta para a candidatura conjunta de Israel e da Palestina para organizar o Mundial de Futebol de 2018. A proposta tem co-autoria de Pascal Boniface, Director do Instituto para as Relações Internacionais e Estratégicas em Paris (IRIS) e do jogador com maior número de internacionalizações pela selecção francesa, Lilian Thuram. Agora, sim, percebe-se o comentário do nosso Presidente Cavaco (e provavelmente a sua recente viagem ao Médio Oriente) – a prioridade de que fala para Portugal é ser o dinamizador (com a sua experiência como anfitrião de torneios) de um evento que pode propagar a Paz no Médio Oriente por muitos e bons anos.

 Via Dani Rodrik

Political Fish

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 16 Fevereiro, 2008

Campanha do partido Italia dei Valori, Itália, 2006

Parlamento_pulito.jpg

Political fish

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 12 Fevereiro, 2008

Campanha presidencial de François Mitterrand, França, 1988

Disfranchisement II…China Caucus

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 2 Fevereiro, 2008

Viejas prácticas caciquiles

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 28 Janeiro, 2008

Depois de Bush ter oferecido 600 dólares aos americanos, é altura de Zapatero devolver 400 euros aos espanhois…Ah não, mas aqui a estória é outra. Espanha não está propriamente na mesma situação que os EUA. O codfish sabe que Valentim Loureiro está a aconselhar Zapatero neste momento pré-eleitoral. Valentim falou-lhe em oferecer panelas, mas Zapatero disse que não era desses, preferia plata que es buena! O Comissário Almunia ainda vem justificar a promessa com a política normalíssima internacionalmente de devolver aos cidadãos o farto superávito fiscal. Eu não me lembro de muitos países que o façam, mas está bem…isto é mesmo as mãozinhas do sr. Loureiro.

Os três da vida airada

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 24 Janeiro, 2008

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está a economia que não sucumbe ao imperialismo americano!
Tem voz própria, não entra em hipocrisias! Isto sim é de homem!
…Será que os 150 mil estágios que tanto falavam é para ser numas dessas fábricas topo de gama que andam a construir lá para Teerão?

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Index of Economic Freedom

Posted in Desenvolvimento, Internacional by António Luís Vicente on 23 Janeiro, 2008

Este gráfico feito com base no recém-divulgado Index of Economic Freedom (via Arte da Fuga) é interessante…

…e sugere uma relação causa-efeito entre liberdade e riqueza ao mostrar uma clara correlação.

Mas concordando com as premissas, o gráfico parece-me também algo manipulador. Para “efeitos dramáticos” os autores optam por não colocar países como os Emiratos Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar e outros que, infelizmente, saem da linha – países que devido a recursos naturais são pouco livres e muito ricos. Sei que são “excepções à regra” e que têm brutais desigualdades. Mais uma razão para não os colocar debaixo do tapete neste tipo de gráficos, pois sozinhos, no canto superior esquerdo, até ficariam em maior evidência. 

Economist’s cartoon

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 19 Janeiro, 2008

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O barco vai ao fundo?

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 19 Janeiro, 2008

Brad DeLong colocou uma apresentação no seu blog sobre o tema do momento.

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Dans le rouge

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 18 Janeiro, 2008

 Sarkozy continua a perder nas sondagens. A última é da BVA-Orange-Express. A França parece dividida.

Dans le détail, les sympathisants de droite sont encore 80% à avoir une bonne opinion de l’action de Nicolas Sarkozy, mais ils ne sont que 16% parmi les sympathisants de gauche et 42% chez les Français n’affichant aucune proximité partisane.

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Efeitos distributivos do outsourcing

Posted in Estados Unidos, Internacional by Francisco Camarate de Campos on 17 Janeiro, 2008

 

Um tema quente da campanha republicana em Michigan foi o outsourcing. Na sequência dessa campanha, Steven Landsburg escreveu no NY Times a contestar as opiniões dos candidatos. Para este professor de economia, não existem razões para compensar, através por exemplo de programas de formação, as pessoas que devido ao offshoring para a Índia ou outro país em vias de desenvolvimento, tenham perdido o seu trabalho ou que vejam os seus salários reais cair.

One way to think about that is to ask what your moral instincts tell you in analogous situations. Suppose, after years of buying shampoo at your local pharmacy, you discover you can order the same shampoo for less money on the Web. Do you have an obligation to compensate your pharmacist? If you move to a cheaper apartment, should you compensate your landlord? When you eat at McDonald’s, should you compensate the owners of the diner next door? Public policy should not be designed to advance moral instincts that we all reject every day of our lives.

Talvez tenha razão em termos de eficiência económica, mas será díficil não esperar essas compensações sobretudo se (1) as razões políticas mais que compensarem as económicas, (2) o grau de offshoring atingir níveis nos serviços na ordem dos esperados por economistas como Blinder (perda de mais de 30 milhões de postos de trabalho nos EUA), (3) se tivermos em conta que para a competição da Mcdonald’s aos diners significar o encerramento destes últimos é preciso irmos muitas vezes ao Mcdonald’s, enquanto que individualmente para efectivar a transferência de um trabalho, basta uma decisão.

Adicionalmente, Krugman, por exemplo, opinou no final do ano que agora terminou sobre o outro lado da moeda do offshoring:

Although the outsourcing of some high-tech jobs to India has made headlines, on balance, highly educated workers in the United States benefit from higher wages and expanded job opportunities because of trade. For example, ThinkPad notebook computers are now made by a Chinese company, Lenovo, but a lot of Lenovo’s research and development is conducted in North Carolina. But workers with less formal education either see their jobs shipped overseas or find their wages driven down by the ripple effect as other workers with similar qualifications crowd into their industries and look for employment to replace the jobs they lost to foreign competition. And lower prices at Wal-Mart aren’t sufficient compensation.
(…)
It’s often claimed that limits on trade benefit only a small number of Americans, while hurting the vast majority. That’s still true of things like the import quota on sugar. But when it comes to manufactured goods, it’s at least arguable that the reverse is true. The highly educated workers who clearly benefit from growing trade with third-world economies are a minority, greatly outnumbered by those who probably lose.

Rodrik, por seu lado, comentou ontem directamente a opinião de Landsburg.

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FARC

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 14 Janeiro, 2008

Cortesia: El tiempo

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