CODFISH WATERS

Net repairs

Posted in Uncategorized by codfish on 25 Julho, 2008

Por diferentes razões, os autores deste blog vão ter um verão complicado e agitado. Assim, tal como já tem acontecido em Julho, será difícil actualizar regularmente o Codfish. Tentaremos aproveitar o verão também para pensar sobre este blog, sobre os temas a cobrir, sobre o sempre delicado equilíbrio entre o comentário do quotidiano e as análises mais aprofundadas. Escrever este blog tem sido uma experiência muito estimulante, um óptimo treino de escrita e um incentivo a estarmos mais atentos ao que se passa. Mas como os praticantes deste desporto sabem, não é fácil manter actualizado um site generalista como este, principalmente no meio das vidas divertidas mas complicadas de um português da Geração de 70. Assim, na reentre podemos voltar mais calados ou mais agitados, mais focados ou mais caóticos. De toda formas, o mundo anda incerto pelo que não vemos mal nenhum em ter um blog também ele de futuro incerto e aberto. Abraços e boas férias.

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Pavilhões de Portugal

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 20 Julho, 2008

É feio ser-se ingrato. É importante reconhecer o mérito.  Rosa Mota, Carlos Lopes e José Saramago têm em comum o facto de terem ganho uma medalha (o prémio Nobel atribui também uma medalha). Os três receberam também a mesma recompensa – pavilhões – sendo que Saramago “recebe” um dos mais marcantes edifícios da história de Portugal. Os três têm mérito e sem dúvida contribuiram para o país. Mas convém ter alguma noção da história, dos efeitos do tempo e uma boa dose de bom senso.

A própria lista de prémios Nobel em literatura é por vezes citada para ilustrar os efeitos do tempo na literatura. Alguns autores consagrados por uma época desapareceram ao fim de uma ou duas gerações. Outros, praticamente desconhecidos em vida, ocupam hoje lugares cimeiros na história da literatura. Para além de alguns especialistas e eruditos, alguém ainda conhece ou lê Knut Pedersen Hamsun (prémio em 1920)? Ou Ivan Bunin (1933), John Galsworthy, (1932), Erik Axel Karlfeldt (1931), Sigrid Undset (1928), Verner von Heidenstam (1916)? Ou mesmo os mais recentes Odysseus Elytis (1979), Eugenio Montale (1975) ou Patrick White (1973)?

Pode ser que Saramago ainda seja lido daqui a 100 anos ou pode ser que não. Mas o deslumbramento que levou a estas três decisões e, principalmente o gesto filisteu de ceder a casa dos bicos à Fundação Saramago não é o acto de uma nação agradecida mas sim a prova acabada da escassez de referências, da procura de herois “ready-made” e do deslumbramento com o presente.

 

Pavilhão Carlos Lopes

Pavilhão Rosa Mota

Pavilhão José Saramago

6 meses

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 11 Julho, 2008

Hoje o Codfish Waters faz 6 meses de existência.
Obrigado por nos acompanharem.

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Falta de escrita

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 10 Julho, 2008

Esta semana estamos em sintonia com Dani Rodrik, deve ser um bom sinal:

I once had a fantasy. I would devote a whole year, perhaps a sabbatical, just to reading and thinking, and would not write anything. I mean really nothing: no papers, no articles, no op-eds, no contributions to collected volumes. I would turn down all invitations to contribute papers to conferences or books by saying “Thank you. but I am just reading and thinking this year, not writing.” The idea was to force a fundamental correction in the balance of trade between what went in my head and what came out.

I thought this had to make my subsequent writing better. After all, I would have had a long time to think about the literature and develop my ideas, without the pressure of having to spill them out.

And then there were also the inevitable narcissistic thoughts: Would anyone notice? Would anyone care? Would the world be a worse place as a result?

Call it an academic’s fantasy.

Of course I never came close to fulfilling this fantasy. In fact, starting a blog was a move in exactly the opposite direction. With a blog, you have to write something most days–or at least you feel the pressure to do so.

It wasn’t exactly by design, but perhaps the recent hiatus of activity on this blog was a small-scale acting out of my fantasy. At the very least, I have proved to myself that I can stay away–and not feel terribly guilty about it.

Thanks very much to those readers who urged my speedy return, provided justifications for my absence, or warned of dire consequences if I did not reappear soon. I hope they get a vacation too.

Os três melhores vídeos que vi esta semana

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 4 Julho, 2008

Matthew Harding viajou durante 14 meses, visitando 42 países, com o objectivo de produzir 4 minutos de uma dança meio-estupida. O resultado é estranhamente cativante, talvez pelo choque entre a energia gasta e a total e sublime futilidade do exercício. (via Boing Boing)

Uma música e vídeo em que tanto a música como o vídeo são criados com excertos do filme “Alice in Wonderland”. Segundo o autor, trata-se de “an electronic piece of which 90% is composed using sounds recorded from the Disney film ‘Alice In Wonderland’.”

Este não vi esta semana mas sim há uns meses (mas achei que “três” no título tinha mais impacto) – é um vídeo criado por uma empresa de Nova Iorque durante uma festa de final de tarde e que acabou por tornar-se no seu melhor investimento em publicidade e marketing. Uns dias depois o vídeo compeçou a circular e começaram a receber milhares de CVs por dia. A musica é excelente, de Harvey Danger. Parece que gravaram tudo num só take e à primeira, o que me parece algo suspeito.

 

Álvaro Uribe Vélez

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 3 Julho, 2008

Álvaro Uribe Vélez foi o grande vencedor da libertação de Ingrid Betancourt e de outros treze sequestrados da FARC. Foi uma operação brilhante. Daquelas que só se vêm nos filmes, e mesmo nesses casos, não acreditamos que sejam verosímeis. O Presidente da Colômbia que tem conseguido níveis de popularidade de mais de 80% , estando a meio de um segundo mandato, vai assitir a mais uma melhoría do seu reconhecimento popular.

Álvaro Uribe é um líder como poucos na América Latina. A sua história, no entanto, não é rectilínea. O seu pai foi assassinado pelas FARC quando Uribe era Presidente da Câmara de Medellin. Durante esses tempos, a sua família foi várias vezes apontada como próxima de líderes de carteis da droga como Pablo Escobar. Enquanto Senador e Governador de uma região foi ganhando preponderância na política colombiana e começou a introduzir a mão dura nas suas políticas. Para o seu sucesso, sobretudo após ter sido eleito Presidente, foi fundamental a sua perseverança, a auto-confiança nas suas ideias, a consistência, a capacidade de perceber os colombianos, o poder de saber gerir a adversidade, o facto de que não esquece um nome e uma cara, a enorme qualidade dos seus discursos.

Álvaro Uribe está neste momento a ser tentado para pressionar o Supremo Tribunal a rever a Constituição e permitir que o actual Presidente se candidate a um terceiro mandato. Eu sinceramente preferiria que Uribe não caísse nessa tentação. Quer continue, quer não, Uribe já vai ficar na história. Quer continue, quer não, Uribe já vai ser recordado como o Presidente que neutralizou as FARC, que libertou vários reféns e praticamente eliminou novos raptos, que contribuiu para a diminuição da criminalidade nas grandes cidades para níveis muito aceitáveis, que obteve níveis consistentes de crescimento económico sem paralelo na história recente do país, que trouxe a Colômbia para os radares do investimento e turismo, isto tudo para além de ter liderado várias reformas fundamentais. Álvaro Uribe tem sido o Presidente que tem feito sonhar os colombianos de uma vida pós conflito. Se continuar, é verdade que pode conseguir mais. Abre, no entanto, um precedente que não trará nada de positivo à inconstante democracia colombiana. Apesar do muito que já deu ao seu país, 2010 será o momento certo para partir. A Colômbia está preparada para encontrar alternativas – Sergio Fajardo é uma delas.

Fishtoon

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 1 Julho, 2008

Via Slate

A última fronteira

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Junho, 2008

O último número da New York Review of Books tem um artigo sobre alguns avanços recentes no conhecimento do cérebro. Entre vários temas, o artigo aborda as fascinantes experiências realizadas pelo neurocientista V.S. Ramachandran para aliviar a dores causadas pelos chamados “phantom limbs”. Pessoas que perderam um braço ou uma perna sofrem por vezes dores insuportaveis nos membros desaparecidos.

…the brain creates a “phantom” limb in an apparent attempt to preserve a unified sense of self. For the patient, the phantom limb is painful. The brain knows there is no limb; pain is the consequence of the incoherence between what the brain “sees” (no arm) and the brain’s “feeling” the presence of a phantom that it has created in its attempt to maintain a unified sense of self in continuity with the past. Such pain is not created by an external stimulus and cannot be eliminated by painkillers.

V.S. Ramachandran teve a simples mas genial ideia de usar um jogo de espelhos para criar no paciente a ilusão de que o membro amputado ainda lá está. Ao criar-se esta ilusão a dor desaparece. O mais extraordinário é que, obviamente, o paciente tem consciência de que o que está a ser feito é um truque, mas a um qualquer nível do processo cerebral, consegue-se “enganar” o cérebro. 

Para além do bem estar destes pacientes, esta experiência abre novos caminhos para a compreensão dos mecanismos da consciência. Mas o melhor mesmo é ver a fascinante conferência que Ramachandran fez nas TED Talks:

Zimbabwe

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 27 Junho, 2008

Hoje o Zimbabwe tem eleições. Ou para ser mais preciso, elege não democraticamente o seu Presidente. Depois da desistência de Morgan Tsvangirai, o actual Presidente Robert Mugabe continuará a liderar os destinos do país. A violência nas últimas semanas atingiu níveis bárbaros. O outro dia via na televisão relatos de pessoas com caras desfiguradas, outras queimadas, algumas sem membros, uma mulher que tinha tido a cabeça totalmente aberta com um machado, entre outras imagens impressionantes. E isto foram as das pessoas que sobreviveram. Razões para estes ataques, apoiarem o candidato errado. Do lado contrário, os apoiantes de Mugabe afirmam apenas estar a responder às agressões pós primeira volta dos apoiantes do MDC, quando estes pensaram que tinham ganho e começaram a gritar que era tudo deles. De qualquer das formas, é exasperante como esta violência persiste.

Tenho me perguntado muito porquê. Porque é que alguém chega a este extremo na luta pelo poder? Julgo que poucos duvidamos que na contagem justa dos votos, Tsvangirai terá ganho à primeira volta. Se Mugabe está a ser atacado internacionalmente, se deixou a economia numa lástima, se pode aposentar-se em qualquer refúgio de luxo no sul de França, pergunto-me, porquê, porque continua nesta luta? Pessoas com mais experiência em África confirmam-me que o próprio é hoje apenas um fantoche de toda a estrutura do poder. Em particular, a sua mulher Grace, quarenta anos mais nova que Robert, e os generais são quem exige manter o poder e obrigam-no a continuar. Perante esta situação, a solução não é fácil.

O Zimbabwe é esta semana capa do Economist. Quando isso acontece, só pode ser mau sinal. A opinião do Economist é que os restantes países africanos, em especial da Southern African Development Community (SADC), devem liderar o não reconhecimento do regime de Mugabe. Crucial para isso, será o papel da África do Sul. Gostaria de confiar nesta hipótese, mas estou muito céptico em relação à capacidade política do actual governo da África do Sul (em fim de mandato) para liderar esse protesto. Quem sabe se não tiverem alternativa.

Pop philosophy

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 26 Junho, 2008

Ao contrário do que à partida se poderia esperar, são poucos os termos e categorias da filosofia política que passaram para o discurso político do dia-a-dia. Não sei qual será a explicação para esta parcimónia numa tão barata fonte de legitimação e pseudo-solenidade retórica.

Assim de repente lembro-me apenas de dois que passaram para o uso corrente: “contrato social” (Rousseau), usado hoje por Helena Roseta, e “imperativo categórico” (Kant). Este último é particulamente mal usado. Quando se ouve fica-se a saber que vem ai despesa pública, tipo “apoiar os agricultores é um imperativo categórico do governo”. É usado quase como sinónimo de uma obrigação tão forte que não deve ser discutida, o que, como se imagina, dá muito jeito em política.

Já a expressão “contrato social” usa-se normalmente em discursos sobre falta de legitimidade do regime ou em questões de direitos sociais. A expressão é invariavelmente conjugada no futuro. Há sempre a necessidade de um “novo contrato social” ou de “renovar o contrato social”. Nunca é “vamos sair do contrato social” porque assume-se sempre que um contrato é algo excelente. Este não é o lugar para discutir a debilidade deste conceito de Rousseau, mas ao menos neste caso, e ao contrário do que se passa no imperativo categórico, a expressão é usada num espirito próximo da intenção do filósofo francês.

Certamente estou a esquecer-me de outras (agradeço e-mail ou comentário caso alguém se lembre). 

Há uma expressão que nunca se generalizará devido ao seu carácter negro, perturbador e realista (caracteristicas dispensáveis na retórica). Trata-se de uma das expressões filosóficas que mais impacto teve em mim – foi um dos meus muitos “awakenings from a dogmatic slumber”. Trata-se da famosa opinião/descrição que Thomas Hobbes (1588-1679) faz da vida no “estado de natureza”, sem lei, sem ordem:

Whatsoever therefore is consequent to a time of war, where every man is enemy to every man, the same consequent to the time wherein men live without other security than what their own strength and their own invention shall furnish them withal. In such condition there is no place for industry, because the fruit thereof is uncertain: and consequently no culture of the earth; no navigation, nor use of the commodities that may be imported by sea; no commodious building; no instruments of moving and removing such things as require much force; no knowledge of the face of the earth; no account of time; no arts; no letters; no society; and which is worst of all, continual fear, and danger of violent death; and the life of man, solitary, poor, nasty, brutish, and short. (Leviathan, 1651)

 

     

 Hobbes                                                                                                    Kant                              

A bola não é redonda

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 25 Junho, 2008

Nunca na minha vida escrevi sobre futebol e nunca escrevi um post tão a quente (o árbito acabou de apitar o fim do Alemanhã-Turquia), pelo que peço desde já alguma compreensão para imprecisões, injustiças, exageros e generalizações.

Poucas vezes irritei-me tanto com um jogo. Poucas vezes vi uma vitória tão injusta (Alemanhã, 3 – Turquia, 2). A Alemanhã fez um total de três remates, nos quais marcou três golos. Os deslumbrados da gestão chamam a isto eficácia – eu chamo falta de imaginação.

“Eficácia” é uma palavra difícil de atacar nos nossos dias. Pensando um pouco percebe-se que,  obviamente, não estamos a falar de um valor absoluto.  Ganhar não é o único objectivo do futebol. Isto não é um argumento de “vitórias morais” – não tenho paciência para aquelas equipas simpáticas, que não chateiam muito, que fazem uma gracinhas estéticas com a bola, que são muito dignas e sujam-se pouco. Gosto de equipas que dão tudo, que têm garra, que usam a imaginação, que apenas fazem “bonito” quando estão desesperadas e nada mais funciona, que transmitem o prazer mas também a ansiedade que sentem dentro das quatro linhas. 

A Alemanhã fez um jogo feio, mastigado, seguro, malandro, chico-esperto e chato. Tenho poucas dúvidas que este jogo prejudicou a imagem do futebol alemão no mundo. Tenho poucas dúvidas que secretamente muitos alemães trocariam a final pelo respeito ganho pela Holanda, Rússia e Turquia durante este campeonato. 

Já estou mais calmo.

Especulação sobre o preço do petróleo

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 25 Junho, 2008

Ainda sobre este tema, leia-se aqui a explicação do insuspeito Paul Krugman:

First of all, I don’t have a political dog in this fight. I’m happy to believe that crazy speculation distorts markets. And I do think it’s likely that oil prices will come down, for a while, once consumers have a chance to respond more fully to high prices by changing their driving habits, switching to smaller cars, etc.. But the mysticism over how speculation is supposed to drive prices drives me crazy, professionally.

Regionalização

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

Apesar do tema não ter estado especialmente em discussão nos últimos anos, tenho evoluído para uma posição mais favorável sobre a regionalização. As razões principais para estar mais próximo deste modelo são o facto de considerar a necessidade de desenvolver a competição entre regiões do país, existir políticas económicas adaptadas às necessidades locais, campanhas de promoção internacional regionais, maior controlo sobre autarquias, e aumento da competição política regional. Até ao momento fui contra (e hoje provavelmente ainda votaria não a um projecto de regionalização), em especial por considerar que Portugal é relativamente pequeno (pouco mais que uma Andaluzia), não existe a necessidade de criar mais uma barreira nas decisões, mais descentralização pode ser feita via autarquias, e existir o risco de se desenvolver uma classe de políticos pouco orientada para os resultados (mais concentrada em aumentar o poder das estruturas regionais do que no bem dos seus cidadãos).

Apesar de me ter aproximado da regionalização, perco o interesse nela sempre que leio comentários como este, no Kontratempos. É como se estivesse numa estrada a caminho de estar favorável à regionalização e os defensores da mesma mandarem-me retroceder. Quando se entra nestes argumentos bairristas, perco totalmente o interesse pela causa. Por exemplo, neste comentário, Tiago Barbosa Ribeiro começa por dizer que há uma “regionalização de facto favorável a uma só região, no caso Lisboa” e que “é uma espécie de «regionalização natural», assente na absorção dos recursos do país em redor da alta burocracia do Estado”. É daqueles argumentos baseados em não sei que números, mas que muitas vezes terminam em afirmações como: “É um escândalo como o novo aeroporto de Lisboa vai ser construído perto de Lisboa!” ou “Não entendo porque é que o TGV para Espanha liga as duas capitais e não Porto a Madrid?”

De seguida, entra-se nas guerrinhas Porto vs Lisboa: o ponto apresentado é que o Norte tem “as sedes das principais empresas portuguesas e a maior universidade do país” e que por isso merecía mais investimento público (partindo do pressuposto quiçá válido que regionalização=investimento). Quanto a ter a maior universidade do país, só se for por não existirem muitas no Porto, mas certamente não tem mais universitários. Depois, quanto a ter as sedes das principais empresas, não corresponde à verdade, como se vê por exemplo aqui (1000-maiores) na página 44. Segundo este estudo do Público, das 1000 maiores empresas do país, 65% das vendas estão concentradas em empresas com sede em Lisboa!

O parágrafo final de não querer mais do que tem direito é o que mais concordo, em especial se de facto existe actualmente “limitação às possibilidade de desenvolvimento da região”, o que será díficil de provar. No entanto, o problema de ideias como a regionalização (e que provavelmente justificam os votos insuficientes em 1998 ) é que quem a defende usa várias vezes apenas argumentos do tipo “nós contra eles”, em vez de tentar explicar como é que ela pode beneficiar todo o nosso país.

Political fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

Poster da República Popular da China, 1979

First ladies

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 23 Junho, 2008

 

Enquanto não estão escolhidas as caras para vice-presidentes, o acompanhamento mediático das eleições americanas centra-se também na batalha das primeiras damas. Cindy vs Michelle. A última Newsweek tem um retrato de 6 páginas da mulher de McCain, incluindo as controvérsias da sua vida a dois com o candidato republicano. Cindy acredita vir a ter um papel importante na Casa Branca:

Cindy is McCain’s “best friend, best adviser and closest confidant,” she says. As First Lady, she would not sit in on cabinet meetings. But the White House would give her a platform to advance causes, like special education, that are important to her.

O NY Times, numa óptica distinta, analisa a vida de Michelle Obama para explicar como a mulher do candidato democrata procura escapar aos ataques de falta de patriotismo de que foi alvo:

Mrs. Obama has already had to check her brutally honest approach to talking about race. Now she co-stars in a campaign that would as soon mute most discussion of race.

As her plane descends into a northern Montana valley, she sounds like a woman who wishes she could sit voters down for a long talk. “You know, if someone sat in a room with me for five minutes after hearing these rumors, they’d go ‘huh?’ ” she says. “They’d realize it doesn’t make sense.” She extends her long arms, her voice plaintive. “I will walk anyone through my life,” she says. “Come on, let’s go.”

A investigação da vida da mulher dos candidatos vai continuar nesta corrida, e ambos vão procurar mostrar o lado melhor das suas acompanhantes. De certa forma seguindo a orientação partidária, a candidata republicana a primeira dama parece mais parecida com as duas Bush, Barbara e Laura, enquanto “the rock” Michelle será mais do género Hillary. Vamos ver em que termina.

O excepcionalismo português

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 20 Junho, 2008

Pegando no mote de um post de há uns tempos do Francisco, relembro aqui um impressionante gráfico que o Economist publicou há uns anos (mas que infelizmente permanece actual) e que ilustra um dos principais problemas estruturais do nosso país… 

  problem.gif

…que mostra que na Europa ocidental há países ricos nos quais o Estado tem um grande peso na economia, que há países pobres nos quais o Estado tem menos peso na economia e que há países ricos nos quais o Estado tem pouco peso na economia. Mas sozinho e orgulhoso, no canto superior esquerdo, está Portugal, o único que é pobre, com hábitos de rico.

O que é que isto quer dizer?

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 20 Junho, 2008

A Comissão terá que acompanhar o funcionamento dos mercados, por forma a que se possa identificar e combater tudo aquilo que for uma especulação que nada tem a ver com o funcionamento transparente e próprio desses mercados. José Sócrates, via Público

Será que significa encerrar mercados de derivados? Ou especular ela própria comprando puts sobre commodities?

 

Verdades sobre Obama

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 19 Junho, 2008

Barack Obama wears a FLAG PIN at all times. Even in the shower.

Barack Obama goes to church every morning. He goes to church every afternoon. He goes to church every evening. He is IN CHURCH RIGHT NOW.

Barack Obama’s skin is the color of AMERICAN SOIL.

Mais aqui.

Obsessão Política

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 19 Junho, 2008

Gosto imenso de política e estou preocupado com o actual momento de crise política e económica do país e do mundo. Mas estou também cansado dos “doentes da política”, que se multiplicam em cenários de crise. Os sintomas típicos são o quadruplicar do teor político das conversas do dia-a-dia, oscilar entre o desespero derrotista e a constatação do quão simples era resolver o problema A e B ou a fulanização excessiva das crises, que dito de outra forma é a necessidade de identificar um agente que é o “culpado” de uma dada situação (GALP, Bush, Irlanda, etc.). Tempos como este premeiam análises confiantes, simples, absolutas, cínicas, pessimistas. A imagem-espelho desta atitude é a cavalgada eufórica em momentos de expansão económica, quando estes mesmos cínicos levam o optimismo longe demais, criando bolhas especulativas ou afirmando, por exemplo, que a tecnologia vai resolver todos os problemas, os de hoje e os de amanhã.  

Mas o maior problema da obsessão pela política é que esta, curiosamente, resulta quase sempre na mais profunda e abjecta inacção perantes os problemas de um país. É quase uma relação proporcionalmente inversa. Quanto mais uma pessoa vocifera mais provável é que nunca tenha feito nada de concreto para tentar resolver o problema. Talvez o protesto sirva precisamente para mascarar a inacção. Normalmente quem mais contribui para o progresso são as pessoas que identificam um problema na sociedade, reflectem sobre possíveis ideias para a sua resolução, apresentam propostas multi-facetadas, sem garantias de sucesso, e vão para o terreno, usando os media apenas quando constatam que a resolução do problema em causa será beneficiada pela visibilidade pública. 

Relembrando uma acusação muito em voga no século XIX, é de desconfiar dos que amam a humanidade mas não gostam da pessoas, dos que choram com as injustiças e que identificaram já todas as soluções, mas que nunca sujam as mãos.

Isto tudo a propósito deste cartoon do último número da New Yorker:

 

Ausente

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 17 Junho, 2008

Tenho estado com acesso muito limitado à Internet por estas terras.

Spontaneous order

Posted in Desenvolvimento by António Luís Vicente on 16 Junho, 2008

Nesta excelente conferência de William Easterly e de Arvind Subramanian sobre Hayek e a economia para o desenvolvimento, este último conferencista usa dois vídeos como metáforas sobre o nada óbvio papel das regras e das instituições. Num cruzamento russo temos sinais de trânsito que quando falham resultam em acidentes porque há um problema de expectativas – como está verde podemos avançar à vontade…o problema é quando as luzes falham. No segundo caso, no Vietnam, há uma total ausencia de regras (sinais de trânsito) mas colectivamente gera-se uma ordem espontânea.

Onde está Manuela Ferreira Leite?

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 11 Junho, 2008

É lamentável que o PSD esteja a aproveitar o ambiente de tensão e receio provocado pelos bloqueios ilegais de uma minoria de camionistas para tentar ganhar uns fáceis pontos políticos.

Do lado do PSD, o deputado Hugo Velosa afirmou concordar com as críticas feitas pelo CDS-PP, afirmando que o Governo “baixou os braços” perante a “crise que era previsível”. O social-democrata defendeu que o Executivo de Sócrates “tem que intervir” mas não especificou de que forma o deve fazer, afirmando que o Governo tem que “fazer qualquer coisa” para responder aos “sectores mais afectados”. Para o deputado, teriam dado “bom jeito para resolver problemas deste tipo”, os “600 milhões de euros” da receita do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos que o Governo “desviou para as Estradas de Portugal” (Público).

É lamentável que o PSD não esteja na primeira linha na crítica à violação da liberdade de circulação e do direito de trabalhar. Sei que a UGT tem uma agenda muito própria ao redigir o comunicado hoje emitido. Mas ao menos teve o mérito de condenar frontalmente as acções dos camionistas: 

“Face às actuais paralisações dos transportes exige-se do Governo e das autoridades uma actuação consequente no decorrer das suas obrigações e do respeito pelo Estado de Direito”, acrescenta a UGT, denunciando uma “pressão intolerável” de muitos empresários sobre os poderes públicos. (Público)

Manuela Ferreira Leite teria surpreendido pela positiva se tivesse aproveitado a primeira grande questão política desde a sua eleição para marcar a diferença – para mostrar que está disposta a assumir posições claras face às questões importantes (e penso que o estado de direito é uma questão importante) não apenas para comentar e criticar o governo. 

Manuela Ferreira Leite tem a difícil tarefa de diferenciação face a José Sócrates. Mas penso que devia resistir a este estilo de oposição que diz branco quando o governo diz preto. Penso que a nova presidente do partido perdeu uma boa oportunidade. E penso que o país precisa de um PSD que se apresente mais seguro de si próprio, capaz de criar o seu caminho, de acordo com os seus valores e as suas propostas.

Ciências Sociais

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 11 Junho, 2008

No Marginal Revolution, um post de leitura obrigatória para quem tem que fazer trabalho de campo no âmbito de teses de mestrado ou doutoramento em sociologia, ciência política, psicologia, economia e afins.

Oito meses num gráfico

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 11 Junho, 2008

Este gráfico do Wall Street Journal é uma boa ilustração e resumo das primárias democratas. O artigo faz uma excelente autópsia da campanha de Clinton. (via Andrew Sullivan):

Reagir à crise do petróleo

Posted in Internacional, Portugal by António Luís Vicente on 10 Junho, 2008

Apostar em veículos de elevada eficiência energética:

Dr Purves claimed that the use of one wheel instead of four gave great economy of power. This seems highly doubtful. Dr John Purvis had set up the West of England Electricity Company, so he was presumably not a solitary eccentric. This picture and those below from Popular Science (USA magazine) sometime in 1932. (toda a história aqui

Obama-Bloomberg

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 9 Junho, 2008

Pouco provável, mas para mim este seria o “ticket” ideal:

Petróleo

Posted in Internacional by António Luís Vicente on 8 Junho, 2008

A propósito da actual crise, alguns blogs americanos salientaram o interesse deste recente artigo do Federal Reserve Bank of Dallas. Trata-se de uma análise interessante, oferecendo uma  visão mais optimista do que a média. Inclui também alguns gráficos úteis, como este que mostra que em preços reais, apenas recentemente se ultrapassou os máximos históricos do início dos anos 80:

 

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História do presente

Posted in Estados Unidos by António Luís Vicente on 4 Junho, 2008

Neste caso o cliché justifica-se: foi uma campanha histórica, foi uma vitória histórica, é um dia histórico.

Imagem: Business Week

 

Political Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 3 Junho, 2008

Campanha do Partido Conservador, Reino Unido, 1909

Privatizar a CGD

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 3 Junho, 2008

Via Insurgente, tive acesso a este post no Small Brother, no qual Ricardo Francisco defende a privatização da Caixa Geral de Depósitos. Embora não me oponha frontalmente a alguns dos argumentos apresentados, não os vejo como suficientes para tornar este tema como uma prioridade para um qualquer programa de Governo. Ricardo Francisco apresenta quatro razões para privatizar a Caixa:

1. O Estado não pode regular e actuar no mercado ao mesmo tempo (suponho que seja isso que queira dizer com “ser fornecedor”) – Por princípio parece-me correcto, mas este argumento peca por falta de evidência. Não me recordo de no sistema financeiro nacional os restantes players se terem queixado em processos relevantes de favoritismo à CGD por parte do regulador, ou inclusivé de concorrência desleal/preços predatórios pelo banco do Estado.
2. O Estado não precisa de um banco para distribuir riqueza – Verdade, mas (1) essa nem sequer é uma razão apontada para o Estado ter a CGD; e (2) também não é por se privatizar a Caixa que o Estado vai distribuir melhor a riqueza.
3. Qualquer coisa como, a Caixa nem sempre usa critérios económicos nos seus financiamentos/investimentos – Mais uma vez, gostaría de ver evidência disso. Casos isolados como a compra da Compal têm situações comparáveis (ainda que menos mediáticas) no sector privado.
4. A Caixa tem baixos retornos sobre o capital próprio – Se o sistema financeiro nacional é referência, isto não corresponde à verdade. Perdendo cinco minutos para ir aos respectivos sites, pode-se verificar que o retorno sobre o capital próprio da CGD em 2007 foi de 21%, o que não compara mal com os 14% do BCP, 17% do BES ou 22% do BPI.

Deste modo, nenhuma das quatro razões parece ser suficientemente forte para mobilizar um processo de privatização. Isto sem sequer me alongar sobre os problemas de tentar privatizar a Caixa. Como disse aqui, ideias liberais que acabem por centrar-se em medidas como esta de privatizar a Caixa – de dificil viabilidade e reduzidos benefícios – tenho muitas duvidas que alguma vez venham a servir a causa dos seus promotores.

Gráficos

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 1 Junho, 2008

Na imprensa em geral, e na imprensa portuguesa em particular, é habitual ver gráficos mal pensados e mal desenhados. Pode ser que ocasionalmente a intenção seja induzir em erro, mas estou convencido de que na maior parte dos casos o problemas deve-se ao desleixo natural e à dificuldade da tarefa.  

Não é fácil criar gráficos que sejam ao mesmo tempo rigorosos, estéticamente interessantes e eficazes do ponto de vista da comunicação. Ha tempos li que o New York Times tinha uma equipa de 30 pessoas só para desenhar gráficos e tabelas para o jornal, o que dá frutos, mas não impede erros ocasionais.    

Há uns dias o 37 Signals discutia o poder dos gráficos através da história, aparentemente verdadeira, que Bill Gates terá mudado o enfoque da sua fundação – a maior do mundo – após ler uma tabela no New York Times – vale a pena ler o post “The infographic that saved a million lives“.

A grande autoridade nesta área é Edward Tufte. O seu website e o seu livro “The Visual Display of Quantitative Information“, inclui discussões admiráveis sobre o tema assim como inúmeros conselhos sobre como melhorar os nossos gráficos e detectar falácias nos dos outros. Em Portugal existe também um excelente blog/site dedicado ao tema, o Charts, de Jorge Camões.  

Tufte redescobriu para o mundo este gráfico do séc. XIX, que para ele é um dos mais geniais alguma vez desenhado. Ilustra o avanço das tropas napoleónicas sobre a Rússia, mostrando de forma eficaz a matança causada por essa campanha, sugerindo porque é que representou o princípio do fim para Napoleão. A espessura da linha cinzenta-clara representa a dimensão do exército, que no momento da partida é de 422.000 soldados. Finda a campanha, regressaram a França (retorno ilustrado a cinzento escuro) apenas 10.000. O gráfico cruza ainda esta informação com as temperaturas negativas a que os soldados foram estando expostos ao longo do caminho, mostrando assim o papel do “General Inverno”. A batalha do Rio Bérézina, uma das mais trágicas derrotas militares da história da França, é arrepiadamente ilustrada no “estreitamento” súbito da linha mais escura (a do regresso) na passagem do rio – o exército passa de 50.000 para 28.000 soldados…(uma versão maior do gráfico aqui).   

 

Liberal-pessimista

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 27 Maio, 2008

Há quem seja liberal-conservador e quem seja conservador-liberal. Há liberais-paternalistas. Há quem seja liberal e conservador, afirmando não ser conservador. De forma muito coerente, os liberais optam, e muito bem, pela livre-escolha de rótulos. Eu sou liberal-pessimista.  

O que é que isso quer dizer? Quer dizer que sou liberal mas que tenho quase a certeza absoluta de que os liberais nunca deixarão de ser uma muito pequena minoria, que se torna ainda mais pequena se forem excluidos desta categoria (o que me parece correcto) os crazy libertarians e os anarco-capitalistas. Não vou entrar em pormenor sobre as razões do meu pessimismo. No fundo, simplificando muito, acho que o liberalismo não é uma natural disposition humana. Suspeito que não demorará muito tempo a que se estabeleça com maior firmeza aquilo que já é sugerido hoje pela psicologia cognitiva e evolucionária e pela neurologia – que a generalidade das pessoas valorizam a protecção do Estado e que estão dispostas a sacrificar a liberdade e outras restricções e custos do Estado em troca de vantagens reais ou imaginadas (não por isso menos importantes) do mesmo. Como liberal lamento isso, mas também como liberal farei muito pouco para contrariar esta tendência. 

Woody Allen dizia que “death is an acquired trait”. Acho que ser liberal também o é. 

Descendo um bocado à terra, para a área das políticas públicas, este meu pessimismo é justificado por exemplo pela evolução do peso do Estado nas últimas décadas, sob governos de esquerda e de direita, ou pela forma como a maioria dos empresários lida com o Estado e com a concorrência. Em relação a este último aspecto, sou forçado a concordar em parte com Daniel Oliveira, neste artigo no Expresso, quando refere que:

Durão Barroso defendeu a privatização da CGD. Passos Coelho também defende. Um esqueceu e outro esquecerá, porque os empresários nacionais precisam de um banco público para as horas difíceis. Os nossos liberais fazem voz grossa contra a intervenção do Estado na economia mas desaparecem quando se assinam acordos com a Lusoponte ou quando empresas de construção civil financiam os partidos de poder à espera de bons negócios. 

Em relação à redução do peso do Estado, confesso que há uns anos era optimista. Mas gradualmente fui perdendo a ingenuidade, ao constatar fenómenos como o aqui resumido por Fareed Zakaria no seu The Future of Freedom:

Since the early 1980s, three Republican presidents … one Republican speaker, and one Democrat president have tried to pare down government spending. But they bumped up against the reality of interest-group power. As a result, in eight years Reagan was able to close exactly four government programs of any note…Bush senior…proposed killing 246 smaller programs. The savings would have been tiny: about $3.5 billion, or .25 percent of federal spending. Still he turned out to be too ambitious…only eight program were killed amounting to a grand savings of $58 million…Newt Gingrich and his freshman horde came to power on a platform dedicated to changing the way Washington worked…four years later, the Republican revolution was in shambles…The Republican began in 1995 with a budget proposal that would have eliminated about 300 programs…saving more than $15 billion. Then the lobbying began…It turned out that most Americans wanted smaller government in the abstract, but they were not the ones calling their congressmen. A few months later the Republicans ended up passing a budget with total reductions of $1.5 billion, only one-tenth of what they had planned, and totaling only .001 percent of the overall budget.*  

Mas ontem descobri uma ilustração ainda mais deprimente, num artigo que tem sido muito discutido por estes dias, The Fall of Conservatism, de George Packer, New Yorker (que é algo atenuada pela possibilidade da parte anedotal não ser verdadeira): 

According to Buchanan, who was the White House communications director in Reagan’s second term, the President once told his barber, Milton Pitts, “You know, Milt, I came here to do five things, and four out of five ain’t bad.” He had succeeded in lowering taxes, raising morale, increasing defense spending, and facing down the Soviet Union; but he had failed to limit the size of government, which, besides anti-Communism, was the abiding passion of Reagan’s political career and of the conservative movement. He didn’t come close to achieving it and didn’t try very hard, recognizing early that the public would be happy to have its taxes cut as long as its programs weren’t touched. 

* – Aos liberais-optimistas que acham que este falhanço se deve apenas aos grupos de interesse, sugiro a leitura de “The myth of the rational voter“, de Bryan Caplan. 

Gasolina está barata

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 26 Maio, 2008

Eu sei que a gasolina é muito mais cara em Portugal do que nos EUA, mas é interessante ler a visão contrarian de Robert Bryce na Slate sobre o preço actual do petróleo:

By almost any measure, gasoline is still cheap. In fact, it has probably been far too cheap for far too long. The recent price increases are only beginning to reflect its real value.

When measured on an inflation-adjusted basis, the current price of gasoline is only slightly higher than it was in 1922.

Gasoline is also a fairly minor expense when you consider the overall cost of car ownership. In 1975, gasoline made up 33.4 percent of the total cost of owning and operating a car. By 2006, according to the Bureau of Transportation Statistics, gasoline costs had declined to just 17.1 percent of the total cost of car ownership.

No entanto, é curioso que o ano de comparação desde último dado seja 1975, e que já tenha sido argumentado – sem conclusões muito fidedignas – que os preços relativos das commodities têm naturalmente uma tendência decrescente…

 

Incerteza

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 24 Maio, 2008

Este magnífico excerto de uma entrevista a Richard Feynman , muito bem apanhado pelo Goodnight Moon

…fez-me pensar numa eficaz metáfora concebida por Isaiah Berlin (e aqui resumida por Aileen Kelly na introdução ao livro de Berlin “Russian Thinkers”):

[P]luralist visions of the world are often the product of historical claustrophobia, during periods of intelllectual and social stagnation, when a sense of the intolerable cramping of human faculties by the demand for conformity generates a demand for ‘more light’, an extension of the areas of individual responsibility and spontaneous action. But as the the dominance of monistic doctrines throughout history shows, people are much more prone to agoraphobia: at moments of historical crisis, when the need for choice generates fears and neuroses, they eagerly trade the doubts and agonies of moral responsibility for deterministic visions, conservative or radical, that give them ‘the peace of imprisonment, a contented security, a sense of having at last found one’s proper place in the cosmos’.

 

Creativity loves constraints II

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 23 Maio, 2008

Situação social

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 23 Maio, 2008

A União Europeia acaba de publicar um relatório sobre a situação social nos países da comunidade (ssr2007). A notícia nos jornais foi que Portugal é o país da União que tem um maior nível de desigualdade, medido através do coeficiente de Gini. Este dado é preocupante, sobretudo pela diferença clara face aos restantes países em estudo. Apesar de absolutamente mau, este indicador tem que ser lido com certo cuidado (e não, não é porque os dados são de 2004).

Em primeiro lugar, está uma questão da relevância da desigualdade para o desempenho económico. O relatório da União Europeia deixa entender por meias palavras que menor desigualdade implica maior crescimento económico. Na realidade, os estudos que tem sido feitos sobre o tema são muito contraditórios e há resultados para todos os gostos. Por exemplo, Forbes conclui que falta de equidade é bom para o crescimento (forbes). Por outro, Alesina e Rodrik, sugerem exactamente o contrário (alesina). E, mais interessante, Banerjee e Duflo indicam que mudanças na desigualdade em qualquer dos sentidos (para mais ou para menos), são associadas com menor crescimento no período seguinte (banerjee). Assim sendo, não é claro que a maior desigualdade seja explicação para a fraca performance económica portuguesa. E certamente nada nos diz que mais desigualdade seja sinónimo de socialismo, como indica o Atlântico (veja-se por exemplo o caso dos EUA, ou em contraste a Suécia).

Para além disso, é preciso não ficarmos pela página 4 de um relatório de 199 páginas. A desigualdade portuguesa compara de uma forma favorável com os restantes países mais pobres da União (particularmente os de Leste) num ponto fundamental: estes países combinam mais equidade com maiores níveis de pobreza do que Portugal, o que indica que têm mais pobres como percentagem da população e os ricos são menos ricos. Ora, isso não é mau, quase que diria que até é relativamente bom.

 Índice Gini, 2004

 

Percentagem da população com rendimento abaixo de 60, 50 e 40% da mediana do rendimento disponível da União Europeia, 2004

Kosovo

Posted in Internacional, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 22 Maio, 2008

Faz amanhã três meses que escrevi este post. Neste mapa continuamos em amarelo.
Qual é a ideia, ver se passamos despercebidos ou compensar os passeios à Venezuela?

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Creativity loves constraints*

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 21 Maio, 2008

No extraordinário e infelizmente descontinuado blog Creating Passionate Users, de Kathy Sierra, falava-se às vezes da pouco óbvia e nada intuitiva ideia de que a criatividade precisa de constrangimentos.

Existem dois grandes mitos na história de arte: o de que os grandes artistas são anti-sistema, marginalizados e pobres (ideia popularizada em finais do séc. XIX, tipo La Bohème) e o de que os artistas precisam de total liberdade criativa para produzir o seu melhor trabalho. Compreende-se que estas ideias feitas sejam perpetuadas por artistas e críticos. Mas a verdade é que esta imagem romântica deve ser atraente para as pessoas em geral, pois algo tem que explicar a sua permanência perante a evidência histórica. Ao longo dos séculos a maior parte dos grandes artistas esteve ligada ao poder e serviu o poder. Isto não é necessáriamente uma crítica, é uma constatação. Quanto ao segundo mito, o dos constrangimentos, a questão é mais subtil. Gostamos de acreditar na liberdade total do artista. Mas o facto é que as restricções da época, do estilo dominante, e as que o próprio artista estabelece, são indissociáveis da obra e não são necessáriamente nocivas. Os grandes artistas revelam a sua genialidade no confronto com os espartilhos da sua obra, como Camões fez no uso do decassílabo nos Lusíadas, por exemplo. 

Claro que este conceito tem sido rejeitado ao longo do séc. XX, com a ideia da rebeldia na arte e com a glorificação da quebra de regras e tradições. Um artista é (deve ser) totalmente livre. Mas a rejeição do constrangimento talvez seja o maior constrangimento auto-imposto da história de arte. Mas para esta ainda mais complexa questão já não tenho verbo, pelo que me resta citar alguns dos poucos artistas do séc. XX que tiveram a “coragem” de ser contrarians nesta questão, e que Kathy Sierra relembrou neste contexto:      

I don’t believe in total freedom for the artist. Left on his own, free to do anything he likes, the artist ends up doing nothing at all. If there’s one thing that’s dangerous for an artist, it’s precisely this question of total freedom, waiting for inspiration and all the rest of it. Federico Fellini

Man built most nobly when limitations were at their greatest. Frank Lloyd Wright

In art, truth and reality begin when one no longer understands what one is doing or what one knows, and when there remains an energy that is all the stronger for being constrained, controlled and compressed. Henri Matisse

* – Título roubado deste excelente artigo de Marissa Mayer, vice-president for user experience da Google, que reflecte sobre esta questão num âmbito empresarial.  

O pavilhão burguês

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 18 Maio, 2008

É bem sabido que a doutrina comunista reduz tudo à luta de classes. Mas é a primeira vez que vejo luta de classes entre pavilhões. José Saramago não concorda com o facto do grupo Leya (dono da editora dos seus livros) ter sido autorizado a fazer pavilhões melhores do que os outros. Até pode haver argumentos a considerar nesta questão – o efeito estético de ter dois tipos de pavilhões, por exemplo – mas usar termos como “discriminação” e “imponentes” e dizer que esta solução “exibe uma diferença de classes”, é entrar num certo exagero. Até porque independentemente do mérito desta solução específica, o facto é que claramente algo tem que mudar na feira do livro, que está parada no tempo e decadente. E a posição de força do grupo Leya tem pelo menos o mérito de iniciar a mudança. Ou será que é isto que Saramago quer preservar? É esta a “festa democrática”?:

 

Political Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 18 Maio, 2008

Campanha de Boris Johnson para Mayor de Londres, 2008

PS: Impostos sobre hardworking people = impostos sobre cerveja, cigarros, etc;
Se fosse nos EUA, o cartaz talvez incluisse bíblias e espingardas

Sócrates na Venezuela

Posted in Internacional, Portugal by codfish on 15 Maio, 2008

Solicitámos a Federico Ortega, economista venezuelano, que escrevesse sobre a visita de Sócrates ao seu país. Federico estudou na Universidad Católica Andrés Bello, tendo trabalhado como economista, entre outros projectos, na Corporación Andina de Fomento. Ele está neste momento a terminar um mestrado em administração pública pela Universidade de Harvard e escreve regularmente para o blog venezuelano Economía, Política y Petróleo. Aqui fica o texto que nos enviou, que muito agradecemos:

Francisco me pidio que escribiera unas lineas sobre el acuerdo firmado entre el Primer Ministro Socrates y el Presidente Chavez esta semana. Aunque no soy necesariamente un experto en estos temas, espero que encuentren valor en estas ideas escritas desde la perspectiva venezolana.

A manera de contexto, lo primero que diria es que este acuerdo no es de ninguna manera extraordinario. El mismo se enmarca dentro de una serie de acuerdos firmados en anos recientes con otros gobiernos “amigos” del venezolano. Se han firmado acuerdos similares con Cuba, Londres, Massachusetts, Brasil, Bolivia, Nicaragua, entre otros. Que es lo que tienen en comun estos sitios? que son gobiernos de izquierda, que comparten (con claros y a veces marcados matices) la ideologia del presidente Chavez, y estan en posicion de proporcionar un apoyo a la imagen internacional de la revolucion bolivariana. La mayoria de los acuerdos involucran de alguna manera provision de petroleo, nuestro principal commodity, garantizando condiciones beneficiosas para el comprador como pago a credito, descuentos o pagos a traves de bienes y servicios. Con Argentina se intercambia petroleo por carne, con Cuba por medicos y con Londres por consultores expertos en trafico. Los acuerdos tambien suelen incluir contratos publicos para empresas extranjeras, como construccion de infraestructura o inversiones conjuntas en hidrocarburos o mineria.

Hay dos puntos que me parece importante resaltar de estos acuerdos. En primer lugar que representan casi una internacionalizacion del mismo sistema clientelista que existe en Venezuela. La politica internacional bolivariana es netamente transaccional; si se es amigo del gobierno se recibe ayuda economica, si se critica, se entra al grupo de los “imperialistas”. Y aunque Venezuela siempre ha hecho diplomacia con petroleo, ayudando tradicionalmente a paises pobres de la region, lo que pareciera ser innovador es que lo que se pide a cambio no es necesariamente un apoyo a los interes del pais, sino a los de la revolucion. En segundo lugar, aclararia que no todos los apoyos son iguales. Con Cuba, Bolivia y Nicaragua la relacion es mas estrecha, en parte por la cercania ideologica entre los jefes de gobierno. Con ellos, los acuerdos se han enmarcado dentro del esquema de la Alternativa Bolivariana para las Americas (ALBA), un esquema de integracion regional. Con otros paises, los apoyos dependen de lo que el pais pueda ofrecer. Con Brasil y Argentina la entrada al MERCOSUR es una carta importante, con Londres y Boston se busca mejorar la imagen de Venezuela en el mundo, con Rusia se buscan armas y con Portugal creo que se busca que juegue un rol de advocacia dentro de la Union Europea. Luego de la disputa con Espana, Portugal se convertiria en el aliado mas importante del gobierno en Europa.

La pregunta mas relevante para Portugal es, sera este un acuerdo beneficioso? Los beneficios son claros, buenos negocios, petroleo barato, nada malo ahi. Los costos son mas dificiles de medir. Por un lado, apoyar publicamente a la revolucion bolivariana puede ser incomodo, y si Chavez se redicaliza mientras vaya perdiendo poder, los costos se podrian incrementar. Estos costos pueden ser domesticos (aprovechado por la oposicion) e internacionales (quedando mal ante la comunidad internacional). En fin, no es facil calcular el efecto neto, sin embargo creo que podriamos tomar el caso de Brasil como una buena referencia. Brasil es el pais que ha firmado los mas jugosos acuerdos de costruccion de obras publicas, joint ventures petroleros, y exportaciones a Venezuela. Esto ha tenido costos para Lula, pero lo ha sabido manejar bien. Cuando se han incrementado las criticas en la oposicion, Lula ha logrado utilizar la coalicion de empresaros que se benefician por los acuerdos. Internacionalmente aunque tambien ha sido criticado, ha presentado su posicion como la de mediador, sin otorgar un apoyo incondicional, pero sirviendo de puente entre los “imperialistas” y Hugo. En definitiva, creo que Brasil se ha beneficiado mucho de su relacion con Chavez y me atreveria a decir que, despues de Cuba, es elpais que ha obtenido los mayores beneficios. Le podra ir a Portugal tan bien? considerando que esta en una posicion diplomatica todavia mas comoda -no siendo vecino- no veo porque no. Aunque definitivamente hay riesgos de que los costos se incrementen ante una radicalizacion de la revolucion, creo que vale la pena arriesgarse. Los beneficios obtenidos son largos, parecen valiosos y dificiles de quebrar. Mi impresion es que Socrates esta aprendiendo las lecciones de Lula y esta haciendo un buen negocio.

Four Links on Liberty

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 15 Maio, 2008

(nota: imagem retirada deste projecto, cujo objectivo “utópico” é o de colocar uma hélice na estátua da liberdade para simbolizar o facto de, na opinião dos promotores, uma sociedade só ser verdadeiramente livre se for sustentável do ponto de vista energético e ambiental – ou seja um típico argumento de “positive freedom”, na caracterização e crítica de Isaiah Berlin). 

Links

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

  • Comentário no FT de Robert Kagan, assessor de McCain, em defesa da “liga das democracias”.
  • Análise da questão da raça na campanha para a Casa Branca no The New Republic.
  • Artigo sobre o livro “Dinner with Mugabe: The Man Behind the Monster” de Heidi Holland.
  • A lista de What Every Good Marketer Knows por Seth Godin.

O Africano

Posted in Desenvolvimento, Portugal by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

De acordo com um estudo recente do Center for Global Development, Portugal classificou-se em sexto em 21 paises ricos no índice Commitment to Development Index for Africa. Este índice contempla o esforço de assistência de países desenvolvidos a países africanos, não só em termos de ajuda financeira, mas também ao nível de políticas e práticas de comércio, migração, investimento, ambiente, participação em operações de segurança e transferência de tecnologia. A classificação de Portugal resulta em grande medida do primeiro lugar na lista na abertura das fronteiras à emigração africana. Contribui também para essa sexta posição a participação de Portugal em operações de segurança da ONU.

No entanto, este estudo é concentrado em África – no mais genérico Commitment to Development Index de 2007, Portugal ficou em décimo oitavo entre os tais 21 países (e sim, o estudo já tem em conta as diferenças de PIBs). Na prática, o aparente “bom” resultado de Portugal na assistência a África é só sinónimo do facto do nosso compromisso com o desenvolvimento estar aí concentrado.

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Guerras

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 15 Maio, 2008

Enquanto se mantiver a guerra do Iraque, Bush não joga golfe.
Enquanto se mantiver a guerra da ASAE, Sócrates não fuma.

Fish maps

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 14 Maio, 2008

Na VSL: “More often than not, trolling websites that end with “.gov” is about as much fun as renewing your driver’s license. But if you check out the U.S. Census Bureau’s website, you can fully access a truly awesome book: the Census Atlas of the United States”.

Vale a pena ver este website com links para pdfs com informações do último census dos EUA. Através de uma apresentação bem cuidada, os documentos incluem gráficos como este abaixo por origem da população, distribuição etária, educação, sector de actividade, rendimento, etc. Têm igualmente comparações entre 1950 e 2000, permitindo de uma forma muito visual analisar os indicadores nos dois momentos do tempo.

 

A história do fim do fim da história

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 12 Maio, 2008

Há uns anos Frederico Lourenço adaptou a Odisseia para crianças. Hoje resolvi adaptar um post do 5 dias – “o fim do fim da história” – para adultos: 

Era uma vez a esquerda e a direita e os seus amigos socialismo, social-democracia e conservadorismo. Viviam todos num reino chamado Ocidente. Um dia a direita acordou e disse “venci-te, socialismo…o jogo acabou”. Mas no fundo, no fundo, quem tinha ganho era a social-democracia.

A esquerda era mal comportada e fazia muitas asneiras…pelo que teve que parar e descansar um bocado. “ufa, estou cansada”. A direita estava toda repimpona, pois viu um muro a cair.

Viviam-se os dias do Caranguejo, e o sol brilhava no reino do Ocidente. Era primavera e o amor estava no ar: o conservadorismo gostava da social-democracia, mas tinha vergonha de o dizer.

De modo que o passo seguinte da direita foi avançar para o neo-conservadorismo (um primo – ou talvez não – do conservadorismo, que tinha acabado de chegar ao reino). 

Os cacos estão à vista de todos. A história está a chegar ao fim. Quando? Logo que o mundo se consciencialize verdadeiramente da dimensão do buraco em que os maus mergulharam a América. 

Existe por vezes a tendência para infantilizar a política, para cair num antropoformismo de categorias e conceitos, para tratar processos históricos como se fossem decisões tomadas em quartos cheios de fumo de charuto, pelas 2 da manhã  (“o passo seguinte da direita foi…”), para simplificar em demasia, encontrando causas primordiais para tudo. É uma tendência natural, mas que se deve procura combater e não abraçar, como se constata no citado post. E julgo que o facto de ser um post em vez de um artigo de fundo não desculpa estes aspectos – ninguém é obrigado a explicar a evolução política da humanidade nas últimas duas décadas em 5 curtos parágrafos.

Fishtoon

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 12 Maio, 2008

Via Slate

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Fishtoon

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 12 Maio, 2008

Via Slate

Ainda sobre a crise alimentar

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 10 Maio, 2008

José Manuel Pureza escreveu no Arrastão um post interessante sobre a crise alimentar. Comenta também o mesmo tema no Público. Concentrando-me no que escreve no Arrastão, o Professor de Economia da Universidade de Coimbra levanta algumas questões relevantes e procura dar-nos algumas lições de como ler os acontecimentos. Apesar de perceber os seus argumentos, sinto-me na obrigação de questionar algumas das posições e realçar que algumas questões não deveriam ser interpretadas de uma forma tão determinística.

José Manuel Pureza começa por apresentar um caso específico, o Haiti, deixando a entender pelos exemplos acima que se trata de uma situação genérica entre os países em vias de desenvolvimento. Não sei se por falta de espaço, decidiu excluir da análise outros países como o Vietnam que beneficiaram da abertura dos mercados e da subida dos preços agrícolas. Veja-se por exemplo este estudo (crise-alimentar) que sugere que uma subida de 10% dos preços do arroz diminui a pobreza no Vietnam em 0,7 pontos percentuais (e 1pp nas zonas rurais). Se alguma coisa, as políticas actuais anti–globalização em países como o Vietnam ou a Tailândia (subida das tarifas sobre as exportações), estão a contribuir para a pressão sobre o preço de produtos como o arroz.

Apesar de existirem países que ganham e países que perdem, fiquemos, então, pelo Haiti, uma vez que a sua situação é preocupante. José Manuel Pureza diz-nos que “o Haiti importa 80% do arroz que consome e ao dobro do preço anterior”. Acreditando que esta é a situação actual neste país, convém não esquecer também que a abertura das fronteiras permitiu que os haitianos comprassem arroz a preços mais baratos do que a produção local durante todos estes anos – caso contrário, não teriam abandonado a agricultura local. Além disso, embora seja verdade que o Haiti esteja neste momento a sofrer da subida dos preços internacionais, não há nada que nos diga que isso não aconteceria se se tivesse mantido fechado. Nessa situação, os produtores locais, conhecendo que as alternativas internacionais estão mais caras, provavelmente aproveitariam para também subir os preços.

Ainda neste exemplo do Haiti, teria tido mais cuidado com dois pontos. Em primeiro lugar, José Manuel Pureza utiliza o arroz como ilustração do fenómeno da globalização, quando se há discussão é que o arroz não é suficientemente global – o comércio internacional de arroz representa apenas 5 a 7% do seu consumo. Depois, deixa entender que os subsídios agrícolas em países como os EUA estão a influenciar esta crise, quando na prática, se alguma coisa, estão a manter os preços artificialmente mais baratos.

Em relação às lições que nos deixa, na primeira, diz-nos basicamente que maior escala agrícola e maior inovação correspondem a custos mais caros de produção do que aquela que se consegue em pequenos lotes. Se assim é, porque é que os agricultores optam por essa via? Paul Collier, pelo contrário, afirma:

The remedy to high food prices is to increase food supply, something that is entirely feasible. The most realistic way to raise global supply is to replicate the Brazilian model of large, technologically sophisticated agro-companies supplying for the world market. To give one remarkable example, the time between harvesting one crop and planting the next, in effect the downtime for land, has been reduced an astounding thirty minutes. There are still many areas of the world that have good land which could be used far more productively if it was properly managed by large companies. For example, almost 90% of Mozambique’s land, an enormous area, is idle.

A segunda lição resulta de um argumento muito utilizado hoje em dia para explicar a crise alimentar. Segundo esta visão, os investidores internacionais têm especulado sobre as commodities para compensar a má performance dos mercados financeiros resultante da crise do subprime. Embora mais recentemente isto até possa fazer sentido, este argumento é em si muito especulativo. Se assim fosse verdade, para além da subida dos preços, existiria um aumento dos open interests dos contratos de futuros sobre estes produtos desde que se iniciou a crise imobiliária (Set. 2007). Na realidade, como se pode ver aqui e aqui, o aumento do volume de transacções é anterior à crise do subprime, indicando que não está directamente relacionado.

Por último, esquecendo Sócrates, que pouco tem a ver com este caso, embora concorde com a necessidade de ter cuidado com “choques liberalizadores” como a solução para o problema (talvez não pelas as mesmas razões), tenho alguma dificuldade em perceber como é que termos “hortas nos centros das cidades” nos ajudaria a resolver este sério dilema.

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Terá mesmo chegado ao fim?

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 9 Maio, 2008

João Jesus Caetano apresenta no Goodnight Moon cinco razões pelas quais a corrida democrata pode não ter chegado ao fim. Destaque para:

Clinton poderá vir a ter na Virgínia Ocidental e no Kentucky duas das três melhores perfomances eleitorais em todo o processo. Ninguém, no seu juízo completo, abandonaria a corrida dias antes de vitórias dessa dimensão.

 

Secção “Livros sobre Portugal”

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 9 Maio, 2008

«Pode esta censura ser rejeitada na Assembleia da República, mas sem dúvida é aprovada no país» [líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares]

Candidatos PSD II

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 9 Maio, 2008

A Visão apresenta esta semana um questionário aos 5 candidatos à Presidência do PSD. Das respostas, pouco há a retirar. Destacaria, no entanto, o seguinte:

– Sobre a redução dos impostos em 2009, Manuela Ferreira Leite respondeu com ar superior “Ninguém, com seriedade, face aos dados hoje disponíveis, pode definir um cenário macroeconómico para 2009”. Se for eleita Presidente do PSD, penso que vai passar o tempo a dar-nos lições de economia. Disse este comentário apesar de sabermos que o mínimo é  que o Governo tenha uma noção das linhas gerais do Orçamento que vai apresentar dentro de cinco meses….enfim. Pedro Passos Coelho e Santana Lopes dizem sim e não, respectivamente. Talvez o último tenha a melhor resposta.

– É sintomático que Manuela Ferreira Leite, como única mulher, tenha sido a única dos cinco candidatos que não respondeu à pergunta: “Consigo, como vai o partido captar mulheres para cumprir a Lei da Paridade em 2009?”

– Sobre a redução do peso do Estado, Ferreira Leite responde “o peso do Estado é um conceito global e não sectorial”. Muito interessante, mas se pudesse especificar o que isso quer dizer, agradecíamos. Sobre o mesmo tema, Pedro Passos Coelho e Santana Lopes defendem a redução do Estado em sectores chave da economia. Aliás, neste campo, Passos Coelho na entrevista ao Correio da Manhã da semana passada defendeu a saída do Estado da Caixa Geral de Depósitos e da RTP, isto como forma de se apresentar ao eleitorado como “liberal”. Julgo, no entanto, que para ser conotado como tal, esse não é o discurso. Não tenho nada contra a venda da CGD, mas também não tenho muito a favor. Para o trabalho que daria a um governo esse processo, não sei se é uma guerra que valha a pena comprar. Duvido que seja isso que melhore os nossos níveis de crescimento, o que devería ser o enfoque de qualquer candidato. Que eu saiba, a CGD tem limitado muito pouco – se alguma coisa – a actividade de outros bancos, não sendo assim um entrave ao desenvolvimento do sistema financeiro. Para tomar medidas como terminar com a obrigação de determinados portugueses só receberem a sua pensão/salário através da CGD, parece-me que não é necessário privatizá-la. Na prática, acredito que se Passos Coelho ou outro quer ter um discurso com ideias liberais (muito em voga na blogosfera), então devería posicionar-se por exemplo mais nas reformas do mercado laboral, em que Portugal está na posição 157 em 177 países no Doing Business Report do Banco Mundial. Outras áreas que deveria utilizar no seu discurso liberal, e que me vêm à cabeça neste momento, são por exemplo o aumento dos provedores de serviços ao Estado; o apoio à regulação de sectores centrais da economia; o aumento da competição em serviços tradicionalmente públicos como a saúde, educação, gestão de resíduos; o desenvolvimento de medidas que premeiem a inovação e o empreenderismo privado, etc. Tudo isto e talvez mais, mas duvido que privatizações como a CGD seja o caminho – isso dará muito trabalho e provavelmente muito pouco retorno.

Crise alimentar

Posted in Desenvolvimento by Francisco Camarate de Campos on 7 Maio, 2008

 

Muito tem sido escrito nos últimos dias sobre a crise alimentar. O aumento dos preços agrícolas é um daqueles temas que, como diz Krugman sobre outro assunto, os economistas consideram que têm o “direito” de dizer alguma coisa. Vale a pena ler aqui, aqui, aqui e aqui. É preciso algumas reservas na leitura de algumas opiniões, mas em geral começa a existir algum consenso. As mensagens que considero mais relevantes incluem:

 – O problema tem sobretudo origem no aumento da procura mundial.

 – O aumento dos preços alimentares não é mau em si. Como em várias outras situações, há vencedores e perdedores. Veja-se por exemplo aqui e aqui. Para países exportadores líquidos (ex: Vietnam), o efeito do aumento dos preços é positivo. Pelo contrário, para importadores em termos líquidos o efeito é negativo (ex: Bolívia).

– Dentro de cada país, também existem efeitos distributivos: as comunidades rurais têm a ganhar com o aumento dos preços, enquanto que as urbanas têm mais a perder. Os pobres urbanos têm normalmente maior poder para protestar nas ruas e para serem ouvidos. Daí os protestos que se têm assistido (exemplo do contrário, são por exemplo as greves dos agricultores na Argentina, depois do governo ter aumentado os impostos sobre as exportações para níveis próximos dos 50%).

– O efeito de aumento da procura é mais permanente do que temporário, mas existe uma componente que sería evitável e que se espera que os países desenvolvidos tenham a capacidade política de reduzir. O consumo de biocombustíveis é entendido como ineficiente no combate ao aquecimento global, tendo se desenvolvido em países como os EUA devido ao poder de lobbies de agricultores junto dos seus governos. Para o futuro, não faz sentido que continuem a desvirtuar a procura de produtos como o milho.

– As soluções para a crise alimentar devem ter duas componentes: uma de curto prazo, antes da oferta começar a compensar o excesso de procura, e outra de longo prazo. No curto prazo, evitar situações de pobreza extrema através de por exemplo a distribuição de food stamps poderá ser uma via. A médio prazo, as visões são mais díspares, mas é fundamental o aumento da oferta, seja via aumentos das escalas de produção em países em vias de desenvolvimento, seja via maior abertura ao comércio internacional. A primeira parece plaúsivel e estar a desenvolver-se aos poucos, com os riscos de conflitos sociais na migração de pessoas do campo para a cidade. A segunda tem de se ter algum cuidado como é feita – por exemplo, a redução dos subsídios agrícolas na Europa, à partida apelativa, deverá ter o efeito imediato de aumentar os preços internacionais dos produtos, aquilo que aparentemente queremos evitar.

 

Indiana e NC II

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 7 Maio, 2008

11:59pm ET: Apesar de em menos de uma semana, Hillary Clinton ter recuperado de -3 para +2 na diferença face a Obama em Indiana, os resultados da candidata nos dois Estados que hoje tiveram Primárias ficaram longe de “se tirar o chapéu”. Parece que me enganei, peço desculpa. Obama foi quem desta vez renasceu das cinzas e obteve um óptimo resultado em North Carolina e um muito decente em Indiana. Será que apesar dos momentos menos conseguidos na campanha de Obama, os democratas ficaram fartos de tanta luta?

Indiana e NC

Posted in Estados Unidos by Francisco Camarate de Campos on 6 Maio, 2008

6.35pm ET: Hoje julgo que vou “tirar o chapéu” a esta senhora.

Independence Day

Posted in Internacional by Francisco Camarate de Campos on 5 Maio, 2008

 

Este mês Israel festeja 60 anos de independência. O que para os israelitas é motivo de festa, para os palestinianos é razão para recordar o Nakba, a “catástrofe”, em que mais de 700 mil palestinianos foram expulsos das suas terras (a visão tradicional israelita é que saíram de livre vontade). Passados todos estes anos, o único ponto que une os dois lados da barricada é que existem diferenças claras sobre o que se passou nesse período. Mesmo dentro dos historiadores israelitas existem visões distintas dos acontecimentos, como é exemplo dois artigos publicados recentemente. Efraim Karsh, Professor em Kings College, defendeu esta semana o seguinte:

The recent declassification of millions of documents from the period of the British Mandate [1920-1948] and Israel’s early days, documents untapped by earlier generations of writers and ignored or distorted by the “new historians,” paint a much more definitive picture of the historical record. They reveal that the claim of dispossession is not only completely unfounded but the inverse of the truth. Far from being the hapless objects of a predatory Zionist assault, it was Palestinian Arab leaders who from the early 1920’s onward, and very much against the wishes of their own constituents, launched a relentless campaign to obliterate the Jewish national revival. This campaign culminated in the violent attempt to abort the UN resolution of November 29, 1947, which called for the establishment of two states in Palestine. Had these leaders, and their counterparts in the neighboring Arab states, accepted the UN resolution, there would have been no war and no dislocation in the first place.

Ao mesmo tempo, David Remnick escreveu uma crítica positiva do último livro de Benny Morris, um “novo” historiador, conhecido pelas suas opiniões revisionistas. Remnick afirma que

“1948: A History of the First Arab-Israeli War” is a commanding, superbly documented, and fair-minded study of the events that, in the wake of the Holocaust, gave a sovereign home to one people and dispossessed another.

…e recorda o trabalho anterior de Morris:

In 1988, Morris published “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1949,” which revolutionized Israeli historiography and, to a great extent, a nation’s understanding of its own birth. Relying less on testimony than on the newly available documents, Morris described how and why sixty per cent of the Palestinians were uprooted and their society destroyed. It was a far more complex picture than many Israelis were prepared to accept. The book features a map that shows three hundred and eighty-nine Arab villages, from upper Galilee to the Negev Desert. Morris revealed that in forty-nine of these villages the indigenous Arabs were expelled by the Haganah and other Jewish military forces; in sixty-two villages, the Arabs fled out of fear, having heard rumors of attacks and even massacres; in six, the villagers left at the instruction of Palestinian local leaders. The refugees, who probably expected to return to their homes in a matter of weeks or months, went to Gaza and the West Bank, and also to surrounding Arab countries—Lebanon, Jordan, Egypt, and Syria—where, to this day, they have never been fully absorbed.

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Revolutionary Fish

Posted in Uncategorized by Francisco Camarate de Campos on 4 Maio, 2008

Facebook is so 2007

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 2 Maio, 2008
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O fim do PSD?

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 1 Maio, 2008

Acabei de ouvir, na TVI, Miguel Sousa Tavares a colocar a hipótese do fim do PSD. O argumento é que nenhuma facção vai conseguir conviver com a que ganhar, o que poderá levar a uma cisão. Os comentadores são pagos para fazer profecias ousadas. Mas embora não concorde com a premissa base de Sousa Tavares – que o partido não aguenta lutas ferozes de facção porque não tem ideologia e porque só quer poder – a tese do fim do PSD não me parece totalmente descabida.

Mas o meu palpite assenta na premissa oposta: de que o actual combate pela liderança é o mais ideológico da história do PSD (descontando os anos 70). Se perguntarmos a qualquer pessoa qual foi até hoje a mais marcante eleição pela liderança do PSD, a maior parte, senão todos, dirá que foi a que se seguiu à demissão de Cavaco Silva do cargo de primeiro-ministro e que colocou frente-a-frente Fernando Nogueira, Durão Barroso e Santana Lopes. Mas alguém pensa que esse debate foi ideológico? Esse sim foi um combate por poder, pelos despojos do dia, pela primazia no processo de renovação geracional do partido. Ironicamente, o único que tentou discutir ideologia nesse congresso foi Menezes, com o “elitista, sulista e liberal” – os assobios que se seguiram mostraram que o partido não queria discutir facções nem ideologias, mas sim pessoas.

Ao contrário, a campanha em curso está a assumir uma natureza muito mais “divisionista” e ideológica. As divisões têm merecido a maior parte da atenção. A dicotomia bases-elite não é de agora mas que nunca foi tão central e brutal. Três dos muitos exemplos:

Marco António Costa questionou ainda se o futuro líder do partido «será um candidato com um projecto basista, na linha do velho PPD, ou alguém que vai repensar politicamente o partido, como um movimento de quadros superiores, com pouco contacto com a realidade».

Alberto João Jardim revelou ainda que a Comissão Política Regional do PSD-M está preocupada com a fragmentação do partido e «sobretudo pela tentativa de uma certa burguesia dos salões de Lisboa e do Porto, com o apoio de um conhecido empresário de televisão, tentar desvirtuar um partido popular e social-democrata como é o PSD»

“Faço votos para que aquele que vencer as próximas eleições faça com que haja uma verdadeira representação no Parlamento daqueles que trabalham por conta de outrem e não apenas de empresários e profissionais liberais”, disse.”Falo com o coração, mas o recado está dado”, acrescentou Mendes Bota.

Quanto à ideologia – um aspecto que tem sido menos salientado* – começou esta semana a criar-se um claro fosso entre por um lado Manuel Ferreira Leite, com uma posição fiscally conservative, e por outro Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes, com posições do tipo supply side economics misturadas com keynesianismo – descer impostos, estimular a economia, etc. O título deste artigo da Lusa diz tudo: “Passos Coelho e Santana defendem nova política económica, coincidindo nas críticas à aposta excessiva na redução défice”.

Seguindo esta via Passos Coelho e Santana Lopes optaram portanto por um caminho de diferenciação clara face a Ferreira Leite mas também face a Sócrates. A Ferreira Leite resta afirmar-se como mais eficaz do que Sócrates, o que talvez não cole pois, caso ganhe, o PS focará a campanha no track-record de Ferreira Leite na pasta das finanças. Mas o caminho da diferenciação radical também tem custos. Tudo depende de se saber se a generalidade dos portugueses interiorizou as vantagens de um deficit controlado, se estão dispostos a deitar a perder os sacrificios realizados e se se lembram desse grande estímulo económico provocado pela despesa de Guterres.

Os partidos podem e devem ter debates ideológicos e lutas internas de clarificação. Quando não matam, estes movimentos tornam os partidos mais fortes. Mas podem matar.

* – Ao ponto de alguns nem o verem. Veja-se por exemplo este post de Luís Rainha, no 5 dias, que cai no facilitismo de uma certa esquerda que adora pensar que apenas ela pensa.

Newspeak

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 30 Abril, 2008

Os slogans do Rádio Clube Português estão cada vez mais estranhos e orwellianos. Os já conhecidos:

Dá voz às palavras

Contado por nós, você acredita

O novo:

O que pensa começa no que ouve

Será que devemos ficar preocupados?

Links

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 30 Abril, 2008

  • Artigo sobre o novo livro de Peter Gay, “Modernism”.
  • “It’s Not Just About Killing Hookers Anymore” – A Slate sobre o novo Grand Theft Auto.
  • “How to fix the web”, por Robert Scoble, na Fast Company, uma boa introdução a um dos maiores desafios – a balcanização da internet – e oportunidades actuais – agregação/organização da informação. Nesse contexto, o novo site FriendFeed, muito publicitado por Scoble, é um bom exemplo.    
  • Posner e Becker escrevem sobre regulação, o que dá jeito pois ontem o Tribunal de Contas publicou isto.

Marginal Revolution

Posted in Portugal by António Luís Vicente on 29 Abril, 2008

O estudo sobre “Os Jovens e a Política”, conduzido pela Universidade Católica, encomendado e mal-interpretado pelo presidente da república, é a melhor notícia de Abril. Principalmente a primeira conclusão do relatório:

Quer de um ponto de vista quer absoluto quer comparativo, é notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia, assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas profundas ou mesmo radicais na sociedade portuguesa. Contudo, entre os mais jovens (15-17 anos) e os jovens adultos (18-29 anos), essa insatisfação é algo menos pronunciada do que entre os mais velhos, assim como tendem a existir entre eles atitudes mais favoráveis (especialmente entre os mais jovens de todos) a reformas incrementais e limitadas na sociedade portuguesa.

A oitava conclusão também é interessante (embora não mereça referência na análise de João Pinto e Castro no 5 Dias, talvez por lapso freudiano) e surpreendente apenas para os mais distraidos (como Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, que de há uns meses para cá insiste que a fórmula para a vitória do PSD é a insistência na “categoria” centro-esquerda*):

O posicionamento ideológico dos jovens tende a estar mais à direita do que a generalidade da população, mas aquilo que mais claramente os distingue é o facto de percepcionarem menor utilidade das categorias “esquerda” e “direita” na compreensão da vida política. Este maior “desalinhamento” ideológico também se reflecte num maior desalinhamento partidário.

Suspeito que os “problemas de interpretação” a que temos assistido nos últimos dias explicam-se pelo carácter pouco simpático, para políticos e jornalistas, das conclusões do estudo. Afinal, ninguém gosta de concorrência.

Já no que diz respeito ao voto, a sua eficácia, do ponto de vista dos jovens, sofre a “concorrência” de outras formas de participação, especialmente a ligada ao associativismo e ao voluntariado.

Os jovens encontram-se menos expostos à informação política pelos meios de comunicação convencional do que o resto da população. E em geral – e não apenas aqueles que ainda não chegaram à idade do voto – os jovens tendem a exibir menores níveis de conhecimentos políticos.

* – (ADENDA) No quadro 47 “Colocação na escala esquerda-direita por faixa etária”, constata-se que apenas o grupo “65 anos e mais” mostra uma ligeira tendência centro-esquerda.

Discursos políticos no cinema

Posted in Uncategorized by António Luís Vicente on 28 Abril, 2008

Não gosto deste discurso, mas a sua raridade merece uma referência: não existem muitos exemplos de discursos tão marcadamente ideológicos como este e tão marcadamente de direita (de um tipo de direita, pelo menos). O discurso vem do livro Fountainhead, de Ayn Rand. Como se sabe, Rand foi uma autora de culto para muita gente nos anos da guerra fria (e mentora de, entre outros, Alan Greenspan). Embora concorde com algumas das ideias da obra dela (as que não são dela…), o estilo dá-me arrepios – o “self-righteousness”, a fúria, o espírito vingativo, etc. Talvez com algum exagero, Whittaker Chambers, comentando um outro livro famoso de Rand, referiu: “From almost any page of Atlas Shrugged, a voice can be heard, from painful necessity, commanding: ‘To the gas chambers–go!’…”. 

O filme é de King Vidor e o papel principal – Howard Roark – está a cargo de Gary Cooper. Foi a própria Ayn Rand que adaptou o argumento.

(Via American Rhetoric)

Candidatos PSD

Posted in Portugal by Francisco Camarate de Campos on 28 Abril, 2008

Como esperado, as eleições no PSD estão animadas. Em relação aos três principais candidatos, tenho neste momento estes comentários:
• Pedro Santana Lopes é candidato não se sabe bem porquê. Será que (ainda) pensa que tem a obrigação de estar “disponível para combate” sempre que há eleições? Não sei se Pedro Santana Lopes sabe que, caso ganhe, será o candidato do PSD às eleições do próximo ano! Não faz sentido nenhum que o PSD apresente às eleições o líder que foi afastado por José Sócrates, sobretudo nas condições em que foi. Eu presumo que Santana Lopes saiba disso, o que significa que concorre para perder – uma pessoa que já foi primeiro-ministro, concorre às eleições do seu partido só para perder, só para aparecer na televisão? É andar demais a brincar à política para o meu gosto. Para bricadeiras, mais valia terem apresentado o Ribau Esteves como representante da ala: ao menos esse sabe falar de futebol.

• Manuela Ferreira Leite é uma candidata conhecida pela sua seriedade, capacidade de trabalho, e boas intenções. Os seus méritos não serão suficientes, no entanto, para ganhar a Sócrates, desde que este não se desoriente. Aliás, olhando para a curta história da democracia estável portuguesa, não houve até ao momento quem conseguisse roubar uma eleição a um primeiro-ministro minimamente estabelecido. Manuela Ferreira Leite será criticada pelo seu trabalho nas contas públicas, mas é à partida uma líder para aguentar eleitorado, preparar as águas para quem se segue e eventualmente lutar pelo fim da maioria absoluta do PS (sobretudo se a economia desapontar). Talvez experiente demais para andar a fazer fretes, mas reconheça-se o seu esforço.

• Pedro Passos Coelho é uma incógnita. Depois dos anos na JSD*, eu e a larga maioria dos portugueses pouco ouvimos dele. Por muito ou pouco que simpatize com ele, não faço ideia do que pensa. Apesar de ter trabalhado na política todos estes anos, é estranho não ter tido ainda um cargo executivo. Usando uma métrica com muito pouco interesse apresentada por Santana Lopes nas eleições de 2005, Pedro Passos Coelho tem 150 mil hits no google.pt, enquanto Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes conseguem 247 e 326 mil, respectivamente. Pedro Passos Coelho não me parece que tenha página no wikipedia (“Luís Menezes, importas-te de criar uma?”). Nesse sentido, de todos os candidatos, Passos Coelho é o que necessita mais urgentemente de apresentar as suas ideias (terça-feira). Pode ser uma cara que os portugueses queiram ouvir, mas é um tiro no escuro. Tem o apoio de Nogueira Leite, Rita Marques Guedes, Miguel Relvas, entre outros. Maioria dos apoiantes, jovens políticos “looking for change”. Tem agora também o apoio da concelhia do Porto, apesar de não ter passado no requisito número um de não ter curso superior. É uma solução de mudança, apesar de estar no partido há mais de 20 anos. Pode ser a simpatia que contraste com os momentos de irritação de Sócrates. Até pode ser que seja, mas ainda é cedo para dizer. Veremos que tão interessante se torna.

*Pela forma como se tornaram, tenho as minhas reservas em relação em quem passou muito tempo nas Jotas, mas Passos Coelho ao menos fez um bom trabalho.